Hoje é dia de pensar no Brasil

25 de outubro de 2014 § 33 Comentários

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Artigo para O Estado de S. Paulo de 25/10/2014

Ha um estranho distanciamento entre os temas debatidos na campanha que desaguará na eleição de amanhã e o que de fato está em jogo na escolha que ela decidirá.

Para além dos ataques pessoais que dominaram a cena, e das diferenças inerentes ao tema da corrupção, tudo se passou como se não houvesse escolha mais arriscada em jogo para o Brasil do que optar entre dosagens ligeiramente diferentes de intervenção na economia por cima de políticas sociais rigorosamente idênticas, dentro de um abiente institucional perfeitamente consolidado.

Só que isso não corresponde à realidade.

Na verdade tudo está em aberto. Nem mesmo os itens básicos da Declaração Universal dos Direitos do Homem são incondicionalmente acatados pelo atual governo do país que ha 30 anos clamava em uníssono por “Diretas Já” e nos pede mais quatro anos de mandato.

Em plena revolução tecnológica não ha “verdade absoluta” que tenha ficado em pé. A dúvida, cada vez mais, é senhora, e essa ausência de certezas é o pressuposto da liberdade que é, antes de mais nada, a liberdade de dissentir.

Ha muito tempo já que não há mais enganos perdoáveis a esse respeito. Não ha como não repudiar, de boa fé, as afirmações categóricas do passado, o apriorismo político e as concepções tendentes a deformar as sociedades humanas e o indivíduo segundo modelos pré-concebidos.

A flexibilidade política deixou de ser uma opção para se transformar num imperativo de sobrevivência.

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Não obstante o que o PT trata de fazer o Brasil tragar por baixo de um discurso que nunca penetra claramente nessas profundidades, é de impedir o país de navegar conforme a onda que venha e o vento que sopre, livre para mudar de rumo e mudar de prumo; é de fechar a porta de saída – ou no mínimo antepor a ela um labirinto virtualmente intransponível – depois de ter aceito o convite para passar pela de entrada.

Os fatos são os fatos:

No plano internacional o governo do PT alinha-se automaticamente com todas as ditaduras e com os mais notórios violadores dos direitos humanos deste e de outros continentes, muitas das quais, ao arrepio da lei, financia com dinheiro público em contas dadas como “secretas”. Chegou até ao extremo de exigir que a ONU desse mais tempo e largueza para os degoladores do Estado Islâmico.

No plano nacional, o partido manipula os números que medem o desempenho da economia, censura as instituições públicas encarregadas dessa medição quando os dados lhes são adversos, financia com dinheiro público uma vasta rede de difamadores assalariados para promover o linchamento moral nas redes sociais de quem quer que divulgue fatos que considere prejudiciais às suas pretensões eleitorais ou manifeste opiniões diferentes das suas e promete solenemente, em caso de vitória, passar a “controlar” o que os brasileiros poderão ver, ouvir ou dizer daqui por diante também na “mídia tradicional”.

Num plano mais concreto e efetivo, a própria candidata que pede votos aos brasileiros dentro do sistema ainda em vigor assina o Decreto nº 8243 da Presidência da República que revoga a exclusividade do poder de legislar dos representantes eleitos por todos os brasileiros e transfere parte dele a grupos de militantes do seu partido com os quais reuniu-se cerimonialmente na sede do governo às vésperas do 1º turno para reiterar oficialmente seu compromisso de, à revelia do Congresso Nacional e contra a eventual resistência dele, submeter a plebiscito a continuação ou não do regime de democracia representativa eleita pelo voto universal.

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Para a massa dos eleitores o volume e a intensidade com que são divulgadas as “mordidas” e os “assopros” da proposta petista são monitorados com o mesmo ajuste fino de modulação com que, na sua sempre reveladora obsessão com os falsos silogismos, contaminam com meias verdades ou mentiras inteiras as ações e declarações dos adversários, sempre de modo a poder afirmar mais adiante que, seja o adversário, seja o eleitor, disse o que não disse ou votou no que não votou.

Todas essas manobras se dão sob a regência pessoal de um Luis Ignácio Lula da Silva que, à medida em que avança a campanha eleitoral, vem recrudescendo seus votos de ódio e suas ameaças de vinganças “inimagináveis” contra quem ousar resistir-lhes, e seguem à risca o roteiro por ele pessoalmente prescrito ao Foro de São Paulo, a entidade que ele próprio criou e que congrega em torno desse mesmo esquema tático todos os ditadores em projeto ou já instalados no poder na América do Sul e no Caribe, com a expressa recomendação de que “não permitam recuos” após cada “conquista”.

