“Dinheiro compra até o amor verdadeiro”

7 de março de 2013 § 3 Comentários

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Júlio de Mesquita Filho dizia que usar irresponsavelmente a imprensa é crime pior que o tráfico de drogas porque o alcance do dano produzido é muito maior. E se alcance é o ponto em discussão, então praticá-lo na televisão deveria levar a um adicional de pelo menos 12/3 da pena (isso mesmo, 12 terços).

Desde a morte de Chavez tenho assistido ao costumeiro desfile de “especialistas” nacionais e estrangeiros (estes em geral pior que aqueles) desfiando “análises” e tecendo conjecturas sobre o significado e o futuro do “chavismo”.

E, para meu espanto, constatei que ainda ha uma boa parte deles que não usa a expressão apenas como uma abreviatura para um episódio que tem as especificidades cronológica e geográfica que este tem mas, com o maior ar de seriedade, trata a coisa como se realmente houvesse algo além de dinheiro a dar linimento teórico a esse “ismo”, passível de ser encarado como a mais nova esperança de uma “terceira via”.

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O “chavismo”, assim como o “lulismo”, tem tanta sofisticação, consistência teórica e perspectiva de sustentabilidade quanto a “solução para a pobreza” inventada por Emiliano Zapata, precursor de todos eles no expediente de imprimir dinheiro a rodo e distribuí-lo diretamente para os pobres no México dos idos de 1910.

O que há de novo no “chavismo” é que o seu protagonista estava sentado em cima de uma mina inesgotável da qual jorram 1,5 milhão de barris de petróleo por dia, petróleo este que, nos 14 anos em que ele esteve no poder, teve seu preço internacional majorado em 554%, indo de US$ 14 para US$ 95 o barril.

É dinheiro que não acaba mais. E dinheiro, já dizia o nosso profeta Nelson Rodrigues, “compra até o amor verdadeiro”.

É o que os náufragos da esquerda internacional vêm descobrindo num frenesi do mais puro êxtase.

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Os primeiros dessa grei a assumir a força do dinheiro como arma de conquista geopolítica foram os chineses, na sua multimilenar sabedoria.

Desde Deng Xiaoping Pequim trocou o arsenal de mísseis balísticos intercontinentais carregados de ogivas atômicas com que Moscou garantia a “união” das antigas Repúblicas Socialistas Soviéticas e sua influência no mundo pelo dinheiro como arma de cooptação de aliados e construção de hegemonias políticas.

Daí para a frente foi só efeito dominó.

Chavez trocou os kalashnikovs de Fidel por petrodólares como ferramenta de implantação doméstica e exportação de “la revolución”; Zé Dirceu trocou Granmsci pela distribuição regularizada de suborno a partidos políticos e parlamentares; Lula e o PT o provimento de educação, saúde, saneamento e infraestrutura capazes de diminuir a desigualdade de oportunidades pela distribuição de cargos e salários para os amigos e de notas vivas de real de mão em mão para milhões de mães de família miseráveis.

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O que diferencia o “chavismo” é a longevidade da esbórnia.

Desde sempre quem se aventura por esse caminho precipita desastres econômicos que acabam por tragá-los, e aos seus aparatos de poder, antes que tenham tempo de se tornar santos. Sobretudo quando, como no “lulismo”, esgotadas as reservas, o esquema passa a ser sustentado com empréstimos bancários.

Agora, quando calha de surgir um desses “zapatistas” sentado em cima de um mar de petróleo, a esmola pode prolongar-se por tempo suficiente para proporcionar a ilusão de que será eterna.

Então todos os inimigos jurados do esforço e do mérito têm a chance de sair do seu habitual jejum de resultados e andar por aí pondo o dedo na cara de toda a gente séria…

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Se ele morre antes de colher o que plantou, então, aí não ha mais limites. Vira um “procer de nuestra América”, “la reencarnación de Bolivar”, um “hijo de Cuba”, um queridinho de Sean Penn e Oliver Stone ou até “a reencarnação de Cristo e do 12º Imã do Islã” em um só corpo, o que, convenhamos, deixa no chinelo a santíssima trindade que, humildemente, limita-se a congregar velhos amigos na mesma entidade.

Mas nem petróleo aguenta tanto desaforo.

O completo esgotamento de todos os setores da economia venezuelana com exceção do de serviços, naturalmente protegido da competição dos idiotas do mundo que insistem em acreditar na responsabilidade individual e no mérito, acompanhado da mais alta inflação do Ocidente, na casa dos 30%, e do desembesto dos números da criminalidade, compõem o quadro de um estágio muito mais avançado da mesma doença cujos sintomas já se manifestam no Brasil: a doença da obsessão pelo poder acompanhada do absoluto descaso para com tudo o mais, inclusive a imputabilidade dos criminosos usuários de todos os tipos de colarinho.

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Chavez, que só fez por si, leva consigo tudo que fez, o que prenuncia dias muito difíceis para os seus herdeiros.

Quanto à “unidade latino-americana” que Lula saudou no NY Times de hoje como o seu maior feito, é cimentada exclusivamente com o mesmo tipo de cola que mantém unida a coalizão multipartidária e multideológica que sustenta o PT no poder: dinheiro.

Basta comparar, quem precisar de provas, a lista dos países aderentes à Aliança Bolivariana para as Américas (ALBA) com a dos países a quem a Venezuela entrega petróleo subsidiado nas américas central e do sul e no Caribe, através da iniciativa batizada de Petrocaribe.

O socialismo bolivariano do coronel Chavez visto sem lentes cor-de-rosa, portanto, parece-se muito mais com uma versão internacionalista do Mensalão que com os sonhos e ideais de igualdade que, no milênio passado, encantaram tanta gente boa.

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Hugo Chavez e o Brasil

6 de março de 2013 § 3 Comentários

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O “La revolución soy yo” do absolutismo assistencialista das culturas pré-institucionais latino-americanas de sempre e sua versão mais recente, batizada de “socialismo bolivariano” é o sucedâneo, em linha direta de descendência, do “L’état c’ést moi” do absolutismo monárquico da Europa setecentista.

Como tudo gira em torno da pessoa do soberano, a morte dele é, em si mesmo, uma crise que deixa sempre a massa dos súditos de frente para o abismo.

Será o herdeiro do trono um rei benigno ou um rei maligno? Qual será “la revolución” que mora na cabeça dele? Que grupos, entre os súditos, ele escolherá como amigos? E como inimigos?

Os profissionais da corte, gente altamente especializada, terão alguma margem de manobra para tentar escolher o lado certo na hora certa.

Mas desse círculo para frente nunca se sabe. Daí as cenas de desespero que esses eventos desencadeiam.

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Tendo o “eu” como única referência, todos os atos desse tipo de déspota são voltados para a autopreservação, a supressão do dissenso e a acumulação de poder.

O que mudou essencialmente da Europa setecentista para cá é a extensão do dano que esse tipo de foco unidirecional pode produzir. Antes não havia limite. Hoje a tolerância é menor e o uso da força física menos livre. É com dinheiro que se compra o que antes se obtinha pelo emprego da força mas, ainda assim, o dano produzido pode ser enorme.

A adesão emocionada da legião dos esquecidos a estes personagens que lhes dirigem o discurso e atiram migalhas nos fala da dificuldade central envolvida na superação desse destino: a urgência de quem precisa agora, já, de algum remédio que lhe suprima uma dor insuportável mas pode viciar versus a complexidade da “fisioterapia” requerida de mais de uma geração de “doentes” de ignorância e pobreza para que se extinga definitivamente a causa dela.

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É nessa brecha que se infiltram os traficantes de remédios supressores da dor.

Assim como Lula com o das matérias primas e das commodities agrícolas, Hugo Chavez usou integralmente a gigantesca quantidade de recursos novos gerados pelo “boom” do petróleo, que poderia ter mudado para sempre o patamar de civilização dos venezuelanos, para comprar mais poder.

Nenhum dos dois, ao fim de 10 anos o primeiro e de 14 o que se foi deste mundo ontem, aparelhou seus países neste extraordinário período de vacas gordas com qualquer coisa de duradouro como infraestrutura e educação.

A Venezuela, dona de uma das maiores reservas de petróleo conhecidas no mundo, importa literalmente tudo que consome, aí incluída a gasolina, enquanto o petróleo bruto responde por 95% de suas exportações. Nem uma indústria de refino de petróleo ele se preocupou em construir.

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Sentindo que tinha boas chances de se apropriar daquilo que, por 60 anos, funcionou como uma garantia intocável de permanência no poder, o esperto coronel venezuelano, cheio de apetites maiores que os que cabiam em suas fronteiras nacionais, aproximou-se dos dois velhinhos de Cuba como o proverbial sobrinho mau caráter se aproxima da tia rica, na esperança de se tornar o seu único herdeiro.

O plano parecia perfeito.

O dinheiro disponível era ilimitado. E o último bastião do socialismo real no Ocidente, depois do desaparecimento da União Soviética, estava se afundando na mais negra miséria.

Em outubro de 2000, o coronel Chavez assina com os irmãos Castro o “Convênio Integral de Cooperação” pelo qual a Venezuela entrega a Cuba, hoje, a fundo perdido, mais de 100 mil barris de petróleo por dia, que os Castro “pagam” emprestando os seus médicos de quarteirão à Venezuela (diz-se que 40 mil do padrão dos que trataram a doença de Chavez para baixo), os guarda-costas pessoais de toda a nomenklatura bolivariana e, last but not least, assessorando as forças armadas do regime “especialmente na área de inteligência” onde desenvolveram uma expertise sem concorrente no mundo contemporâneo para fazer abortar antes que comece a engatinhar qualquer embrião de oposição.

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Ainda seguindo a cartilha cubana de exportação de “la revolución” nos modernos padrões em que o dinheiro faz o papel antes reservado aos fuzis kalashnikov, Chavez foi adquirindo com sua ilimitada munição de petrodólares, uma constelação de satélites para o seu “socialismo bolivariano” entre os regimes sul e centro americanos mais depauperados pelos desmandos e peripécias de caudilhos locais, categoria para a qual decaiu até a outrora tão rica e “civilizada” Argentina.

Tudo com que Hugo Chavez jamais poderia contar é que o destino o carregasse deste mundo antes das quase nonagenárias “tias velhas” do Caribe das quais ele já se comportava como herdeiro presuntivo assumindo com mais realismo que o rei – e proverbialmente como farsa – o velho discurso do milênio passado contra o “grande satã” do Norte.

A herança, agora, está novamente à espera de quem lance mão dela o que, convenhamos, não soa exatamente como um bom presságio para o Brasil.

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A inconsistência institucional e a permanente exposição à tentação populista/assistencialista é o eixo comum da sina política das américas espanhola e portuguesa.

Mas o Brasil, com mais miscigenação e menos arrogância aristocrática de “elites” que são alçadas e apeadas do poder junto com os governos que as “fazem” e “desfazem” à sua imagem e semelhança, não gerou, nesse nosso quadro de fronteiras raciais e sociais pouco nítidas, nem o mesmo grau de ódio que aprofundasse tanto o fosso, nem a mesma facilidade de identificação entre grupos segregados sedentos de revanche que se pode encontrar em nossos vizinhos hispânicos.

O corte gerador de rancores, no Brasil, é muito mais de grau de educação que de raça ou de renda. E Lula, com sua incontida raiva de quem tenha estudado o que quer que seja, expressa essa nossa especificidade à perfeição.

Sorte nossa, posto que, ao menos teoricamente, é mais fácil encurtar o fosso educacional que superar outras barreiras muito menos plasmáveis.

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Seja como for, é essa diferença que explica o viés mais pronunciado dos nossos vizinhos hispânicos para variações em torno do modelo caudilhista face ao eterno movimento pendular do Brasil entre as vizinhanças da civilização e a periferia da barbárie em matéria de modelo político.

Até na presente viagem do pêndulo para a esquerda, Dilma expressa essa nossa característica hamletiana quando faz críticas a Chavez … mas adere a ele mesmo assim.

É essa a dúvida que já o mundo inteiro sente que nós sentimos.

Por isso desapareceu de cena o dinheiro para os investimentos em infraestrutura necessários para corrermos atrás do prejuízo dos 10 anos que o PT passou gastando exclusivamente na compra de mais poder.

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A industria da favelização

7 de maio de 2012 § 2 Comentários

O Estado de hoje traz editorial super interessante mostrando as razões pelas quais, correndo na direção inversa dos números de redução da pobreza extrema, que entre 1995 e 2008 caiu de 20% para 10% da população e, desde então, caiu mais ainda, a quantidade de brasileiros vivendo em favelas quase dobrou, subindo de 6,5 milhões no ano 2000 para 11,4 milhões em 2012.

