Porque sou um “maldito caçador”

29 de fevereiro de 2012 § 17 Comentários

28/2 (na página “Quem somos“)

Fernão, bom dia!

Gostaria que fizesse uma matéria sobre os caçadores malditos (acredito que deva ser contra a caça, claro). Hj recebi um e mail com esse artigo que achei muito interessante: “Caçador bom é caçador morto.

Imaginei que poderia desenvolver sua opinião sobre o assunto e que poderia dar um ótimo post…

Abraços! Jeanne

27/2 (na página “Quem somos“)

Estou adorando seu blog (…) Vc realmente segue a proposta que acredito em relação ao jornalismo: deve ser instrumento de reformas (…) um jornalismo decente.

Abraços e parabéns pelas postagens! Jeanne

27/2 (no post “E o Oscar dos Direitos Humanos vai para…“)

Parabéns pela abordagem excelente!

Mais triste ainda constatar que a maioria das pessoas (costumo chamá-las de “normais”) age como esses famosos…dinheiro, a bosta (perdão, mas é preciso) que move o mundo para o abismo…

***

Olá, Jeanne.

Que ótima oportunidade você me dá!

Nada poderia ser mais eloquente para provar meu ponto – o de que, na vida real, não existe branco nem preto puros, só tons de cinza – do que os agrados que você me fez nos últimos dois dias postos ao lado desses tiros disparados contra os caçadores dos quais, desde já, reivindico o quinhão que me cabe.

Não, Jeanne, eu não sou contra a caça. Na verdade eu sou um dos seus “malditos caçadores”.

E agora, como é que fica?

Dou-lhe um tempo para respirar…

Se passou adiante do parágrafo anterior você já faz parte da minoria em extinção dos que insistem em preservar a autonomia da razão nestes tempos de “mais do mesmo, AGORA!, JÁ! e em quantidades googleianas” em que vivemos.

A ausência de contraditório nessa infinidade de guetos onde só convivem “iguais”, uns reforçando as certezas dos outros, em que a internet se vai transformando ameaça banir do dicionário a palavra TOLERÂNCIA em cima da qual foi construído o edifício da democracia.

Está cada vez mais difícil pensar com autonomia, sobretudo a respeito dos temas que os patrulheiros cercam daquele velho cheirinho de fogueira de queimar herege para desencorajar dissidentes, como este que o título “Caçador bom é caçador morto” resume tão bem.

Não me entenda mal, Jeanne. Eu compreendo o seu ponto.

Sobre o tipo de comércio de que fala a matéria que você indicou, estamos de pleno acordo, menos por um detalhe: aquilo não é caça, é só mais uma maneira covarde e criminosa de correr atrás da “bosta que move o mundo para o abismo“.

Àparte isso, você, eu e todos os demais seres vivos somos caçadores e somos caça.

Na realidade urbana de hoje é fácil perder isso de vista.

Você compra a sua carne no supermercado, empacotadinha e sem sangue; o couro do seu sapato e a pele que estofa o banco do seu carro já chega a você bem acabada e cheirosa; você não estava lá quando o fogo e os “correntões” arrasaram de uma vez para sempre os milhões de hectares de cerrado, de Mata Atlântica, de Hileia Amazônica com suas perdizes, lobos guarás, araras, onças pintadas e macucos, para abrir espaço para o algodão indiano de que são feitas as camisetas das campanhas pelos direitos dos animais ou a soja asiática dos menus vegetarianos; ninguém te lembrou a tempo de que, do segundo filho em diante, você se tornaria um agente direto da usurpação de habitats dos demais seres vivos do planeta…

Mas a cada um desses atos, e mesmo apenas ao ser, ao estar, ao procriar, ao consumir e ao descartar; ao disputar espaço neste mundo, enfim, você esta caçando e sendo caçada como sempre foi e como sempre será.

Não sei de que maneira você procura deus, Jeanne, mas a minha é esta: despir-me da minha circunstância para, revivendo ritualmente a experiência comum a todos os homens desde o nosso primeiro ancestral, submeter-me integralmente À Lei para procurar o que existe de permanente em todos nós; entregar-me docilmente à minha essência e caçar até ser caçado (torço pelos grandes predadores de preferência aos microscópicos no que diz respeito à disposição da minha própria carcaça); viver na e da natureza até ser capaz de entender a morte como o que é, reciclagem e não trágica derrota da nossa pretensão à onipotência.

Coisas que só se aprende caçando…

Compreendo perfeitamente o estranhamento que essas idéias possam causar a todos quantos terceirizaram a sua necessidade de caçar para permanecer vivos e até o horror com que esses fatos de todas as vidas em todos os tempos chegam a quem tem vivido como real a vida editada por terceiros que se vive hoje.

Mas rechaço os julgamentos morais em torno da necessidade de comer e do modo com que a natureza aparelhou todos os seres vivos para satisfazê-la; essa prática que nos trouxe a todos até aqui e cujo domínio obrigou o bicho homem a desenvolver as habilidades que hoje chamamos de inteligência.

A ausência de uma cultura de caça entre as elites brasileiras é geralmente tida como “progressista”. Mas é justamente o contrário. Trata-se de um aleijão sociológico. E dos mais feios.