Não obstante tudo isso, acuado pela máquina de mentiras e intrigas que vem semeando a cizânia e empurrando um povo que já foi definido por sua cordialidade para a beira da conflagração, a candidatura de Aécio Neves escolheu trabalhar exclusivamente os temas que menos a diferenciam da blitz lulista, deixando fora do debate a única diferença de fato irreconciliável entre o PSDB e o PT que é o compromisso de um com a democracia e o compromisso do outro contra a democracia ou pelo menos contra a democracia desadjetivada, o que parece ter desmobilizado uma parcela daquele eleitorado que, sentindo instintivamente o perigo que continua no ar, aliou-se no 1º turno, por cima de suas diferenças, no voto antipetista e a favor da democracia.

Afinal, se as diferenças não pasam de nuances, segundo os próprios interessados em ressaltá-las, porque arriscar os incômodos todos de uma troca de governo?

Seria um trágico engano.

Acreditar nisso é ignorar o que se passa à nossa volta no continente sul-americano, descrer de tudo quanto o próprio PT afirma sobre si mesmo e suas intenções, relevar o ambiente de violência moral – quase física – em que transcorreu a campanha eleitoral e arriscar-se a descer até à profundidade a partir da qual não ha mais retorno nos sistemas de socialização da corrupção e seleção negativa dos parasitas no controle deles em que, década após década numa espiral sem fim, vêm dando voltas, soçobrados, tantos dos países vizinhos do Brasil .

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O que é que alimenta a mentira

30 de setembro de 2014 § 19 Comentários

O mergulho das “brases” na Bolsa de Valores de São Paulo soa como a “ficha caindo” da rendição daquele mítico “país do futuro” à mentira petista.

A interpretação mais benigna que se ouve é a de que, sim, nós vivemos em plena Torre de Babel e é impossível a comunicação no país dos 85% de analfabetos funcionais onde o “povão” não sabe de nada e está sujeito a qualquer mentira.

É verdade que isso é verdade e que os 85 milhões de cheques distribuídos pelo PT de mão em mão todo santo mês podem se transformar no empurrãozinho que faltava para que os dependentes do esquema façam vistas grossas para a mentira.

Mas mesmo entre esses não se perde a noção do verdadeiro e do falso. Pensar o contrário é embarcar naquela outra mentira que embala o petismo, de que o crime é função da miséria.

A verdade e a noção do certo e do errado têm força por si mesmas e quando são afirmadas com a necessária energia impõem-se igualmente para quem come bem e para quem come mal. Diante delas o criminoso e o vendido – rico ou pobre – só podem apresentar-se como o que de fato são. E isso cria um constrangimento que faz a maior parte das pessoas desanimar.

A campanha eleitoral na TV é uma oportunidade rara. Ela permite escapar ao cerco em que o poder invariavelmente tenta encerrar a verdade e mostrar ao povo, nua e crua e em rede nacional, mesmo aquela que só a parcela dele que lê conhece.

Mas não é o que tem acontecido. Ha, portanto, de fazer-se justiça à monumental incompetência das campanhas da oposição para explicar o movimento que as pesquisas estão registrando.

Campanhas nada menos que alienadas estão permitindo que o PT, reconfirmando a cada novo degrau galgado, até para a sua própria surpresa, que suas mentiras nunca lhes serão atiradas na cara, anime-se a seguir escada acima até chegar a essa inversão, que beira o surrealismo, de apresentar os próprios flagrados praticando esse crime como os paladinos da luta contra a corrupção e a impunidade.

Publicitários não são exatamente apóstolos da verdade. Não vai nenhum demérito nisso. É do metier. Mas até para eles ha um limite. O Conselho Nacional de Autoregulamentação Publicitária, que zela pela continuação da profissão e do negócio, não admite peças de propaganda inteiramente descompromissadas com qualquer fundo de verdade.

No presente momento brasileiro é diferente. A mentira sistematizada – junto com a corrupção no nível a que já chegou por aqui – é letal para a política. Mas este PT que sobrou depois da debandada da esquerda honesta não tem nenhum compromisso com a continuação da política “liberal” que, como sabe quem conhece um pouquinho da história recente deste nosso mundo, é a única que existe.

