Não perca o próximo capítulo

12 de dezembro de 2012 § 1 comentário

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A justiça tarda mas não falha?

Poucos brasileiros acreditavam nisso.

Mas agora que, finalmente, o processo do Mensalão volta a bater na porta de Lula que é onde tudo começa e em benefício de quem tudo foi feito, talvez isso mude.

A verdade é que o depoimento de Marcos Valério ao Ministério Público divulgado ontem pelo Estado acrescenta muito pouco ao que já se sabia desde as primeiras revelações de Roberto Jefferson, como recordei na postagem de ontem com todos os detalhes.

De novo mesmo só a afirmação de que também despesas pessoais do presidente foram pagas com dinheiro do Mensalão. As provas que o ligam diretamente ao esquema e à pessoa de Marcos Valério em pelo menos duas reuniões no Palácio do Planalto são oficiais e já existiam desde os primeiros dias do escândalo, ainda que não tenham sido desenterradas no julgamento do STF.

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Muito mais fortes que elas, aliás, são os indícios todos que o põem no pleno “domínio dos fatos” do esquema Rosemary Noronha e da operação que, depois de duas reprovações do Senado, confirmou, com a ajuda da tropa de choque de Lula dentro da Câmara Alta (Romero Jucá, Magno Malta e José Sarney), a nomeação dos quadrilheiros da famiglia Vieira para as agências nacionais de Aguas e de Aviação Civil, a partir das quais eles armaram seus esquemas de vendas de favores milionários.

Não é uma ex-secretária de presidente, ainda que carregada de outros títulos e predicados, que tem força para dobrar o Senado da República e faze-lo reverter duas reprovações seguidas…

O que acontece é que o país que nunca tinha visto sequer os “ladrões de galinha” do vasto império da ladroagem oficial serem incomodados pela justiça estava achando que já era muito chegar até José Dirceu e os outros trinta e poucos condenados, e que era melhor não mexer com o chefe de todos eles e sua popularidade esmagadora apesar de tudo que se sabia e o mais que se podia imaginar sem medo de errar a respeito da participação dele em tudo isso.

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A sombra de Hugo Chávez e Cristina Kirshner com seus judiciários domesticados na marra de certa forma pairava sobre Lula, protegendo-o, neste país que ainda duvida da solidez de suas instituições e só se diferencia dos seus vizinhos mais admirados pela petralha pela resistência de uma parcela da imprensa e pela solitária independência da ponta de cima do Judiciário que é tudo que sobra em pé num ambiente institucional em que tudo o mais – Legislativo, iniciativa privada, estudantes, sindicatos, ONGs, “nova classe média” e o que mais você quiser incluir na lista – “tá dominado”.

Vinha disso o “Deixa quieto!” tácito que prevaleceu até aqui e não de qualquer coisa que os fatos justificassem.

Mas Marcos Valério ressurgiu dos mortos e, agora, Carlinhos Cachoeira também ameaça sair do túmulo atirando.

De modo que não perca o próximo capítulo…

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Honra ao mérito!

22 de novembro de 2012 § 3 Comentários

Nada pode honrar mais um jornalista que o ódio declarado de um picareta.

Durante os 29 anos em que trabalhei nas redações de O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde eu ostentava como condecorações os 32 processos movidos contra nós por Paulo Maluf e as centenas de outros vindos desse mesmo lado escuro da política em todas as camadas do poder e dos quatro cantos do país.

Antes disso, já me orgulhava da invasão de nossa redação por tropas de armas ensarilhadas promovida por A. de Barros, interventor do ditador Getúlio Vargas em São Paulo, seguida da expropriação do jornal, das receitas culinárias e poemas de Camões que pendurávamos orgulhosamente “no peito” (as capas dos dois citados jornais) no tempo da censura dos ditadores militares, das bombas que os terroristas da esquerda e da direita atiraram contra nós e, mais recentemente, da censura ao Estado ordenada por José Sarney.