A figura de Daniel Boone, que vivia de e para a natureza, em perfeita simbiose com ela, está totalmente ausente da galeria clássica de “tipos brasileiros” porque desde que o primeiro português pôs os pés nestas terras até o finalzinho do século 19 (fomos o último país do Ocidente a acabar com ela) é o escravo, índio ou negro, quem caça para o branco comer e quem desmata sob as ordens dele para empurrar para mais longe do canavial esse “limite da civilização”; esse esconderijo hostil dos “bugres”, das “feras”, dos “miasmas” e das “febres”.

O brasileiro da praia, o amigo do rei que olhava sempre para Leste, nunca caçou.

Continua assim. Caçar segue sendo “programa de índio”…

Essa estranha suposição de que viemos de algum tipo de fábrica ascéptica isenta das leis que regem a vida neste planeta que nós teríamos o poder de revogar por decreto tem sido um desastre para os nossos biomas.

Sendo as sociedades humanas economicamente dirigidas e perdiz o único produto da natureza que vale mais que boi ou soja, a proibição da caça resulta em que ambientes conservados e seus produtos naturais não tenham valor econômico no Brasil, o que explica porque eles estão desaparecendo na velocidade vertiginosa em que estão para abrir espaço para os únicos produtos da natureza que nossos ambientalistas permitem que se explore em detrimento da perdiz: soja e boi.

Não vai sobrar nenhuma nem para exemplo.

É simples assim, Jeanne…

E não se iluda. A questão do uso da terra não se resolve com polícia como temos provado todos os dias nos últimos 500 anos. Um único cochilo basta para que se destrua o que a natureza leva milênios para construir. Já a da caça predatória, sim, especialmente se houver um interesse econômico na conservação.  O resto do mundo está aí de prova.

Mas temo que esta nossa ilha cercada de língua portuguesa por todos os lados acorde mais tarde para essa realidade do que seria bom para a saúde do nosso planetazinho azul.

O espesso analfabetismo ambiental brasileiro tem raízes profundas. É mais uma das terríveis cicatrizes da escravatura que carregamos.

E não ha solução fácil. Educação ambiental é uma cultura. É fruto de uma vivência que não se pode adquirir à distância nem por revelação iluminada de terceiros. Só frequentando a natureza.

Impedido de conviver com ela o Brasil tem a floresta, ainda hoje, como a humanidade tinha a natureza antes do advento da ciência: como um pastiche confuso de verdades reveladas; como o mero suporte de uma religião.

Já passou da hora de permitir que a ciência ocupe nesse campo o lugar do preconceito. E em matéria de educação ambiental, Jeanne, a caça, escoimada de suas perversões, é o curso de doutorado.

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§ 17 Respostas para Porque sou um “maldito caçador”

  • Jeanne Farlado Knopf disse:

    Boa tarde Fernão!
    Estou chegando agora da faculdade( odontopediatra, fazendo pós) , onde atendo crianças especiais ( não gosto do termo deficientes pq, na minha opinião, deficientes são as pessoas que se acham normais. Esses sim, deficientes do amor verdadeiro, o incondicional, deficientes de ética, de manutenção dos principios em qualquer circunstância…)Pois bem, atendo um um público bem variado( todos crianças): portadores de inúmeras síndromes, portadores de paralisia cerebral, autismo( aliás,tenho uma filha autista, de 3 anos) , esquizofrenia, cardiopatas, transplantados…enfim, o refugo…o que público que raríssimos profissionais atende. A maioria de meus colegas prefere sedá-los, é mais fácil…nunca precisei usar desse recurso. Sabe o que faço para que eles permitam o atendimento? Canto para eles…os acalmo, eles ficam como que hipnotizados..a maioria, até os que possuem comportamentos mais arredios, acabam permitindo o tratamento.
    Bem, contei tudo isso para que saiba um pouco mais de mim. Que não sou uma pessoa “normal”…rsrrsr
    Respirei …e não só passei adiante do parágrafo anterior do seu texto, como o li na íntegra.
    Quando li as primeiras palavras, te juro que me passou pela cabeça: ” qual é a desse cara???”…mas continuei, justamente pq não sou uma pessoa muito “normal”. Li tudo e estou te admirando mais ainda. És um profissional, um ser humano brilhante…não me enganei no me faro de caçadora…rsrsrsr ( NÃO ESTOU MALUCA NÃO…JÁ VAI ENTENDER O QUE QUERO DIZER…)
    Prefiro lhe explicar tudo , respondendo dentro do seu próprio texto…( ISSO VAI FICAR LONGO…MAS NÃO IMPORTA…QUERO COMENTAR SEU COMENTÁRIO…PROMETO TENTAR RESUMIR…rsrsr)
    Vamos lá?
    Bem, já respirei…passei adiante do parágrafo anterior do seu texto…acho que faço parte da minoria em extinção que preserva a autonomia da razão.
    Não te entendi mal…agora peço que me compreenda:
    Enviei a sugestão da matéria a vc, com dois únicos objetivos, bem explicitos: abomino caçadores de animais, “normais” covardes que correm atrás da bosta que move o mundo para o abismo…era sobre eles que falava e 2º motivo , sobre os políticos de merda, os corruptos fdp( desculpe, mas hj não estou muito “educada”) que comandam esse nosso país…os caçadores de nossas esperanças de viver em um país decente.
    Mas entendi bem onde quis chegar…e chegou bem…foi um ótimo post..acho mesmo que te dei uma ótima idéia…rsrrsr
    Quanto a sermos caça e caçadores…sou uma caçadora sim, Estive minha vida toda à caça de pessoas que pensassem como p”…para achar um “ET” como sou, foi dificil enso…´sempre muito difícil de se encontrar…tantas decepções, tantas pessoas “normaismesmo…mas consegui alguns ( poucos) para minha coleção…vc é um deles.Como já comentei, tenho bom faro…continuando..

