Uma carnificina arduamente conquistada

9 de outubro de 2015 § 110 Comentários

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O Brasil teve 58.559 homens, mulheres e crianças assassinados em 2014. Não tem maquiagem nem desvio. Só foram contados os homicídios dolosos oficialmente definidos como tal no país em que só 8% dos casos que a PM, que patrulha as ruas, leva à Policia Civil, que tem o monopólio da porta de entrada do sistema penal e processual mais intrincado e cheio de vazamentos do mundo, se transformam em inquéritos oficiais.

São 5, indo para 6 vezes o que o Estado Islâmico matou em um ano na ultima vez em que a ONU fez essa estatística. Somos o 16º país mais violento do mundo em quase 200 medidos. Temos 2,8% da população mundial e 11% dos assassinatos do planeta. 28,9 de cada 100 mil brasileiros foram intencionalmente trucidados na rua no ano de 2014. São Paulo, o estado que mais prende e que vive sendo alvo de críticas ferozes de acadêmicos e jornalistas para demonstrar que “repressão é o pior remédio contra o crime, só serve para aumentar a violência dos criminosos”, tem o melhor índice do país com menos da metade da média nacional: 12,7 assassinados por 100 mil habitantes. A média mundial é de 6,2 por 100 mil. A dos Estados Unidos, com toda a sua apedrejada “cultura armamentista” e os massacres recorrentes perpetrados por malucos suicidas é de 4,7 pessoas por 100 mil. A da Suiça onde não ha um exército formal e cada cidadão é obrigado por lei a ter uma arma de guerra em casa, a taxa é de 0,6 assassinados por 100 mil habitantes.

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Não obstante todos esses “elementos probatórios”, no entanto, uma boa parte da imprensa e das autoridades constituídas brasileiras, com a Rede Globo de Televisão à frente, continua impávida fazendo uma campanha cerrada para nos provar que quem assassina esses 58.559 brasileiros todo ano “são as armas” e não quem as aponta para alguém e puxa o gatilho, e que a solução para isso é “proibir a circulação de armas” mas manter circulando nas ruas os que as fazem disparar contra seus semelhantes porque prende-los – alem de ser “politicamente incorreto”, vitimas da sociedade que são – seria arriscar “torná-los irrecuperáveis” (como às vidas que eles destroem por motivos cada vez mais fúteis).

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Graças à promoção que a televisão dá a todos quantos abraçam essa tese neste país onde toda a gigantesca corrupção que assombra o mundo gira em torno do comércio de tempo de exposição de candidatos na TV, todos os cidadãos honestos e sem ficha na polícia, dos nossos atiradores olímpicos para baixo, foram obrigados a engolir uma das mais draconianas legislações para impedir o seu acesso a armas em todo o mundo. Quem tem uma é tratado pela mídia como um assassino em potencial e pelas pragmáticas autoridades constituídas que tomam carona nela como alguém a ser ordenhado no bolso e na paciência com taxas abusivas e uma burocracia inexplicável por qualquer critério racional deliberadamente ofensiva à sua inteligência e à sua dignidade de cidadão. Tudo isso se transformou numa verdadeira guerra santa depois do povo ter ousado derrotar o desarmamento nas urnas. A Rede Globo, em especial, liderou a campanha para atiçar políticos dispostos a se vender por exposição na telinha para punir o eleitorado rebelde com uma regulamentação que literalmente jogou a expressão da vontade popular no lixo, um comportamento em tudo semelhante ao que ela hoje critica no PT.

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É a mesma rede, aliás, que das seis da tarde às 11 da noite, diariamente, exibe novelas com pretensões assumidamente didáticas nas quais, invariavelmente, a traição de todos por todos – pais e mães a filhos e filhas, avós a netos e vice-versa, amantes de todos os sexos e meios-sexos uns aos outros – é apresentada como um padrão desejável de “normalidade” enquanto qualquer tipo de adesão a qualquer tipo de valor moral é apedrejado como manifestação aberrante e odiosa de autoritarismo ou até de desvio psíquico (“fobia”).  Outras redes de TV fazem da exploração “gráfica” da violência que hoje rola ao vivo um ritual diário.

