Viva nóis, viva tudo, viva o Chico Barrigudo!

9 de maio de 2012 § 1 comentário

O país que, cheio de indignação, processa um PM por jogar spray de pimenta nos olhos de uma cadela agressiva, praticamente ignora os parlamentares que, diante do maior escândalo de corrupção da história do Congresso Nacional, estão jogando pimenta nos olhos do povo, a quem tratam pior que aos cães, para impedi-lo de ver as provas da bandalheira trancadas na sala-cofre do Senado da República.

Trancar as provas de um crime contra o povo e proibir os seus representantes eleitos de “vazar” para os seus representados o nome de quem os está assaltando, sob as penas da lei!?!!

Uai! Mas não devia ser  o contrário?

No Brasil não é.

E só faz sentido uma coisa dessas passar batida numa casa que funciona na base da maioria se houver mais gente no Congresso com culpa no cartório do que os interessados em expor as dos outros.

Do jeito que a coisa vai, estar na lista dos parlamentares expostos com a mão nas águas da cachoeira já está quase soando como uma atenuante; uma prova de que ele só se envolveu em pecadilhos menores e não na conspiração em torno daqueles de que não se pode nem falar.

Mas não é só.

Enquanto a batota do Congresso defende de braços dados a porta da sala-cofre, lá fora a “turma da limpeza” trabalha freneticamente.

A Delta Construções, que é o ventiladorzão que espalha esse barro, por exemplo, está pondo de lado os testas de ferro. A matriz vai assumir inteiramente a “empresa”.

Que Fernando Cavendish que nada! Passa tudo logo praquele açouguezinho do interior que o dr. Jose Dirceu, o BNDES e os fundos de pensão controlados pela barra pesada do petismo transformaram “numa das maiores empresas do mundo” que, de prosaicos bifes de carne de segunda e miúdos de frango passou a vender até usinas hidrelétricas, passando por tudo que está no meio.

Brasília, terra dos milagres!

Já o Planalto teve reação igualmente inequívoca diante do tsunami de revelações das organizações Delta-Cachoeira: de fevereiro para março, enquanto o Congresso discutia a sua CPMI, quadruplicou o valor das despesas com emendas de parlamentares, elevado para R$ 350 milhões, valor que se repetiu em abril.

E o Judiciário? Este atira no Procurador Geral da República e articula para tirar do Ministério Público, que insiste em encher o saco desenterrando podres, o poder de investigar crimes, enquanto no STF trata-se de baixar o fogo da fervura do Mensalão que está cai não cai na prescrição.

E só pra não deixar a peteca no chão, lá está o presidente nacional do PT, “jornalista” Rui Falcão, aquele bonequinho com cara de chupeta que, toda vez que a gente aperta, pede o “controle social” da imprensa.

E viva nóis, vida tudo, viva o Chico Barrigudo!

O alvo desta CPI

2 de maio de 2012 § Deixe um comentário

Ao fim de nem tão surda batalha pelo “controle” da CPI do Cachoeira assisti, durante o almoço, ao primeiro passo da momentosa “investigação”, com o senador Vital do Rego, que o PT pôs à frente dos trabalhos, recebendo do STF um envelope selado com nove CDs contendo os 40 volumes do inquérito aberto para investigar o esquema. (É porque nossa justiça é sempre tão “econômica” em palavras, recorde-se, que nenhum processo chega ao fim nestes tristes trópicos).

Tudo (menos o que já se sabe) está, ainda, sob “segredo de Justiça”, conforme frisou o ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo no STF.

Vai daí, diz o senador do Rego, “o primeiro e mais importante trabalho será conferir, entre as quatro paredes da ‘sala-cofre’ adrede preparada no Senado, o que já foi e o que ainda não foi vazado de tudo que foi recebido“…

 

O grosso do que vazou, e é só o que as televisões têm para martelar na cabeça do público por enquanto, é o que atinge o falso cavaleiro da esperança do DEM e o governador do PSDB de Goiás, mais a negociação para a aquisição “de porteira fechada” e por preço de ocasião do partido inteiro daquele gordinho, o tal de Levy Fidelix, hoje de propriedade do PT.

