E o debate ainda não bate

18 de outubro de 2010 § Deixe um comentário

Entra debate, sai debate, a regra de ouro dos marqueteiros que os candidatos seguem cegamente não muda: “seja qualquer coisa, menos o que você é; diga qualquer coisa menos o que você pensa”.

Será mesmo que Deus desenhou tão mal o aparato de comunicação dos humanos que ele pode ser aperfeiçoado por qualquer marqueteiro de dez tostões a hora? Será que os nossos candidatos são mesmo capazes de defender com mais autenticidade aquilo que outra cabeça, que não a sua, formulou, do que aquilo em que eles próprios acreditam? O que leva os que pedem o nosso voto a nos humilhar com um discurso que, acima de tudo, nos toma a todos como imbecis incapazes de enxergar a realidade que nos tromba na cara?

É difícil entender.

Pois se existe uma regra reafirmada por todos os estudos jamais feitos sobre comunicação em televisão, é a que constata que muito menos que o que você diz, o que realmente importa para criar empatia ou antipatia com o publico é o grau de autenticidade com que você o diz.

É unanimidade nacional, por exemplo, a afirmação de que é isto que explica os 20 milhões de votos que Marina Silva recebeu mesmo sendo uma novata em eleições sem patrocínio de nenhuma velha raposa da política nem o concurso de nenhuma máquina eleitoral solidamente instalada em cargos públicos pelo pais afora como aquelas com que contam seus concorrentes.

Que o PT siga cegamente o roteiro do marketing, é compreensível. O PT é um produto do marketing. A condição para que Lula chegasse à presidência da Republica foi assinar o compromisso solene de não ser aquilo que ele é. Teve de virar “Lulinha paz e amor” e sempre que tira a fantasia é punido pelo eleitorado. Dilma está tendo de repetir a dose. Teve de assinar outro prometendo que não fará nada do que se comprometeu com seu partido fazer. Dilma, aliás, nem Dilma é. Dilma desempenha um papel. Declara-se formalmente como mero personagem. Dilma é Lula. Assim, quando tem de se manifestar sozinha no palco não pode mesmo fugir do script. E sendo ruim de improviso como é, torna-se monotemática. Fala exclusivamente da maravilha que seria o Brasil se transformasse todas as suas empresas em petrobrazes, com ênfase no “brás” (e as recheasse de petistas com direitos especiais vitalícios, transferíveis por herança aos seus filhos e netos como acontece nas que já existem).

Você se lembra de algum outro assunto que ela tenha abordado nesta campanha?

Ah! É verdade. Ha também a culpa do Fernando Henrique quando chove para quem queria sol ou quando faz sol para quem queria chuva, não importa a quantas décadas de distancia se esteja do governo dele.

Já quanto ao Serra às vezes chego a me animar com ele. A achar que ele começou a se dar conta de que existe vida inteligente fora do marketing político. A apenas 16 horas de distancia do fim do ultimo debate tento me lembrar do que foi dito nele e não mais que dois ou três momentos me assomam à memória. Sempre aqueles em que ele saiu do script e se aproximou da expressão das verdades universalmente conhecidas, acatadas até mesmo no Brasil. A saber, que só pode ser mau para o consumidor ter de se enfrentar com monopólios, ainda mais se eles incluírem, além da produção, também a distribuição de bens de necessidade básica como petróleo ou gás; que a primeira e mais comum das formas de utilização de estatais no Brasil é empregar amigos, parentes e correligionários para controlar as grandes sesmarias da corrupção nacional e se preservar no poder; que o PT tem horror à idéia de “conferir desempenho” e por isso o serviço publico é o que é…

Qual é o brasileiro que não tem certeza absoluta sintética disso tudo, meu deus do céu!

Então porque isso tem de ser a exceção e não a regra no discurso do Serra? Porque não reafirma para os eleitores aquilo que todos eles já sabem mas muitas vezes esquecem em função de outro tipo de afago que recebem? Porque não explica didaticamente qual a relação entre o horror que o petista que vive de têta (e você conhece algum que não viva? que seja um ás no universo da competição aberta pelo emprego privado?) tem da idéia de condicionar trabalho a desempenho e a sua insistência em estatizar tudo? Entre o crescimento do caixa do partido e a multiplicação dos cargos públicos? Entre a ocupação do Estado e o crescimento da corrupção?

Porque, às vésperas da ultima oportunidade numa campanha polarizada, Serra segue se esmerando mais para exibir aquilo que o torna semelhante que aquilo que o diferencia de Dilma?

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.A libertação dos artistas e dos intelectuais

Um dos grandes marcos desta campanha eleitoral é a superação da patrulha ideológica nos meios artísticos e intelectuais. Fora Chico Buarque de Holanda e Oscar Niemeyer é difícil citar quem mais, nesse meio, continue cegamente “engajado” com qualquer lado, assumindo comportamentos e lealdades caninas independentemente de participação do cérebro, sejam quais forem os escândalos que assomem ou as evidências que lhe batam na cara.

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.Invasões bárbaras

O PT ocupou a maquina do Estado como as tropas de um pais que invade outro”.

A frase é de um texto que circula na internet atribuído a Marília Gabriela. Sendo dela ou não, a descrição é perfeita.

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.Porque caíram os assassinatos em SP

Uma das bolas que Serra levantou já por duas vezes nos debates mas ainda não “chutou em gol” é a questão da queda do numero de assassinatos em São Paulo.

Ele não tirou desse fato tudo que deveria tirar talvez porque seja uma obra de Alkmin. A imprensa, aliás, é outra responsável pelo desperdício dessa experiência de significado tão decisivo num pais onde, em pleno Terceiro Milênio, estatização ainda é tema de campanha eleitoral e cobrança de desempenho no serviço publico segue sendo tabu.

Os assassinatos caíram 70% em São Paulo exclusivamente porque Alkmin, quando governador, instituiu rito sumario para o julgamento de casos de corrupção na policia. Acabou com os processos administrativos intermináveis, feitos para garantir a impunidade que está na raiz da doença terminal do serviço publico nacional. Com isso ele, em menos de dois anos, renovou toda a cúpula da policia paulista e desinfetou o foco de desmoralização que é a permanência dos traidores ao lado dos traídos, dos criminosos ao lado das vitimas da corrupção policial dentro das próprias fileiras da policia.

Quando fizerem isso na educação publica e nas demais categorias do serviço publico, teremos um salto de qualidade igual ao que Alkmin colheu na segurança púbica de São Paulo.

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.Será?

O Estadão noticia hoje o escândalo que já esta chacoalhando a Europa, em torno do suborno de alguns cartolas da FIFA que vendem o seu voto para a escolha dos países sede das Copas do Mundo.

Repórteres do Sunday Times se apresentaram como agentes da candidatura norte-americana a sediar as copas de 2018 ou 2022 e foram achacados por pelo menos dois dos 24 eleitores que decidem isso na FIFA.

Como terá sido na decisão da copa de 2014?

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