Isso não quer dizer que a imprensa e a televisão são as responsáveis diretas pelo massacre em curso. Mas aqueles entre eles que disseminam com uma paixão quase religiosa a idéia de que neste nosso país, na arte como na vida, nenhum efeito tem causa, nenhum ato é fruto de arbítrio, todos somos vítimas “da sociedade” ou “dos estrangeiros” e ninguém, individualmente, tem culpa de nada — tudo que resta fazer são seções de exorcismo contra ferramentas inanimadas — certamente não ajudam esse quadro a melhorar.

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A reafirmação reiterada desse tipo de “verdade” é o que incentiva e libera consciências entre o que ha de pior nas nossas “autoridades competentes” para, diante desses numeros aterradores e com o país inteiro assistindo diariamente à chocante banalidade e frieza dos assassinatos ao vivo, determinar que qualquer bandido preso, mesmo em flagrante, que não for apresentado a um juiz dentro de 24 horas, será obrigatoriamente solto porque – danem-se os quase 59 mil mortos! – o que não podemos admitir é o mais leve risco de que os “supostos” autores desse massacre sejam lesados no seu direito à “ampla defesa”.

Acontece que aqui rejeita-se o método universalmente aceito do “ciclo completo de polícia” no qual o policial que primeiro chega à cena de um crime é quem mede as reações dos circunstantes, interroga testemunhas, colhe provas materiais e monta o quebra-cabeças, terminando frequentemente como testemunha-chave dos julgamentos. Mantem-se duas polícias que não falam uma com a outra e enfia-se entre a cena do crime, que é território da PM, e o inquérito que pode levar o seu autor à justa punição, exclusivo da Polícia Civil, um absurdo labirinto burocrático cuja persistência só pode ser explicada pela corrupção que enseja.

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O policial que viu os fatos frescos neste país sem escolas fica obrigado a relatá-los por escrito a um delegado e a um escrivão de escritório que respondem a outros chefes seguindo uma fórmula que se não for cumprida à risca tem força até para apagar dos autos o fato relatado, danem-se a verdade, as vítimas e os culpados. Estes delegado e escrivão, se e quando puderem, expedirão outro papel com uma ordem para que alguem volte à cena do crime para “reinterrogar testemunhas” e “colher provas” de que eles “dêm fé”, ordem que frequentemente levará anos para ser executada…

Esse ritual ofensivo à inteligência de qualquer um e criminoso com relação a quem clama por justiça, explica porque temos a impressionante marca de 8% dos crimes relatados transformados em Inquéritos Policiais oficiais, dos quais só 0,8% acabam em condenações, o que quer dizer que é muito maior a probabilidade de um criminoso reincidente ser atingido por um raio do que pagar pelos seus crimes.

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O pequeno pormenor desconsiderado pelos “humanistas” que estabeleceram essa regra insana é que a maioria das delegacias da Policial Civil fecha à noite, tendo delegados e escrivães dessa corporação “conquistado o direito” especialíssimo de fazer turnos de 12 horas de plantão por até 96 horas de descanso!!

Não vem ao caso: seja o crime cometido em zona urbana, seja o flagrado pela Policia Rodoviária – de roubo de carga com morte, por exemplo, a segunda facção mais rica e violenta do crime organizado no Brasil – a 300 km de qualquer delegacia aberta, é isso que vai ser: apresentação a um juiz em 24 horas ou nada.

Essa carnificina em meio à qual se esgueiram apavoradas as famílias brasileiras não é, portanto, consequência de um defeito no DNA do famigerado “povinho que deus pôs neste paraíso”. É uma conquista ardua e soberanamente trabalhada por um sistema judiciário e uma “inteligentsia”  corrompidos, aos quais uma imprensa aparelhada ou omissa dá guarida sistemática.

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4 desabafos sobre segurança pública

14 de abril de 2015 § 8 Comentários

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Só para não deixar passar em branco o assunto aqui no Vespeiro e oferecer a quem insiste em ser lúcido uma prova de que não está sozinho e de que fazem, sim, sentido as perguntas que assomam às vossas cabeças sempre que ouvem os mesmos argumentos desonestos ou bizarros sobre os nossos problemas de segurança pública, mesmo que a imprensa siga se recusando a fazê-las, registro aqui algumas das que mais têm ofendido a minha própria inteligência nas últimas semanas.