Sabe-se também que tudo isso é só o glacê e que o “bolo” mesmo, aquilo que mede a extensão da metástese da doença brasileira em todos os níveis da politica e da administração pública, são as aventuras e desventuras de Fernando Cavendish e a sua “Construtora Delta”, aquela que está para Carlinhos Cachoeira como a “agência de publicidade” SMP&B de Marcos Valério estava para José Dirceu no esquema do Mensalão.

Mas sobre os contratos que este senhor amealhou, relativos a 80% das obras do PAC filho da Dilma, ainda não vazou detalhe nenhum.

O governador do PMDB do Rio de Janeiro (aquele partido do vice-presidente da Dilma), que criou essa cobra e quase morreu picado por ela meses atrás na Bahia, tomou providências cirúrgicas a esse respeito.

O galante Fernando Cavendish é tido e havido como “o rei” da ex-capital federal onde não ha obra que não seja “dele”. Mas o dr. Sérgio Cabral, que se tornou uma das figuras mais translucidamente transparentes da Republica graças às relações de alto risco que mantem com ele sem proteção, só cuidou de tomar-lhe duas desde que o escândalo começou: a reforma do Maracanã, de R$ 789 milhões, e a Transcarioca, corredor de ônibus que vai do Galeão à Barra de R$ 931 milhões divididos com a Odebrecht e a Andrade Gutierrez, ambas do PAC filho da Dilma.

O resto, o que é só Rio com Rio, o dr. Cabral segue esperando pra ver como é que fica.

Tudo, portanto, caminha por enquanto em consonância com o padrão do Novo Brasil do PT onde todo mundo “é” e tem sido filmado e gravado “sendo“, mas ganha o jogo quem tem o poder de definir o que vaza e o que não vaza desse vasto e precioso acervo para o conhecimento do distinto público.

Abrir ou não abrir o pacotão do STF, o acervo cinematográfico da Polícia Federal e, muito especialmente, medir a extensão dos tentáculos da Delta é o verdadeiro nome do jogo.

A ver se, escancaradas as porta do Inferno com a instalação da CPI, será possível seguir controlando a diabaiada…

Vendo o Brasil na TV

2 de maio de 2012 § 1 comentário

É a arte que imita a vida ou a vida que imita a arte?

Ao fim de uma longa noite de feriado vendo o Brasil pela televisão ocorreu-me que as goteiras do Galeão, as compras de Carlinhos Cachoeira e o dicionário de ignomínias que recheiam as “comédias de costumes” da Globo e tratam de retratar/pautar o comportamento moral da família brasileira fazem parte de um todo.

Ou consertamos tudo isso junto ou vai tudo à rasca junto também.

Alguém vai ter de tomar a iniciativa de começar a mudar esse padrão. E é claro que os irmãos siameses politica corrupta x carlinhos cachoeiras é que não vão ser…

A educação de Dilma (e a do Brasil)

26 de abril de 2012 § 3 Comentários

1

É uma conversa imaginária. Faça “aquela” voz e ponha o devido sotaque:

É o seguinte, minha santa: o PT já “é”; ninguém mais precisa sê convencido disso.

O que nóis precisamo mostrá, vejahn, é que os outros também “são”, principalmente aqueles poucos que ainda pareciam não sê.

Essa é a única novidade que esta CPI vai trazê. É isso que vai ficá na memória dos eleitor.

Vai sobrá pros nosso?

Vai. Mas e daí?

Cê demite os que aparecê nas gravação; dá ferias pra eles aproveitá um pouco a vida; vai trocando quem saí por gente das mesma panela. O povo já se acostumô com isso. Não mexe nem cos arranjo da base e você ainda fatura a fama de faxinêra.

Acaba pulando pra faixa dos 90% de aprovação! Nunca antes na história desse país, menina!