    Naõ compro minha carne em lugar algum, pq nem eu nem marido e filhos consumimos carne. Somos vegan…sou vegan desde criança. Argumentava muito com minha mae, saim altas brigas para que não comprasse carne…sempre fui assim, meio anormal…nosso carro tb não é estofado com couro, não usamos nem sapatos, nem bolsas, nem nada que seja ás custas de sacrificio animal…catequisei o povo , pelo menos aqui de casa…rsrsr usamos soja sim e muita, só que ela vem de um sitio de um tio meu…qto a camisetas e outraos produtos…todos aqui em casa investigam bem antes de comprá-los…as camisetas que usamos não são pra fazer campanha a favor do verde, do vegetarianismo, etc etc..o algodão não é de origem asiática e sim 100% nacional( pelo menos é o que nos garantem os fabricantes)…FILHOS TENHO 3 ( UM EXAGERO, EU SEI) mas são seres extraordinários, conscienciais( pq os crio assim e faço maxima
    questão disso…), inteligentes, argumentam…não são adolescentes vazios, inúteis futuros homens de nossa sociedade. Aqui damos valor para o “ser” e não para o “ter”. Meu filho mais velho, o que entrou em jornalismo da usp este ano, para que vc tenha uma idéia, tem 17 anos e dá aulas particulares( de graça) para uma menina que tem dislexia e muita dificuldade no aprendizado escolar. Sção meninos que recolhem animais abandonados das ruas,

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    • Jeanne Farlado Knopf disse:

      Me desculpe postar essa resposta aos pedaços, mas não estava conseguindo mais digitar no espaço anterior, o texto voltava qdo ia digitar a próxima linha…então continuo aqui, neste outro espaço, ok?

      Bem, estava te contando de meus filhos…o mais velho, 17 anos, passou em jornalismo agora na USP, dá aulas particulares para uma menina com dislexia pq gosta de ajudar as pessoas…meus filhos recolhem animais abandonados das ruas, arranjam adortantes, fazem rifas pra tratamento em veterinario, se preocupam em economizar água, não jogam lixo no chão, nem poluem outros lugares, fazem caridade, seguem os mesmos principios independente das circunstancias…não creio que não representem um perigo ao planeta e sim, ajudem em seu “conserto”, se é que essa merda de mundo ainda tenha conserto…
      Procurar Deus…não o procuro. Creio que já o tenha encontrado no meu jeito de ser, nos ensinamentos que procuro passar a meus filhos, à familia que formei, mas tb às pessoas que cruzam meu caminho…estou dsempre à caça de gente como eu, mas tb sou e fui caçada por outros “ETS” que tb me ensinaram muita coisa à respeito da essência…vivenciar nossa essência. É mais do que preservá-la, idolatrá-la…é vivenciar aquilo que acreditamos, colocar em prática nesse mundaõ de merda, pra ver se ele se modifica( pelo menos um pouquinho para melhor)
      Coisas que só se aprende caçando…caçando sonhos e os transformando em realidade.

      Nada me causou estranhamento…amei seu texto. VC É BRILHANTE…UM ET DOS BONS…rsrsr

      Grande abraço e minha admiração por seu trabalho e pelo SER humano que é.

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  • Jeanne Farlado Knopf disse:

    Fernão, só mais uma coisa…( já escrevi demais por hj..)
    Peço desculpas pelos erros de digitação, mas estou na correria aqui, cuidando da casa, dando atenção à minha filhinha, que tem autismo e precisa muito dos meus cuidados, jantar por fazer( nao tenho empregada)…escrevi correndo, nem conferi o texto antes de enviar…mas acho que a essencia deu pra entender e é o que mais importa, não é mesmo?
    Abraço! Esperando o próximo post…( são todos ótimos)

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  • Jeanne Farlado Knopf disse:

    Fernão…voltei. Disse que a 3ª postagem seria a última, mas acabei me esquecendo de algo muuuito importante que esqueci de comentar, devido à correria . Agora há pouco, enquanto dava banho à minha fiilhinha, pensei: putz! esqueci de uma coisa importante…sobre Deus…escrevi que já o encontrei no meu jeito de ser, na essencia que vivencio, que tento passar para os que me cercam através de açoes, gestos, exemplos( a importância do “ser”) e o que não comentei anteriormente…encontro Deus todas as quartas feiras, naquelas crianças especiais que atendo na faculdade, na maneira em que lido com elas e a retribuição que me proporcionam…sem palavras.
    Era isso…queria somente completar.
    Abraço!

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  • Jeanne disse:

    Fernão, bom dia!
    Está respirando ainda?? Cadê a resposta? rsrsrsr
    Sério, espero uma resposta…fiquei até com os dedos doendo de tanto que escrevi ontem…caramba!

