Caça aos CACs e ambientalismo de paisagem

4 de novembro de 2022 § 3 Comentários

A caça e a crise da brasilidade

10 de março de 2017 § 5 Comentários

Artigo para Pesca & Companhia de fevereiro de 2017

Está legalizada a caça esportiva do javali no Brasil!

A atividade que fez do bicho “Homo” um “sapiens” e que amarra uns aos outros todos os seres vivos tinha, supostamente, sido radicalmente amputada da cultura nacional da qual fizera parte desde o primeiro dia do mundo até então ha 34 anos. Agora volta à legalidade mas pela porta da remediação. Não é, ainda, a reconciliação de um Brasil Oficial humilde com o razoável e com o eterno depois das lições tão duramente aprendidas nestas tres décadas e meia de fúria da devastação ambiental sem concorrência. Continuam vedados aos espécimes da fauna brasileira os benefícios do único artifício capaz de fazer perdiz valer mais que soja, peixes de rios íntegros mais que o quilo de sua carne e biomas renderem mais diversificados como deus os fez que reduzidos a escombros pela incuria humana. Plantar gramíneas africanas e leguminosas asiáticas (ou introduzir animais exóticos que se tornam pragas) continua sendo o único meio legalmente admitido por nossos ambientalistas e governantes de fazer a natureza produzir dinheiro nisto que foi o maior paraíso da biodiversidade na Terra…

A consequência é muito mais deletéria que o prejuízo ambiental que poderia ser evitado. Os desorientados urbanóides desta geração de brasileiros, arrancados por diletantes apaixonados por si mesmos que se julgam capazes de revogar as leis da natureza à vivência de qualquer dos processos que trouxeram a humanidade até onde ela chegou, vivem mortificados pela idéia de que a sua própria sobrevivência é fruto de um crime. A maior parte acredita piamente, já, que o que comemos vem mesmo dos fundos dos supermercados embaladinho em plástico e sem sangue.

Esse desenraizamento existencial está, com certeza, na base dessa crise “total” que o Brasil está vivendo. Sem o “pertencimento” a um todo eco-lógico muito maior que o “eu”, o “agora”, o “meu” e o “eu acho portanto submetam-se“, que só se assimila fechando a boca e abrindo os olhos e os ouvidos para aprender vivendo integralmente a floresta, a beira do rio, os oceanos; mergulhando de corpo e alma nas interações da fauna e da flora que os constroem e que são construídas por eles, o que sobra é essa trágica bateção de cabeça sem sentido em que o Brasil anda perdido.

Que a descriminalização da caça ao javali seja o primeiro passo de uma ampla reconciliação. Sem o culto e a reencenação cerimonial dos processos que definem a reciclagem da vida é impossivel entender o que somos e qual o nosso lugar na ordem das coisas.

Mata Atlântica? Tá salva não!

6 de junho de 2015 § 22 Comentários

pup4

A Rede Globo anda espalhando por aí que “a derrubada de Mata AtIântica caiu 24% em 2014“. Bom, televisão a gente sabe como é. Essa “informação” era, na imediata sequência, diluída em imagens de uma anta albina “tida como assombração“, e por aí afora…

Mas a Rede Globo sabe fazer bom jornalismo quando quer e, assim, deveria ter mais cuidado com esses números sempre rescendendo a absurdo que passa adiante sem investir uma grama de raciocínio para checar a sua credibilidade quando o assunto é sério como este é e os possíveis prejuízos potencialmente irreversíveis como estes podem ser nos limites a que já chegamos.

Da até “gastura” falar dessas coisas com o país arrebentado como o PT o deixou, mas não dá pra ficar quieto. Vamos lá…

pup0

Eu frequento regularissimamente o maior pedaço de Mata Atlântica que sobrou neste planeta, no Vale do Ribeira, há mais de 40 anos. Vejo com meus olhos o que está acontecendo por lá quase metro por metro. A situação em São Paulo esteve mais ou menos estabilizada durante uns bons anos enquanto em Santa Catarina o pau comia solto. Até a predação “a tesourinha” dos palmiteiros, que mina na sua base a capacidade daquela floresta de produzir a fauna que trabalha para semea-la e mantê-la e que, toda ela, tem na semente da palmeira juçara uma fonte essencial de alimentação, tinha diminuído no Vale. Não em função da repressão da atividade mas, como sempre, do esgotamento que eles próprios conseguiram produzir no objeto da sua cobiça graças à falta dessa repressão. O de sempre: somos um país sem lei onde não ha crimes, só “atos infracionais” ou menos que isso, e ninguém vai preso por nada, de modo que correr atrás de palmiteiro é só se arriscar a ter de se enfrentar com ele porque, ainda que preso, será solto em poucas horas…

pup12

As tentativas de adaptar o açaí da Amazônia (Euterpe oleracea) á região não funcionaram. Surgiu naturalmente, por polinização, um híbrido dessa palmeira com a juçara nativa da Mata Atlântica (Euterpe edulis) que é estéril e ainda pode virar um problema enorme se não houver um esforço rápido para eliminá-las da região. E por tudo isso a febre palmiteira foi baixando. O Vale vivia da banana, os ladrões de palmito ficaram do tamanho do que restou para roubar, os processadores do produto do roubo, que tooodo mundo conhece desde sempre seguiram impunes como sempre, e por aí foi-se ficando.