1 – Você tem toda a razão: a principal função da prisão não é reformar gente portadora do “perdoável” defeitinho de trucidar ou estropiar os outros só pra se divertir mas sim tirar essas pessoas das ruas para que esses “outros” (nós) possam, ao menos, continuar vivos. Logo, essas longas sessões que você tem assistido na TV em que “jornalistas”, de um lado (e falo dos com aspas, note bem, porque felizmente ainda ha os que não as requerem), e “especialistas”, do outro, especialmente convocados para afirmar olimpicamente que “baixar a maioridade penal é inutil e até contraproducente porque a prisão é uma escola do crime que não reforma ninguém”, e ponto final, não passam de atestados de desonestidade assinados em rede nacional, ao vivo e em cores.

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E o tanto de gente que deixa de ser assassinada enquanto essas “vítimas da sociedade” permanecem trancadas, não vale nada?

Repito: reformar quem se entrega ao crime é o bonus possível; mas tirar quem mata, viola e estropia das ruas e não deixá-lo voltar a elas a menos que haja provas ou atenuantes indicando que isso é minimamente seguro para os outros, antes de qualquer consideração adicional, é um imperativo elementar de justiça, prevenção e segurança pública.

A possibilidade de outros criminosos menos violentos virem a ser “reformados” dentro de prisões, aliás, depende essencialmente de que o Brasil adote o instituto elementar da igualdade perante a lei. Enquanto houver 5 Justiças diferentes e foros e prisões especiais pra todo mundo que é um pouco mais que um pé-de-chinelo, tudo vai ficar como está: celas especiais cheias de mordomias obscenas, revoltantes e instigadoras de mais ódio e de mais crimes para os ladrões de casaca e assassinos que matam multidões roubando educação e remédio de criança pobre doente que escrevem essas regras e distribuem esses privilégios, e tugúrios medievais/escolas de crime para o resto da população.

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2 – A Folha de hoje mostra estatística da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República que dá conta de que a criminalidade cresce exatamente por igual em todas as faixas etárias da população. Uns 38% a mais nos últimos cinco anos. E trata o dado como ponto a favor de quem é contra a redução da maioridade penal. Pra mim parece exatamente o contrário.

O deslassamento geral do Brasil tem, para todas as faixas etárias, os mesmos vetores: a esculhambação geral e assumida sustentada pela vitória sistemática da mentira e da impunidade “lá em cima”, e a esculhambação geral e assumida sustentada pela imposição do mais absoluto e mentiroso relativismo moral “lá embaixo”, especialmente nas 6 ou 7 horas diárias de louvação e aplauso a toda e qualquer espécie de deformidade ou ignomínia comportamental despejada pela Rede Globo, mais que como “normal“, como “desejável“, sobre todo brasileiro, dos nascituros para a frente, do Oiapoque ao Chuí.

Enquanto as escolas forem essas — traia a tudo e a todos que o governo garante e o Brasil aplaude — continuaremos matando a bala, a faca e a porrete cinco vezes mais que o Estado Islâmico por ano – e mais a cada ano – e achando que tá tudo bem — o que é que tem? — “todo mundo é assim mesmo”.

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4 – Ja a discussão do desarmamento, esta é dolosamente desonesta. Seguir afirmando que quem atira é revolver e não quem o empunha; que o maior esforço da polícia e das forças armadas deve ser para desarmar os cidadãos que seguem a lei e não os que carregam fuzis e que a Justiça deve punir com mais rigor quem mata em legítima defesa do que quem mata pra ver o tombo do otário na frente da arma com todas as provas em contrário que estão aí, batendo na nossa cara, é, a esta altura, idesculpável. Além de ser o óbvio ululante que cortar todos os “pintos” não é a solução mais justa e nem a mais eficaz contra a ocorrência de estupros, os numeros do Brasil, onde vigora a mais imbecil, draconiana e mal intencionada das leis de desarmamento são a prova cabal e conclusiva de que isso tudo é mentira.

Mas nem precisava mais uma. Toda a gente séria do mundo ja está careca de saber disso: o desarmamento indiscriminado das vítimas só faz aumentar e não diminuir a quantidade de agressões e crimes de morte pela razão simples e óbvia de que torna muito mais segura a vida do bandido e do assassino que passam a ter a certeza da ausência de revide.