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  • fernaslm disse:

    que bom que você convive bem com a diferença, Jeanne!
    isso está ficando raro.
    e que linda essa sua dedicação aos especiais! tem dedo de deus nisso, com certeza…
    mas eu sai das suas respostas meio na dúvida sobre como você entendeu o que escrevi.
    quando digo que sou um caçador não estou dizendo que o sou de forma indireta ou metafórica, como o resto de nós. falo no sentido literal: enquanto a maioria das pessoas hoje “compra a sua carne no supermercado, embaladinha e sem sangue”, eu vou ritualmente ao mato com uma espingarda, que é o arco e flecha de hoje, buscar a minha…
    quanto ao veganismo, você tem tanto direito às suas crenças quanto eu às minhas conclusões e o importante é que ponhamos o direito de cada um de tê-las do jeito e na hora que quisermos acima daquilo em que escolhemos acreditar, se é que me faço entender…
    calar, derrotar, nunca. tentar convencer, sempre.
    é o antídoto para o cinismo.
    de modo que insisto: nada muda o fato de que não ha vida que não custe morte. vida e morte são dois lados da mesma moeda.
    o seu algodão pode ser certificado mas não é nativo do Brasil. foi introduzido por causa “da bosta” e exigiu a destruição de habitats e, portanto, não só as vidas dos animais presentes no momento da destruição, mas a de todos os trilhões de animais futuros que estão presentes potencialmente em habitats preservados.
    enfim, nossa presença na terra nessa escala de praga descontrolada de hoje não é gratis sejam quais forem as voltas que a gente dê para se deslocar mais para cima ou mais para baixo ao longo da cadeia alimentar: comer a comida do animal ou comer ele próprio, não faz muita diferença para o animal. é só questão de tempo. mas roubar o seu habitat faz muita. não ameaça só o animal presente, ameaça a continuação da espécie.
    sacou quanto é caro o seu algodão certificado?
    por isso acho que não devemos sentir culpa por ter de comer e nem pelo fato de alguém ter sempre de morrer para isso.
    essa é a regra do jogo.
    para o que, sim, há remédio, é ocupar espaços com o auxílio da ciência de modo a tornar essa ocupação sustentavel e reduzir desperdícios. por exemplo, deixando de usar algodão e passando a comer carne de animais brasileiros, de repente…
    exatamente o contrário da receita dos nossos ecologistas e daqueles caras da globo que falam dos animais como se eles fossem personagens de romances barrocos.
    enfim, aquilo que chamamos de realidade é só um monte de aparências, tanto mais quanto mais acreditamos no que vemos na TV, Jeanne.
    desde a pré-história os caçadores aprendem rápido a economia da natureza porque esta é a condição para que continue havendo sempre caça/comida amanhã.
    e pra encerrar, reforço: o melhor que podemos fazer em prol da sustentabilidade é ter menos filhos porque está claro que o espaço esta ficando apertado e que para cada um que entra e permanece, vários têm de sair.
    enfim, coisas…
    o essencial é continuar indignada.
    beijo!

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    • Jeanne Faraldo Knopf disse:

      Fernão
      Agradeço muito sua resposta.
      Entendi, sim, perfeitamente o que escreveu. Respeito as diferenças e e admiro, justamente pela sua verdade escancarada. Vc a declara, não omite, não mente…tb sou assim Muito cansada de gente dissimulada…a maioria da bosta do ser humano é assim. Me desculpe a palavra, mas hj estou pior que em outros dias…indignada com muita coisa…com gente que se acha gente e não é merda nenhuma… Farenfim…quero deixar claro que admiro quem vive sua essência, defende seus principios em qualquer circunstância, quem não se vende pela bosta que move o mundo e nem por qualquer outro motivo…
      Bem, agradeço suas palavras..
      Continue nos presenteando com seus artigos essenciais, escancarando suas verdades…vc é gente de verdade.
      beijos!

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  • Jeanne Faraldo Knopf disse:

    Fernão, outra coisa…esqueci de comentar
    Gostei muito disso aqui que escreveu…
    …calar, derrotar, nunca. tentar convencer, sempre.
    PERSISTÊNCIA, DETERMINAÇÃO…SEMPRE! NAS NOSSAS AÇÔES E PRINCIPIOS…
    Sou exatamente e insuportavelmente assim…rsrrsr
    Bjo!

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  • Fernão,

    Então, você é, sim, um maldito caçador?

    Também sou tolerante à divergência de idéias.
    Um pouco menos à divergência de práticas.
    Nenhum risco aos demais. Apenas me enveneno.

    De qualquer forma, atualizando Voltaire, “posso não concordar com as suas palavras, mas defenderei, enquanto a Internet for livre, o seu direito de blogá-las”.

    Concordo com a observação sobre os riscos da intolerância e conseqüente patrulhamento que eventualmente possam surgir nos “guetos onde só convivem iguais” (sic) propiciados e potencializados pela Internet, como você disse.

    Entretanto, é preciso interagir um pouco com os “habitantes virtuais” desses “guetos”, para compreender que, nem sempre, os preceitos que os movem resultaram de “uns reforçarem as certezas dos outros” (sic).

    Nos “guetos” que conheço bem, cada uma dessas certezas (refiro-me estritamente àquelas relativas à Ética no Tratamento dos Animais) se originou de algo essencial, que sempre incomodou, sempre esteve atravessado na garganta de cada “habitante”.

    A Internet, finalmente e apenas, proporcionou a essas pessoas a oportunidade de encontrar outras que também traziam em si esse inconformismo angustiado, de compartilhar e descobrir que suas percepções e opiniões, formadas independentemente, não eram únicas.

