Mais umas tantas obviedades

11 de abril de 2012 § 1 comentário

Olavo Noleto, sub-chefe de Assuntos Federativos da Secretaria de Relações Institucionais, aquela comandada por dona Ideli das Lanchas, “fumou mas não tragou”.

Sim“, disse lavado em lágrimas, “eu conhecia mas não mantinha relações com o sr. Carlos Cachoeira“.

Não era de sexo que ele estava falando.

Noleto foi gravado, também, em conversas intimas com Wladimir Garcez, o nº 2 da organização criminosa do seu “conhecido”, segundo ele “para tentar negociar a adesão de Demostenes Torres à campanha de Dilma“.

Ideli das Lanchas acreditou…

E o Brasil se livrou por pouco de Demostenes Torres se tornar outro José Sarney, aliado da situação, o que faria dele mais um facínora intocável.

***

O PSDB decidiu defender o mandato do deputado Carlos Lereia (GO) que, flagrado recebendo dinheiro das Organizações Cachoeira, disse que foi  só “por relação de amizade“. O que confirma que a probabilidade de punição de políticos corruptos no Brasil por seus próprios correligionários é inversamente proporcional à distância que o partido do meliante está do poder.

***

Rubens Otoni (PT-GO) aparece nas gravações da Polícia Federal discutindo dinheiro para o Caixa 2 da campanha para a eleição de 2004.

Mas, junto com todas as outras instituições da Republica, a imprensa em peso continua guardando um silêncio atroador sobre a pergunta óbvia:

Com que direito eles se sentaram em cima dessa informação por 8 anos? Isso não dá cadeia?

***

Procuraram e procuraram, de lanterna na mão, alguém do PMDB, o maior partido do Ocidente, em condições de presidir a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar.

Não encontraram.

“Cachoeira – O Retorno” e outras obviedades

10 de abril de 2012 § 1 comentário

Ponha-se de lado as lanchas de dona Ideli, que nos deixam outra vez às portas do gabinete presidencial.

Fiquemos só com o senhor Cachoeira, o avô do Mensalão que nos idos de 2004 iniciou, também na sala vizinha à do Presidente da Republica de então, a sua carreira de “estrela de TV” pelas mãos do mesmo “diretor” que filmou este “Cachoeira – O Retorno“, ora em exibição.

O que se pode concluir?

  • que entre Waldomiro e Demostenes o “corte” do suborno para ganhar favores e contratos do governo subiu quase 10 xs (de perto de 3% para perto de  30%);
  • que a liberdade para roubar impõe um outro patamar de competição onde só se tem chance roubando também;

  • que em função disso, nesta republiqueta petista e no seu entorno só se salva quem ainda não foi investigado, ou melhor, quem ainda não teve a sua cine-biografia distribuída em “circuito comercial”;
  • que entre o filme quente estrelando Waldomiro de Dirceu e este vintage 2009 onde Demostenes do DEM encabeça vasto elenco só o que mudou foi o aparelhamento da Polícia Federal e a cumplicidade da imprensa para com os seus explícitos desengavetamentos ad-hoc e customizados de personagens incômodos de um arquivo que mostra evidências de ser muito mais vasto que os relatoriozinhos de caderneta dos aprendizes da ditadura militar em torno dos quais os assalariados da UNE estão fazendo esse barulho todo;
  • que pelo menos na Terceira Divisão – onde hoje joga o DEM – em se denunciando, cai, o que confirma os benefícios da alternância no poder.

Onde estou?

Você está navegando em publicações marcadas com Carlinhos Cachoeira em VESPEIRO.