“É proibido proibir”

14 de janeiro de 2011 § 1 comentário

A raiz de tudo está lá atrás: se não ha escolha real; se tudo é “causado” pela nossa história e pelas circunstâncias que cercaram a existência de cada um de nós, nenhum homem merece reprovação, seja qual for a abominação que pratique. Descartado o livre arbítrio, não existe responsabilidade. Não se aplicam os julgamentos de valor. Não ha certo nem errado. Não ha mérito nem há culpa. Não ha crime nem deve haver castigo.

Logo, “é proibido proibir”!

Por todos os lados que se olhe, a geração que acreditou nesse engano está pagando caro pelo seu erro.

Do mergulho da juventude no nada à epidemia da corrupção e do crime, tudo nasce aí.

Mas isso são só as manifestações extremas do fenômeno.

O próprio processo democrático tratou de disseminar essa distorção por todo o tecido social. A crise financeira que afeta todo o Ocidente (e mais que ele) é uma consequência sistêmica desse desvio. Afinal, como eleger-se propondo acabar com a festa numa cultura onde a suprema heresia é ousar dizer “não”?

Foi surfando essa onda que a Europa foi do Plano Marshall ao welfare state cevando gerações inteiras na falsa ideia da desconexão da causalidade entre “ter” e “fazer”; negando a realidade, adiando os ajustes, endividando netos e bisnetos, comprometendo a saúde do mundo.

E com que fúria reage, agora, ao imperativo de cair na real!

E os americanos, então? Estão começando a pagar os 30 anos que se permitiram fechar os olhos para as consequências da revolução tecnológica que enfiou a Ásia no quintal das suas casas, roubando seus empregos, roendo aos poucos o poder de compra dos seus salários.

Quem se proporia a ser “o chato” a chamar a atenção para as realidades desagradáveis? Como se eleger na terra do “Compro, ergo sunt”, senão anabolizando o crédito com doses “generosas” de demagogia política para que a festa continuasse e a conta fosse jogada para algum lugar no futuro, a que finalmente chegamos em 2007?

Ha um longo aprendizado pela frente. O processo de reeducação está só começando. Uma cultura profunda de demonização do “não” subsiste e ainda vai cobrar seu preço. Associada, então, à varinha mágica do computador que produz milagres ao toque de um botão, tende a fazer da menor contrariedade uma derrota insuportável.

Uma parcela ainda crescente da humanidade – a que pode dar-se esse luxo – espera a realimentação automática de qualquer vontade manifestada e toma qualquer posicionamento crítico como anti democrático.

A autoproclamada “utopia googleiana”, que o mundo endossa e realimenta com milhões de dólares por segundo, é a síntese matemática da ideologia do repudio ao não.

“A crítica é anti democrática” – decretam “os fundadores” Larry Page e Sergei Brim. “Nada de julgamentos de valor! Tratemos da satisfação automática de qualquer desejo que ponha o nariz para fora da toca do inconsciente. Diga-nos metade do que você vagamente quer e nós adivinharemos o resto. Mais! Aprenderemos o que você costuma querer para antecipar os seus desejos e empanturra-lo de satisfação. Compre uma vez e nós o faremos comprar sempre. Esboce um vago querer e nós correremos atrás dele para você. Prometemos-lhe doses pantagruélicas, no milésimo de segundo, sem críticas nem perguntas. Qualquer coisa entre o sublime e o ignóbil; qualquer coisa entre o céu e o inferno só é e só vale segundo a quantidade de vezes que é desejada”.

“É proibido contrariar. É proibido reprovar. É proibido resistir”.

(…)

O Brasil está casado com a impunidade.

Aqui não ha corrupção; ha profissionais negociando “governabilidade”. Aqui não ha criminosos; ha “infratores” de regras “polêmicas” (ou “controvertidas”; depende do jornal que você lê). Nem a vida é um valor absoluto. Tudo depende de a quem ela pertencia e quem acabou com ela…

Não ha regra sem exceção nem lei que não possa ser violada.

