Rio Babilônia

30 de agosto de 2011 § 4 Comentários

Eu sinceramente tenho feito força para me animar com o progresso material evidente do Brasil. Empurro o pessimismo pra lá, reduzo a marcha e acelero. Mas mesmo esquecendo Brasília, está difícil. O noticiário do Rio de Janeiro é de arrasar.

Primeiro foi aquela fantástica “libertação do Maracanã”, que serviu de marco para o fim do programa de implantação das UPPs. O Estado acha suficiente retomar as favelas em torno do ou no caminho entre o Maracanã e a Zona Sul, por onde deverão passar “os ingleses” que virão ver a Copa. E basta. O resto fica pra depois. Brasileiro pode esperar pra sempre. E a imprensa do Rio achou normal!!!!

Ai foi aquele quase enfrentamento entre o delegado Alan Turnowski, até o pescoço no crime organizado, e o secretário de segurança, e quem teve de “encolher” foi o ultimo.

Você levanta, meio tonto, tenta recomeçar a andar e aí vem os flagelados re-flagelados da Serra Carioca. Primeiro a enxurrada, depois a horda de ladrões. Ja não há sinal do tsunami que arrasou o Japão mas a Serra Carioca continua como na manhã seguinte ao desastre. Os pesadelos aqui começam e não acabam mais.

Então vem a libertação do capitão Bizarro. Sim, aquele mesmo que passou indiferente a dois metros do coordenador do Afroreggae, Evandro João da Silva, baleado, estrebuchando no chão, e em vez de socorre-lo correu atras dos seus assaltantes para … assaltá-los. Voltou com um tênis e uma camisa na mão, quase pulou por cima da vítima, ainda viva, e foi-se embora. Dois ou três anos “afastado” (como o Palocci) a espera de julgamento, e saiu livre, com dois meses de “prisão administrativa” que é outro dos nomes que eles dão à impunidade por aí.

Depois, a juiza que ousa prender os criminosos da polícia. Uma do nosso lado afinal!

Massacrada na rua: 21 tiros no rosto do Brasil.

Os motoristas de ambulância que vendem seus doentes a quem pagar mais; o bondinho de Sta. Tereza amarrado com arame; o sistema de saúde sem informática, o Judiciário sem informática, o sistema de educação publica semeando analfabetos para colher clientes do suborno eleitoral.

Que sete pragas do Egito, que nada! E um pouco mais longe das lentes da Globo, o que é que vem acontecendo?

Não vamos ver o fim disso nunca?


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§ 4 Respostas para Rio Babilônia

  • Margareth Tuma disse:

    “Não vamos ver o fim disso nunca?”
    Já me convenci que não !

  • Varlice disse:

    Não se verá mesmo o fim enquanto exemplos como esse que lhe envio forem passados de pai para filha.

    • Tony disse:

      Esse JS é muito bom.

      Os repórteres são perfeitos. Eu não sei exatamente descrever como, mas captam a essência do ridículo dos tipinhos da globo.

  • Tony disse:

    Caro Fernando,

    li na revista Piaui a história de Nilton Claudino, fotógrafo que fugiu do país por perseguição da milícia que ele investigava em favela carioca.

    Aterrorizante.

    Pareceria ficção, mas explica porque aquele que é governador no Rio não vai no enterro da juíza assassinada.

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