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De modo que, em vez de ouvir os “especialistas” de plantão na Rede Globo, vá ver o que a Harvard University descobriu a esse respeito, procurando cientificamente a verdade pelo exame da realidade dos numeros x legislações de controle de armas em todo o mundo, neste link: http://www.law.harvard.edu/students/orgs/jlpp/Vol30_No2_KatesMauseronline.pdf

4 – O apedrejamento dos PMs nos desastres sucessivos que acontecem nas UPPs do Rio de Janeiro são outro caso que revolta-me o estômago. As UPPs, como foi inúmeras vezes denunciado com todos os indícios que o provam aqui no Vespeiro, foram antes uma “medida pra inglês ver” determinada pela contratação (eleitoreira) de uma Copa do Mundo e uma Olimpíada no Brasil com epicentro no Rio de Janeiro, do que fruto da vontade dos políticos de lá ou de Brasília de dar ao povo dos morros cariocas a mera esperança de segurança pública que eles sempre lhes negaram até que ficasse claro que logo, logo, os “loiros de olhos azuis” teriam de passar no meio do fogo cruzado de cada dia da Cidade Maravilhosa para chegar aos estádios. As tais UPPs só foram implantadas, aliás, nos morros no caminho entre o aeroporto, os hotéis da Zona Sul e os estádios, pra que não ficasse dúvida de que é disso mesmo que se trata.

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Vai daí, enfiaram soldados da PM em conteineres de lata, desses que a gente fura até com o dedo, e os depositaram bem no meio dos territórios controlados por aquelas feras que as nossas leis de desarmamento não querem alcançar e andam pra cima e pra baixo com bazucas e fuzis calibre 308, barbarizando e matando a torto e a direito.

Ha duas semanas o Fantástico mostrou o que são, por dentro, esses containeres onde os policiais/alvos-vivos são deixados para morrer. Coisa de revoltar lobotomizado! Mas eles ficam lá, dia e noite, ouvindo os “pipocos” e esperando aquele que vai matá-los, enquanto pensam em suas mulheres e filhos em casa. Um troço de enlouquecer. Não dá pra entender como é que ainda tem gente que topa essa parada. (É que atividade policial, assim como jornalismo, não é escolha, é sina, também chamada de “vocação“).

Aí, quando alguém espirra e esses alvos-vivos com o equilíbrio psicológico necessariamente destruído, puxam o gatilho, exatamente do jeitinho que esse esquema todo foi feito pra resultar, o mundo cai de pau em cima dos PMs, que “precisam ser retreinados” e o diabo.

Dá nojo!

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Que país é este?

2 de março de 2015 § 12 Comentários

Neste link está a reportagem completa da qual o resumo acima foi retirado, mas para a qual o G1, da Globo, não dá link para reprodução. Vale muito a pena ver, naquela versão, a discussão que se abre entre a (boa) repórter da TV Tribuna de Santos e o delegado sobre como as leis feitas para nos deixar à mercê da bandidagem literalmente proíbem a polícia de agir a favor das vítimas e da Justiça coisa que, aliás, combina perfeitamente com o governo que expulsa embaixadores que fuzilam traficantes mas festeja governos que atiram na cabeça de crianças de 14 anos desarmadas por protestar contra ele em praça pública.

Cabe lembrar, por fim, que esse Estatuto do Desarmamento pervertido é um ato frontal de usurpação da vontade manifesta dos eleitores brasileiros que votaram maciçamente contra o desarmamento no plebiscito convocado sobre esse tema em 2005, usurpação esta que só se tornou possível graças à campanha cerrada que a Rede Globo continua fazendo para que a vontade popular expressa nas urnas seja ignorada e o desarmamento nos seja imposto na marra.

Elucubrações sobre A Guerra do Brasil

5 de fevereiro de 2015 § 29 Comentários

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Vejo Leilane Neubarth entrevistando o governador Pezão, do Rio de Janeiro, na Globo News. O tema é bala perdida. Mais de 30 atingidos só no mês de janeiro.

De vez em quando alguma coisa faz o Brasil lembrar da maior guerra do mundo … que é precisamente a sua. Outro dia assisti, na mesma Globo News, um chororô de uma das apresentadoras da tarde em cima dos “orfãos do Ebola“. Mostrava-se indignada com o pouco que o mundo tem feito por eles, apesar da ONU ter alguns programas em curso para isso e de gente como os Gates, da Microsoft, ter investido alguns milhões para conter a praga.