Política é, para eles, uma atividade provisória. O que eles entendem é a força. O PT que está aí é o que lutou de armas na mão, no século findo ha 14 anos, para impor ao Brasil a ditadura totalitária que ainda era possível naquela época. Agora lutam para nos levar para a ditadura tão total quanto ainda possível nestes grotões sul-americanos, a dita “bolivariana” que se conquista com mentiras e se mantém com as falsificações plebiscitárias que, do programa oficial do partido já saltaram, como avant premiére, para os decretos presidenciais.

Isso nos traz de volta à oposição. Numa guerra de mentiras vence o profissional em embalagens mais treinado na mentira. E nesse campo ninguém bate João Santana, o homem que modula as palavras na boca de Lula ha vária décadas.

O modelo formal da verdade, em política, está no bom jornalismo. Assim, só uma campanha feita com base no modelo jornalístico, como tem sido a de Geraldo Alkmin, é capaz de derrubar uma campanha inteira e assumidamente baseada na mentira.

Alexandre Padilha não é o maior fracasso da história de Lula e do PT apenas pelos belos olhos dele. Nem, muito menos, pelo sex apeal do governador que tem feito as alegrias do novato escatológico que o ninho de cobras do PMDB pariu para correr na paralela e comer São Paulo pelas bordas.

O que tem acontecido é que os marqueteiros de Alkmin não deixam ninguém esquecer por um minuto sequer quem é o “Pad”, como era carinhosamente chamado o ex-ministro da Saude de Dilma nas mensagens que o vice-presidente da Camara dos Deputados do PT, Andre Vargas, trocava com o doleiro Alberto Youssef, parceiros no crime ha décadas, para tramar entre os tres o golpe que garantiria a todos a tão sonhada “independência financeira” às custas da saude do brasileiro pobre.

O que tem acontecido é que as mentiras do PT sobre São Paulo não ficam um minuto sequer sem resposta. A contraprova vem na sequência da mentira posta no ar, e em geral no mesmo dia, como foi o caso com relação à controvérsia recente surgida com a tentativa de factóide lançada contra o sistema de prevenção do crime importada de Nova York pelo governador ou, mais ainda, com as de culpá-lo pela falta d’água em São Paulo, mesmo com ela de fato existindo e apesar das repetidas manifestações fajutas da militância profissional pela ruas da cidade.

A campanha de Alkmin serenamente trata de reportar os fatos na sequência em que aconteceram e de por no ar suscintas e contundentes reportagens sobre o estado das represas, a intensidade da seca e as medidas adotadas para enfrentar a emergência.

Os números confirmam que não ha telespectador, seja qual for a classe de renda, que não as compreenda.

Ja Marina e Aécio Neves, por mais acintosa que seja a última mentira exibida pelo PT, continuam olimpicamente falando em vagos “choques de gestão” e outras amenidades do gênero, como se essas fabricações não lhes dissessem respeito.

Alguém se lembrará de que sendo uma novata e o outro o dono de um currículo apenas estadual, não teriam o que apresentar sob esse formato jornalístico a um eleitorado nacional.

Mas não se trata de mostrar o que eles fizeram ou pretendem fazer. Trata-se de mostrar o que o PT não é mas afirma solenemente ser e, o que é melhor, pela boca dos próprios protagonistas das mentiras aventadas.

Imagine-se a edição dessa conversa sobre “a luta sem tréguas do PT contra a corrupção, doa a quem doer” entremeada das 12 vezes em que Paulo Roberto Costa, o agente colocado pelo partido para rapelar a Petrobras, se “reservou o direito de permanecer calado” na CPI, das cenas de André Vargas fazendo o mesmo gesto de Zé Dirceu e Genoíno na cara de Joaquim Barbosa, da construcão das suites especiais da Papuda, do Lula gritando do palanque que “tem o meu aval” uma mobilização da militância contra a condenação dos mensaleiros pelo STF, da “aposentadoria” precoce de Joaquim Barbosa e dos ministros amestrados do STF soltando a corja de volta pra rua. Ou de trechos de qualquer dos vídeos, catados a esmo, exibidos nesta postagem.

Qualquer estudante de primeiro ano de edição de imagens é capaz de matar a pau as mentiras petistas. Se pesquisar um pouquinho mais para tras no Youtube, então, põe os próprios mentirosos se desmentindo a si mesmos. Ou até se auto-denunciando como nos filmes que todo mundo sabe que estão lá, onde Lula explica que esquemas como o da sua “bôça família” é o mesmo truque sujo dos portugueses dando miçanga pra comprar índio. Ou aquele outro em que explica porque cooptar a familia Sarney só pode ser coisa de criminoso mal intencionado.