    Já chegarei ao ponto…

    Antecipo, não cabe supor que pessoas envolvidas com este tema estejam sujeitas ao clássico “efeito de manada”.

    Nestes “guetos”, que eu chamaria de “melting pots”, interagem centenas de milhares de seres (para falar apenas em Brasil), em sua maioria, “altamente pensantes e independentes”, de todos os campos de atividades humanas, de todos os níveis culturais e socioeconômicos.

    Ponto comum, consideram e tratam os animais como seres sentientes.

    Dessa interação resultaram bordões, campanhas, ações (que eu apoio, e você talvez abomine) contra: Rodeios, Touradas, Vaquejadas, Farras do Boi, Fining (inclusive no Brasil, a despeito da lei), Seal Hunting (Canadá), Fiesta Del Toro Jubilo (Espanha), Caça às baleias (Japão), Fur Farming (mundo todo), caça predatória e/ou desportiva em geral, dentre tantas outras atrocidades perpetradas pela praga humana, contra animais indefesos.

    Isto posto, voltemos…

    Da essência do artigo e subseqüentes comentários, sintetizo e destaco estes argumentos explícitos e/ou implícitos:

    – Aquilo que você critica (ou combate) não pode ser mudado;
    – Sempre foi assim e sempre será.

    – Você não percebeu que está (e sempre estará) sendo caçado e caçando, mesmo quando não vai à caça pessoalmente, e pouco podemos fazer para alterar isto.

    Desnecessário elaborar, os dois primeiros conduziriam a sofisma.
    Quanto ao terceiro, aqui vai minha discordância.

    Veja, sobre a inevitabilidade do “para haver vida tem de haver morte”, apesar do seu streamlined thinking, isto me soa muito como:

    “Está difícil e não podemos fazer muita coisa a respeito. Portanto, continuemos a caçar, direta ou indiretamente, a nossa carninha de todos os dias e vamos comer e viver em paz”.

    Um corolário:

    “Já que sou inexoravelmente responsável indireto pelas mortes de animais, que mal há em pegar um trabuco e ir matar alguns pessoalmente?”

    Minha contestação por absurdo:

    “Já que sou inexoravelmente responsável indireto pelas mortes de muitos (escolha a nacionalidade) condenados à miséria e ao trabalho escravo, pelo meu consumo de produtos baratos e de quinta categoria, que mal há em pegar um trabuco e ir matar alguns pessoalmente?”

    Desculpe, esqueci, uns são sentientes, outros se sentam em seus “troninhos de coroas da criação”.

    Meu modo de ver, para tudo o que foi apresentado como inexorável, existem duas ou mais formas de fazer.

    Para mim, excluindo-se as sociedades ainda tribais e correlatas, de recantos isolados do planeta, são inaceitáveis as formas que envolvam a morte de outros seres, quer humanos, quer sentientes.

    Utopia?

    Focalizando o problema de prover apenas alimentação (basicamente substrato protéico) e vestuário para mais de 7 bilhões de pessoas, talvez você voltasse aqui aos argumentos sobre a soja, o feijão, o milho, a lentilha, o “algodão certificado” (que eu também consumo) e os tais correntões da devastação florestal, usurpando os habitats das demais espécies.

    Okay, acrescento ainda a devastação resultante da criação de “animais de produção”, bois, bovinos, suínos, aves, tornando nosso pais o campeão mundial em morticínio de animais para abastecer o cardápio carnivorista da humanidade.

    Vamos lá, mais um pouco, a devastação direta ou indireta de todos os processos de produção de energia para um planeta já superpovoado.

    Como engenheiro mecânico, de produção, e de sistemas (IT), como tradutor técnico (centenas de documentos relativos a normas e processos de licenciamento ambiental, Tupiniquins e estrangeiros), principalmente como pensador independente, venho analisando estes temas há décadas, antes mesmos de se tornarem trends (pelo menos nas mídias de massa).

    Tenho certeza de que este status quo é mantido pela incompetência técnica (ou competência desestimulada e sufocada), pela ganância dos lucros estratosféricos (para que atingir maiores escalas?), pela falta de vontade (inclusive política) de fazer as coisas de forma correta, eficaz e eficiente, pela preguiça ética e moral, pelo desconhecimento do que sejam ética e moral nestes assuntos (estritamente, os temas que abordo aqui), pelas religiões encasteladas, há séculos semeando superpopulação, ignorância e miséria… enfim, um conjunto de fatores que nos qualifica como atores em um cenário que humilharia certa obra de Dante Alighieri.

    Entendo que, para cada substituto de um produto oriundo da morte de animais, exista uma forma de produção que não implique em prejuízos, ou mais mortes, às outras espécies.

    Citando poucos recursos à disposição, engenharia genética & transgenia (sujeitas a estudos honestos de biossegurança, de longo prazo), engenharia molecular, aprimoramento genético, normas de licenciamento ambiental fundamentadas também no respeito e tratamento ético devidos aos sentientes (sem o bem-estarismo de certas ONGs globais), fiscalização e aplicação (decentes) dessas normas… nem vou além, pois estou certo de que o seu nível de informação supera o meu.

    Retomando os temas caça e carnivorismo (acho que não saí deles), considero que não, não estou no topo da cadeia alimentar, exceto pela perversa capacidade destruidora que me foi concedida, por pertencer à espécie humana.