Os mortos das enchentes de cada verão são parte dessa conta. Pingadinhos nos anos bons; às centenas nos anos ruins; aos milhares quando deus quer, estarão sempre onde vêm sendo colhidos porque “é proibido proibir”.

A enchente nossa de cada verão

6 de janeiro de 2011 § Deixe um comentário

Chegou mais um verão.

Chegou mais uma temporada de enchentes nesta cidade construída à margem de rios em plena rain forest.

Serão mais três ou quatro meses com a imprensa e os políticos atribuíndo “culpas” pelas inundações e consequentes tragédias segundo as suas preferências partidárias e ideológicas.

Prato cheio!

Na rain forest chove forte todo dia no verão. Haverá uma safra farta de tragédias, como tem havido todos os anos desde que a cidade ocupou as áreas que seus fundadores e antigos moradores sempre souberam que são e continuarão sendo dos rios.

Não importa.

A cobrança aos políticos continuará sendo feita pela razão errada. As menininhas da Globo, com suas capas encharcadas, seguirão exigindo “o fim das enchentes” que é impossível entregar. E se sentirão reasseguradas em sua “missão” pelos noticiários internacionais mostrando catástrofes semelhantes pelo mundo afora.

“É o aquecimento global, esse filho do capitalismo!”

Não ha novidade nas enchentes dos rios tropicais, nos terremotos e tsunamis sobre as praias próximas às grandes falhas tectônicas, nos deslizamentos de encostas instáveis, nas secas e nos incêndios que sempre as acompanharam. A novidade é que os lugares onde tudo isso sempre se deu sem que houvesse ninguém para testemunha-lo estão hoje abarrotados de gente, e em geral gente miserável, sem informação ou alternativa que lhes permita precaver-se de sentar praça no centro de mapeadíssimas armadilhas nem recursos que lhes enseje remediar-se dos desastres a que por isso se condenam.

Pior que a deles é a atitude de quem supostamente “sabe das coisas”.

Enquanto jovens urbanóides nascidos e criados na era do video game onde tudo se resolve ao toque de um botão, feitos repórteres, insistirem em se comportar como gravadores com pernas resistentes à tentação de raciocinar com a própria cabeça e desafiar a cantiga decorada que repetem diante da sazonal reedição desses eventos, os políticos que realmente têm culpa no cartório – aqueles que vivem de promover invasões de áreas sujeitas a forças telúricas para depois vender por votos a promessa de regularização e “urbanização” das áreas invadidas – continuarão refestelados na sua impunidade.

O quadro exibido nesta página, pintado por Benedito Calixto no distante verão de 1892, mostra a Várzea do Carmo, hoje centro de São Paulo (a construção em arcos é o Mercado dos Tropeiros, localizado onde hoje está a rua 25 de Março), inundada como fica em todos os verões antes e depois deste que ele retratou. Só que 118 anos atras, quando ainda se olhava para o céu e se respeitava o que se via nele, os paulistanos apenas curtiam essa mudança anual na paisagem sem se incomodar com mais que o crescimento da população de mosquitos que era tudo que essas enchentes acarretavam.

Matéria sugerida por Roberta Eluf

Porque as reuniões do clima são uma farsa

13 de dezembro de 2010 § 1 comentário

Em Cancun, assim como nas 15 reuniões anteriores convocadas pela ONU para discutir o que, em ultima análise, é apenas um efeito da superpopulação, a palavra superpopulação sequer foi mencionada.

No começo da noite de sexta-feira, 10/12, publiquei um artigo sobre a inevitabilidade do fracasso das reuniões sobre aquecimento global promovidas pela ONU, a corrupção que alimenta essa industria nascida da instrumentalização ideológica do problema ambiental e a conivente ausência de senso critico da grande imprensa na cobertura que dá a esse tema.

No sábado, diante das manchetes de todos os jornais do pais festejando um “acordo de ultima hora” alcançado em Cancun, ainda que já convencido, pelas primeiras notícias, de que ele continuava válido quanto à essência do que tinha escrito, tirei o artigo do ar para reavaliá-lo quanto à forma, diante das novidades.