Aí nóis tiramo deles a única arma que eles podia usá nos debate. O resto já tá no saco. O resto é só o horário eleitoral onde a gente fala o que qué.

Quando essa CPI acabá, o jogo tá zerado. Não tem mais ninguém que “não é”. Aí quero vê quem vai vim falá de robalhêra”.

No início, antes de ouvir o mestre, o estômago de Dilma, ainda “viciado” na memória de velhos tempos, esboçou uma reação.

Mas depois, pensando bem…

2

O Veríssimo, hoje, terminou seu artigo assim:

Até surgir a possibilidade de ser tecnicamente denunciado, o político corrupto podia contar com a condescendência do público. Mesmo quando não havia dúvidas quanto à sua corrupção, havia sempre a suspeita de que não era bem assim. Sua culpa – até se ouvir sua voz gravada combinando a divisão dos milhões, ou ver sua imagem forrando os sapatos com dinheiro – era sempre uma conjetura. Imaginávamos o que acontecia nos bastidores do poder corrupto mas era um pouco como imaginar uma orgia romana, ou visualizar uma orgia romana através da imaginação de um artista. Agora não. Com a banalização do grampo telefônico e da minicâmera escondida, temos o que faltava no quadro. Temos todos os sórdidos detalhes e a orgia às claras. Temos o que enoja“. (Íntegra aqui)

Enoja quem, cara-pálida?

O “poder corrupto”, depois de todos os filmes e de todas as gravações, esquece vosselência de considerar, conta com 87% de aprovação popular.

De modo que o que parece mais é que a única coisa que esse povo realmente lamenta é ter de ficar vendo de fora essa orgia romana…

Lula em rota de colisão com Dilma

17 de abril de 2012 § Deixe um comentário

Ninguém errará a avaliação do caráter do senhor Luís Ignácio Lula da Silva por atirar baixo demais…

Eu, por exemplo, acertei só de raspão ontem por não baixar suficientemente a mira.

Com mais meio dia do leva e trás do PT em torno da CPI do Cachoeira as coisas já ficaram bem mais claras. Trata-se do duelo final: está aberto o processo de expulsão dos últimos pruridos de ética do antigo “partido da ética na política”, junto com quem insistir em agarrar-se a eles, a “faxineira” Dilma em primeiro lugar.

Senão vejamos:

  • se existe alguma coisa que pode abalar um ego como o de Lula, esta coisa é a Síndrome do Espelho, Espelho Meu: “Existe neste mundo alguém mais popular do que eu?E a resposta é: “Por baixo dos sete ministérios podres, atrás das sete faxinas, dorme Dilma Vana Roussef. Ela conquistou popularidade maior que a sua passado o mesmo tempo de governo“;

  • é de Lula, secundado por José Dirceu, que vem a ordem unida em torno da criação da CPI, em desafio à ordem de recuo dada por Dilma;
  • Dilma estava fora do país quando o golpe foi armado;
  • Fernando Cavendish, o judas que a oposição quer malhar na CPI, recebeu R$ 4,1 bilhões em obras do governo federal, 90% só com o DNIT, o primeiro antro herdado de Lula (excluído Palocci) que Dilma implodiu;
  • Não ha CPI que não acabe virando contra o governo“? Ótimo! Se a CPI pegar leve em Dilma aplaina-se a ultima e a mais incômoda colina da “igualitária” planície do “eu sou, mas quem não é” que, desde o Mensalão, é tudo a que se quer chegar; se pegar pesado, melhor, Lula volta em 2014 porque até 18 sabe lá deus, com essa doençarada toda;
  • Lula conta cegamente com os préstimos de Sarney para controlar a CPI; Romero Jucá, fuzilado por Dilma, e Renan Calheiros (idem indiretamente) são cogitados para presidi-la;
  • Se Dilma contava ontem com algumas vozes dentro do PT falando contra a CPI, hoje já não conta com nenhuma: todos voltaram atrás.

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