    Considero também descartável (no que concerne estritamente aos temas que abordei), um argumento recorrentemente conectado à caça, ao carnivorismo etc. — “estar em contato com os nossos instintos primais”.
    É possível exercer isto através de qualquer prática desportiva, recreativa ou não, levada a sério.

    Outro argumento esfarrapado — “é preciso ter tutano para estar no topo da cadeia alimentar”.

    Metaforicamente, nos píncaros da cadeia alimentar estão determinadas superbactérias, os vírus que deglutem tranquilamente nosso DNA para gerar seus “filhotes”, os vermes do cemitério, etc.

    Realmente, em termos de design, estamos bem próximos dos herbívoros puros, com nossas dentições inadequadas, nossos longuíssimos intestinos dotados inclusive de “entrepostos”, como cecum e apêndice.

    Estamos distantes, por exemplo, de máquinas carnívoras, as hienas, com suas dentições “really designed for the task”, seus curtíssimos e rápidos intestinos, avessos às infecções ingeridas com os pedaços de cadáveres de que se alimentam.

    Entretanto, insistimos em ingerir pedaços de cadáveres.

    Talvez, no tocante à forma geral de lidar com sentientes (não falo somente de alimentação), nossas famílias, nossa civilização, tenham desempenhado papel de enorme gueto, em que as “certezas” milenares de muitos serviram para reforçar as “certezas” atuais de (quase) todos.

    Finalizando, se realmente “pega uma espingarda e vai ao mato caçar”… você é, sim, um maldito caçador, e do pior tipo: aquele que, embora não precise caçar para sobreviver (precisa?), se compraz em ficar à espreita, apertar corajosamente um gatilho, interromper uma vida sentiente, e ir buscar, tranquilamente, o cadáver da vítima.

    Pelo que depreendi, material e filosoficamente, do sentido e da lógica de seu artigo e posteriores comentários, talvez as coisas que escrevi lhe soem um tanto etéreas.
    Despendi meu tempo, na esperança de que não seja assim.

    Alfredo Cyrino
    (Vegano, protetor atuante pelo Tratamento Ético dos Animais, não vinculado a quaisquer organizações, de quaisquer naturezas).
    São Paulo – Capital

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  • fernaslm disse:

    ok, meu caro cyrino,
    como disse, cada um tem direito as suas crenças e eu sou o primeiro a por o direito de te-las acima da tentação de apedrejar as alheias.
    mas para que sua pregação ganhe eficácia, sugiro que você procure algum tipo de programa de treinamento dos demais sentientes, das bactérias aos tigres e leões, passando pelos demais que nadam, voam ou rastejam, para que não pratiquem essa imoralidade que é comer outros sentientes e passem a se alimentar com algum outro produto da tecnologia que não inclua vidas em seus ingredientes (não sei, alias, se vidas vegetais estão ou não incluidas entre os sentientes que merecem ser poupados ou se estas podem ser sacrificadas sem que haja violência ou pecado).
    seja como for, se só os homens negarmos nossa natureza e corrigirmos suas leis para que fiquem “melhores” enquanto todos os outros sentientes continuarem aceitando docilmente a sua, não se cumpre o objetivo de banir deste planeta esse hábito nauseabundo e imoral de comer cadáveres que caracteriza todos os seus habitantes.

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    • Jeanne Faraldo Knopf disse:

      Boa tarde,Fernão

      Gostaria de comentar sua resposta ao comentário de um leitor seu, Alfredo Cyrino.
      Não acho que tenha sido muito feliz ….e explico
      Antes de mais nada…não gostei dessa ironia…vc tem direito à tua crença, claro. Tb respeito as diferenças e já sabe disso. Mas as ironias são um desrespeito ao outro que tb tem direito à expressão. Não somos donos da verdade. Persistentes, determinados, sim, mas sempre abertos ao conhecimento, às possíveis mudanças de idéias e atitudes. Ou vc não é assim? Estamos todos aqui nesse mundo aprendendo a cada dia. Ou não ? Creio que sim.Melhorar, evoluir sempre.
      Vamos ao que quero comentar…

      Qual a diferença de um ser humano e outro animal? A capacidade de raciocinio lógico (pelo menos deveria ser assim) . Agora não se irrite…respire antes…rsrrsrs

      Significado de senscientes: Capacidade de um animal não-humano de sentir prazer e dor manifestando felicidade e sofrimento; incluindo seus anseios, sonhos, pensamentos e lembranças.
      Senciência refere-se à capacidade que os animais vertebrados superiores (mamíferos, aves, peixes, répteis e anfíbios) possuem de sentir dor, medo, alegria, prazer, estresse, memória e até saudades.Animais de produção como bovinos, por exemplo, sentem medo antes da morte. Essas sensações negativas de pânico se refletem em descargas de adrenalina e cortisol (hormônios do estresse) e ficam na carne, Os animais selvagens sentem estresse ao serem retirados do seu habitat natural. Os cães domésticos sentem estresse e saudades do seu dono quando esse viaja. E te adianto que um pé de alface não teria essa capacidade pq não tem cérebro.

