Hoje é dia de pensar no Brasil

25 de outubro de 2014 § 33 Comentários

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Artigo para O Estado de S. Paulo de 25/10/2014

Ha um estranho distanciamento entre os temas debatidos na campanha que desaguará na eleição de amanhã e o que de fato está em jogo na escolha que ela decidirá.

Para além dos ataques pessoais que dominaram a cena, e das diferenças inerentes ao tema da corrupção, tudo se passou como se não houvesse escolha mais arriscada em jogo para o Brasil do que optar entre dosagens ligeiramente diferentes de intervenção na economia por cima de políticas sociais rigorosamente idênticas, dentro de um abiente institucional perfeitamente consolidado.

Só que isso não corresponde à realidade.

Na verdade tudo está em aberto. Nem mesmo os itens básicos da Declaração Universal dos Direitos do Homem são incondicionalmente acatados pelo atual governo do país que ha 30 anos clamava em uníssono por “Diretas Já” e nos pede mais quatro anos de mandato.

Em plena revolução tecnológica não ha “verdade absoluta” que tenha ficado em pé. A dúvida, cada vez mais, é senhora, e essa ausência de certezas é o pressuposto da liberdade que é, antes de mais nada, a liberdade de dissentir.

Ha muito tempo já que não há mais enganos perdoáveis a esse respeito. Não ha como não repudiar, de boa fé, as afirmações categóricas do passado, o apriorismo político e as concepções tendentes a deformar as sociedades humanas e o indivíduo segundo modelos pré-concebidos.

A flexibilidade política deixou de ser uma opção para se transformar num imperativo de sobrevivência.

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Não obstante o que o PT trata de fazer o Brasil tragar por baixo de um discurso que nunca penetra claramente nessas profundidades, é de impedir o país de navegar conforme a onda que venha e o vento que sopre, livre para mudar de rumo e mudar de prumo; é de fechar a porta de saída – ou no mínimo antepor a ela um labirinto virtualmente intransponível – depois de ter aceito o convite para passar pela de entrada.

Os fatos são os fatos:

No plano internacional o governo do PT alinha-se automaticamente com todas as ditaduras e com os mais notórios violadores dos direitos humanos deste e de outros continentes, muitas das quais, ao arrepio da lei, financia com dinheiro público em contas dadas como “secretas”. Chegou até ao extremo de exigir que a ONU desse mais tempo e largueza para os degoladores do Estado Islâmico.

No plano nacional, o partido manipula os números que medem o desempenho da economia, censura as instituições públicas encarregadas dessa medição quando os dados lhes são adversos, financia com dinheiro público uma vasta rede de difamadores assalariados para promover o linchamento moral nas redes sociais de quem quer que divulgue fatos que considere prejudiciais às suas pretensões eleitorais ou manifeste opiniões diferentes das suas e promete solenemente, em caso de vitória, passar a “controlar” o que os brasileiros poderão ver, ouvir ou dizer daqui por diante também na “mídia tradicional”.

Num plano mais concreto e efetivo, a própria candidata que pede votos aos brasileiros dentro do sistema ainda em vigor assina o Decreto nº 8243 da Presidência da República que revoga a exclusividade do poder de legislar dos representantes eleitos por todos os brasileiros e transfere parte dele a grupos de militantes do seu partido com os quais reuniu-se cerimonialmente na sede do governo às vésperas do 1º turno para reiterar oficialmente seu compromisso de, à revelia do Congresso Nacional e contra a eventual resistência dele, submeter a plebiscito a continuação ou não do regime de democracia representativa eleita pelo voto universal.

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Para a massa dos eleitores o volume e a intensidade com que são divulgadas as “mordidas” e os “assopros” da proposta petista são monitorados com o mesmo ajuste fino de modulação com que, na sua sempre reveladora obsessão com os falsos silogismos, contaminam com meias verdades ou mentiras inteiras as ações e declarações dos adversários, sempre de modo a poder afirmar mais adiante que, seja o adversário, seja o eleitor, disse o que não disse ou votou no que não votou.

Todas essas manobras se dão sob a regência pessoal de um Luis Ignácio Lula da Silva que, à medida em que avança a campanha eleitoral, vem recrudescendo seus votos de ódio e suas ameaças de vinganças “inimagináveis” contra quem ousar resistir-lhes, e seguem à risca o roteiro por ele pessoalmente prescrito ao Foro de São Paulo, a entidade que ele próprio criou e que congrega em torno desse mesmo esquema tático todos os ditadores em projeto ou já instalados no poder na América do Sul e no Caribe, com a expressa recomendação de que “não permitam recuos” após cada “conquista”.

