Anotações de fim-de-semana (21 e 22/08)
23 de agosto de 2010 § Deixe um comentário

Não é o Lula…
A gente vive se perguntando porque, diabos, a corrupção maciça do governo do PT não cola no Lula. A resposta está na mão, pra quem tiver a coragem de encarar. A corrupção não cola no Lula porque o povo brasileiro está corrompido. Seu primeiro sonho é entrar para o serviço publico; conseguir um emprego sem trabalho; pular do barco dos explorados para o dos exploradores. O brasileiro foi ensinado desde pequenininho a só esperar duas coisas da política: ser subornado, se estiver do lado de fora; subornar se estiver do lado de dentro. No fundo no fundo, o que vai pela cabeça da maioria esmagadora é que, se conseguissem, roubariam tanto quanto roubam os que já conseguiram.
Caindo na real
O desfile dos candidatos a entrar para o maravilhoso mundo dos que vivem de nos explorar, aliás, é sempre uma hora da verdade para nos lembrar que esta São Paulo onde é possível vencer pelo trabalho é uma ilha cercada de Brasil Real por todos os lados, e que esta que se vê na propaganda eleitoral gratuita é a cara dele.
Avisa o Zé
Alguém precisava avisar o Serra que não é assim que se faz. O negócio é apresentar como suas as idéias do seu oponente que deram certo e como idéias pessoais do seu oponente tudo que aconteceu de ruim no planeta do fim do mandato dele para traz. Querer insistir em roubar o próprio personagem do seu oponente não cola. A cópia nunca vai ser mais ele que o original. Se não parar logo com isso a surra vai ser de arrasar.
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“Lula só falou de Sakineh Ashtiani para ter apoio dos brasileiros. O presidente de um pais democrático, que aboliu a pena de morte ha mais de cem anos, como o Brasil, não pode se dizer amigo de um presidente que apedreja seus cidadãos até a morte”.
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“Nós fomos cegos. Só nos importávamos em depor o xá. Ninguém se perguntou o que seria o Irã depois. Acreditávamos que ao nos livrarmos de um regime tirano a democracia estava garantida. Nós subestimamos os aiatolás…”
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As duas frases são de Azar Nafisi, escritora iraniana exilada em Washington que passou por SP na Bienal do Livro e por Parati na Flip, em entrevista a O Estado de S. Paulo de domingo.
É deles!

De 2008 para cá, o petróleo caiu de mais de US$ 100 o barril para US$ 38. Mas, porque “o petróleo é nosso”, a Petrobras continuou cobrando o mesmo preço pela gasolina e pelos derivados que nos vende. Até mais. Aumentou-os nesse meio tempo como nunca teria conseguido fazer qualquer outro, nacional ou estrangeiro, se esse petróleo fosse dele. Com isso a Petrobras nos tungou R$ 24,7 bilhões nesses dois anos. E, mesmo com isso e mais o pré-sal inteiro, o valor de mercado da companhia caiu quase à metade do que já foi, graças ao “patriotismo” e à “competência” da dupla Lula/Dilma, cujo projeto é espalhar “brases” recheadas de petistas do Oiapoque ao Chuí em tudo quanto é setor da economia. Que governança corporativa, que nada…
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Sine qua non…
Melhorar a qualidade da educação está no discurso de todos os candidatos, até dos pequenininhos. Mas ninguem toca no essencial. Como fazer melhorar qualquer coisa no serviço publico sem atrelar a continuação da carreira ao desempenho? Com garantia de estabilidade no emprego e impunidade pra todo mundo?
Cada brasileiro sabe que enquanto houver uma regra que só vale pra eles e outra pra nós e o resto do mundo nessa era de competição global feroz por qualquer lugarzinho ao sol, a esbórnia que se vê em Brasília não acaba. Ela é mera consequência dessa premissa. No dia em que a eleição girar em torno desse tema, começará a haver esperança.

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