PT x educação: recuse imitações baratas

6 de janeiro de 2016 § 11 Comentários

lepra12Tá duro de abrir o ano! Procuro não parecer catastrofista mas minha consciência não permite…

Mas esse é o assunto de outro artigo. Hoje vamos pelo pratinho do dia.

Enviei a um amigo esta manhã o artigo de Marco Antonio Villa para O Globo de segunda-feira, “A Revolução Cultural do PT” (aqui), denunciando a tentativa do mesmo Ministério da Educação daquela boa gente que nos governa e se arroga o direito de decidir até em que banheiro a sua filha criança vai fazer as necessidades dela, de matar a pau o que resta da educação nestes tristes trópicos tornando oficial e obrigatória a falsificação geral da História do Brasil e do Mundo que, em grande medida, já vem sendo martelada nos ouvidos das duas ou tres gerações de brasileiros “formados” para ver suprema sabedoria no que dizem e fazem gente como Lula da Silva, Dilma Rousseff, Rui Falcão e cia. ltda., e acreditar que isso é só o que existe e sempre existiu no mundo.

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Recebi de volta a desculpa esfarrapada com que as TVs estão lambuzando essa denuncia, que foi a que o PT lhes forneceu para ser repassada à patuléia desavisada: a de que o assunto está “aberto ao debate nacional” e a decisão será fruto desse debate, “sem nenhum viés ideológico”, etc., etc. e tal…

Como eu vivo dizendo aqui que a solução para desatolar o Brasil da lama corrosiva de mentiras, falsificações e crimes em que o enfiaram é uma dose saudável de democracia direta, aproveito para marcar mais uma vez a diferença.

Foi assim que respondi ao meu amigo:

Prezado P…, 

É esse o velho truque da falsa democracia direta da esquerda: eles dizem, dos seus projetos-golpes, que estão “abertos às contribuições do público” sendo, portanto, democráticos e não impositivos. Mas não dizem como as sugestões eventualmente aportadas serão processadas.

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Quem escolhe as que serão adotadas e as que vão para o lixo? Por qual critério? De maioria? E quem afere essa maioria? Quanto valem essas maiorias se as convocações para as “contribuições” forem feitas em voz baixa ou se elas só puderem ser dadas em sessões de “debates” ou “audiências” às quais só funcionários públicos indemissíveis ou ongueiros profissionais têm tempo para comparecer?

É aí que a coisa pega… 

Os repórteres do antigo 4º Poder – aquele poder de pautar o debate político da nação que hoje os acionistas das empresas jornalísticas delegam sem nem querer saber pra quem desde que lhes entreguem os lucros combinados – nunca chegam a esses detalhes. Não haveria nem tempo pra essa discussão nas entrevistas das mídias de massa, tipo TVs, ainda que houvesse a disposição (que não há) de trava-la. Engolem com casca e tudo o cala-boca que é essa desculpa de que se trata de uma (falsa) obra coletiva e aberta como se isso fosse explicação bastante e fica o dito pelo não dito. O povo baixa a guarda e a vida segue…

Por conta de expedientes de “legitimação” desse grau de “sofisiticação” e “qualidade” mata-se, no Brasil de hoje, sem que ninguém tenha saco de olhar um pouco mais fundo para mais uma falcatrua, coisas “desimportantes” como sistemas educacionais inteiros. Quando o país finalmente abre o olho, já está morto e enterrado no arbítrio como as venezuelas da vida…

Abraço, 

Fernão.

PS.: O truque é tão velho e recorrente que entre as dezenas de figuras jurídicas do que os americanos chamam de “ballot measures” (as leis de iniciativa popular e outras formas de intervenção direta de que todo cidadão dispõe para enfiar nas cédulas – os “ballots” – de toda eleição as questões que acha importantes pedindo um “sim” ou um “não” de seus pares por cima e à margem das tramoias dos legisladores), ha uma que se chama “Advisory Question” criada especificamente para a finalidade de tirar da boca dos maus jornalistas essa mentira surrada de alegar do nada que a “opinião pública” pensa assim ou assado sobre tal ou qual assunto.

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Qualquer cidadão pode propor uma tomada de posição realmente legitimada pelo voto sobre uma questão qualquer – se a comunidade acha ou não acha bom que haja um currículo nacional unificado, por exemplo – e enfiá-la na cédula da próxima eleição se conseguir a adesão de um numero suficiente de eleitores do seu distrito eleitoral, apenas para que fique claramente sabido qual de fato é a posição daquela comunidade sobre aquele assunto, para qualquer eventualidade futura.

É claro que, entre essas “ballot measures” eles podem escolher também as variadas formas de “iniciative” ou de “veto referendum” para fazer ou desfazer as leis que algum legislador ou governante esperto tiver tentado lhes impingir com um decreto qualquer de véspera de Natal, ou se recusado a propor apesar da manifesta vontade do povo de que assim fosse feito, ou alguma outra variação dos luxos a que se podem dar os nossos “inimpeacháveis” representantes uma vez eleitos, dessas a que estamos acostumados por aqui e a imprensa já “acha normal“. Lá tem espaço pra essas delicadezas: a “Advisory Question” entra no jogo só a título de “recomendação” ao legislador que porventura esteja alimentando alguma idéia “esperta” em resposta a “factóides” igualmente “espertos” plantados na imprensa, por exemplo…

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Isso sim, meu caro, é a democracia direta verdadeira; um conjunto de hábitos e procedimentos recorrentes de higiene política que desinfeta a mentiraiada podre e previne as mortíferas epidemias de lepra moral como essa que nos assola, com decisões legitimadas por todos os eleitores em processos acima de qualquer suspeita.