Seriam os responsáveis pelas campanhas de Marina e Aécio os únicos brasileiros minimamente ilustrados que não sabem da existência da internet? A esta altura já não importa. De qualquer maneira eles já são culpados de crime de lesa-pátria.

A mentira no estado da arte

12 de setembro de 2014 § 4 Comentários

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Que Marina Silva é um produto perecível que se deteriora tanto mais quanto mais aparece na TV era algo que me parecia claro desde sempre. Em matéria de falta de sex appeal ela é pareo duro para a Dilma Rousseff real, com a diferenca que os competentes marqueteiros do PT sabem disso desde sempre e os de Marina parece que ainda não tiveram tempo de percebê-lo.

A Dilma real despencou naquela safra fortuita de entrevistas ao vivo e debates na TV; a Marina virtual subiu como um foguete em função daqueles 15 dias em que aparecia da telinha sem dizer nada – apenas um avatar – que se seguiram à morte de Eduardo Campos.

Subiu porque tornou-se visivel.

Desde então a coisa inverteu-se. A Marina real começou a falar com sua propria voz e expor suas próprias idéias e quanto mais fala mais cai. Já a Dilma real calou-se; saiu de cena a sua desarticulação crônica de idéias. Foi substituida pela Dilma virtual, esse boneco de ventríloquo dos marqueteiros do PT bem editado, photoshopeado e produzido, e quanto mais eles mentem em seu nome, mais ela sobe.

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A grande “qualidade” dos marqueteiros do PT, aliás, é a sua convicção absoluta de que a realidade não conta para nada para a massa dos desinformados eleitores deste brazilsão “du bôça familha”; o que vale é o “acabamento”, o “padrão Globo de qualidade” que se venha a dar a toda e qualquer mentira que se lhes atire.

Conta a favor deles a disciplina imposta pelo “centralismo democrático” do partido, onde as vaidades pessoais cedem lugar ao valor maior que se alevanta que é continuar montado no cavalo do poder e manter os empregos e a impunidade garantidas. Assim, em vez de chocar os eleitores com aquelas pílulas de quatro ou cinco segundos para cada candidato a soldado da aliança pelo poder nas futuras casas legislativas (enquanto eles as mantiverem abertas), põem uma única mocinha bonitinha, sempre a mesma, profissional, vendendo o que o partido não é num texto perfeitamente articulado, sem caretas, nem hesitações nem olhos desviados para o teleprompter, enquanto os candidatos e seus numeros e nomes vão aparecendo mudos por tras da cena, cruzando os braços, um por um, como naquelas apresentações das seleções da Copa do Mundo.

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O que resulta é um discurso totalmente coerente e articulado de “propostas”, “realizações” ou ataques aos adversários com começo, meio e fim – não importando a mínima o pormenor delas terem ou não sido de fato realizadas ou acontecido – em vez da colcha de retalhos sem nexo em que se perdem os seus adversários, com aquelas figuras em geral teratológicas que aparecem dizendo frases grotescas ou ininteligíveis.

Confusão e desarticulação x coerência e articulação, embora na vida real – na economia, na ordem institucional e na roubalheira, as obras reais do PT – o que se constata é precisamente o contrário: está tudo caindo aos pedaços.

Pouco importa. Como Dora Kramer nota bem no Estado de hoje, o PT desistiu de convencer e assumiu francamente a missão de enganar, com a Dilma ventríloqua dizendo “com fé” e em frases suerpreendentemente cheias de nexo, não só que Marina Silva é a candidata dos banqueiros já que vai dar autonomia ao Banco Central (!!!???), como explicando didaticamente como, quando e porque seu governo deu combate sem trégua à corrupção, e tanto e com tanto empenho que acabou passando a falsa impressão de que a corrupção aumentou…

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Aécio, espremido nos seus poucos minutos de presença na telinha, navega em trajetória do erro semelhante. Brilhou quando teve a chance de se mostrar como é, nas entrevistas e debates; virou uma nota de 3 reais incapaz de passar autenticidade nas peças produzidas em estúdio quando recita o discurso paupérrimo do seu marqueteiro que, aliás, tem embolsado o dinheiro mais mal gasto de toda a história das campanhas do PSDB. Ele não é só um zero à esquerda. Ele acrescenta pontos e mais pontos negativos à imagem do candidato cada vez que se manifesta.