Fui ao Google. O ebola, desde que começou, contaminou uns 15 ou 16 mil e matou cinco mil e poucos. Dez vez menos do que o Brasil mata a tiro por ano.

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E o Estado Islâmico, que horroriza o mundo?

Fui ao Google de novo. Em outubro passado a ONU fez um levantamento “completo” e publicou um relatório que o mundo inteiro, a imprensa brasileira inclusive, chamou de “aterrorizante“. Nos 10 meses de 2014 até aquele momento, o EI tinha matado entre 9 e 10 mil pessoas. Cinco, quase seis vezes menos do que o Brasil mata a tiro por ano…

Socorro, ONU! Socorro, Bill Gates! Nós somos cinco, seis Estados Islâmicos à solta, com tiro de fuzil calibre 308 na cabeça de bebê, gente derretida viva nos “micro ondas” nos altos de morro e o diabo e vocês nada!!!

O nosso é um país muito doente. Talvez o mais doente do mundo porque nós somos como os bêbados, como os drogados: não admitimos; quase não percebemos que estamos doentes.

E volto pra Leilane Neubarth. Ela e Pezão vão emendando as frases um do outro:

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Não adianta só polícia.; tem de criar um ambiente. Tem de ter um esforço nos tres niveis de governo, municipal, estadual e federal. Escolas, comunidades, tudo tem de ser mobilizado. Escola em tempo integral. Trancar todo mundo o dia inteiro na escola. Fechar as fronteiras do Brasil ao armamento pesado. Mudar o Estatuto do Menor que mata e não paga e mata de novo“…

Todos esperam tudo do governo. O próprio governo espera tudo do governo…

E rola a mentira. Metade mentira, metade perplexidade.

E quem é que quer ficar o dia inteiro nas escolas que temos? Quem ainda engole as escolas que temos é quem já não vai mesmo pegar no fuzil. Não é exatamente quem tem; é quem, apesar de tudo, ainda insiste em ser família.

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E a família? A instituição família? O que é que restou da família? Quem é que está destruindo a família? O quê é que está destruindo a família? O que é que não “tanto faz” nesse Brasil que sobrou? O que é que não é “tudo bem“; “normal“?

Ninguém põe a mão na própria consciência, a começar pelas TVs. Fechar as fronteiras às armas é impossível. Tem 40 vezes mais fuzil por habitante na Suíça e nada. Ou até nos Estados Unidos com aqueles malucos super “hype” que não vivem do, só se matam pelo fuzil. O que nós precisamos é fazer mais gente achar que não vale a pena viver do fuzil. Não é só punir quem usa o fuzil que resolve a coisa. É principalmente punir quem faz tanta gente no Brasil achar que nesta merda só mesmo vivendo do fuzil. Quem prova todos os dias ao Brasil que aqui só se vence pela força. Ou arrumando uma têta no governo. É tratar de fabricar as provas de que aqui se vence pelo esforço. De que quem “faz” paga, desde lá de cima. A começar por quem “faz” com o dinheiro público, com o dinheiro dos miseráveis, inclusive pra dispensar a família até de ser família.

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O que nós precisamos é tratar de criar e vender um outro horizonte ético; um outro ideal de ser que não seja a assimilação do canalha e a louvação da canalhice de todas as novelas que o brasileiro traga desde que nasce onde não ha ninguém que não traia a tudo e a todos; onde não ha ninguém que não seja canalha mas nem por isso pode ou deve ser apontado como tal. Não! “Tudo bem!“. “Normal…“. “O que é que tem?“, “Todo mundo é…“, “A culpa não é dele, coitado!“…

O que nós precisamos é descontaminar nossas escolas da estruturação “científica” da canalhice empurrada covardemente, dolosamente, goela abaixo de crianças virgens por “professores” consciente e deliberadamente acanalhados.

Não vai parar…

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Nossa doença é sistêmica. Pega-nos de cabo a rabo. Requer um tratamento sistêmico. Uma reforma das linguagens e das sensibilidades. E nessa ordem. Uma reforma; um realinhamento semântico do Oiapoque ao Chuí. As sensibilidades não se reformarão, nem antes, nem independentemente da linguagem. É preciso tomar a linguagem como um remédio. É o primeiro e o mais importante dos remédios. Se já nos esquecemos como é; se não conseguimos mais sentí-lo natural e espontaneamente, é preciso teatralizar o escândalo e o choque; produzi-los artificialmente e encena-los diante do que é escadaloso e chocante até que se restabeleçam, num novo encadeamento, as relações entre causas e efeitos.