Para o meu gosto os jornais, revistas e outros veículos jornalísticos que honram sua missão deviam pendurar estrelas sob os seus logotipos para sinalizar esse tipo de conquista que não é coisa de somenos neste mundo onde o dinheiro compra tudo e o poder (ou a esperança de pegar uma beirada nele) passa a mão no que sobra sobre a mesa, pela mesma razão que os times de futebol ostentam as suas conquistas com estrelas adicionadas aos seus escudos.

Nada disso é fácil de conseguir. É preciso suar a camisa e persistir no apedrejamento dos gigantes da má fé até frustrar seus planos e por a polícia no seu encalço para tirá-los de seu cinismo e faze-los acusar o golpe e assinar embaixo.

E que melhor garantia poderia ter o cidadão comum de, ao escolher seu título, estar de fato comprando a arma de legítima defesa institucional que não atira pela culatra que se requer nestes tempos de vale tudo e de granmscianas falsificações que pululam por aí, nas bancas e na internet?

Ser indiciado pelo relator Odair Cunha, do PT, na CPI do Cachoeira no mesmo dia em que ela arranjou a soltura do bicheiro preferido de nove entre dez políticos do presídio da Papuda onde poderia, eventualmente, vir a ser companheiro de cela da alta cúpula do partido do seu benfeitor que o STF mandou recolher das ruas em nome da segurança da Republica, como acaba de acontecer a Policarpo Junior, diretor da sucursal de Brasília da Veja e outros quatro colegas, é uma nova modalidade, agora individualizada, desse mesmo tipo de distinção gloriosa para quem dedica a vida a arrancar a máscara da cara de meliantes poderosos.

Nada supera esse galardão como prova de missão cumprida.

Honra ao mérito, portanto!

A nossa doença

19 de julho de 2012 § 2 Comentários

Pelos dois sentidos da afirmação, não foi por acaso que Carlinhos Cachoeira foi preso dentro da casa que  Marconi Perillo vendeu.

O governador tucano de Goiás recebeu pela casa três cheques de uma empresa controlada pelo sobrinho do bicheiro que já tinham passado antes por duas contas fantasmas das organizações Cachoeira alimentadas pela Construtora Delta. De modo que não ha mais como desculpar a atitude do PSDB de fingir-se de morto e não tomar nenhuma providência contra o seu enlameado particular.

Pensa que está só resistindo a um jogo de cartas marcadas mas está começando a apodrecer como Lula queria. Não existe meia intolerância com a corrupção.

Já a Polícia Federal Productions, que ha anos ouvia todas as conversas do indigitado senhor e filmava todos os seus passos, sabia exatamente quando e aonde ele ia estar quando escolheu o momento do bote.

Ao mesmo tempo (sim, parto de artigo de Dora Kramer) não dá pra acreditar nem por um segundo que a empreiteira campeã do PAC, filho da Dilma, com sede no Rio de Janeiro dos companheiros de cama, mesa e banho (literalmente) de Fernando Cavendish, tenha surgido do nada e se tornado uma das maiores do Brasil agindo exclusivamente em Goiás, como querem fazer crer os gerentes petistas desta CPI da Marmelada.

Assim é que se já não havia nenhuma esperança de bandido com bolso ir para a cadeia pela via do Judiciário neste país onde processos bem advogados morrem como moscas de “vício formal” ou de “anulação de provas”, estamos assistindo agora aos últimos estertores do consolo da “punição política” com a desmoralização final  do recurso às CPIs.

Demóstenes expulso do DEM (e depois do Senado) só confirma que a lei, aqui, só vale pra quem tá longe do poder.

Tudo é feito às claras pois a intenção não é “ganhar” apenas esta parada, é contaminar e destruir instituições; limpar o horizonte de resistências futuras.

E qual era mesmo a parada?

Negar o Mensalão, o esquema em que a Delta da época, SMP&B, do Fernando Cavendish da época, Marcos Valério, lavava o dinheiro que o PT desviava dos cofres públicos para comprar eleições e consciências no Congresso. Ou provar que todo mundo faz igual.

Missão cumprida!

