Como se tornar um (quase) campeão
5 de julho de 2016 § 29 Comentários
Portugal mais do que mereceu o título e eu me congratulo com todos os amigos de lá por essa conquista. Mas a história do heróico time da Islândia que, por uma falha técnica, deixou de ser publicada aqui na hora certa enquanto eu me encontrava em viagem em área não acessível às redes sociais vem a calhar para quem anda tão por baixo quanto o Brasil.
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PT x educação: recuse imitações baratas
6 de janeiro de 2016 § 11 Comentários
Tá duro de abrir o ano! Procuro não parecer catastrofista mas minha consciência não permite…
Mas esse é o assunto de outro artigo. Hoje vamos pelo pratinho do dia.
Enviei a um amigo esta manhã o artigo de Marco Antonio Villa para O Globo de segunda-feira, “A Revolução Cultural do PT” (aqui), denunciando a tentativa do mesmo Ministério da Educação daquela boa gente que nos governa e se arroga o direito de decidir até em que banheiro a sua filha criança vai fazer as necessidades dela, de matar a pau o que resta da educação nestes tristes trópicos tornando oficial e obrigatória a falsificação geral da História do Brasil e do Mundo que, em grande medida, já vem sendo martelada nos ouvidos das duas ou tres gerações de brasileiros “formados” para ver suprema sabedoria no que dizem e fazem gente como Lula da Silva, Dilma Rousseff, Rui Falcão e cia. ltda., e acreditar que isso é só o que existe e sempre existiu no mundo.
Recebi de volta a desculpa esfarrapada com que as TVs estão lambuzando essa denuncia, que foi a que o PT lhes forneceu para ser repassada à patuléia desavisada: a de que o assunto está “aberto ao debate nacional” e a decisão será fruto desse debate, “sem nenhum viés ideológico”, etc., etc. e tal…
Como eu vivo dizendo aqui que a solução para desatolar o Brasil da lama corrosiva de mentiras, falsificações e crimes em que o enfiaram é uma dose saudável de democracia direta, aproveito para marcar mais uma vez a diferença.
Foi assim que respondi ao meu amigo:
“Prezado P…,
É esse o velho truque da falsa democracia direta da esquerda: eles dizem, dos seus projetos-golpes, que estão “abertos às contribuições do público” sendo, portanto, democráticos e não impositivos. Mas não dizem como as sugestões eventualmente aportadas serão processadas.
Quem escolhe as que serão adotadas e as que vão para o lixo? Por qual critério? De maioria? E quem afere essa maioria? Quanto valem essas maiorias se as convocações para as “contribuições” forem feitas em voz baixa ou se elas só puderem ser dadas em sessões de “debates” ou “audiências” às quais só funcionários públicos indemissíveis ou ongueiros profissionais têm tempo para comparecer?
É aí que a coisa pega…
Os repórteres do antigo 4º Poder – aquele poder de pautar o debate político da nação que hoje os acionistas das empresas jornalísticas delegam sem nem querer saber pra quem desde que lhes entreguem os lucros combinados – nunca chegam a esses detalhes. Não haveria nem tempo pra essa discussão nas entrevistas das mídias de massa, tipo TVs, ainda que houvesse a disposição (que não há) de trava-la. Engolem com casca e tudo o cala-boca que é essa desculpa de que se trata de uma (falsa) obra coletiva e aberta como se isso fosse explicação bastante e fica o dito pelo não dito. O povo baixa a guarda e a vida segue…
Por conta de expedientes de “legitimação” desse grau de “sofisiticação” e “qualidade” mata-se, no Brasil de hoje, sem que ninguém tenha saco de olhar um pouco mais fundo para mais uma falcatrua, coisas “desimportantes” como sistemas educacionais inteiros. Quando o país finalmente abre o olho, já está morto e enterrado no arbítrio como as venezuelas da vida…
Abraço,
Fernão.
PS.: O truque é tão velho e recorrente que entre as dezenas de figuras jurídicas do que os americanos chamam de “ballot measures” (as leis de iniciativa popular e outras formas de intervenção direta de que todo cidadão dispõe para enfiar nas cédulas – os “ballots” – de toda eleição as questões que acha importantes pedindo um “sim” ou um “não” de seus pares por cima e à margem das tramoias dos legisladores), ha uma que se chama “Advisory Question” criada especificamente para a finalidade de tirar da boca dos maus jornalistas essa mentira surrada de alegar do nada que a “opinião pública” pensa assim ou assado sobre tal ou qual assunto.