      Voltando…qual a diferença de um animal não -humano e os homens? RACIOCINIO LÓGICO…PELO MENOS DEVERIA SER ASSIM, MAS NA VERDADE NÃO É…é mais fácil ao humano vivenciar seus instintos no dia a dia, deixá-los aflorar…tão somente eles O churrasquinho é gostoso…ai que cheirinho bom!! Vamos satisfazer nossos desejos mais primitivos…. A CAPACIDADE DE RACIOCINAR É USADA SIM, DA MANEIRA MAIS ABOMINÁVEL PELA MAIORIA DAS PESSOAS …PARA QUE SATISFAÇA SEUS INTERESSES PESSOAIS E NÃO SEGUINDO PRINCÍPIOS INDEPENDENTE DA CIRCUNSTÂNCIAS…
      Usarei um outro exemplo aqui, meio chocante mas bem verdadeiro: Sexo é bom, instintivo sim, mas vc não sai agarrando qualquer um que te atraia fisicamente pela rua, como um cão no cio faria com as cadelinhas…vc não faz pq sabe que não é conveniente. Usa o seu raciocinio lógico para isso, não usa? Pq precisa usar nesse momento…
      E pq temos de matar um animal sensciente, para satisfazer desejos puramente instintivos( seja de mostrar superioridade em relação ao animal, na caça ou da vontade de devorar sua carne)??

      TE PERGUNTO…QUAL A TUA NATUREZA FERNÃO?…

      O habito de comer cadáveres não caracteriza todos os habirtantes desse mundo. Ou então me considero uma extra-terrestre., Esse é um hábito instintivo e não lógico.

      Fernão..vc não é assim. Pense melhor sobre tudo que escreveu. Respire, te darei tempo pra isso…Depois, se quiser, me responda.

      BEIJO!

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    • Bom dia, Fernão

      Agradeço pela atenção de haver respondido.
      Face ao tamanho do meu comentário, foram poucas divergências, embora algumas essenciais.
      Não vi ironia (discordo da outra leitora), mas sim discordância profunda, expressa via sarcasmo, algo a que também recorro, quando o interlocutor esta à altura.
      Comento brevemente, dentro do seu texto (marcando com >>>).

      —————-
      ok, meu caro cyrino,
      como disse, cada um tem direito as suas crenças e eu sou o primeiro a por o direito de te-las acima da tentação de apedrejar as alheias.

      >>> Concordamos plenamente, nisto.
      Sem pedradas nas crenças, apenas uma forte crítica a certas práticas.
      —————-
      mas para que sua pregação ganhe eficácia,

      >>> Não há pregação.
      Apenas exposição transparente de uma forma de pensar.
      Fiquei tentado a fazer do meu comentário um post, linkado ao seu artigo.
      Mas optei por este espaço (mexer mais no Vespeiro), pela sua receptividade à discussão de idéias, sejam convergentes ou divergentes.
      —————-
      sugiro que você procure algum tipo de programa de treinamento dos demais sentientes, das bactérias aos tigres e leões, passando pelos demais que nadam, voam ou rastejam, para que não pratiquem essa imoralidade que é comer outros sentientes e passem a se alimentar com algum outro produto da tecnologia que não inclua vidas em seus ingredientes

      >>> Aqui, voltamos ao “se todas as espécies o fazem, então…”
      Moralidade só vale para os racionais.
      E entre eles, os sentientes, que prevaleçam as leis naturais, a hierarquia dos predadores, das cadeias alimentares, e o decorrente equilíbrio das espécies.
      É o que a Natureza sabiamente lhes reservou.
      Não lhes foram dadas (dito assim, para não trombar com criacionistas), ou não desenvolveram ainda (dito assim, para não trombar com evolucionistas) os graus de inteligência e industriosidade que nos caracterizam e nos habilitam a produzir nosso próprio alimento (e tudo o mais), em grande escala e sem mortes, sem caça, sem abusos.
      —————-
      (não sei, alias, se vidas vegetais estão ou não incluidas entre os sentientes que merecem ser poupados ou se estas podem ser sacrificadas sem que haja violência ou pecado).

      >>> Conceito geral (incompleto, mas suficiente para sanar a dúvida), sentientes são dotados de sistema nervoso, central ou distribuído, apto a interagir com o ambiente e a memorizar (portanto, vivenciar) experiências.
      Isto, felizmente, exclui os vegetais.
      Sobre a menção a “pecado”, talvez a minha forma de pensar, e não a sua, seja considerada pecado.
      Paciência, exponho e pratico aquilo em que acredito, e acredito naquilo a que me levam minhas percepções, meu conhecimento e meu pensamento.
      —————-
      seja como for, se só os homens negarmos nossa natureza e corrigirmos suas leis para que fiquem “melhores”

      >>> Como homem, nem renego a minha natureza, nem proponho que o façamos.
      Creio apenas que essa não seja mais a nossa natureza.
      Assumo a minha natureza, no estágio evolutivo em que se encontra, distante das memórias atávicas de presa e de caçador, uma natureza extremamente equipada para viver bem (e viver melhor, orgânica e espiritualmente… nada de religião, aqui!), sem a necessidade de matar seres sentientes para me alimentar, me vestir etc.
      Que os instintos me sirvam, sim, mas para sobreviver à violência dos meus congêneres.
      —————-
      enquanto todos os outros sentientes continuarem aceitando docilmente a sua, não se cumpre o objetivo de banir deste planeta esse hábito nauseabundo e imoral de comer cadáveres que caracteriza todos os seus habitantes.