De modo que, cuidado! Recuse imitações baratas, sobretudo em se tratando de “remédios” que podem nada menos que matar de uma vez para sempre a democracia que se alega para receitá-los!

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§ 11 Respostas para PT x educação: recuse imitações baratas

  • A solução para criminosos não é “BALLOT MEASURES” e sim “BULLET MEASURES”. E quando utilizá-la mire na cabeça.

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  • Luiz Barros disse:

    Então é para participar? Mande sua opinião para o ministro.

    GABINETE

    Ministro de Estado da Educação: Aloizio Mercadante
    Esplanada dos Ministérios, Bl. L – 8º Andar – Gabinete
    70047-900 – Brasília – DF
    Fone: (61) 2022-7828 / 7822
    E-mail: gabinetedoministro@mec.gov.br

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  • Luiz Barros disse:

    Minha opinião, que enviarei ao ministro, segue em mensagem aberta.

    Ao ministro da Educação, Aloisio Mercadante.

    Senhor Ministro,

    A proposta de currículo ora apresentada é inominável. Não pode ser objeto de consideração, nem mesmo como texto inicial a ser debatido.

    Como diz o povo Brasil afora, “pau que nasce torto, não tem jeito, morre torto”. Será, assim, medíocre qualquer texto final que tome como base o ora apresentado.

    A proposta deve ser sumariamente retirada e nova forma de buscar tais diretrizes curriculares deve ser estabelecida.

    Confiando em seu tirocínio, aguardo providências.

    Atenciosamente,

    Prof. Dr. Luiz Ferri de Barros
    Mestre e Doutor em Filosofia da Educação – USP
    Administrador de Empresas – FGV

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    • LUIZ AUGUSTO CAVALHEIRO disse:

      BOM DIA PROF. DR. LUIZ, SOU PROFESSOR APOSENTADO E ESTOU DE PLENO ACORDO COM O RELATO DE SUA OPINIÃO ENVIADA AO SR. MINISTRO DA EDUCAÇÃO. ESSAS PROPOSTAS TEM QUE SER MELHORAR ANALISADAS E DISCUTIDAS COM OS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO… PARABÉNS.
      PROF. LUIZ AUGUSTO CAVALHEIRO
      ÓLEO, 07 DE JANEIRO DE 2016.

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  • Varlice Ramos disse:

    Caro Fernão, em primeiro lugar, dentro das possibilidades desejo a você e a todos os brasileiros um ano bom ou, no mínimo, palatável.
    O que dizer de mais essa arapuca armada pelo PT?
    Concordo que a importância de índios e negros na história do país sempre foi relegada a segundo plano.
    Porém, da forma como os representantes do Ministério da Educação pretendem que seja o novo currículo de História do Brasil, a se concretizar, das duas uma: ou o Brasil se transformará em um grande terreiro de candomblé – com direito a um puxadinho de deliciosas comidas típicas – ou então será uma grande plantação de mandioca com herbário indígena de remédios naturais.
    Em tempo: será que no capítulo do Quilombo dos Palmares informarão que Zumbi possuía vários escravos? Du-vi-de-o-dó.
    Bj

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  • Dr. Luiz Ferri de Barros, “pau que nasce torto, não tem jeito, morre torto”. Aloisio Mercadante é um pau que nasceu torto.
    Sds.
    Martim Berto Fuchs

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  • Ricardo disse:

    Aos amigos aqui,sorte e tenacidade para enfrentar 2016.
    Vamos ver,esse “bodão” na sala é assinado pelo ex ministro Renato Janine Ribeiro,o Breve,não se sustentou seis meses na pasta.
    Não consigo acreditar que seja de sua autoria tal parvalhice,parece ser mais um excerto de outra coisa.Afinal esse país é um lugar conhecido por possuir autoridades que freqüêntemente assinam documentos sem os ler,pelo menos afirmam isso.
    A verdade é que a pátria-educadora passou uma tesourada no orçamento da educação,e a coisa,ao que tudo indica ,ficou mais ou menos por aí.
    Parece que o governador de São Paulo se incomodou muito mais por
    muito menos.
    Esses caras são formados em manobras diversionistas e quando a coisa começa a ficar feia,eles aparecem com o tradicional caprino.
    Realmente,alguém acha que uma estultice como essa passará pelo crivo da sociedade ? Pela maioria da comunidade acadêmica ?
    Cobrem as verbas cortadas para a educação dos autores do infeliz slogan desse governo.

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  • Luiz Barros disse:

    Eis o link para o portal do MEC onde se encontra a proposta:

    http://basenacionalcomum.mec.gov.br/#/site/conheca

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  • Assim Falou Golbery disse:

    nos anos 70, o que mais de ouvia em sala aula de universidade pública era ¨docente¨ dizer; ¨tá achando ditadura ruim&¨%%$#@ espere quando for civil5 @%$# ¨. agora os filhotes dessas mesmas pragas dizem assim : ¨¨tá achando o petismo ruim%$#@… espere quando for PSOL, PSTU…¨

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