“Sou lúcido, merda! Sou lúcido…”

9 de dezembro de 2011 § 1 Comment

Os leitores do Vespeiro já conhecem a minha obsessão com a alternativa aquecimento global x controle da natalidade.

Meu pai sempre diz que a burrice humana é uma das maiores forças da natureza. E a esta altura do campeonato não ponho isso em dúvida nem por um segundo. Mas o jornalista é um otimista incurável. Não seria possível sê-lo sem sê-lo. Digo, jornalista e otimista. Pois não faria nenhum sentido insistir em argumentar e escrever se não acreditasse, lá no fundo, que a razão tem o poder de mudar as pessoas e as coisas.

Água mole em pedra dura…

É o que nos consola nos momentos de desespero.

E se não ha resgate possível, pensamento que nos assalta com frequência cada vez maior nesta Babel, ainda assim escrevemos para protestar, como o poeta em sua solidão:

Sou lúcido, merda! Sou lúcido…

O Estado de hoje traz um caso emblemático. O colega Washington Novaes, que escreve toda sexta-feira na página 2, é nacionalmente reconhecido como uma grande autoridade em questões ambientais. E hoje ele aborda o inusitado tema da superpopulação … de mortos.

Mas Novaes, como quase todo “ambientalista”, é um homem de convicções. E os “ambientalistas de convicção” não se permitem usar essa palavra – “superpopulação” – nem que lhes caia uma avalanche de gente com seus dejetos sobre a cabeça a cada passo. “Ambientalistas de convicção” que se prezam limitam-se a enfileirar os substantivos e adjetivos que designam as consequências da superpopulação e a recomendar todo tipo de quimera para suprimi-los sem que seja necessário suprimir antes a causa que os produz.

Assim é que ele alinha hoje toda esta lista de sugestões para o tratamento dos efeitos da superpopulação que lhe batem na cara até pelo esquisito viés da morte:

  • a lei passada pelos edis paulistanos ordenando a distribuição em hospitais e serviços funerários de uma cartilha exaltando as vantagens da cremação sobre o sepultamento (errado, demonstrará Novaes!), porque não ha mais lugar nos 22 cemitérios da megalópole para enterrar as 67 mil pessoas que morrem por aqui a cada ano;
  • Franca, no interior paulista, pela mesmíssima razão, está leiloando túmulos abandonados a peso de ouro;
  • Araçatuba, depois de ocupar com túmulos as ruas internas dos seus cemitérios, está levando para ossuários restos mortais não reivindicados;
  • Londres está desenterrando seus mortos e sepultando restos de até 80 pessoas por vez em túmulos comunitários, como nos tempos da peste, “porque a cremação (modalidade preferida por 80% das famílias inglesas) emite gases poluentes que contribuem para as mudanças climáticas“;
  • o embalsamamento, muito em voga nos Estados Unidos de outrora, é pior ainda porque “libera produtos químicos carcinogênicos“;
  • na Geórgia (EUA), a moda é encapsular corpos cremados em bolas de concreto que depois são depositadas junto a recifes de corais para ajudá-los a se desenvolver;
  • na Flórida um esquema de alta tecnologia transforma cadáveres em uma “sopa de aminoácidos e peptídeos que pode tanto ser usada como fertilizante” quanto ser simplesmente atirada na privada e “dirigida para a rede de esgotos, gerando 35% menos  carbono que a cremação(adoro essa precisão!);
  • a Suécia é ainda mais moderna: congela e tritura corpos e os usa como adubo.

Finalmente, destaca ele, 15 países europeus “assinaram recomendação para reduzir as emissões de gases em 50% na cremação até 2012 e em 100% até 2020“.

Mas a tudo isso chama Novaes apenas e tão somente “dramas da urbanização“, o que, assim como a questão das mudanças climáticas, remete àquele modelo iníquo de organização das sociedades humanas e não ao problema essencial do excesso de gente que decorre das imensas conquistas que esse modelo iníquo e sua ciência proporcionaram em termos de qualidade de vida, longevidade e o mais que nós já sabemos.

Para dizer a verdade, no artigo de hoje ele chega a fazer uma rara concessão ao bom senso ao mencionar indiretamente a questão essencial e a única solução possível para ela, ao encerrá-lo com este parágrafo:

O problema por aqui vai ter suas dimensões reduzidas com a queda das taxas de fertilidade e a estabilização populacional dentro de 20 anos”.

Antes do ponto final, porém, retrata-se: “Mas ainda assim estará presente“.

Aquela luzinha no fim do túnel a que os otimistas incorrigíveis sempre nos agarramos quase chegou a brilhar. E lá se foi a minha cabeça…

E se todos os ambientalistas tivessem passado estas três ou quatro décadas em que este tem sido um assunto diário e obrigatório fazendo campanhas pelo controle da natalidade?

E se todos os Al Gore e as bilionárias instituições do ex-mundo rico tivessem investido as centenas de bilhões de dólares torrados para dirimir a dúvida hamletiana sobre se a vida na Terra se extinguirá soterrada no lixo que produzimos até com nossos corpos mortos, com mais ou com menos três ou quatro graus na temperatura média do planeta daqui a um século, ensinando a espécie a refrear a sua própria proliferação em um nível sustentável?

Que importância, afinal, tem o pormenor da temperatura diante da ameaça iminente de extinguirmos toda a diversidade biológica que a continuação da vida requer para plantar a ração cada vez mais sórdida que nos sustenta?