Odair Cunha, do PT de MG, relator da CPI do Cachoeira, é o deputado mais contemplado este ano com verbas do Orçamento Federal (RS 7,2 milhões) porque compactua com a marmelada. O partido de Paulo Maluf, procurado pela Interpol, atualmente sendo julgado na Ilha de Jersey, teve aprovadas em um mês R$ 36,6 milhões em emendas ao Orçamento porque se vendeu ostensivamente a Lula e ao seu candidato à prefeitura de São Paulo em cerimônia transmitida ao vivo e em cores para todo o país. A lambança pré-eleitoral vai toda por aí e não vale a pena ir ao detalhe…

E o PSDB vai se entrincheirando em coiteiro do Perillo.

O Judiciário deu-se o tiro de misericórdia no dia em que o Supremo Tribunal Federal, sob ordens, anulou sua própria sentença e entregou a Lula o perdão do assassino de que ele gosta. O Congresso completará o seu suicídio induzido quando entregar a Lula a sentença encomendada do “só Goiás“. E o último cachorro com que contávamos nesse mato escuro – o poder de investigar (o governo) outorgado ao Ministério Público pela Constituição – está amarrado pelas pernas à espera da paulada final na votação de um recurso num STF dominado que, por enquanto, está 4 a 4.

Lula é a nossa doença. E altamente infecciosa: tudo que ele toca, apodrece.

A infelicidade de ser levado ao ar

11 de julho de 2012 § Deixe um comentário

Leilane Neubarth, dando um show de ventriloqüia com o seu “especialista” de ocasião em cuja boca punha e tirava afirmações com impressionante desenvoltura, saudava a cassação de Demostenes Torres, hoje no final da tarde na Globonews, como “um dia histórico nesta nossa mudança para a democracia“.

Já eu não dou um tostão por mais esta “conquista”.

Transitar por esta nossa Babel, aliás, é um negócio que fica mais complicado a cada hora que passa.

A Rede Globo é macaca velha nessa coisa de produzir noticiários taylor made para cada horário de exibição. Não sei quanto dessa regra ainda são restos dos “territórios ocupados” que há em toda redação, oriundos da construção granmsciana cuja má fé se tornou indesculpável desde que o PT se sentiu a vontade para mostrar sua verdadeira face, e quanto leva o endosso explícito dos proprietários ou, ao menos, a falta de disposição deles de enfrentar a máfia e limpar definitivamente a área.

Mas que a coisa acontece, acontece.

Já faz décadas que a dose de liberdade permitida aos jornalistas da casa nas dezenas de jornais que a emissora apresenta em seus muitos canais e horários é inversamente proporcional à audiência do horário…

Mas deixemos a Globo pra lá.

Dia histórico para a democracia brasileira?

Vamos lá:

  • a estreia de Carlinhos Cachoeira nos jornais televisivos nacionais sob os auspícios da hoje monopolística do segmento Polícia Federal Productions se dá em 2004, na sala contígua ao gabinete do Presidente da República, Luís Ignácio Lula da Silva, em pleno Palácio do Planalto, estrelando Waldomiro Diniz, posto dono das loterias do Brasil pelo intrépido discípulo dos irmãos Castro, José Dirceu, a vender favores para o homem que “em toda a história deste país“, haveria de ser o maior plantador de laranjas da capital federal e cercanias e de lá até o Oiapoque e o Chuí;
  • não se sabe quantos anos antes de 2004 a Polícia Federal Productions já estava gravando os ires e vires do sr. Cachoeira;