      >>> Descabido o objetivo de banir, dentre as demais espécies do planeta, o hábito de comer cadáveres.
      Mas, o fato de as coisas terem de continuar como sempre foram (entre elas), não afeta a maneira pela qual decidi agir com relação a elas.
      Novamente, apenas mais uma exposição de idéias, sem pregação.
      Tenho convicção de que, mais à frente, nossos descendentes, plenamente cientes de sua natureza evoluída, estarão lendo sobre os tempos de carnivorismo (e práticas associadas) da humanidade, sem crítica ou remorso, mas satisfeitos por haverem percorrido o longo caminho até tal estágio.
      São inúmeros os dilemas práticos que nos empurram nessa direção (superpopulação e necessidade de eficiência extrema em produção e logística global de alimentos, para falar somente em um deles).
      Não importa muito através de quais caminhos, o resultado será muito bom.
      Obrigado, sinceramente, pela oportunidade de expor e/ou discutir estas idéias e esperanças, aqui no Vespeiro.
      Por uns tempos, estarei ausente dos comentários, para embates com os meus pares, racionais, na cruel luta pela sobrevivência.
      Pode me emprestar o trabuco?

      Alfredo Cyrino

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  • flm disse:

    mas o que é “lógico” e o que é “ilógico”, jeanne?
    em que nos baseamos para definir esses
    dois extremos senao na natureza? naquilo
    que é natural x aquilo que é anti natural?
    o problema esta em que a partir de um determinado momento na historia, que é muito recente, a morte começou a ser vista como algo que não é natural. como uma espécie de derrota da tecnologia. como algo intrinsecamente ruim, quase antinatural.
    pretensao da nossa parte, né não?
    fugir dela faz parte do instinto de preservaçao, que nao é preservaçao para todo o sempre, é so preservaçao da capacidade de cumprir o ciclo da vida, que tambem inclui a morte.
    mas recusa-la como uma falha do sistema, um defeito da natureza, vai bem mais longe que isso.
    tamos ai querendo dar lições a deus, esse incompetente que fez tudo errado e felizmente conta conosco para corrigir sua obra e tornar o universo melhor e mais justo?
    é isso?
    de repente tamos ai querendo ensinar a natureza a ser logica e natural, em vez de tentarmos aprender como ser tudo isso com ela?!
    parece ilogico, nao?
    a relaçao do homem com a morte nem sempre foi assim, jeanne. o jomem ja teve mais intimidade com ela; ja entendeu melhor a morte e o papel que ela nos ciclos da vida…
    tem um livro muito interessante sobre isso que eu so conheço em frances mas que talvez a amazon ja tenha em outras linguas, possivelmente ate portugues. chama-se L’HOMME DEVANT LA MORT, de Philipe Arries.
    vale a pena ler..
    bj

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  • flm disse:

    pois é, cyrino,
    decretando que ha dois tipos de vida, uma que merece ser preservada por razoes humanitarias e outra que nao merece, a equacao fecha.
    mas sendo todas as vidas, vidas, nao ha vida nem comer sem morte.
    joguinhos da mente…

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    • Fernão,
      Realmente, correndo atrás do tempo.
      Serei rápido.

      A eficácia da comunicação depende do emissor e do receptor.
      Tenho certeza de que me expresso com clareza e precisão.
      E creio não existirem problemas no lado receptor.

      Mas, pela segunda vez, você coloca assertivas esdrúxulas em suas respostas, como se as houvesse extraído dos meus comentários.

      Primeiro, “”não se cumpre o objetivo de banir deste planeta esse hábito nauseabundo e imoral de comer cadáveres que caracteriza todos os seus habitantes””.

      Tive de estender a resposta anterior, para aclarar as coisas.

      Agora, “”decretando que há dois tipos de vida, uma que merece ser preservada por razões humanitárias e outra que não merece””.

      Existem, sim, dois tipos de vida.
      Todas merecem ser preservadas.
      Apenas uma delas está equipada para respeitar e preservar
      as demais.
      Claro, esta é somente a minha forma de compreender as coisas.

      A leitura atenta dos meus comentários jamais permitiria extrair as assertivas que você apresentou trituradas com sarcasmo (parece que, à falta de trituráveis no que escrevi).

      Há pouco, ao receber sua divulgação por email, pensei “Qual foi a besta que afirmou uma coisa dessas?”… E meu nome estava lá, logo ao início, num contexto que não era o meu.

      That’s NOT fair play, my friend.

      Já vivi muito, já sou muito ranzinza, para prosseguir em situações deste tipo.
      Se achar que vale a pena responder, peço que não repita o expediente.
      Se preferir encerrar o assunto, deletar esta resposta… sem problemas.
      Minha mulher sempre diz que encaro as coisas muito pessoalmente.
      Não conheço outro modo, escrevi de Alfredo para Fernão, o tempo todo.

      Alfredo Cyrino

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  • Jeanne Farlado Knopf disse:

    Fernão…
    Acreditei que fosse uma pessoa diferente. Que isso tudo que demostra fosse só casca( proteção).
    Mas respeito as diferenças…como não não vivo de aparencias, …saio de cena.
    Sinto que o peso dessa vida está insoportável…sou um pássaro prestes a voar rumo a outras moradas…
    Seja feliz com suas verdades…
    beijo
    Jeanne

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  • José Luiz de Sanctis disse:

    Que belo artigo Fernão! Não sei como perdi. Quanto a discussão, de fato não outra forma de viver sem comer o outro. Aos que não concordam e não conseguem compreender esse fato inexorável da natureza só tem uma saída: o suicídio em favor dos demais. Outro “maldito caçador”.

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