Depurado o noticiário do fim de semana, confirmei que não ha razão nenhuma para modificá-lo, muito ao contrario.

O acordo festejado pelos delegados dos 193 países participantes é, antes de mais nada, um acordo para salvar a sua própria função e garantir os próximos encontros que estavam seriamente ameaçados pelo fato de que, ha três edições da conferencia da ONU sobre clima, não se aprova rigorosamente nenhuma medida referente ao assunto que ela se propõe tratar. E nos anos anteriores aos últimos três todos os raros acordos alcançados foram apenas pró-forma. Nenhum dos países signatários estava obrigado por eles a fazer nada de prático.

Um dos objetivos da reunião de Cancun era aprovar acordos que gerassem “obrigações legais” para os signatários. Apesar de todo o estardalhaço que faz em torno desse tema, a imprensa tradicional omite sistematicamente o fato de que, dos 193 países representados na reunião, conta-se nos dedos de uma mão, se tantos, aquele cujos governos estão de fato obrigados a seguir suas próprias leis nacionais. Que dirá as internacionais. O Brasil, sob Lula mais que nunca, é um exemplo disso. E, ainda assim, comparados aos demais, somos dos que mais lembramos aquilo que de fato é um Estado de Direito.

Esse é um ponto de crucial importância para a configuração da farsa que se encena em torno do tema ambiental porque um acordo “legally binding” obrigaria os Estados Unidos, um dos poucos governos representados em Cancun obrigados a se submeter às leis do seu próprio pais, a tomar providencias reais para reduzir emissões. Nas conferencias do clima da ONU porta-vozes de ditadores ou de governos autoritários que não esperam cumprir o que propõem “puxam” as propostas de cortes de emissões a níveis impraticáveis para quem se dispusesse de fato a implementá-las para provocar sua rejeição e depois acusar esses países de conspiração para destruir o planeta.

Os dois acordos aprovados na ultima hora em Cancun tratam da outra força por traz desse movimento que é o enorme volume de dinheiro que irriga a corrupção em torno desse tema, da qual a comunidade científica é uma das principais protagonistas e beneficiárias.

Ficou definida, para a próxima reunião, o início da discussão sobre a implementação de um multibilionário “fundo verde” para “ajudar países em desenvolvimento a prevenir mudanças climáticas e/ou se proteger delas”, e outro fundo para subsidiar países que se dispuserem a proteger suas florestas. Como sempre, não se tratou do principal que é estabelecer de onde virá esse dinheiro, discussão que consumirá mais alguns anos de reuniões pelo mundo afora.

Ou seja, o que houve foi um acordo sobre a necessidade de haver um acordo para definir quem pagará pelas reduções de emissões, a mesmíssima questão que esteve em pauta nas 15 edições anteriores desse fórum.

O fato de todos os grandes jornais do mundo terem dedicado manchetes bombásticas para tão pouco (o Estadão trocou uma denuncia inédita que comprova a participação do presidente da Republica num dos mais escandalosos esquemas de corrupção em funcionamento no país por esse tanto pouco na sua hierarquia de destaques na primeira página) comprova o outro ponto que denuncio em meu artigo: a conivente predisposição da quase unanimidade dos jornalistas da “grande mídia” de desligar seu senso crítico toda vez que se trata desse tema.

A ultima e maior prova da má fé e da irresponsabilidade com que se empurra essa discussão para o impasse permanente está no fato de, em Cancun, assim como nas 15 reuniões anteriores convocadas para discutir o que, em ultima análise, é apenas um efeito da superpopulação humana que realmente ameaça a continuação da vida na Terra e requer providencias urgentes, sequer se mencionou a palavra superpopulação.

Se nestes 16 anos a ONU tivesse tratado da causa e não do efeito do problema e gasto em educação para um planejamento familiar que leve em conta a sustentabilidade da vida na Terra um centésimo do que se tem gasto para medir o imensurável e atribuir culpas pelos efeitos de menor significação dessa ameaça tão real quanto grave à saude do planeta, muito provavelmente já estaríamos colhendo resultados concretos.

São essas as razões pelas quais decidi manter o artigo abaixo deste como estava e voltar a publicá-lo, apesar do delay em relação ao acordo de ultima hora alcançado pelos participantes da 16a conferencia da ONU sobre o clima para garantir a continuação dessa enganação na 17a.


Ôbaaa! O Brasil vai reduzir seus gases!

11 de dezembro de 2010 § 1 comentário

Terminou hoje (10/12) com o costumeiro e inevitável fracasso mais uma Conferencia das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, desta vez no aprazível balneário de Cancun, no México, para onde acorreram centenas de afortunados funcionários de governantes bem intencionados, sustentados por contribuintes como você e eu pelo mundo afora.

Discutiu-se, desta vez, “a ampliação do Protocolo de Kyoto (que ninguém nunca cumpriu) para alem de 2012 e o uso de um método comum para mensurar, reportar e verificar as reduções de emissões” (que ninguém nunca implementou, entre outros motivos pela razão simples de que, como se vê por esse item, nem sobre como medi-la existe um acordo ou um método estabelecido).

Não obstante essa pequena dificuldade irrelevante, Cancun pretendia emitir um documento incluindo “decisões” nas seguintes áreas, segundo a notícia do site do Estadão (e aqui os parênteses são do jornal): “mitigação (corte de emissões de gases estufa), adaptação às mudanças climáticas (preparação para as alterações inevitáveis que ocorrerão no mundo); financiamento (para permitir que países em desenvolvimento cortem as emissões e se adaptem), transferência de tecnologia; definição de um mecanismo de redução das emissões por desmatamento e degradação florestal (Redd, da sigla em inglês) e mais a extensão do protocolo de Kyoto”.

A Venezuela do coronel Chavez e o Brasil de Lula foram citados na matéria como estando entre os países mais preocupados com a salvação do planeta. Tanto é que o Brasil anunciou na plenária de quinta-feira, dia 9, a assinatura de um decreto que regulamenta a Política Nacional de Mudanças Climáticas, fixando a meta “de 36 a 39% de corte nas emissões até 2020, comparado ao que seria emitido se nada fosse feito”.

Nem 35%, nem 40%. De “36 a 39% do que seria emitido se nada fosse feito”, relevado o pormenor de que não se sabe exatamente como medir, nem as emissões de hoje, nem as de amanhã.

Ainda nos jornais de hoje (10/12), na sequência das “revelações” de obviedades ululantes dos relatórios diplomáticos americanos vazados no Wikileaks, constava que na reunião que precedeu a de Cancun, em Copenhaguen, “os Estados Unidos e a China conspiraram juntos pelo fracasso do encontro”.

Malvados! Não fosse isso o planeta estava salvo!

Pelo amor dos meus netinhos, diria o Silvio Luis! Poupem a minha paciência!

Basta dizer as palavras mágicas – “aquecimento global” – que o desconfiômetro dos jornalistas desliga?! Vale escrever qualquer absurdo; alinhar contradições e incongruências numa mesma frase sem que ninguem – reporter, copy, editor e até leitor – se toque?!

Eu não! Tô fora!

Cada dia me convenço mais que essa obsessão com o aquecimento global só prova mesmo uma coisa: que não ha segmento da humanidade isento de corrupção. É só jogar a carniça que a urubuzada aparece, seja onde for, seja em que meio for. Cientistas ou políticos, tanto faz. Como aliás comprova a sucessão de escândalos que a grande mídia sempre hesita em divulgar, mas que insistem em vir à tona a cada vez que alguém disposto a fazer perguntas obvias resolve levantar o tapete em que se refestela a multidão de “cientistas” que se encostou na sombra desse inesgotável maná.

