A parte que te cabe nesse latifúndio

23 de março de 2015 § 19 Comentários

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O Banco de Compensações Internacionais (o BIS com sede na Suíça), dito “o banco dos bancos” que entra em ação quando alguma coisa ameaça mergulhar o setor numa crise sistêmica (quebradeira em cadeia) colocou o crescente endividamento das grandes companhias de petróleo no radar das suas preocupações depois que uma nova pesquisa mostrou que o endividamento do setor cresceu duas vezes e meia desde 2006 e alcançou US$ 2,5 trilhões em dezembro de 2014.

O estoque de créditos das companhias de petroleo brasileiras aumentou 25% ao ano entre 2006 e 2014, o das chinesas 31% e o das russas 13%. Do total de dívidas de US$ 112 bilhões de curto prazo do Brasil, US$ 54 bilhões são da Petrobras.

O estudo do BIS registra que “o endividamento das petroleiras dos emergentes contrasta com a divida estável das suas congêneres americanas” e que “os empréstimos contraídos por essas companhias coincidem com amplos pagamentos de dividendos aos governos que as controlam”.

Quer dizer, eles ficaram com os dividendos e você com as dívidas.

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Mas Petrobras é o de menos. A preocupação do BIS prende-se ao círculo vicioso que esse endividamento descontrolado tende a criar. “Com dívidas muito pesadas essas companhias tendem a manter sua produção em alta apesar da queda dos preços para gerar o fluxo de caixa necessário para o serviço da dívida. E com esse excesso de oferta os preços tendem a cair cada vez mais. A interação entre essas quedas do preço internacional do petróleo e a apreciação da taxa de câmbio pode ser mortífera para essas petroleiras endividadas dos emergentes”, o que precipitaria a quebradeira dos seus credores.

Essa é a parte que cabe ao mundo desse latifúndio. A cova em que está o Brasil, com palmos medida, é bem mais razinha. Porque para que a Petrobras não morra já, cobrando-nos o dobro do que paga pelos combustíveis que deixou de produzir e agora importa para fazer muito caixa, é preciso que o Brasil dê errado pagando o dobro do que o resto do mundo paga, mais a desvalorização do real para o dolar, para produzir e fazer circular tudo que planta e fabrica e é movido a petróleo. E vice-versa: para por o Brasil pagasse o mesmo que o mundo paga pelo petróleo e não tivesse sua indústria, sua agricultura e sua moeda esmagadas seria preciso deixar a Petrobras quebrar já,  o que implicaria em desclassificações de rating, encarecimento das outras dívidas do país e etc.

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E indústria versus desvalorização do real? É parecido. Pra ela conseguir colocar o nariz um milímetro acima da superfície é preciso desvalorizar muito o real. Mas cada centavo que o dólar sobe as dívidas da Petrobras e do Brasil crescem algumas centenas de milhões.

Se correr o bicho pega; se parar o bicho come. Eis a beleza da obra do PT.

Mas tudo isso ainda é pouco.

Com o barril a US$ 50 dólares ou menos – e não ha nenhuma razão no horizonte para que o preço suba, ao contrário, como mostra o BIS – o petróleo do pré-sal fica, segundo os otimistas, na beira do zero a zero. Mas toda a indústria do álcool, segundo otimistas e pessimistas, vai inevitavelmente a pique porque o custo de plantar e colher cana e transforma-la em álcool simplesmente não cabe nesse preço.

É essa qualidade de encrenca que vem vindo por aí…

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§ 19 Respostas para A parte que te cabe nesse latifúndio

  • Marolinhas. A crise se resolvera quando desenvolvermos o TELETRANSPORTE, ou o biocombustível baseado em suor humano misturado com quirera de milho de pipoca. Movimentaremos bicicletas com rodas quadradas e roldanas com esferas metálicas. Alem do mais o BNDES será privatizado, oferecendo farto crédito aos brasileiros Una revolucion !

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  • Luiz Barros disse:

    Fernão,
    creio que para levar adiante sua campanha pelo voto distrital com recall seria interessante encontrar para o dispositivo um nome – e uma explicação sintética – de mais fácil assimilação. Em outras palavras, o produto é excelente mas a publicidade ainda não está à sua altura.

    Quanto à economia em sinuca de bico, houve uma vez na história deste país um presidente que se gabava de sua ignorância, de não ter estudado nem ser necessária a educação, nem a leitura.

    Abraços, Luiz Barros

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    • flm disse:

      aceita-se sugestões, luis, embora recall seja uma palavra já inteiramente incorporada ao vocabulário dos brasileiros, com sentido exatamente semelhante ao da sua aplicação nas democracias: substituir alguma coisa com defeito antes que ela provoque um desastre.