  • oficialmente dão-no como dedicado ao jogo do bicho “ha 17 anos”, o que nos põe em 1995, mas ha controvérsias: datam dessa mesma época (2004), entre outros, os episódios estrelando o prefeito de Palmas, hoje acoitado no PT, Raul Filho, aquele que “teve a infelicidade de ser filmado” recebendo dinheiro dele naquele ano mas confessa que já se relacionava com o insigne “contraventor” desde 1994;
  • Raul Filho é um dos fornecedores de alimento à Delta Construções, a stella mater da constelação de empresas do “empresário” em questão, em cuja boca mantém as tetas uma vez concedidas mesmo diante de flagrantes de “malfeitos”, conforme o padrão estabelecido;
  • Leilane e seu “especialista” repisaram muito o “fator agravante” de Demóstenes ter “decepcionado” seus pares porque se apresentava como um paladino da ética na política até o momento em que foi flagrado “malfazendo”, esquecida de que de ex-paladinos da ética na política a Presidência da República deste país está cheia;
  • a “cronologia” do processo de cassação de Demóstenes, devidamente desacompanhado de qualquer das conclusões ou perguntas óbvias que ela enseja, foi o ponto alto da cobertura pois revelava a apurada técnica com que a Polícia Federal Productions mantém o suspense nas novelas que encena: a cada semana uma e apenas uma “revelação”, primeiro a de uma amizade suspeita sustentada por um numero vago (“mais de 300 telefonemas”); depois, um fogão e uma geladeira de presente de casamento; a seguir, R$ 3 mil reais para pagar um taxi aéreo; finalmente a menção à separação de “um milhão do Demóstenes”;
  • enquanto o Senado fuzilava Demóstenes, na Câmara dois petistas (Sande Junior e Rubens Ottoni) e um filo petista (Protógenes de Queiroz), também da lista de infelizes gravados “cachoeirando”, aproveitavam o ruído do tiroteio para safar-se ficando na rede apenas um peessedebista de cujo nome já nem me lembro;
  • seria ocioso, aliás, listar aqui todo o rol de interlocutores contumazes dos rádio-telefonemas e outros parceiros recorrentes das tramóias do sr. Cachoeira, bastando lembrar que inclui representantes de todos os partidos políticos em todas as casas de leis de todos os entes da federação e em todos os níveis do Poder, a começar pela Presidência da Republica cujo Programa de Aceleração do Crescimento – o PAC filho da Dilma – é tocado preferencialíssimamente pela “inidônea” (e convenientemente emudecida) Delta Construções;
  • para terminar, mandam avisar a quem interessar possa que sai Demóstenes e entra um tal Wilder Pedro de Moraes, dono de 24 empresas conhecido do Fisco por seus problemas de memória cuja relação mais próxima com a política está no fato de ter cedido a namorada para ninguém menos que – tchã, tchã, tchã, tchãããn! – Carlinhos Cachoeira!

Que Gloria Perez que nada! Saio dessa novela pior do que entrei, me perguntando onde é que vai acabar essa história sem mocinhos onde nada acontece por acaso e a “infelicidade” não está em ter ou não ter um papel nela mas em ser condenado por juízes nem tão invisíveis assim a ter o seu capítulo escalado para ser levado ao ar.

Constrangimentos? Ha os doces e ha os amargos…

22 de maio de 2012 § Deixe um comentário

Encerrada a exibição da solidez dos “direitos constitucionais” de Carlinhos Cachoeira frente à completa impotência dos quase 200 milhões de brasileiros que ele tem ajudado a assaltar na seção desta tarde da CPI mista da Câmara e do Senado da República, a Globonews especulava com os “especialistas” do costume sobre se é ou não é constrangedor que um ex-Ministro da Justiça do governo Lula, declaradamente interessado em usar este caso como instrumento de vingança contra quem o denunciou em falcatruas anteriores (o Mensalão), atue como defensor “deste homem que pode ser classificado como o maior inimigo da coisa pública na história recente deste país“.

Constrangedor seria se essa palavra não tivesse sido banida do dicionário do lulopetismo, sem dúvida.

Mas com o ex-ministro da Justiça do Brasil é assim: pagou tá novo. E ele é o de menos. Marcio Thomas Bastos sentado à esquerda do bicheiro que desafiava toda uma Nação esta tarde na “Casa do Povo Brasileiro” é só um pedacinho do escracho que se nos apresenta.

Amparando-o por baixo está também o ex-presidente do Banco Central do governo Lula, Henrique Meirelles, e mais o BNDES com 35% do capital + R$ 6 bilhões de reais em “empréstimos” à J&F, essa nem tão misteriosa empresa semi-estatal que em menos de 10 anos evoluiu de açougue de província para potência multinacional pluriespecializada e agora acode pressurosa para “comprar” a Delta Construções que nada mais é que o verdadeiro banco de provas vivas do sistema gigante de falcatruas de que Carlinhos Cachoeira é só a fachada.