Reforma “de base” mesmo é isso. Policiar-se para recusar adotar, no jornalismo e na vida, a linguagem e a lógica dos bandidos apenas porque são os bandidos que ganham sempre; apenas porque são eles que se tornaram a norma. É preciso voltar a ser Quixote, obrigar-se a voltar a ser Quixote. Fazer disso uma disciplina até que voltemos a tomar como normal apenas a normalidade.

Senão, não nos iludamos: a maior guerra do mundo não vai parar nos 56 mil mortos por ano.a

Isto aqui é um puteiro!

17 de dezembro de 2014 § 12 Comentários

Um legítimo “João Santana” da campanha de Lula 2002

Dona Dilma mandou a amiga Graça Foster, a do marido de 42 contratos com a Petrobras, avisar a quem interessar possa que não arreda pé de lá sejam quantas forem as provas que aparecerem contra ela como estas da funcionária que publicou na imprensa, para o Brasil inteiro ler, os emails atraves dos quais lhe dava conta desde 2008 do assalto que a empresa estava sofrendo, ou os bilhões que aparecerem nas contas pessoais de funcionários nomeados por ela e reconfirmados depois de denunciados.

Normal.

Se mesmo depois de assinar a compra por bilhões do ferro velho lá de Pasadena que seus comparsas chamavam de “Ruivinha”, tal era a quantidade de ferrugem; se mesmo depois de reconfirmar no cargo o ladrão Paulo Roberto Costa, jubilado com todos os direitos e os “agradecimentos” pelos serviços prestados à Petrobras; se mesmo depois de se ter reeleito sem dizer rigorosamente nem uma única palavra de verdade ao longo de toda a campanha eleitoral tem um monte de gente boa que ainda afirma que “Dilma é pessoalmente honesta” porque é que a Graça, com todos os emails do mundo gravados no seu hard disk, com a autora desses emails degredada para o Extremo Oriente, primeiro, ameaçada com um revolver apontado para a cabeça, depois, e finalmente expulsa da Petrobras sem nenhum dos benefícios garantidos ao “Paulinho”, amigo do Lula, não haveria de ser?

E o que é que tem que a Petrobras tenha caído de 737 bilhões de dolares em valor nas bolsas em 2008 para os 114 bi que sobraram hoje? A Graça realmente merece o cargo…

Nestor Cerveró é outro que também “é” corrupto de papel passado, com algumas contas no exterior e valores confirmados. No entanto, na mesma noite do domingo passado em que foi denunciado criminalmente pelo Ministério Público Federal, embarcou nas amplas poltronas da Classe Executiva do vôo das 23h55m da British Airways para “passar o reveillon com a família” em Londres, aquela cidade onde tudo é tão baratinho, em plena disparada do dólar que, afinal de contas, é também obra dele.

Enquanto isso o Tribunal de Contas da União e a Advocacia Geral da União negociam semi-abertamente a “solução” para as empreiteiras também passarem a “ser”. Segundo se cochicha em Brasilia, a “solução” será, proverbialmente, “chamar o ladrão”. Elas só terão de “assumir a culpa, devolver o dinheiro e tomar providências para evitar novos casos no futuro”.

Só resta acertar “devolver o dinheiro” roubado a partir de que década…

Na Camara ja foi abortada a cassação de Luiz Argolo, aquele a quem o doleiro Youssef presenteou com nada menos que um helicópero e mais ninguém sabe quantos “caminhões carregados de bezerros”, a serem vendidos, depois de engordados, à JBF, claro.

Ja o STF anulou todo o processo contra “O Sombra”, aquele lídimo símbolo da integridade petista, pelo assassinato com oito tiros no rosto do “companheiro” Celso Daniel, que não teve a mesma sorte que Venina Velosa da Fonseca que só ficou na frente da arma mas não levou os tiros por denunciar a roubalheira a Graça Foster e cia. quando, 13 anos atras, denunciou a roubalheira de Zé Dirceu e cia.

De modo que, da “Comissão da Verdade” para baixo, tudo neste país é uma mentira. Punição mesmo, só a que houver contra a Petrobras na justiça dos Estados Unidos, até porque esta, que será em dinheiro, somos nós mesmos que vamos pagar.

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