A explicação está no fomento à favelização dado por máfias políticas bem organizadas e conhecidas – como, por exemplo a que é controlada pela família Tatto, os reis de Guarapiranga e da Capela do Socorro em São Paulo, hoje muito poderosa dentro do PT – que mantêm-se no poder incentivando a invasão de mananciais e áreas de risco para depois, sob o pretexto de evitar “crises sociais”, venderem por votos a legalização dos lotes e a urbanização das favelas assim formadas.

Reportagem do próprio jornal mostrou que a valorização média de um barraco nas favelas urbanizadas mais centrais de São Paulo foi de 900%. Mas mostrou também o outro lado da moeda. Com o preço de um barraco de quatro a cinco cômodos indo de R$ 15 mil para em torno de R$ 100 mil (mais o IPTU), essas favelas tornaram-se um luxo que os miseráveis que as criaram não podem pagar. Com isso boa parte deles acaba vendendo o que tinha para famílias remediadas e invadindo novas áreas de risco nas periferias.

Essa nova modalidade de “especulação imobiliária” associada à exploração da pobreza, que de maneira nenhuma é exclusividade de São Paulo, está levando à expansão acelerada da favelização em diversos estados brasileiros, apesar da redução do numero de miseráveis.

Não é mais apenas um fenômeno social, portanto. É mais uma florescente indústria criada pela política. Como aquela dos “sem-terra” cujo número crescia exponencialmente quanto mais terra se lhes entregava, que começou a murchar assim que um governo um pouquinho mais honesto houve por bem parar de fabricá-los em série.

No Egito profundo, assim como no Brasil profundo…

16 de dezembro de 2011 § 1 comentário

Nicholas Kristoff, que escreve para o New York Times, esteve na semana passada em Ismaília, no Egito, onde nasceu, em 1928, a Irmandade Muçulmana que se transformou numa espécie de partido político/religioso multinacional árabe que teve quase 60% dos votos na primeira eleição depois da “primavera” que derrubou o ditador Hosni Mubarak.

Seu relato, vazado nas cores próprias da candura “liberal” americana, pode ser lido aqui.

A eleição no Egito, 80 milhões de habitantes, com a vitória da Irmandade, facções religiosas mais radicais ficando com o segundo lugar e os secularistas democráticos em último lá atrás, trouxe de volta à Terra todos quantos, no Ocidente, vinham viajando na maionese de um Egito à sua imagem e semelhança.

O resumo bem objetivo da coisa é que aquela multidão da Praça Tahrir, conquanto fotogênica, suficiente para parar o trânsito e familiaríssima ao Ocidente “plugado”, não é nem de longe representativa do “Egito profundo”, cujos habitantes nem facebookam nem twitam.

(Aproveito para dizer, aqui entre parênteses, que meu palpite é que, sejam quais forem os números, é provável que os militares, representando as correntes seculares e moderadas do país, continuem direta ou indiretamente no controle da situação, mesmo porque o povo não gosta de bagunça e ninguém fora desse grupo tem qualquer experiência de governo ou administração do que quer que seja no Egito…)

Mas o que me bateu na cabeça ao ler Kristoff, foi mesmo o paralelo com o Brasil.

O que ele descreve é o aparato de “ação social” da Irmandade Muçulmana presente nos grotões egípcios onde eleitores iam aos comitês para pedir comida, cobertores ou ajuda para pagar contas do médico, e as recebiam junto com as bençãos e os panfletos eleitorais da Irmandade, enquanto os demais partidos não fazem nada de parecido e “só aparecem na hora da eleição“.

Existem dois egitos assim como existem dois brasis.

O da internet e da Praça Tahrir é moderno, plugado, pequenininho e precisa de democracia e ética na política para competir com o mundo em rede.

O outro, analfabeto, miserável e enorme, tem medo desse mundo tecnológico que ruge na televisão, reza todas as noites pela graça de mais um dia e, como sempre desde tempos imemoriais, suplica aos poderosos pela proteção e as esmolas que, com mais confiabilidade do que a que se acostumaram a esperar do altíssimo, é o que lhes garante as próximas 24 horas.

Sobre egípcios, comunistas e argentinos

28 de fevereiro de 2011 § Deixe um comentário

Fui jantar no final da semana passada com uns amigos e um deles estava voltando de uma viagem à Ásia.

Conversa vai, conversa vem, ele mencionou que foi ver a múmia de Ho Chi Min, exposta no seu devido mausoléu em Hanói.