Se pusessem Aécio numa sala discutindo em seus próprios termos os problemas do Brasil e gravassem de longe o seu modo de se expressar sobre eles, não economizavam apenas o pagamento das horas de estúdio que estão desperdiçando hoje; podiam editar as conversas e, assim, mostrar o candidato real que, posto ao lado das duas senhoras reais que disputam com ele, brilha na escuridão.

Nesse incrível circo de realidade fantástica – eis o que é pior – não entra nas considerações de ninguém o único tema importante desta eleição onde se joga a permanência ou não do Brasil no campo democrático. Como nenhuma das “fontes” trata desse pormenor num contexto em que a imprensa se auto-lobotomizou e proibe-se de dizer qualquer coisa que elas não tenham dito, tudo leva a crer, a julgar pela pesquisa de hoje (39% x 31% x 15%), que o país cruzará para o “outro lado” sem ter a mais leve suspeita de que é isso que está fazendo.

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O que se compra com o dinheiro do pré-sal?

22 de outubro de 2013 § 6 Comentários

ovo1

Mais do que um sucesso, foi um alívio o resultado do leilão do Campo de Libra, a “jóia da corôa” do pre-sal no qual o PT aposta todas as fichas do seu cada vez mais escasso cacife para salvar o Brasil do naufrágio para que apontam os números da operação do dia a dia destes seus quase 11 anos no comando da economia.

Pois afinal, trata-se, segundo a avaliação deles próprios, do maior tesouro atualmente mapeado no planeta e, no entanto, somente 11 das 40 empresas do mundo em condições de disputá-lo chegaram a se inscrever na aventura e, destas somente quatro – sendo duas estatais chinesas – concederam fazer a oferta mínima aceita pelo governo brasileiro. Sete desistiram a meio do caminho e a Petrobras teve de comprar, ainda, outros 10% que ninguém quis além dos 30% com que ela estava obrigada a arcar pelo modelo de partilha em vigor.

Dona Dilma correu à TV para comemorar, o que é justo posto que 24 horas antes ainda era duvidoso que alguma empresa tocada a dinheiro com dono se dispusesse a entrar na aventura.

ovo1

Refeitas as contas em cima do lance mínimo, a Total, meio estatal meio privada como tudo que há na França, e a Shell, tantas vezes apedrejada pelo PT, decidiram que vale o risco esta associação pelos próximos 30 anos com o país que recém golpeou as elétricas e seus acionistas internacionais e, nos últimos 11 anos, vive aplaudindo governos especializados em expropriações e calotes internacionais.

A comemoração de dona Dilma não deve ter animado especialmente os responsáveis por essa decisão pois ela já começou por inflar os números dos resultados esperados para o Brasil de modo a exorcizar o fantasma da cobrança por “privatarias” sempre denunciadas no alheio na campanha eleitoral que já está fervendo por aí. E isso porque o principal problema do PT, que nos pôs na presente entalada da sobreposição de um Tesouro Nacional esgotado com a infraestrutura esbagaçada, é justamente o de, sem qualquer sinal de hesitação, sacrificar literalmente tudo – dos recursos do Tesouro à credibilidade nacional – à aquisição de mais alguns milhares de votos.

ovo1

Dona Dilma festejou que mais de 80% dessa “fabulosa riqueza” que jaz a quatro quilômetros sob a crosta terrestre que, por sua vez, repousa debaixo de mais quatro quilômetros de águas oceânicas, “ficarão no Brasil”. O número resulta da “soma” dos 40% adquiridos pela Petrobras com os 41,65% de “excedente de óleo” (tudo que for extraído depois de pagos os custos de extração) que os sócios da empreitada pagarão ao governo.

Acontece que o maior sócio da empreitada é a própria Petrobras, o que nos diz que a conta real não é bem esta que ela comemora. Pois tirados 41,65% de 100% sobram 58,35% e os 40% disso de que a Petrobras é dona correspondem a 23,34% que, somados aos 41,65% que o governo já têm resultam em 64,99% que “ficarão no Brasil”, teoricamente. E teoricamente apenas porque a Petrobras, ela também proibida de cobrar mais do que paga pelos combustíveis que importa e repassa aos eleitores brasileiros, ficou reduzida à pior situação financeira em que já esteve nestes 60 anos em que tem sido “nossa”.

ovo1

Segundo estudo do Bank of America, a Petrobras é a empresa aberta com a maior dívida em todo o planeta, fora do setor financeiro, com um passivo de 112,7 bilhões de dólares, 6xs o seu Ebitda atual. Isso provocou a sua desclassificação pelas agências de risco, desclassificação esta que descerá mais um degrau nos próximos empréstimos tomados segundo regra que é função desse multiplicador.

