Imprensa também faz mal

13 de outubro de 2010 § Deixe um comentário

A imprensa é como as mulheres: não dá pra viver sem elas; não dá pra viver com elas.

Mas pelo menos, até segunda ordem, ainda podemos criticá-la.

Meu avo, que era insuspeito de preconceitos nesse assunto, dizia que a manipulação da imprensa é um crime muito pior que o trafico de drogas porque, pelo alcance que tem, provoca danos muito maiores.

No caso do factóide da “questão religiosa” que, graças a ela, tomou conta da eleição, ou a imprensa está manipulando, ou está se deixando manipular.

Eu ainda aposto na segunda hipótese, que é pior do que a primeira. Porque para manipular é preciso inteligência e personalidade, ainda que voltadas para o mal, enquanto para ser manipulado basta a falta de senso critico e a insegurança de quem não está à altura da função institucional da imprensa, a única que justifica a sua existência e os privilégios de que ela desfruta nas democracias. Nesse jornalismo sem critério de hoje, em que se tem medo de perguntar e horror de raciocinar (o tipo de expediente que em campanha eleitoral o PT chama de “baixaria”), todo mundo corre atrás do próprio rabo, pauteiro atrás de pauteiro entrando em roubada atrás de roubada por medo de se deixar “furar” pela roubada do vizinho.

É que nem bando de peru. Alguém passa do lado e grita “glu-glu” e a peruada toda explode em “glu-glus” que não acabam mais.

E a coisa mais fácil do mundo hoje é fazer a imprensa gritar “glu-glu”.

A Folha de hoje, por exemplo, dá a segunda força da sua primeira página para um “panfleto anti-PT que circula em missas”. A Folha é a dona do Datafolha que, em pesquisa publicada ontem na Folha, mostrava com dados concretos que a afirmação de que a “questão religiosa” virou a eleição é falsa. O que fez 5 em cada 6 eleitores que mudaram de voto mudar de voto foi a roubalheira do PT na Casa Civil e o tom autoritário do Lula nos comícios, tom autoritário este que se traduz nas suas reiteradas ameaças de acabar com a liberdade de imprensa e “extinguir” a oposição.

Ontem também, com todos os outros jornais, a Folha noticiava as comemorações dos petistas por terem, apesar das evidências em contrário medidas pelo Datafolha, conseguido fazer a eleição se deslocar da ladroagem na Casa Civil e da truculência antidemocrática do Lula, que punham a Dilma na defensiva, para o factóide da “questão religiosa”, proeza alcançada com a inestimável ajuda da imprensa, justamente a principal interessada em impedir que tal falcatrua colasse.

O Estado poupou seus leitores na sua primeira página de hoje mas abriu a cobertura da campanha com três páginas seguidas em cima do factóide que, baseado no preceito de Sherlock Holmes de perguntar sempre “a quem interessa o crime”, cada vez tenho mais certeza, é uma invenção do próprio PT.

Mas vamos que não seja. Vamos que algum “esperto” da campanha do Serra, onde faltam “espertos” até para faturar bem o debate que ele venceu, é que anda pelas igrejas distribuindo esses panfletos.

E daí?

Desde quando é proibido padre e pastor votar ou sair por aí cabalando votos para os candidatos que ache melhor, como é direito de todo e qualquer brasileiro menos um, segundo a legislação vigente?

E quem seria este um a quem essa atividade é vedada? O excelentíssimo senhor presidente da Republica, no momento Luis Ignácio Lula da Silva aquele que não só não sai de cima dos palanques ha mais de seis meses como, nos últimos dois, paralisou o governo para poder seguir fazendo campanha pra Dilma full time, na cara dos juízes e dos tribunais que estão acuados num canto, entre outros motivos, pela razão principal de que a imprensa cobra mais o silêncio de dois ou três padrecos por aí que o silêncio dele que, este sim, altera eleições, vende gato por lebre, engana incautos, suborna miseráveis, mente, calunia, dá alvará a ladrões e, principalmente, pisa na Lei ameaçando criar uma crise institucional se cobrarem dele o cumprimento dela.

Mas, como eu dizia no comentário de ontem, que importam os fatos? Se eles chegarem a incomodar é só passar perto de uma redação e gritar “glu-glu”. O resto os “jornalistas” fazem sozinhos…

PS.: Quem quiser conhecer um caso emblemático do que estou dizendo sobre como a imprensa trabalha leia o artigo de Jose Neumanne Pinto no Estado de hoje neste link

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