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      • Luiz Barros disse:

        Eu não sei o que sugerir, Fernão. Acho que os seus artigos sobre o tema são excelentes e suficientes para quem queira entender o assunto em profundidade. Apenas não estou vendo, e posso estar completamente enganado, como a expressão “voto distrital com recall” possa alcançar apelo popular para quando – se e quando – essa reforma, por exemplo, ganhar as ruas… Seria recall realmente uma palavra incorporada ao vocabulário de todos os brasileiros ou só de uma parte deles? Em praça pública, as pessoas carregarão placas e faixas com estes dizeres? E todos que as virem na TV entenderão a reivindicação? No entanto, sugerir – eventualmente – uma outra forma de nomear e explicar sinteticamente o dispositivo, para os fins acima aventados, é coisa que não me atrevo a fazer por estar fora de minha competência e porque, se não for muito bem feita, a emenda poderia estragar o soneto.

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    • Luiz Barros disse:

      Ok, digamos que o nome seja este mesmo (ou outro…) A explicação sintética tem de caber no número de caracteres do tuíter, que não sei qual é porque por razões pessoais, de saúde, não estou integrado às redes sociais, que me poderiam ser nocivas dada a estimulação constante gerar excessiva ansiedade.

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  • DIA 12 DE ABRIL – DIA DA RENUNCIA – DIA DA VITÓRIA
    Vem pra rua orar por São Vitor.

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  • Fernão,
    Mesmo não conhecendo como deveria o complexo negócio do petróleo, algo posso comentar.

    Os EUA, sempre eles, não iriam permitir que a OPEP deitasse e rolasse por tantos anos determinando os preços em muito em função dos orçamentos de “colegas” como Irã, Rússia e Venezuela o que para os árabes produtores só se beneficiavam uma vez seus custos serem infinitamente menores que dos indicados;

    Os EUA quietinhos aumentam sua produção, desenvolvem o aproveitamento do xisto e desde 2009 já se posicionam como o maior produtor ou em vias de e agora sendo.

    Claro, como maior consumidor nada melhor que ser o maior produtor , o que levou o preço ser substancialmente reduzido e com sérias consequências sócio-econômicas aos 3 países já referidos.

    O buraco tá mais embaixo. Adicione-se que os estoques norte-americanos estavam há poucos dias em torno de 98 bilhões de barris criando problema de estocagem.

    E com os preços baixos o gasto da sociedade com aquecimento reduziu-se significativamente, adicionado ao baixo preço do gás graças ao xisto.

    Com o início da primavera/verão o consumo residencial ao aquecimento propriamente zera e vai sobrar mais petróleo e gás.

    Dentro desse quadro de preços baixos as petroleiras dos EUA não se encontram em dificuldades, não obstante os lucros terem se reduzido, mas não a ponto de se encontrar tal qual a Petrobras desconsiderada a roubalheira.

    O BIS cumpre seu papel.

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  • Continuando e quanto ao etanol.

    Delírio Lulista em sair pelo mundo cantando da “descoberta” do melhor combustível à humanidade.

    Como vc bem indica o etanol não cabe no atual preço do barril na sexta cotado a US$ 46,38 preço Texas para 15 de abril. No spot ( a vista) é menor se não me engano em US$ 43.

    Alem do que comentei acima, mostra da imbecilidade dos petistas em acreditar que países sérios e responsáveis por tantos anos na mão da OPEP iriam utilizar de matriz energética produzida por um país de 3o mundo e dirigido por governo esquerdista!!!

    E esses mesmos países estavam dormindo, sem ações, esperando o Brasil !!!

    Mias que delírio é burrice.

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  • Vale a pena ouvir o Ministro aposentado do STF, Eros Grau

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  • honorio sergio disse:

    Acho que não é o Eros Grau, mas o pastor Caio fábio, confiram!

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  • Se comprovado que não é, perdoem-me. A fonte não poderia ser melhor e de quem conhece o ex-Ministro.
    Como ao momento “tudo é possível” pode até ser porque eu mal o conheço e nem sei quem é esse pastor.
    Aliás, conheci de Campinas a atual mulher Tânia minha amiga de juventude.

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  • Carmen Leibovici disse:

    Já que o Banco de Compensações Internacionais entra em ação quando alguma coisa ameaça mergulhar o setor numa crise sistêmica,ele deve ter algum mecanismo ,com força internacional, para intervir e a intervenção aqui no Brasil deveria ser caçar(e cassar) o dinheiro ,onde quer que ele esteja,dos culpados que levaram à desgraça sistêmica,a começar por Lula e todas as suas empresas e de seus familiares.Isto é o deveria ser feito,se alguém tiver peito para fazer!

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  • Carmen Leibovici disse:

    Fiz alguma confusão e não consigo mais reativar o recebimento de posts do Vespeiro no meu email…

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  • Otacílio disse:

    Caro jornalista, gostaria de sugerir um vídeo a ser divulgado em seu excelente blog. Ai vai o link:

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  • honorio sergio disse:

    Caro Otacílio, lógico que a pobreza nos assusta e choca, mas pergunto quem joga toda aquela sujeirada na agua e terrenos baldios? a própria população, falta consciência para todos os brasileiros!

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