Com o caixa lá embaixo, a Petrobras terá de arcar com 40% dos pesadíssimos investimentos no Campo de Libra. Seu plano de desembolsos até 2017 já estava orçado em outros 236 bilhões de dólares que ela não tem. Só estes 10% a mais que teve de engolir neste leilão vão lhe custar 3,5 bilhões adicionais por ano e empréstimos de mais 21 bilhões, pagos a taxas de duplamente desclassificados.

Boa parte do que vai entrar por um bolso, portanto, estará saindo por outro.

Enfim, ainda que a conta venha a ser positiva no final, essa mania de tudo inflar e tudo relacionar à tarefa de colher votos a qualquer custo é o maior custo com que arcam o Brasil e os brasileiros hoje. É este o nome de família do famigerado Custo Brasil que pagamos e repagamos a cada passo…

ovo1

Quer consolar-nos dona Dilma com a ideia de que tudo, literalmente cada tostão disso, será investido em educação e saúde.

Ok. Vamos esquecer a legião dos ladrões. Aqueles fiscaizinhos todos com malas de 800 mil embaixo do colchão como o que  a TV flagrou na semana passada e daí para cima Brasil afora.

É mesmo de falta de dinheiro o problema da educação e da saúde públicas no Brasil?

Vejamos.

A educação é o instrumento por excelência da meritocracia. A negação do amiguismo, do partidarismo aparelhante, do emprego público garantido seja qual for a qualidade do serviço prestado, dos “campeões nacionais” fabricados com dinheiro público. É a ferramenta de eliminação, enfim, de tudo que o PT representa, patrocina e sustenta e o símbolo de tudo quanto ele odeia.

O PT substituiu, nestes 10 anos, o ensaio de introdução do mérito como baliza do sistema público de educação plantado pelo governo anterior, por uma política de cotas em que tudo e mais alguma coisa – da cor da pele à disposição do candidato de mentir na cara dura – é argumento legalmente válido para jogar o merecimento no lixo.

ovo1

Com uma só e mesma penada, também de inspiração nitidamente eleitoreira, este governo destruiu igualmente os dois instrumentos que faziam a qualidade da medicina do país ser apoiada no esforço e no mérito medidos e conferidos. Foram juntos para o saco o exame do MEC, de que estão dispensados os médicos convidados pelo PT, especialmente os cubanos, e a obrigação de residência e acabamento da educação teórica com a prática antes a cargo dos CRMs que garantia a qualidade da medicina de que dependerão nossos filhos.

Como é que professores com estabilidade no emprego e dispensados de entregar qualidade poderão formar os brasileiros para enfrentar o mundo da hipercompetitividade? Como é que os empreendedores que só contam com sua disposição para o esforço derrotarão os barões do BNDES e, depois deles, os chineses e os americanos com quem disputam mercados? Como é que a ciência e a medicina nacionais farão progressos se 30 anos de dedicação e esforços para aprender puderem ser derrotados por decretos de governantes amigos?

Não, não é de dinheiro o problema da educação brasileira, assim, como não depende de haver ou não petróleo debaixo do chão que se pisa (ou do mar que se navega) que determina quem vence e quem não vence no mundo de hoje, como provam a Venezuela e o Japão, a Arábia Saudita e a Coréia do Sul.

Dinheiro só compra bens menos duráveis. Como eleições, por exemplo.

ovo1

Eleição ou morte!

15 de maio de 2013 § 2 Comentários

dilma-brava

Com que então dona Dilma botou pra correr o único técnico abalizado e “não criativo” que restava no alto comando da sua equipe econômica e ainda sinalizou que pensa em Arno Augustin para o lugar dele.

Nelson Barboza, o ex-Secretário Executivo do Ministério da Fazenda estava atrapalhando.

Não é petista, entende a matemática pela lógica inexorável dos números, reconhece um fato quando ele surge no seu caminho.

