Sobre egípcios, comunistas e argentinos
28 de fevereiro de 2011 § Deixe um comentário
Fui jantar no final da semana passada com uns amigos e um deles estava voltando de uma viagem à Ásia.
Conversa vai, conversa vem, ele mencionou que foi ver a múmia de Ho Chi Min, exposta no seu devido mausoléu em Hanói.
Aí eu lembrei essa coisa curiosa…
Esse negócio de múmia é um privilégio de poucos. Ha os faraós do Egito e suas pirâmides, onde parece que a moda de condicionar a continuação da vida após a morte à conservação de um cadáver foi inventada. Depois deles ninguém mais perdeu tempo com essa bobagem por alguns milênios.
A Igreja Católica, que também tem lá os seus pendores necrófilos, é verdade, tem algumas dúzias dos santos da sua galeria entre pessoas que ganharam essa condição porque, por alguma razão natural, seus corpos ficaram preservados por muito tempo depois da morte. Mas pelo menos isso aconteceu por acidente e não em função da aplicação de técnicas deliberadamente desenvolvidas para essa finalidade.
Essa estranha forma de fixação macabra só voltou a entrar em cena pela porta da frente da política depois que os comunistas, que se acreditavam capazes de produzir uma engenharia das sociedades humanas cuidadosamente desenhada com base na ciência, vejam vocês, tomaram o poder na Rússia.



A partir daí as múmias voltaram com tudo à moda. Não falo das que continuam vivas e no poder. Falo de Lênin, Mao Tsetung e Ho Chi Min, embalsamados e mofando em seus caixões de vidro dentro de duvidosas pirâmides inspiradas no realismo socialista, feito pobres cinderelas ressecadas sem esperança de resgate pelo beijo.
Fora egípcios e comunistas, lembrei aos amigos, os únicos que se entregaram, oficialmente, à prática da adoração de cadáveres na era moderna foram os argentinos. Mas lá a coisa não deu certo. É que os nossos estranhos vizinhos compositores de tangos, que gostam de levar tudo ao ultimo extremo, se apaixonam fisicamente pelas suas múmias!
Piram! Enlouquecem! Confundem tudo. Alguns chegam a tentar fazer amor com elas!
Enquanto no resto do mundo sequestra-se pessoas vivas e paga-se resgates para mantê-las assim, na Argentina sequestram-se os cadáveres dos inimigos políticos para depois negociar a trocar de mortos por mortos.
Xô! Vade retro! Rabo de gato 44!
Gente muuuito estranha esses argentinos!
Você tá pensando que é brincadeira? Só modo de falar? Pois eu saí daquele jantar e fui fuçar essa história no Youtube, pra refrescar a memória.
Veja com os seus próprios olhos o documentário fantástico que encontrei:
La Momia de Eva Peron
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6
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