Se as escabrosas gravações com que os brasileiros têm sido brindados diariamente como acompanhamento do jantar são, tecnicamente, “apenas indícios” como têm dito os juristas, os contratos da Delta, 108 dos quais com obras do PAC filho da Dilma contêm, preto no branco, as provas concretas da maior safra de falcatruas jamais flagradas na história deste país.

Daí o zelo do PT em mante-los enterrados.

Ainda segurando as pontas do sr. Cachoeira, com toda a cara de pau que deus lhe deu, sentava-se na bancada reservada aos inquisidores (dando mais respostas do que fazendo perguntas) o ex-líder da Câmara de Lula, Candido Vaccarezza, aquele que escreve bilhetes de amor do PT para com o governador Sergio Cabral, do Rio de Janeiro, que foi o criador dessa cobra.

Paira por cima de Carlinhos Cachoeira, portanto, de asas protetoras bem abertas, ninguém menos que Lula em pessoa. E Fernando Cavendish que se cuide porque por muito menos do que ele sabe Celso Daniel acabou desovado num matagal com o corpo varado de balas.

A possibilidade de um desfecho trágico, passados 10 anos de “amaciamento” da moral nacional desde Celso Daniel é, porém, remotíssima.

A aposta de Lula é na “poule de 10” da anulação das provas que o seu bem nutridíssimo Ministro da Justiça já está cuidando de pedir, conhecedor que é, melhor do que ninguém, de que “fazer justiça” no Brasil não é avaliar provas, discutir fatos nem especular sobre culpas e desculpas, é simplesmente impedir o funcionamento de um sistema Judiciário especialmente desenhado para deixar-se docemente constranger a tanto.

Uma baba!

Viva nóis, viva tudo, viva o Chico Barrigudo!

9 de maio de 2012 § 1 comentário

O país que, cheio de indignação, processa um PM por jogar spray de pimenta nos olhos de uma cadela agressiva, praticamente ignora os parlamentares que, diante do maior escândalo de corrupção da história do Congresso Nacional, estão jogando pimenta nos olhos do povo, a quem tratam pior que aos cães, para impedi-lo de ver as provas da bandalheira trancadas na sala-cofre do Senado da República.

Trancar as provas de um crime contra o povo e proibir os seus representantes eleitos de “vazar” para os seus representados o nome de quem os está assaltando, sob as penas da lei!?!!

Uai! Mas não devia ser  o contrário?

No Brasil não é.

E só faz sentido uma coisa dessas passar batida numa casa que funciona na base da maioria se houver mais gente no Congresso com culpa no cartório do que os interessados em expor as dos outros.

Do jeito que a coisa vai, estar na lista dos parlamentares expostos com a mão nas águas da cachoeira já está quase soando como uma atenuante; uma prova de que ele só se envolveu em pecadilhos menores e não na conspiração em torno daqueles de que não se pode nem falar.

Mas não é só.

Enquanto a batota do Congresso defende de braços dados a porta da sala-cofre, lá fora a “turma da limpeza” trabalha freneticamente.

A Delta Construções, que é o ventiladorzão que espalha esse barro, por exemplo, está pondo de lado os testas de ferro. A matriz vai assumir inteiramente a “empresa”.

Que Fernando Cavendish que nada! Passa tudo logo praquele açouguezinho do interior que o dr. Jose Dirceu, o BNDES e os fundos de pensão controlados pela barra pesada do petismo transformaram “numa das maiores empresas do mundo” que, de prosaicos bifes de carne de segunda e miúdos de frango passou a vender até usinas hidrelétricas, passando por tudo que está no meio.

Brasília, terra dos milagres!

Já o Planalto teve reação igualmente inequívoca diante do tsunami de revelações das organizações Delta-Cachoeira: de fevereiro para março, enquanto o Congresso discutia a sua CPMI, quadruplicou o valor das despesas com emendas de parlamentares, elevado para R$ 350 milhões, valor que se repetiu em abril.