O resto do time, a começar pelo ministro, é composto só de “simsenhoras”, paus mandados que juram ver nos fatos e na matemática apenas e tão somente o que sua mestra mandar que vejam.

Arno Augustin já é mais que isto.

dilma-brava

Arno Augustin é um soldado pro-ativo da corrente “Democracia Socialista” do PT gaucho, um ninhozinho de cobras que passaram a vida desafiando a “Articulação“, de Lula, que acham branda demais, pelo controle do partido.

Hoje este senhor já acumula a inacreditável dobradinha de funções de Secretário do Tesouro Nacional e principal articulador oficial da campanha presidencial de Dilma. Agora pode vir a ser, também, o executor do que dona Dilma houver por bem decretar que a economia brasileira seja, os fatos que se fodam, o Congresso que se foda, a matemática que se foda, como sempre.

Eleição ou morte!

Ah, O Poder!

Em que momento o torturador esquece a resposta que estava procurando e se apaixona pelo ato de torturar? Pelo poder de infligir dor ao outro?

dilma-brava

Em que momento o guerrilheiro esquece “a causa” e entrega-se à vertigem de onipotência da escolha de quem vai viver e quem vai morrer? À volúpia de puxar o gatilho? Ao poder de ter esse poder?

Que tipo de processo leva os “partidos da ética na política” a passarem do assassinato moral dos paulo de tarsos venceslaus em nome da conquista do poder nacional para “a causa“, via caixa 2, para a eliminação física dos celsos daniel para que cada ex-idealista seduzido pelas delícias do poder de comprar possa seguir locupletando-se em paz?

Em que altura do caminho o pecadilho dos “incentivos” a congressistas venais para passar reformas de interesse nacional se transforma numa industria e o antigo contestador se converte no parteiro de uma nova nobreza?

dilma-brava

Essa história dos meios e dos fins sempre foi complicada. O ovo e a galinha. Uma coisa se transforma na outra.

Começa que o autor do projeto nunca é quem executa a obra. O formulador da “causa” está sempre distante de quem vai, afinal, tomar com ela o poder. Entre uma coisa e outra é preciso abrir a porta aos brutos para fazer o serviço sujo, tornar-se cumplice … ou vitima deles…

O resto vem da natureza diabólica do poder que sempre corrompe, e que corrompe absolutamente quando é absoluto.

Mas, êpa! Lá vai o Rousseau que me tocaia sempre tentando alçar seu vôo…

Quem disse que é preciso um processo para alguém tornar-se ruim“?

dilma-brava

Quem disse que não é o contrário?

Não, não existe um direito natural à vida. Na Natureza ela tem de ser arrancada, minuto a minuto, dos braços da morte.

A civilização, a ética, o altruísmo são contraintuitivos. São a superação da lei do mais forte; a quebra da regra do “survival of the fittest”.

E “democracia” é só a tradução dessa ruptura para o “engenheirês social“.

Os direitos das minorias, o respeito à divergência, o culto à liberdade que implica as renuncias da responsabilidade, tudo isso são tentativas de escapar à escravização à lei da selva de que todos somos filhos e que, por si mesma, só puxa pelo aperfeiçoamento da brutalidade, esta que entre os animais racionais serve-se, em tempos de paz, principalmente da mentira e da perfídia.

dilma-brava

Fazer prevalecer essa anti-natureza requer um acordo, uma anuência geral em torno de objetivos comuns que, por sua vez, pressupõem uma sintonia de linguagem e um afinamento dos discursos.

Educação, enfim. Mais que isso, até. Requer uma cultura…

E renuncias. Muitas renuncias.

Quase todos os nossos atos; quase todas as nossas reações, continuam, afinal, sendo pautadas pela mesma velha lógica dos homens das cavernas. Em direção à opressão navega-se sempre com vento a favor. Literal ou figuradamente, seguimos caçando e sendo caçados; comendo ($) até explodir enquanto houver comida ($) ao alcance da boca, a menos que continuar a fazer isso é que passe a custar a vida porque a sociedade assim convencionou.

Ha um livro recente muito interessante – The Caveman Logic, The Persistence of Primitive Thinking in a Modern World (aqui) – onde se demonstra isso de forma muito clara.

Enfim, bem que o Zé Dirceu avisou que com ela é que ia começar o governo do PT. Dona Dilma, seus soldadinhos do partido e seus empresários amestrados são predadores que não escondem mais as garras.

É matar ou morrer.

ar11

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