Desarmem a Rede Globo!

11 de abril de 2011 § 2 Comentários

É só trovejar que a Rede Globo começa a pedir mais um plebiscito sobre o desarmamento, coisa tão inteligente e eficaz para reduzir a criminalidade quanto a providencia do corno portugues de tirar o sofá da sala para garantir a fidelidade da mulher adultera, com a diferença de que tirar sofás de salas é possível mas tirar todas as armas de circulação é óbvio que não.

Mas quem se importa com a realidade?

Eu que tenho alguma prática no assunto já acho que uma das principais razões da propagação de crises (as financeiras que são movidas a expectativas especialmente) e da multiplicação de todas as formas de brutalidade que assolam o mundo é o modo como as televisões, em especial, espetacularizam esses acontecimentos.

Essa espetacularização não se dá, necessariamente, de forma proporcional à importancia do acontecimento. Ela responde fundamentalmente à competição por audiência. Os diretores de jornalismo das redes têm um aparelho em suas mesas que mede em tempo real a audiência que sua programação está gerando. E enquanto o ponteiro não começa a cair, eles não mudam de assunto.

Disso decorre que os repórteres, comentaristas e “especialistas” – e hoje os há para tudo inclusive para aquilo em que, por definição, não dá para se especializar – têm de permanecer no ar, enchendo aquela linguiça até que alguém os mande parar, independentemente de haver ainda o que perguntar e o que esclarecer.

Daí o festival de perguntas e sugestões cretinas que são atiradas sobre o publico nesses momentos.

Alem disso, a maioria das redações, quando paga bem, paga bem aos caras errados. Os pauteiros, por exemplo, são hoje em dia sujeitos sem muito critério que vivem com medo de “tomar furo” (como se isso importasse alguma coisa num mundo em que os “furos” duram pouco mais que 10 segundos). Por isso ficam ligados nas TVs e, qualquer “linha de cobertura” que elas inventam, eles se sentem na obrigação de replicar.

É assim que as coisas se espalham, das “exuberâncias irracionais” às falsas expectativas que acabam se auto-realizando para derrubar bolsas e destruir riquezas reais; das perguntas idiotas às respostas cretinas que, de repente, se tornam epidêmicas.

Com certeza a multiplicação, em todo o mundo, dos assassinos suicidas querendo escapar do anonimato também inclui algum ingrediente dessa sopa. A internet ajuda muito oferecendo aos esquizofrênicos um segundo mundo quase real para eles poderem desenvolver a sua segunda personalidade e até para aprenderem como torna-la mais perversa. Mas, quase sempre, o que eles realmente desejam com esse esforço todo é a audiência ainda imbatível das redes de TV.

A turma de “especialistas” que a Globo convoca para dizer que é preciso exigir do governo que não consegue controlar nem a porta do Tesouro Nacional, que é umazinha só, que recolha todas as armas em circulação no país, sem escapar nenhuma, porque só assim o Rio e o resto do Brasil “serão da paz”, é uma das que está permanentemente de plantão. E também uma das mais desonestas que frequentam as telinhas. Torcem tudo quanto é estatística e agridem a inteligência da patuléia com a maior falta de cerimônia. E podem fazer isso porque, não sei se por ordens superiores ou o quê, qualquer repórter posto diante deles se sente na obrigação de fingir que é idiota e não reage a nenhum absurdo que o tipo se prestar a proferir.

Alguém que pensasse como a Globo poderia usar isso como pretexto para exigir que se amordaçasse a Rede Globo e todas as outras televisões ou, para chegarmos a um paralelo mais exato, que o governo tomasse providências para proibir a venda de televisores do Oiapoque ao Chuí.

Eu não penso assim. Nem por isso acho que não haja nada a fazer.

O Alkmin reduziu em 80% os crimes violentos em São Paulo instituindo um rito sumário nos julgamentos de casos de corrupção policial e construindo prisões para manter fora de circulação os bandidos que a polícia tira das ruas e eu nunca vi a Rede Globo dizer uma palavra a esse respeito.

Mais recentemente, não se sabe bem porque, baixou uma luz nas trevas lá do Jardim Botânico e alguém na Globo teve a feliz idéia de usar aquela força toda para algo de útil e razoável com relação à segurança pública. E com seis meses de campanha para que se tomasse a providência óbvia de fazer a polícia ocupar os morros cariocas, nas mãos da bandidagem desde que eles cometeram o erro trágico de entregar a cidade ao Brizola, o Rio de Janeiro foi para o céu.

Mas, mesmo assim, a Globo não aprendeu que o crime prospera graças à impunidade e não por falta de passeatas com fantasias ou cenas de tratores esmagando velhas espingardas enferrujadas de caçar passarinho.

Mas chega de reclamar. A gente não pode querer tudo.

Por enquanto dou-me por satisfeito enquanto a imprensa não começar a campanha pela evicção de todos os penis diante de algum aumento no numero de estupros, sob o argumento de que é um perigo evidente qualquer um poder carregar livremente essa arma no meio das pernas…

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§ 2 Respostas para Desarmem a Rede Globo!

  • Margareth Tuma disse:

    Ainda bem que restam alguns seres pensantes…. Um pouco fora de moda, é bem verdade, mas, fundamentais para que a mediocridade tenha alguns oponentes. Não que sejam em número suficiente para rebaixarem os níveis de audiência da Rede Bobo mas…
    A moda são apelos rápidos e nada profundos sobre questão nenhuma. Parece que o máximo que consegue o pensamento “moderno” é se alimentar de flashs que duram no máximo alguns segundos.
    O paralelo entre recolher armas x impunidade para acabar com os crimes e, evicção dos pênis x impunidade para acabar com os estupros….. Nota 10!

  • Tony disse:

    Para o último problema há a castração química.

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