Qualquer cidadão pode propor uma tomada de posição realmente legitimada pelo voto sobre uma questão qualquer – se a comunidade acha ou não acha bom que haja um currículo nacional unificado, por exemplo – e enfiá-la na cédula da próxima eleição se conseguir a adesão de um numero suficiente de eleitores do seu distrito eleitoral, apenas para que fique claramente sabido qual de fato é a posição daquela comunidade sobre aquele assunto, para qualquer eventualidade futura.
É claro que, entre essas “ballot measures” eles podem escolher também as variadas formas de “iniciative” ou de “veto referendum” para fazer ou desfazer as leis que algum legislador ou governante esperto tiver tentado lhes impingir com um decreto qualquer de véspera de Natal, ou se recusado a propor apesar da manifesta vontade do povo de que assim fosse feito, ou alguma outra variação dos luxos a que se podem dar os nossos “inimpeacháveis” representantes uma vez eleitos, dessas a que estamos acostumados por aqui e a imprensa já “acha normal“. Lá tem espaço pra essas delicadezas: a “Advisory Question” entra no jogo só a título de “recomendação” ao legislador que porventura esteja alimentando alguma idéia “esperta” em resposta a “factóides” igualmente “espertos” plantados na imprensa, por exemplo…
Isso sim, meu caro, é a democracia direta verdadeira; um conjunto de hábitos e procedimentos recorrentes de higiene política que desinfeta a mentiraiada podre e previne as mortíferas epidemias de lepra moral como essa que nos assola, com decisões legitimadas por todos os eleitores em processos acima de qualquer suspeita.
De modo que, cuidado! Recuse imitações baratas, sobretudo em se tratando de “remédios” que podem nada menos que matar de uma vez para sempre a democracia que se alega para receitá-los!
Tijolos para Babel
5 de dezembro de 2015 § 43 Comentários
Não comprar a “roubada” dessa guerra, entende-se. Seria inteligente negar-lhes o que eles mais querem desde que ficasse claro que era disso que se tratava. Mas Geraldo Alkmin, o candidato-custe-o-que-custar que não conduz, é conduzido, fez muito mais que isso: atirou pedras no deus da educação pública que os fariseus arrastavam pelo calvário; renegou um plano de indiscutível melhoria da qualidade da educação e da gestão do dinheiro público para ajoelhar-se diante do me-engana-que-eu-gosto dos estudantes de araque do soviete da Apeoesp; reconfirmou a idéia de que neste país quem mete o pé na lei vence ao enche-los de rapapés e salamaleques…
Herman Voorwald, diante desse ato oficial que veio estabelecer que não só o interesse público como também a educação deixaram de fazer parte do escopo da Secretaria de Educação, pediu, digno, as contas, educador e servidor sem aspas que é. Seja quem for o cabo eleitoral que sua excelência encontre para por no lugar dele é certo que não lhe renderá os votos pela adulação dos quais está humilhando São Paulo. Aquela turminha de gatos pingados que foi animada a cuspir nos direitos dos 12 milhões de paulistanos nas últimas semanas ficou desolada com a perspectiva do fim da farra e promete continuá-la indefinidamente para que fique mais uma vez bem claro que nada disso tem qualquer coisa a ver com educação, com reorganização escolar ou, muito menos ainda, com “diálogo“, é só mais um ensaio do que vem por aí quando o Brasil pedir que o estado petista dê um passinho atras para que a economia nacional consiga por o nariz um dedo acima do mar de lama.
Já aquela imprensa aliada dos opressores dos seus leitores que “turbina” cada ato do “Movimento dos Sem Crise” para vender traque por furacão e intimidar quem venha querer tocar nos seus privilégios, esta colocou mais um tijolo no tumulo no qual se vai emparedando. E os “publishers” desnorteados, incapazes de desviar o olho de qualquer coisa mais que o próprio bolso na sua incúria omissa, descem mais um degrau em direção ao Nono Círculo do Inferno, aquele mais baixo de todos que Dante reserva aos traidores da pátria aos quais nega até o fogo; condena ao gelo do opróbio eterno.
RECORDE OS DADOS DO PROBLEMA
- SP tem 5.108 escolas, 1.443 de ciclo unico, 3.186 de dois ciclos, 479 de tres.
- É estrutura bastante para 6 milhões de alunos mas hoje só ha 4 milhões matriculados (ha cada vez menos crianças nascendo e, portanto, jovens em idade escolar).
- Das 119.546 classes que estudam nessas escolas o equivalente a 2.956 (2,5%) estão ociosas e poderiam ser redistribuídas.
- A reorganização proposta queria instituir ciclo único em todas as escolas: Fundamental I, Fundamental II ou Ensino Médio, com os alunos, todos na mesma faixa de idade em cada escola, podendo escolher, fora das obrigatórias, as matérias que preferem estudar como é do melhor receituário curricular moderno. Luxo de país rico!
- A redistribuição dos alunos seria feita num raio de no máximo 1,5 km e as escolas desocupadas virariam creches que é o que mais falta no estado.
- A resposta foi a depredação do Palácio dos Bandeirantes de sempre, a cargo dos insignes “educadores” indemissíveis filiados à Apeoesp que dão aulas de ódio ao mérito à juventude brasileira que terá de competir na arena universal.
Dois coelhos com a mesma bordoada
28 de setembro de 2015 § 42 Comentários
Claudio de Moura e Castro, que vem a ser o mais isuspeitado dos paladinos da luta por um Brasil melhor educado, escreve hoje no Estado para comentar o absurdo que é o corte de 30% das verbas do chamado “Sistema S” de formação profissional, sustentado por uma contribuição de 1% da folha de pagamento das empresas e gerido pela iniciativa privada.
Com o conhecimento de causa que ninguém contesta, ele lembra que, com todas as medições internacionais registrando o esboroamento do sistema brasileiro de educação pública, as poucas universidades estatais da “Pátria educadora” que ainda se mantinham no grupo das melhores do mundo descambando para as profundezas, o analfabetismo formal e funcional crescendo e o número de crianças nas escolas diminuindo, o “Sistema S”, invenção brasileira copiada em vários cantos do mundo, continua marcando golaços nas medições internacionais. Teve o 1º lugar no World Skills, uma competição que avalia trabalhadores em 50 ofícios diferentes.
Moura e Castro explica que tanta eficiência é consequência da melhor mistura possível de atribuições e competências entre estado e iniciativa privada, que é a do “Sistema S” em que o Estado financia o esquema abrindo mão de uma ínfima parcela de arrecadação e a iniciativa privada, que no final do processo, vai contratar a mão de obra assim formada, é quem gerencia o sistema. Tudo no Brasil vai, em geral, pelo padrão exatamente inverso: toma-se dinheiro a rodo da iniciativa privada e entrega-se a gestão dos processos ao estado…
A única falha da análise do articulista é o desafio que faz a autoridades: que “visitem 10 escolas do Senai em qualquer estado; aposto que ao término da visita terão mudado de idéia” (sobre cortar os 30%).
Errado, sinto informá-lo, dr. Claudio. O governo petista não está atalhando o Senai por falta de informação sobre a qualidade do serviço. Está fazendo isso por causa dessa qualidade.
O “Sistema S” é uma ameaça à essência parasitária do PT, o partido que trabalha neste momento para comprar de volta a CPMF contra a entrega do Ministério da Saúde, entre outros, para uma quadrilha de assaltantes que só não está na cadeia porque o PT controla o Supremo Tribunal Federal que se colocou ostensivamente entre os ladrões com mandato e o único agente da lei acima de qualquer suspeita deste país. Para o PT, matar um sistema educacional que não faz parte da sua rede de proselitismo ideológico e, ao mesmo tempo, fragilizar um pouco mais a industria nacional, é tirar dois obstáculos para os seus planos de poder eterno da frente com uma cacetada só.
O rabo de Gramsci
15 de agosto de 2015 § 25 Comentários
Artigo para O Estado de S. Paulo de 15/8/2015
O Brasil que sobrou é Gramsci mordendo o próprio rabo. O certo virou errado e o errado virou certo. O “senso comum está organicamente superado” e já ninguém diz coisa com coisa. Mas se tudo começou como uma conspiração racional para demolir a base cultural da “democracia burguesa” e substituí-la pela “hegemonia do discurso ideológico da classe trabalhadora”, o local de destino – o “paraíso socialista” – desapareceu de cena depois que a primeira parte da obra estava pronta. A meio do caminho “O Muro” caiu, o sonho acabou, o “intelectual coletivo” vendeu-se ao capitalismo pistoleiro e os “intelectuais orgânicos” que realmente serviam uma causa morreram de overdose ou de vergonha. Os que sobraram são as criaturas de Gramsci; a segunda geração que pensa, sim, pelo avesso, mas já involuntariamente, sem saber exatamente por quê ou para quê.
Foi-se o que haveria de ser; já não ha para onde voltar. E nesse grande “Nada”, a corrupção é que tornou-se “orgânica”; instrumento por excelência de “reprodução da hegemonia da nova classe dominante”.
E cá estamos, ao fim de mais uma “temporada” do dramalhão com que o Brasil imita a arte, onde a cada capítulo os heróis viram bandidos e vice-versa, com o flagrado “dono” da Transpetro alçado de volta à condição de “interessado no Brasil” – com possíveis repercussões nessa Lava-Jato já tão cheia de figurinhas das empreiteiras e estatais e vazia dos figurões da politica para quem e graças a quem eles operam e podem operar – ao fazer-se porta-voz da “agenda” com que Dilma trata de safar-se do impeachment a que poderá levá-la esta paralisia econômica verborrágico-induzida a que chegamos.