Aí eu lembrei essa coisa curiosa…

Esse negócio de múmia é um privilégio de poucos. Ha os faraós do Egito e suas pirâmides, onde parece que a moda de condicionar a continuação da vida após a morte à conservação de um cadáver foi inventada. Depois deles ninguém mais perdeu tempo com essa bobagem por alguns milênios.

A Igreja Católica, que também tem lá os seus pendores necrófilos, é verdade, tem algumas dúzias dos santos da sua galeria entre pessoas que ganharam essa condição porque, por alguma razão natural, seus corpos ficaram preservados por muito tempo depois da morte. Mas pelo menos isso aconteceu por acidente e não em função da aplicação de técnicas deliberadamente desenvolvidas para essa finalidade.

Essa estranha forma de fixação macabra só voltou a entrar em cena pela porta da frente da política depois que os comunistas, que se acreditavam capazes de produzir uma engenharia das sociedades humanas cuidadosamente desenhada com base na ciência, vejam vocês,  tomaram o poder na Rússia.

A partir daí as múmias voltaram com tudo à moda. Não falo das que continuam vivas e no poder. Falo de Lênin, Mao Tsetung e Ho Chi Min, embalsamados e mofando em seus caixões de vidro dentro de duvidosas pirâmides inspiradas no realismo socialista, feito pobres cinderelas ressecadas sem esperança de resgate pelo beijo.

Fora egípcios e comunistas, lembrei aos amigos, os únicos que se entregaram, oficialmente, à prática da adoração de cadáveres na era moderna foram os argentinos. Mas lá a coisa não deu certo. É que os nossos estranhos vizinhos compositores de tangos, que gostam de levar tudo ao ultimo extremo, se apaixonam fisicamente pelas suas múmias!

Piram! Enlouquecem! Confundem tudo.  Alguns chegam a tentar fazer amor com elas!

Enquanto no resto do mundo sequestra-se pessoas vivas e paga-se resgates para mantê-las assim, na Argentina sequestram-se os cadáveres dos inimigos políticos para depois negociar a trocar de mortos por mortos.

Xô! Vade retro! Rabo de gato 44!

Gente muuuito estranha esses argentinos!

Você tá pensando que é brincadeira? Só modo de falar? Pois eu saí daquele jantar e fui fuçar essa história no Youtube, pra refrescar a memória.

Veja com os seus próprios olhos o documentário fantástico que encontrei:

La Momia de Eva Peron

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

Parte 6


Serra é só mais do mesmo

15 de fevereiro de 2011 § 1 comentário

Acho patética essa insistência do Serra num salario mínimo de R$ 600 diante dos sinais gritantes de aceleração da inflação, sinais estes que não são só nacionais. A onda que está batendo por aqui e que vai ganhar volume com a herança maldita do Lula é a mesma que está derrubando governos no Oriente Médio, obrigando a China a subir os juros e afetando o mundo inteiro.

O nefando Paulinho Pereira da Silva, da Força Sindical, que já era o oportunista dos oportunistas muito antes do Lula que, antes dele, foi o oportunista dos oportunistas, chama-lo assim, se contenta com R$ 560. As centrais sindicais, para não perderem a face, aceitam qualquer numero acima dos R$ 545 propostos pelo governo.

Mas o dr. Jose Serra, do PSDB,  um dos criadores da Lei de Responsabilidade Fiscal, insiste nos R$ 600 que nem o seu próprio partido consegue fingir que leva à sério.

Como mostrou a Confederação Nacional dos Municípios cada real de aumento no salario mínimo gera R$ 38 milhões de aumento de despesas. No âmbito federal (previdência, etc.), cada real a mais no mínimo implica cerca de R$ 300 milhões de custo adicional. O salario proposto pelo governo vai custar, portanto, R$ 1,3 bi; o do Paulinho da Força custaria 1,8 e o do “competente administrador” José Serra R$ 3,4 bi.

Isso num contexto em que o governo é o primeiro a admitir que se não conseguir cortar já R$ 50 bi em despesas – coisa que não vai conseguir cortar nem em quatro anos – desanda a maionese.

Sendo o Congresso Nacional o que é e o representante da suposta elite republicana oriunda das universidades o que está demonstrando ser, Dilma, para se precaver, guardou para depois desta que vai ser a primeira votação importante para seu governo, a distribuição do resto dos cargos de segundo e terceiro escalões que tem para distribuir nas estatais para os deputados e senadores que se mostrarem “leais”.