E o Judiciário? Este atira no Procurador Geral da República e articula para tirar do Ministério Público, que insiste em encher o saco desenterrando podres, o poder de investigar crimes, enquanto no STF trata-se de baixar o fogo da fervura do Mensalão que está cai não cai na prescrição.

E só pra não deixar a peteca no chão, lá está o presidente nacional do PT, “jornalista” Rui Falcão, aquele bonequinho com cara de chupeta que, toda vez que a gente aperta, pede o “controle social” da imprensa.

E viva nóis, vida tudo, viva o Chico Barrigudo!

O alvo desta CPI

2 de maio de 2012 § Deixe um comentário

Ao fim de nem tão surda batalha pelo “controle” da CPI do Cachoeira assisti, durante o almoço, ao primeiro passo da momentosa “investigação”, com o senador Vital do Rego, que o PT pôs à frente dos trabalhos, recebendo do STF um envelope selado com nove CDs contendo os 40 volumes do inquérito aberto para investigar o esquema. (É porque nossa justiça é sempre tão “econômica” em palavras, recorde-se, que nenhum processo chega ao fim nestes tristes trópicos).

Tudo (menos o que já se sabe) está, ainda, sob “segredo de Justiça”, conforme frisou o ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo no STF.

Vai daí, diz o senador do Rego, “o primeiro e mais importante trabalho será conferir, entre as quatro paredes da ‘sala-cofre’ adrede preparada no Senado, o que já foi e o que ainda não foi vazado de tudo que foi recebido“…

 

O grosso do que vazou, e é só o que as televisões têm para martelar na cabeça do público por enquanto, é o que atinge o falso cavaleiro da esperança do DEM e o governador do PSDB de Goiás, mais a negociação para a aquisição “de porteira fechada” e por preço de ocasião do partido inteiro daquele gordinho, o tal de Levy Fidelix, hoje de propriedade do PT.

Sabe-se também que tudo isso é só o glacê e que o “bolo” mesmo, aquilo que mede a extensão da metástese da doença brasileira em todos os níveis da politica e da administração pública, são as aventuras e desventuras de Fernando Cavendish e a sua “Construtora Delta”, aquela que está para Carlinhos Cachoeira como a “agência de publicidade” SMP&B de Marcos Valério estava para José Dirceu no esquema do Mensalão.

Mas sobre os contratos que este senhor amealhou, relativos a 80% das obras do PAC filho da Dilma, ainda não vazou detalhe nenhum.

O governador do PMDB do Rio de Janeiro (aquele partido do vice-presidente da Dilma), que criou essa cobra e quase morreu picado por ela meses atrás na Bahia, tomou providências cirúrgicas a esse respeito.

O galante Fernando Cavendish é tido e havido como “o rei” da ex-capital federal onde não ha obra que não seja “dele”. Mas o dr. Sérgio Cabral, que se tornou uma das figuras mais translucidamente transparentes da Republica graças às relações de alto risco que mantem com ele sem proteção, só cuidou de tomar-lhe duas desde que o escândalo começou: a reforma do Maracanã, de R$ 789 milhões, e a Transcarioca, corredor de ônibus que vai do Galeão à Barra de R$ 931 milhões divididos com a Odebrecht e a Andrade Gutierrez, ambas do PAC filho da Dilma.

O resto, o que é só Rio com Rio, o dr. Cabral segue esperando pra ver como é que fica.

Tudo, portanto, caminha por enquanto em consonância com o padrão do Novo Brasil do PT onde todo mundo “é” e tem sido filmado e gravado “sendo“, mas ganha o jogo quem tem o poder de definir o que vaza e o que não vaza desse vasto e precioso acervo para o conhecimento do distinto público.

Abrir ou não abrir o pacotão do STF, o acervo cinematográfico da Polícia Federal e, muito especialmente, medir a extensão dos tentáculos da Delta é o verdadeiro nome do jogo.

A ver se, escancaradas as porta do Inferno com a instalação da CPI, será possível seguir controlando a diabaiada…

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