Não obstante tudo isso, acuado pela máquina de mentiras e intrigas que vem semeando a cizânia e empurrando um povo que já foi definido por sua cordialidade para a beira da conflagração, a candidatura de Aécio Neves escolheu trabalhar exclusivamente os temas que menos a diferenciam da blitz lulista, deixando fora do debate a única diferença de fato irreconciliável entre o PSDB e o PT que é o compromisso de um com a democracia e o compromisso do outro contra a democracia ou pelo menos contra a democracia desadjetivada, o que parece ter desmobilizado uma parcela daquele eleitorado que, sentindo instintivamente o perigo que continua no ar, aliou-se no 1º turno, por cima de suas diferenças, no voto antipetista e a favor da democracia.

Afinal, se as diferenças não pasam de nuances, segundo os próprios interessados em ressaltá-las, porque arriscar os incômodos todos de uma troca de governo?

Seria um trágico engano.

Acreditar nisso é ignorar o que se passa à nossa volta no continente sul-americano, descrer de tudo quanto o próprio PT afirma sobre si mesmo e suas intenções, relevar o ambiente de violência moral – quase física – em que transcorreu a campanha eleitoral e arriscar-se a descer até à profundidade a partir da qual não ha mais retorno nos sistemas de socialização da corrupção e seleção negativa dos parasitas no controle deles em que, década após década numa espiral sem fim, vêm dando voltas, soçobrados, tantos dos países vizinhos do Brasil .

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§ 33 Respostas para Hoje é dia de pensar no Brasil

  • Hellena Souza disse:

    FEMASIM, será o que foi feito não foi o possível? Será que a sociedade brasileira, estava preparada pra discutir a imposição sorrateira do bolivarismo? Por aqui, ninguém se assume comunista. Aliás, nem se utiliza esta palavra. As pessoas votaram na Luciana do PSOl, porque gostaram do que ela falou. Mas quando pergunto e o que ela falou? “Não me lembro, mas foi interessante, foi diferente de tudo que os outros dissera”. E você sabe que ela é comunista? Não! E você sabe o que o comunismo? Não! E estudou até que série: “Ah! Já terminei o Ensino Médio. Não cortei meus pulsos, ainda, porque não tenho gilete.

    Meu caro, é duro aceitar que nosso povo saltou da idade da pré escrita para a era da informática. Sem escalas.

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    • flm disse:

      eu não acredito nisso, Hellena,
      não subestimo a capacidade de ninguém de entender as coisas desde que elas lhes sejam explicadas com clareza e com a intenção de esclarecer e não de enganar.
      afinal, não estamos falando de esquemas filosóficos abstratos mas de fatos que qualquer um pode comprovar e/ou projetar na sua própria realidade.
      não vejo dificuldade mesmo para um analfabeto em entender que existe uma diferença em ter as leis do país feitas pelos representantes eleitos por ele próprio ou impostas pelos escolhidos de outros; entre um sistema em que quem elege também pode deseleger e outro em que e o eleito tranca-se onde lhe foi permitido estar por um tempo usa a força para não sair mais.
      mais: pensando do ponto de vista institucional e como cidadão que vai viver aqui e criar seus filhos aqui, prefiro os riscos de ser mal entendido ao expor a verdade do que os de seguir cultivando a ignorância que é o pré requisito da manipulação política.
      não ha outro jeito de navegar senão saindo ao mar, e enquanto não promovermos essa emancipação para todos, continuaremos, junto com eles, sendo meros passageiros desse barco da mentira e da mistificação pilotado por gente raramente bem intencionada.
      finalmente, minha observação desses processos após quase meio século me dizem que o eleitor percebe instintivamente quando esta sendo subestimado, e reage pessimamente a isso, vingando-sena urna…

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  • “O BRASIL NÃO É UMA REPUBLIQUETA DE BANANAS”

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  • José Luiz de Sanctis disse:

    Excelente! Não estamos diante de partidos opositores que diferem no entendimento de como administrar uma democracia. Não se trata apenas de apoiar o Aécio. Esta eleição vai muito além disso. É a nossa incipiente democracia e nossa liberdade que estão em jogo. Muito além de apoiar o candidato de oposição, temos que derrotar Cuba e o Foro de São Paulo e e seus apoiadores aqui dentro. Temos que votar contra uma iminente ditadura.

