Jus esculhambandii

31 de agosto de 2010 § Deixe um comentário

Só quando chegou a vez dos humoristas percebeu-se alguma reação dos brasileiros contra a censura.

A Associação Brasileira de Emissoras de Radio e Televisão (Abert), junto com artistas e até os Repórteres sem Fronteiras, uma ONG internacional que só trata desse assunto, finalmente se tocaram e foram ao Supremo exigir o seu direito constitucional de esculhambar como les gusta os candidatos a serem nossos representantes.

Como não ha nenhuma sombra de duvida sobre o que diz e quer dizer a Constituição a respeito do direito (universalmente consagrado nas democracias) à informação e à livre manifestação de opinião, o ministro Ayres Brito deu liminar liberando os programas humorísticos.

Ótimo!

Os jornais todos fizeram editoriais saudando essa vitória da democracia e vamos ficando por isso mesmo.

Acontece que a mesma lei inconstitucional que quis calar os humoristas cala de fato, ha 13 longos anos, todos os meios eletrônicos de comunicação – os únicos a que têm acesso os 85% de brasileiros que são analfabetos funcionais, incapazes de ler um texto de complexidade mais que elementar.

Durante os quatro meses que antecedem qualquer eleição somente os próprios candidatos (ou gente paga por eles) podem dizer alguma coisa sobre si mesmos nos meios de comunicação aos quais tem acesso a massa ignara tornada impermeável a mais que o rádio e a TV pelas escolas publicas de cuja indigência qualitativa os Vósselência cuidam zelosamente.

Mas ninguém nunca protestou.

É que à’zelite que lê, numérica e eleitoralmente insignificante, é dado discutir e criticar. Elas podem brincar livremente de democracia o que aparentemente lhes dá a impressão de que isso é verdade pra todo mundo.

Não é…

Pode ser que agora, por impossibilidade de dissociar uma coisa da outra, junto com a proibição de esculhambá-los, caia também a censura à exibição de retratos sem maquiagem, de biografias correspondentes aos fatos e de manifestações desairosas a esses belos exemplares da fauna humana que aparecem no seu televisor no horário eleitoral gratuito invariavelmente sendo endeusados por algum figurante pago para dizer que sem aquela doce criatura de deus não da pra ser feliz. Isso, é claro, se o STF mostrar que ainda está vivo e confirmar o que seu ministro diz que acha.

Será uma longa caminhada a do Brasil para a democracia!

Nós nos acostumamos com o que temos. Perdemos a noção das coisas. Para que recuperemos o nosso senso crítico vai ser preciso que a imprensa recupere, antes, o dela. Vai ser necessário um verdadeiro mutirão de fisioterapia critica que nos leve de volta aos fundamentos e nos faça reaprender a exigir.

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