Nem é culpa deles, aliás. É puro Pavlov combinado com Darwin. Adaptação ao ambiente criado pelos políticos. Survival of the fittest: se o cara apresenta um projeto de pesquisa que tem por objetivo comprovar o aquecimento global, por mais absurdo que seja, ainda que combine a pretensão de medir a volumetria dos gases expelidos nos peidos de todas as vacas da Terra com as oscilações das orbitas de Saturno, chove dinheiro; se faz o contrario, chove porrada.

Mas, afinal de contas, se vamos todos morrer afogados na nossa própria sujeira, vitimas da eliminação da diversidade sem a qual a vida na Terra não se sustenta, que diferença faz se isso vai acontecer com mais ou com menos dois graus de temperatura (a cada século)?

Porque, para atender ao que se classifica como uma urgência (que de fato é), insistir em coordenar a humanidade inteira se ela se distingue por não conseguir produzir dois irmãos, filhos do mesmo pai e da mesma mãe criados na mesma casa e partilhando a mesma cultura, capazes de se entender sobre as questões mais comezinhas? Porque se atirar exclusivamente à missão impossível de reformular cada ato do viver e do sobreviver de cada homem, cada mulher e cada criança de cada raça e cada religião das que se confrontam ha milênios na Terra, e ignorar totalmente a questão essencial e a unica cura possivel para a doença do Planeta que, é claro como água ja foi um dia, é apenas e tão somente reduzir o numero de filhos que pomos no mundo?

Ou alguém acredita honestamente que é possível sustentar 7 bilhões de seres humanos sem agro industria, adubos e defensivos artificiais, produção industrial e consumo em escalas insustentáveis, ocupação de espaços cada vez maiores tomados às outras espécies vivas, poluição cada vez mais avassaladora?

Trocar todo o petróleo que nos sustenta por biodiesel? Que implicação isso teria para a biodiversidade? Que área seria necessária? Sobraria Amazonia alguma? Pulmão do mundo?

Com essa população é claro que não. Se parar onde chegamos já é tarde. Se todos os chineses andassem de carro e comessem três refeições por dia o mundo já não agüentava hoje. Nem precisava incluir os hindus.

O caso é simples, portanto. É preciso fazer uma sistemática campanha mundial para as pessoas terem menos filhos.

Qualquer analfabeto entende isso.

Mas acontece que fazer campanha pras pessoas terem menos filhos não elege nem enriquece ninguém. Apedrejar os países ricos, sim. Bradar contra “o Império” (no momento se arrastando, coitado!), mais ainda.

Armar farsas como essa do milimétrico programa brasileiro de controle de emissões pelo governo que não controla nem os seus próprios aloprados, nem mesmo a roubalheira da ministra que se senta na sala ao lado da do presidente que baixou o tal decreto que pretende reformular todos os aspectos da vida de cada um de nós, não é um esporte popular somente nesta pátria amada da mentira institucionalizada. É assim tambem em toda a nossa vizinhança bolivariana e onde mais interessar vender à patuléia embasbacada, para distrair a fome que é filha da corrupção, a idéia de um mundo dividido entre “nós” e “eles”; “O Bem” e “O Mal”; os “culpados” (pelos nossos fracassos) e os “inocentes”.

Aquecimento global, ou não, é uma curiosidade cientifica a respeito dos mais distantes efeitos colaterais da doença do Planeta Terra, que se chama Humanidade. Mas, com certeza absoluta sintética, não é o meio mais prático e nem, muito menos, o mais honesto de tratá-la.

O problema ambiental somos você e eu

15 de dezembro de 2009 § 8 Comentários

A politização do problema ambiental ainda vai nos matar.

Se não for pela enorme encheção de saco que é ter essa empulhação empurrada goela abaixo em doses maciças pela mídia em peso, será porque degradá-lo à condição de pivô de uma guerra ideológica impede que ele seja tratado com a urgência e a seriedade que ele exige.

Pense bem nessa obsessão de olhar para a coisa pelo discutibilíssimo ângulo climático.

Precisava?

Claro que não. Qualquer sujeito com olhos na cara e algumas gramas de miolo na cabeça que tenha passado mais de meia hora na Terra não precisa de explicação nenhuma para entender que o problema ambiental somos nós mesmos nos multiplicando desenfreadamente nesse planeta onde já não da pra se mexer sem esbarrar em alguém.

Perdoem-me a crueza.

Mas é isso aí. Ninguém morre mais! Todo mundo dura 100 anos. Pode nascer uma orelha. Se der o menor estremeção põem ela numa caixinha, ligam na tomada, e vira mais um pra durar 100 anos comendo, cagando, comendo, cagando, comen…

Discutir infinitamente se isso também afeta ou não o clima é como ficar discutindo a influência das luas de Júpiter e das correntes do Pacífico no processo de digestão da madeira no trato intestinal dos cupins enquanto sua casa é devorada, em vez de simplesmente jogar veneno neles e salvá-la.

Se a depredação e a imundície que espalhamos no planeta não afetasse de nenhuma maneira o clima melhorava alguma coisa? Claro que não. Continuaríamos comendo mais do que o planeta pode repor, sujando mais do que a Terra é capaz de reciclar e requisitando mais espaço do que o necessário para que as demais espécies vivas continuem vivas.

Já é problema mais que suficiente, né mesmo?

Ah, mas isso não serve! E não serve porque superpopulação é um problema de todos nós e, especialmente, dos mais pobres e ignorantes, e ficar apontando isso não ajuda nada em campanhas eleitorais. Pelo contrário. Do papa pra baixo, uma multidão de deformados virá apedrejar quem ousar dizer que o sol desta verdade está aí, brilhando pra todo mundo ver.

Nada disso! É necessário demonstrar que quem está acabando com a Terra é “o modo capitalista de produção”.

E tem outro? A China que o diga…

Mas isso não interessa. Nos grotões do mundo, essa ainda é a linguagem que rende voto. Ta vendo a fumaça que sai da fábrica do seu patrão? Pois é ela! Não é o fato de você ter 12 filhos; de um monte de ecologistas por aí terem cinco ou seis e dessa multidão toda requerer produção em escala industrial…

Só os chineses, que já não cabem mais no quase continente que ocupam, é que foram obrigados a fazer contas e tomar, já, uma providência concreta para resolver o principal. E que providência foi essa? A providência óbvia. A providência que realmente faz diferença. Um filho por casal, gente, ou explodimos amanhã! E é pra valer. Quem tiver mais, vai pagar caro por isso. Dois, no máximo, para a conta ficar zero a zero.

É claro, é cristalino, é direto: menos bocas para comer, menos esgoto pra nos envenenar, menos diversidade a ser destruída para abrir espaço para fabricar a ração que sustenta a praga humana. Tudo se resolve de uma vez.

Tirar o povo da merda, literalmente, é isso seo Lula…

Mas onde fica a luta de classes? O mundo dos bandidos contra os mocinhos? Como sustentar um monte de ONGs para explicar platitude tão evidente? Onde  iriam parar aqueles bilhões de dólares para sofisticadas pesquisas monitorando os Pólos, os oceanos, a estratosfera e os peidos de vaca em cinco continentes ao mesmo tempo? Como ganhar oscares e eleições correndo o risco de ser acusado de ser contra as criancinhas?

É absolutamente sintomático o fato dos três candidatos à presidência brasileiros terem corrido para o circo de Copenhague. É para isso mesmo que ele serve. Lá demagogos do mundo inteiro, notórios por nunca terem cumprido nada do que prometeram, conhecidos por não obedecer lei nenhuma a começar pelas dos seus próprios países, podem sempre jurar mais um compromisso solene com metas que nunca pretenderam cumprir para levar pra casa o troco fácil de dizer que os americanos (aqueles chatos, obrigados a seguir a lei e cumprir o que se comprometem a fazer) é que os impediram de salvar o planeta.

E o mundo que se exploda! Après moi, le déluge!

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