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  • Temos que honrar os heróis brasileiros que derramaram seus sangues por LIBERDADE. Temos sempre que preservar a LIBERDADE.
    http://www.dominiopublico.gov.br/dowload/texto/bv000301.pdf

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  • Renato disse:

    Excelente artigo! Mas, não se esqueçam que, o Olavo de Carvalho, já falava isso ha vinte anos atrás. E se não bastasse, ele era o único, na linha de frente, tomando pancada de todos os lados, inclusive de ”profissionais” que hoje não fazem mais do que repeti-las. Oque já é grande coisa, pois a maioria insiste ainda em nega-las.

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  • Com a palavra o grande vitorioso de amanhã. O caos bate á porta.

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  • Eduardo, que bom que vc reapareçeu. É tudo que vc escreveu e mais alguma coisa. Acredito que na eventual vitória do PT teremos a maior polarização política dentro do congresso, com apoio de alguns governadores sem rabo preso com eles e com a participação da sociedade. Acontecendo essa desgraça vai custar muito caro, tipo vitória de Pirro. Lembremos de que a situação econômica é péssima e o ” espírito animal” do empresariado que faz o Brasil andar pra frente está adormecido, e não será fácil despertá-los da inércia por falta de confiança.

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    • Cobucci, gostei deste “Vitória de Pirro”. Seguramente, não importa o próximo governo, estamos diante de uma maldita maldita herança. Se a governAnta for reeleita, como indicam as pesquisas, DILMA será submetida a um desgastante processo de impeachment, isto se o Youssef não morrer e ocorrer a materialidade de crimes (provas), mas lembro que tem também o Paulo Roberto Costa que narra a mesma ladainha, não há como varrer esta ignomínia para debaixo do tapete, o mesmo ocorrendo com o peemedebista TEMER, com a vacância do cargo assume o presidente da câmara sendo convocadas novas eleições em 90 dias. O Brasil não tem o que perder, já esta tudo perdido.
      http://www.pt.wikipedia.org/wiki/Impeachment

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      • Lamentável que não se tenha tomado a iniciativa de IMPUGNAR a candidatura, mas a sociedade brasileira sempre é muito lenta, mineiro então nem se diga. Não sabe como são matreiros. Antes você tem que tomar um cafezinho, comer um queijo mineiro, um pão de queijo, escutar uns causos de prosa boa para finalmente ouvir: Sabe, né doutô, eu acho (nunca se tem a certeza) que farta um documentos e uns carimbo. (Herança do selo do rei de Portugal). Mas geralmente eles sempre chegam lá! Mesmo que o Tiradentes tenha que se revirar na tumba (tumba?) mil vezes.

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  • Ricardo disse:

    Por ora me intriga o delator Youssef ter”passado mal” agora a pouco noticiado pelo jornal da Bandeirantes,e mais ainda o âncora ter pronunciado:” Tudo que a gente não precisa,é que ele morra.Fica vivo aí,Youssef !”Pensando na turma que “faz o diabo prá vencer eleição(sic)” me preocupa mesmo é a segunda-feira,qualquer que seja o resultado do pleito.
    Um futuro regido pela instabilidade é inexorável.A manutenção da institucionalidade estará em risco e as rupturas serão iminentes,seja pelo traumatismo petista de ser alijado do poder,seja pelo fato que a manutenção de um governo maculado não terá condições de uma governabilidade pacífica.
    Instruções correntes em côrtes internacionais ainda virão com força de provocar um cenário de tensão e ruptura,devemos lembrar que o capital internacional,e suas leis,não costumam ser lenientes.
    Um governo de oposição depurando uma máquina(aparelhamento) de 12 anos não será facilmente conduzido.
    É de se esperar a mais catastrófica sabotagem de um governo e suas instituições,e,possivelmente uma iniciativa de se construir uma radicalização que leve a algo como uma guerra civil.
    Qualquer cenário,seja PT ou PSDB no poder,não trará tranqüilidade ao país.Será um período de exorcismo num provável mandato de Aécio ou de caça as bruxas na possibilidade do continuísmo com Dilma,de qualquer forma teremos turbulências institucionais e sua segurança deverá ser ameaçada em várias frentes.Isso que ainda teremos pela frente o que deverá chegar ao supremo com o recheio “quente” das delações premiadas,quando então as reputações de ilibados cairão por terra e acirrarão os ânimos.
    Peço que tenham suas escolhas em mente amanhã e depois de amanhã.Não se abstenham por não ter um candidato que os representem.
    Em primeiro lugar avaliem o que é votar num plano que isola o congresso e despreza a representatividade do cidadão e seu sufrágio
    Que em um primeiro momento,tenham a noção do que é preciso fazer e esse fazer é votar,se você quer protestar,proteste tirando o que está aí.Depois,em quatro anos,poderá tirar o outro,e por aí vai..
    Uma omissão num momento como vive o Brasil é um ato irresponsável e quase criminoso por ser conivente com tantos atos desmedidos.
    Peça por votos,não deixe de votar e não deixe que alguém que você conheça anule o voto.
    Lembre,se você não gosta do que está aí,tire o que está aí..
    Daqui a quatro anos PODERÁ OU NÃO,lembrem a Venezuela, ter mais,aí você muda,mas só depende de amanhã..
    Abraço

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  • Eduardo, deixei de considerar o que segue:

    Na quinta feira, dia 23, participei de uma reunião-palestra da qual interajo- com representantes de agentes financeiros, bancos e fundos, do exterior e que operam aqui.

    A desconfiança com a Dilma é cada dia maior, desnecessário indicar dos índices e das maracutaias com os mesmos.Independentemente da vontade deles agentes, o Brasil está prestes a perder grau na avaliação significando que os investidores de fora como fundos serão obrigados a realizar suas posições no país. A Petro é a bola da vez dependendo de baixar só mais um grau.

    Como se isso fosse pouco, o que não é, considere que com a queda do valor do petróleo- em 25% desde julho- e o crescimento da exploração e refino nos EUA com o xisto * , está levando a uma nova ordem mundial uma vez serem eles os maiores consumidores e propriamente independente da OPEP que estabelecia os preços em função quase única de seus orçamentos com as obrigações sociais,investimentos em se tratando da única fonte de renda.

    A propósito, segundo analistas no NYTimes de segunda passada, o break-event do Irã é de 140 US$ o .barril; da Rússia e Venezuela 120, Iraque 100; Aábia Saudita 90, Kuwait 75 e EUA 60 !! no Texas e Dakota do Norte.

    Isso significa que a Petrobrás e o pré-sal que ninguém sabe quanto custa, nem eles, pode inviabilizar-se e o etanol vai pro mesmo caminho porque nenhum país que tem um pouco de juízo, a começar dos norte-americanos vão querer depender de uma matriz energética de um país governado por um bando de malucos, ao que adiciona-se o fato de se libertarem do países árabes com grandes custos políticos e financeiros e, só faltaria depender de nós. Quanto ao etanol de milho o insumo é deles e, em matéria de segurança nacional a conta é outra, é custo político tal qual os gastos absurdos a novas tecnologias em armamentos.

    Lembremos, finalmente, que mesmo como os maiores produtores de soja, não somos nós quem dá o preço. É lá em Chicago e o resto é delírio.

    * O xisto levou a cair 11% no preço do gás e de aumento de 0,7% na produção industrial. Se parece pouco lembre-se da base industrial pra ver o quanto significa.

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    • Cobucci
      Herança Maldita. Claro e cristalino como “água de rocha”. Análise perfeita.

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      • Até que a PTzada é inteligente. Já que Petróleo não vai valer nada (temos a péssima mania de acreditar em inverdades) pois os norte-americanos o domaram, o negócio é azarar a Petrobras. E para dificultar a extração do pré-sal e melhorar ainda mais compraram o mico de Passadena e empurraram o Etanol para o ralo. Inegável são geniais. Que continuemos pensando assim quando na verdade tudo foi feito para alimentar as idéias do Foro de São Paulo, um plano de perpetuação no poder.

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  • “CONTROL OIL AND YOU CONTROL THE NATIONS, CONTROL FOODS AND YOU CONTROL THE PEOPLE” – Henry Kissinger
    No magistral livro de F.William Engdahl , SEEDS OF DESTRUCTION

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  • As “sementes da destruição” foram plantadas e germinaram. Hoje é o dia de “roçar”. Estou convicto de que os petralhas se não todos grande parte irá pra casa. De baixo pra cima começará no No Rio Grande do Sul até em Brasília, não que os demais não sejam importantes. Mas esses dois são expressivos.No Congresso eles tiveram uma boa redução de parlamentares. Que Deus me ouça pelo menos, pelo futuro de nosso país.

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  • Ontem, tarde da noite:

    Aecio -54.6 %
    Dilma – 45.4 %
    Acabou de sair na pesquisa Sensus na BandNews agora. A globo nao esta divulgando isso. Divulguem.
    👏👏👏👏👏👏👏

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