De uns cinco a sete anos para cá, algo começou a mudar, e em velocidade crescente. A pupunha (Bactris gasipaes) é uma palmeira amazônica que nasce em touceiras de quatro, cinco troncos por planta, e produz um palmito de boa aceitação no mercado. E esta se adaptou ao Vale às mil maravilhas. Cresce mais rápido lá, onde chove mais que na Amazônia na média anual; não requer tanto trato assim depois de plantada e dá vários cortes em ciclos mais curtos que os anuais se bem manejada.

pup5

É, em resumo, um sucesso econômico, o que a arma da força que o dinheiro tem. E as derrubadas recomeçaram. Cada vez que vou lá vejo mais e mais encostas peladas encrespando de pupunha; a grilagem de áreas de parques e reservas ganhou novo impulso; não há diferença nenhuma na velocidade e na explicitude desse processo mais perto ou mais longe das sedes locais dos guarda-parques e reservas florestais. Ha dinheiro para fechar olhos ao que quer que seja…

O pau está comendo, ao contrário do que diz a Globo. A crise da Dilma reduziu, sim, um pouco desse ímpeto, porque o povo está comendo menos pizza e pastel de palmito, que é a porcaria em que se transforma a força da Mata Atlântica neste país sem informação nem pulso, mas isso é questão de tempo. O fato é que existe agora uma nova e poderosa força econômica empurrando a devastação da Mata Atlântica e se o ambientalismo brasileiro continuar insistindo em fechar os olhos a isso e atrapalhando ou proibindo a única alternativa que o resto do mundo adota contra a força da agricultura — que é a lei ajudar a fazer a caça e a pesca esportivas organizadas, que dependem da mata em pé, valerem mais do que os produtos da agricultura, que depende da mata deitada — a pupunha vai comer, já, mais um pedaço consideravel do futuro dos nossos fihos e netos.

pup2

Como a proibição da caça acabou com os leões de Botswana

27 de junho de 2014 § 4 Comentários

No que diz respeito aos animais o comportamento das pessoas é quase sempre regido pelas emoções e não pelos fatos e pelo conhecimento. E esse tipo de comportamento pode levar aos resultados contrários dos desejados. A perfeição não existe e as coisas não são pretas ou brancas; a conservação ambiental implica quase sempre uma escolha entre o menor de dois males. Uma escolha que pode levar, ou à salvação ou a exrinção de uma espécie.

Depois de trabalhar com os grandes felinos do Sudeste da África, Mikkel Legarth, da Dinamarca, fundou o Projeto Modisa para a Vida Selvagem cujo objetivo é contribuir para definir novos parâmetros no nosso modo de sentir, pensar e agir com relação à conservação da Natureza.image

Assistir a documentários e estudar a vida selvagem africana são as paixões de Mikkel desde que ele se deu por gente. Uma viagem para a África em 2008 mudou radicalmente a vida dele. Depois de se apresentar como voluntário para cuidar dos grandes felinos daquela área, Mikkel acabou ficando 10 meses por lá, comandando 60 voluntários de todo o mundo.

O contato com a realidade local fez com que sua visão sobre o problema da conservação se alterasse radicalmente. Nesta apresentação ele explica os porques.

Infelizmente o sistema do Youtube não transfere, nas reproduções que autoriza de seus vídeos, o sistema de tradução de legendas que é possível utilizar no site original.

Se você não fala inglês suficiente para entender o que ele diz aqui vá ao original no Youtube e assista com tradução. O que ele diz não interessa apenas a caçadores e ambientalistas. É uma lição necessária para todos, especialmente os brasileiros que têm sido bombardeados sistematicamente com visões infantis ou distorcidas desse problema.

image

Acima de tudo e independentemente do tema que ele aborda, este vídeo prova que ainda existe gente honesta no mundo e que a geração que está chegando agora ao comando das coisas não tem medo de enfrentar a verdade e é bem mais madura e equilibrada que a que está se aproximando da porta de saída.

O modo como este rapaz explica como superou seus sentimentos e o que se pode colher somente se nos dispusermos a por a razão e a educação à frente deles mesmo sem termos, por isso, de mudar o que sentimos, faz-me ter esperança num mundo melhor, ainda que carregando a dor de ver o Brasil tão distante desse grau de civilização.

Um dia chegaremos lá! E torço para que, com relação à questão ambiental, tão urgente neste país onde biomas inteiros estão à beira do desaparecimento pelas mesmas razões que Legarth aponta aqui, não cheguemos tarde demais.

image

Caçar

3 de outubro de 2013 § 2 Comentários

Filme sugerido por Nicolas de Camaret

Onde estou?

Você está navegando em publicações marcadas com caça em VESPEIRO.

%d blogueiros gostam disto: