A importância de banir para sempre o “Vossa Excelência”

12 de junho de 2012 § Deixe um comentário

O Brasil terá colocado, finalmente, um pé na Era Moderna no dia em que se rebelar contra o “Vossa Excelência”.

Não contarão, para essa promoção, eventuais explosões de irritação contra as incontáveis agressões à língua portuguesa, à moral e aos bons costumes de que essa forma de tratamento costuma vir cercada durante esses espetáculos deprimentes que são as seções de hoje em dia das duas casas do Congresso Nacional.

Não.

A coisa só terá esse sentido de emancipação quando, num futuro ainda distante, a rebelião acontecer, não só depois que o país inteiro já tiver aprendido a falar português mas, antes, porque isso já terá acontecido.

A queda da nossa Bastilha, assim como ocorreu com todas as que a precederam pelo mundo afora, será uma consequência natural da revolução educacional pela qual teremos de ter passado para escapar à Babel daquele passado distante das primeiras décadas do Terceiro Milênio onde Dinheiro era o único dialeto falado e compreendido por todos.

A rebelião contra o “Vossa Excelência” será a decorrência natural do fato de termos todos superado o estágio em que é necessário despender quase toda a energia de um dia para chegar apenas até o dia seguinte e evoluído da dependência completa em relação ao poderoso da hora para a a capacidade e a disponibilidade de tempo para discutir, entre outros luxos, os limites para o poder politico e para o poder econômico numa sociedade decente, e tudo isso numa língua dominada por todos, eleitores e eleitos.

A Nação inteira já se terá “psicanalisado” mediante o estudo da sua própria História, compreendido os seus traumas e superado a vergonha do nível a que se deixara abusar no passado. E isto terá deixado claro para todos que o que caracteriza uma republica democrática é, justamente, ela não admitir a existência de “excelências” com foros e tudo o mais “privilegiado” de um lado e “zés” que se pode tratar a pontapés do outro. A essa altura, finalmente, a Nação inteira já se terá dado conta de que todas as expressões de “correção política” que lhe exigiam nesse passado distante no que diz respeito a todos os outros assuntos (“afrodescendentes”, “portadores de deficiencia” e outras) não passavam, sem esta primeira, de ruído em torno de preciosismos importados de povos que já se tinham emancipado e conquistado os predicados mínimos de uma cidadania digna para desviar nossa atenção do fato de que mental, politica e socialmente, ainda não tínhamos superado a condição servil que caracterizava a Idade Média naqueles idos de 2012.

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