Sim, nós estamos em guerra

24 de abril de 2015 § 42 Comentários

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Nada a ver com os 56 mil assassinados a cada 365 dias, cinco vezes mais do que mata o Estado Islâmico por ano.

Falo da outra guerra.

O editorial do Estadão desta quinta-feira (aqui) dá um sobrevôo nas teses que quatro das tendências do PT – da mais radical à mais moderada – enviaram para o debate do 5º Congresso Nacional do partido, agora em junho, e conclui que “o PT julga que está em guerra”. Todas são vazadas em termos militares, tratam dos meios que cada uma sugere empregar para aniquilar “os inimigos”, que seriam todos quantos disputam com ele o poder dentro da ordem democrática, e do que fazer para, segundo a diretriz tantas vezes repetida por Lula ao Foro de São Paulo, não devolver um milímetro do terreno conquistado, aproveitando a passagem pelo poder para mudar a ordem democrática que os pôs lá e eternizar nele as “forças progressistas” (o PT) por meio de uma “Constituinte soberana e exclusiva” que elimine o que o partido vê, no momento, como o seu principal inimigo: o Congresso Nacional que nós elegemos.

O Estadão está errado. Não é o PT que “julga” estar numa guerra. Guerra é como sexo: são necessários pelo menos dois para fazê-la. A democracia brasileira é o objeto dessa guerra movida pelo PT, e se não se der conta disso logo vai perdê-la sem disparar um único tiro para se defender.

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A ordem dos fatores

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Agora Henrique Pizzolatto.

A polícia sem dúvida trabalha, e muito!

Mas não nos iludamos. O que vale é a Justiça que tem o poder de desfazer o que a polícia faz. E nesta têm prevalecido cada vez mais os juízes amestrados que o PT vêm semeando por aí com disciplina invariável, enquanto “elogia” o trabalho da polícia como se fosse seu.

Não é.

O trabalho do PT é o que vem sendo feito no Judiciário e explica porque todos os larões de galinha, sem exceção – sejam os do mensalão, sejam os do petrolão – pegaram penas ou meras incomodações muito, mas muito mais pesadas que os chefões sob as ordens dos quais trabalharam.

É tudo uma questão de ordem dos fatores: é pelo Judiciário que se institui a democracia; é pelo Judiciário que se mata a democracia.

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Tamanho não é documento

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Depois daquelas melancólicas “marchas” dos “movimentos sociais” amestrados do PT “em defesa da Petrobras” contra todos quantos tentarem tirar os ladrões lá de dentro, reunindo do MST do general do Lula condecorado pelo governador de Minas Gerais à OAB do advogado/guarda-costas de João Vaccari Neto, o PT encontrou a tropa ideal para manter a sua guerrinha contra o Brasil: aquela civilizada congregação dos encarregados de educar a nova geração de democratas desta república que, mascarada e babando fel, pára São Paulo todo dia com a sua meia dúzia de dezenas de gatos pingados tentando derrubar o governador Geraldo Alkmin até no dia do velório do seu filho. Esses “professores” não conversam por menos de 75,33% de aumento “” – e atenção para os 0,33%! – porque o país está nadando de braçada e pedir isso “”, ou morte, seja quando for, é prova indiscutível de boa fé.

Não se impressione. Eles são só mais uma cortina de fumaça. Só o que interessa nessa guerra é a conquista do Judiciário uma vez garantida a qual, o resto vai, ato contínuo, direto “pro saco”.

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Mulher de vida fácil

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O mercado é o que é. Pela frente ou por trás ele entuba o que vier e sempre se diverte com isso.

Ninguém levou a sério os números mas o fato da Petrobras sair na undécima hora do mutismo e, assim, evitar a desclassificação que anteciparia a cobrança de suas dívidas e a levaria à falência já para admitir candidamente – “sim, eu tenho sido roubada” – é uma melhora em relação à condição anterior de cinismo quae sera tamen suficiente para fazer mais alguns bilhões saírem do bolso dos trouxas para se acomodarem nos dos cínicos.

Fica agora para os técnicos e os jornalistas otários a discussão sobre se “roubo” são só os 6,2 bi assim classificados ou também os 44,6 bi de “desvalroização de ativos” por conta daquelas refinarias que o Lula mandou fazer porque sim até em sociedade com a Venezuela, veja você, e custaram, cada uma, pelo menos oito vezes o preço contratado ou, ainda, os 21,6 bilhões inscritos como “prejuízo operacional” do exercício de 2014.

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A soma passa de 72 bi, mas o importante nisso aí são tres coisas:

1 – a dívida líquida da Petrobras bateu em 282 bi em dezembro passado, 27% a mais que exatamente um ano antes; ou seja, alçou vôo e é impagável antes mesmo das multas americanas e o que mais vier, mesmo com a “privataria” toda que o PT vai por em andamento pra pagar com pedaços do nosso “orgulho soberano” o seu suborno eleitoral;

2 – comprada a eleição, vem a conta: o preço dos combustíveis, que levanta todos os outros por baixo neste país movido a caminhão, é de longe o maior imposto desse “ajuste” e vai permanecer nas alturas tanto mais quanto mais baixar o preço do petróleo no mundo, porque entre você e a Petrobras o PT fica com…

3 – como “solução” para esse terremoto, o Aldemir Bendine da Dilma e da Val Marchiore, já anunciou o mesmo modelo de “parcerias” que criou para o Banco do Brasil que, com a conta de seguros estourada, reuniu todos os segmentos de seguridade junto com sócios estratégicos (tipo os campeões do BNDES), e criou “uma empresa privada sem as amarras da gestão estatal”.

Ja pensou!

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A parte que te cabe nesse latifúndio

23 de março de 2015 § 19 Comentários

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O Banco de Compensações Internacionais (o BIS com sede na Suíça), dito “o banco dos bancos” que entra em ação quando alguma coisa ameaça mergulhar o setor numa crise sistêmica (quebradeira em cadeia) colocou o crescente endividamento das grandes companhias de petróleo no radar das suas preocupações depois que uma nova pesquisa mostrou que o endividamento do setor cresceu duas vezes e meia desde 2006 e alcançou US$ 2,5 trilhões em dezembro de 2014.

O estoque de créditos das companhias de petroleo brasileiras aumentou 25% ao ano entre 2006 e 2014, o das chinesas 31% e o das russas 13%. Do total de dívidas de US$ 112 bilhões de curto prazo do Brasil, US$ 54 bilhões são da Petrobras.

O estudo do BIS registra que “o endividamento das petroleiras dos emergentes contrasta com a divida estável das suas congêneres americanas” e que “os empréstimos contraídos por essas companhias coincidem com amplos pagamentos de dividendos aos governos que as controlam”.

Quer dizer, eles ficaram com os dividendos e você com as dívidas.

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Mas Petrobras é o de menos. A preocupação do BIS prende-se ao círculo vicioso que esse endividamento descontrolado tende a criar. “Com dívidas muito pesadas essas companhias tendem a manter sua produção em alta apesar da queda dos preços para gerar o fluxo de caixa necessário para o serviço da dívida. E com esse excesso de oferta os preços tendem a cair cada vez mais. A interação entre essas quedas do preço internacional do petróleo e a apreciação da taxa de câmbio pode ser mortífera para essas petroleiras endividadas dos emergentes”, o que precipitaria a quebradeira dos seus credores.

Essa é a parte que cabe ao mundo desse latifúndio. A cova em que está o Brasil, com palmos medida, é bem mais razinha. Porque para que a Petrobras não morra já, cobrando-nos o dobro do que paga pelos combustíveis que deixou de produzir e agora importa para fazer muito caixa, é preciso que o Brasil dê errado pagando o dobro do que o resto do mundo paga, mais a desvalorização do real para o dolar, para produzir e fazer circular tudo que planta e fabrica e é movido a petróleo. E vice-versa: para por o Brasil pagasse o mesmo que o mundo paga pelo petróleo e não tivesse sua indústria, sua agricultura e sua moeda esmagadas seria preciso deixar a Petrobras quebrar já,  o que implicaria em desclassificações de rating, encarecimento das outras dívidas do país e etc.

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E indústria versus desvalorização do real? É parecido. Pra ela conseguir colocar o nariz um milímetro acima da superfície é preciso desvalorizar muito o real. Mas cada centavo que o dólar sobe as dívidas da Petrobras e do Brasil crescem algumas centenas de milhões.

Se correr o bicho pega; se parar o bicho come. Eis a beleza da obra do PT.

Mas tudo isso ainda é pouco.

Com o barril a US$ 50 dólares ou menos – e não ha nenhuma razão no horizonte para que o preço suba, ao contrário, como mostra o BIS – o petróleo do pré-sal fica, segundo os otimistas, na beira do zero a zero. Mas toda a indústria do álcool, segundo otimistas e pessimistas, vai inevitavelmente a pique porque o custo de plantar e colher cana e transforma-la em álcool simplesmente não cabe nesse preço.

É essa qualidade de encrenca que vem vindo por aí…

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