O nó a desatar é a desarticulada dispersão do “lado de cá” depois de décadas desse trabalho de desconstrução.
Brasilia, onde não ha crise nem pressa, trabalha coesa como sempre. Tudo segue sendo decidido nos bastidores do “quem indica quem para roubar onde”; só a narrativa aqui para fora é que varia. Agora querem vender como atos politicamente orientados de um único indivíduo a enxurrada anual de pornografia remuneratória da corte. Como há uma disputa de poder entre a nova e a velha guarda de comerciantes de governabilidade, foi cunhada a expressão “pautas-bombas” para designar a fila dos aumentos auto-atribuidos do funcionalismo puxados, como é tradição, pelo do Judiciário que, neste ano de penúria, abocanhou retumbantes 78% quase no mesmo dia em que o governo “dos trabalhadores” confiscava o abono de quem ganha dois salários mínimos. No vácuo dessa “conquista” veio o escárnio da multiplicação por três do Fundo Partidário. Agora é a vez da nobreza menor, auditores da Receita à frente. As tais “pautas-bombas” não passam, portanto, da obra coletiva de parasitose de sempre que resulta na progressiva pauperização do resto do Brasil.
A relação de causa e efeito entre esses fatos — assunto “tabu” na academia e na imprensa brasileiras — quase chegou a ser afirmada recentemente. De tanto demonstrar em suas reuniões quantas gerações de brasileiros entram para a lista dos sem futuro a cada semana de atraso no que terá um dia de ser feito, o dr. Levy conseguiu levar até profissionais calejados como Michael Temer a sentir pena do Brasil. O vice-presidente “pediu água”. Até Aloizio Mercadante “pediu água”. Dilma mesmo animou-se a fazer uma tímida menção à idéia de reduzir o numero de ministérios…
A obscena montanha de gordura, afinal de contas, está onde sempre esteve e quanto mais tudo ao redor vai sendo reduzido a pele e ossos, mais escandalosamente visível ela se torna. Mas como a metástese do Estado que sufoca o país, a ser amputada se não se quiser matá-lo, corresponde à exata soma de todos quantos decidem se haverá ou não impeachment e suas cortes, a represália dos bastidores veio implacável. Tanto Dilma quanto o PT passaram, então, a negar nas mesmas frases em que a pediam a necessidade de uma “união nacional” para fazer frente “a crise tão pouca” – o tipo de tapa na cara da realidade que configura a “indução verborrágica” da paralisia econômica e da disparada do dólar – enquanto Temer e Mercadante, embora sustentando ainda a sua necessidade, davam o dito por não dito ao declinar especificar para quê a queriam.
Agora “a lista de Renan” vem, de novo, tirar a solução de onde o problema está e apaziguar os ânimos no rico condomínio dos Tres Poderes.
Aqui fora, nesse meio tempo, o Quarto Poder, cuja função já foi a de captar pleitos difusos da cidadania, formatá-los referenciado-os às melhores práticas internacionais e empurrá-los para dentro do “Sistema” na forma de campanhas por reformas, passou a ter outro tipo de preocupação depois que o comando de empresas jornalísticas e redações passou das mãos de jornalistas às de empresários e gerentes administrativos que nunca leram Gramsci.
Assim chegamos a este Brasil reduzido a dois tipos de “discursos inarticulados“: o do dinheiro e o do coração.
Nem o consumo subsidiado de “espelhinhos e missangas” de véspera de eleição, nem os impeachments das ressacas de estelionato eleitoral, se houverem, vão alterar essencialmente, porém, a desordem institucional que nos mantem na montanha russa. Instituições são tecnologias que — bons ou ruins — produzem resultados inexoráveis. E nesse campo, ha um nítido divisor de águas no mundo. De um lado estão os que distribuem mandatos como se fossem capitanias hereditárias, dão a seus detentores poderes absolutos para definir a pauta política da Nação e, com eles, a prerrogativa de transformar impunemente as vidas de seus representados num inferno. Do outro os povos que, armando-se do poder de retomar a qualquer momento os mandatos que concedem usando, entre outros, o instrumento do recall, mantêm o estrito comando da pauta política dos seus representantes e assim põem o governo a serviço do pais e o país a serviço de seu povo.
Este é o caminho.
PS.: Este artigo foi escrito antes do irresponsavel convescote proto-terrorista promovido 5a feira no Palácio de Dilma
NESTE LINK, COMO O RECALL PODE CURAR AS DOENÇAS DO BRASIL












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