A reconfirmação dessa prática corrosiva é o único resultado prático que o dr. José Serra ajudará o Brasil a colher com a sua atitude “esperta” de aumentar a insegurança quanto à aprovação de algo de tão evidente interesse nacional.

Tudo isso reforça o sentimento de orfandade que compartilho com os 40 milhões de brasileiros que votaram contra a tomada final de assalto do Estado pelo PT revoltados por serem obrigados a sufragar o nome de um sujeito que fez sua campanha inteira pretendendo ser mais Lula que o Lula, como se não houvesse mais nada de errado neste país que pudesse servir de bandeira para uma oposição com vergonha na cara e algum amor pela democracia no coração.

Naquela altura eu tentava me consolar forçando-me a acreditar que aquilo era um erro de cálculo – burrice, até – de um candidato desesperado com os índices de popularidade do seu opositor.

Não era.

Serra é mesmo igual ao Lula. É capaz de destruir o país se achar que isso pode atrapalhar seu adversário ou leva-lo um passo mais perto do poder, exatamente como o Lula e o PT se dedicaram integralmente a fazer durante cada minuto dos 17 anos que transcorreram entre o primeiro dia da Nova Republica e o primeiro dia do seu primeiro mandato como presidente eleito. Faz o mesmo tipo de oposição chantagista que ele fazia. Não tem nenhuma ideia na cabeça para propor ao Brasil. É mais do mesmo. Mais um que só quer “chegar lá”.

Se o Aécio quiser ter alguma chance tem que começar a provar desde já o quanto ele é diferente disso.

Troca de e-mails

25 de agosto de 2010 § 1 comentário

…com uma amiga francesa radicada no Brasil…

Fernão:

Estou muito aflita: vejo um paralelo apavorante entre Peron-Evita e Lula-Dilma. Será q estou delirando ??

Peron assumiu o governo com os cofres recheados, gastou tudo (boa parte no bolso dele e companheiros) e  Evita, a mãe dos “descamisados”,  fazia caridade com chapéu alheio …. até hoje são venerados … destruíram a Argentina …  que nunca  se recuperou e sonha com um governo populista que tudo dá….

Lula , pegou o governo com as reformas fiscais já implantadas  numa condição de economia externa favorável … aumentou os gastos do governo e agora vamos herdar  uma “mãe dos pobres” …

O Brasil de amanhã  vai ser a Argentina de hoje ?????? vamos para uma “democracia populista” a la Kirchner ou  a la Chavez ????

Será q estou delirando ?????

Até agora sempre acreditei que o Brasil neste século seria os USA do século passado……uma grande potência…temos tudo para dar esses salto….

Fiz parte de equipes que lançaram os Eurobonus brasileiros no mercado internacional desde 1986…New Money Bonds.. Telebrás …nessa época a dívida Brasileira estava cotada a  16/100 !!!!..

mas agora estou na  dúvida…

Help !!!

Nicole

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lamento nao poder ajudar, nicole…

o proprio fernando henrique escreveu um livro – “o presidente acidental” – mostrando que ele foi uma “zebra”, um ponto fora da curva na trajetoria politica do Brasil.

a logica é o lula. e a logica do lula esta muito mais para kirchners e chavez que para fernando henrique.

o que dá vertigem é que, de fato, não ha limite para o quanto um desvio importante na politica pode afundar um país. uma vez instalado um filtro de seleção negativa como costumam ser esses governos figadalmente corruptos, a coisa tende a piorar a cada nova safra de “vencedores” que consegue suplantar os demais corruptos e chegar ao topo da piramide. isso é quenem derretimento de reator atomico: quando começa, nao para mais de afundar; vai até o centro da Terra.

a sindrome da argentina é, sim, uma possibilidade real…

ponha suas esperanças na possibilidade de que o outro brasil, este que está fora da sanha dos coroneis hoje aliados ao lula, ou por algum tipo de acidente benigno ou porque resolva, afinal, se profissionalizar, volte a ter peso na política.

é improvavel porque as qualidades requeridas para vencer no brasil do trabalho e no brasil da política são mutuamente excludentes. mas sempre é possivel.

e, enquanto isso, torça para que a china e os estados unidos mantenham as coisas apontadas para cima para nunca termos de descobrir quem, de fato, são o lula e a dilma…

beijo,

fernão

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