É mesmo possível, em sã consciência, pensar em sustentar os 7 bilhões a que chegamos sem indústrias, poluição maciça, agricultura predatória e queima de energia nos níveis que queimamos hoje ou muito próximos?

É honesto omitir totalmente o pressuposto do problema que se afirma querer resolver?

Então a luzinha se apagou e eu me levantei pensando de novo no poeta, justificado em toda a minha rabugice:

Sou lucido, merda! Sou lúcido…

Um mundo superlotado e duas perguntas aos ambientalistas

25 de outubro de 2011 § 2 Comments

Katia Zero chama minha atenção para a matéria “Seven Billion“, de Joel E. Cohen, publicada ontem no NY Times (aqui).

Alinho os trechos que mais me fizeram impressão:

* A população do mundo chegará a 7 bilhões de pessoas esta semana. O primeiro bilhão demorou desde as origens da humanidade, ha algumas centenas de milhares de anos até o início dos 1800 … o segundo levou mais uns 120 anos … nos últimos 50 a humanidade mais que duplicou indo de 3 bilhões em 1959 para 4 em 1974, 5 em 1987 e 6 em 1998.

* a população do mundo deverá crescer um milhão de habitantes a cada cinco dias até, pelo menos, 2030. A Divisão de População da ONU prevê que haverá 8 bilhões em 2025, 9 em 2043, 10 em 2083.

* em 1950 para cada pessoa acima de 65 anos havia mais de seis crianças abaixo de 15. Em 2070 o numero de pessoas com mais de 65 será maior que o de crianças abaixo de 15 e haverá apenas três pessoas em idade de trabalhar (com mais de 15 e menos de 65) para cada duas fora do mercado de trabalho com menos de 15 ou mais de 65.

* em 1950 havia três vezes mais europeus que africanos abaixo do Sahara. Em 2010 já havia 16% mais habitantes dessa região da África que europeus. Em 2100 deverá haver 5 pessoas na África sub-sahariana para cada europeu

* a Índia terá mais gente que a China um pouco antes de 2020 e a África sub-sahariana mais gente que a Índia antes de 2040.

* Entre 1820, no alvorecer da revolução industrial, e 2008 quando o mundo entrou em recessão, o produto econômico por pessoa aumentou 11 vezes.

* Com a globalização do trabalho o incentivo para que os donos do capital ignorem a necessidade de deter o crescimento descontrolado das populações miseráveis é enorme: salários baixos para um grande numero de trabalhadores significam ganhos maiores a serem capturados.

* a expectativa de vida triplicou para uma média mundial de 70 anos.

* o numero de filhos por mulher caiu de 5 em 1950 para 2,5 hoje. Hoje a população mundial cresce 1,1% ao ano, metade do que crescia em 1960.

* aproximadamente metade da população mundial vive com US$ 2 por dia ou menos. Na China 36% estão nesse nível; na Índia, 76%. Mais de 800 milhões de pessoas vivem em favelas. Um numero similar, com maioria de mulheres, é analfabeto. Entre 850 e 925 milhões de pessoas são cronicamente subnutridas.

* o mundo produziu 2,3 bilhões de toneladas métricas de cereais na safra 2009-2010, o suficiente para sustentar de 9 a 11 bilhões de pessoas, mas só 46% disso chegou a bocas humanas.

* mais de um bilhão de pessoas vive sem um suprimento sustentável de água. Nos próximos anos, as necessidades de água limpa das cidades dos países em desenvolvimento será multiplicada por três

Para não angustiar os meus dois filhos mais do que é inevitável, pergunto aos ambientalistas pelo mundo afora só duas coisas:

* Se você tem mais de dois filhos, com que moral fica batendo na tecla da sustentabilidade e da biodiversidade? Se você está acima da taxa de reposição da população existente você está roubando o espaço de alguma outra espécie viva do planeta já que é óbvio que não cabe mais ninguém nele.

* Se você é daqueles que embarcou na conversa de que o aquecimento global é o maior problema ambiental, me explique porque você acha mais importante gastar bilhões de dólares para provar que vamos morrer soterrados na sujeira que essa multidão toda vai produzir enquanto esgota os recursos da Terra com mais ou com menos dois graus de temperatura média nos termômetros nos próximos 100 anos do que investí-los para fazer campanha pela redução da natalidade já que pode evitar a destruição do planeta e todas as suas eventuais consequências insignificantes diante desta maior, como é essa do possível efeito colateral do aquecimento?

O céu está cheio de rios

29 de junho de 2011 § 2 Comments

Antonio Donato Nobre mostra como a floresta amazônica determina o clima do mundo e outras maravilhas

Enviado por Varlice

Transformando plástico em óleo ou…

15 de junho de 2011 § Leave a comment

Enviado por Lourenço Meirelles Reis

…como a imprensa gasta papel e tempo com bobagens e esquece as coisas que realmente interessam.

Em defesa do latifúndio ecológico

4 de fevereiro de 2011 § 2 Comments

O vale do Yandegaia, Patagônia chilena

Os jornais andam publicando notinhas dando conta da intenção do ministro Wagner Rossi, da Agricultura, de alterar aquela lei idiota passada no ano passado proibindo estrangeiros de comprar terras no Brasil.

Sempre achei que tinha dente de cachorro grande nessa história, que rolou não mais que de repente quando grupos internacionais se movimentavam para tomar posição na corrida pelos bio-combustíveis e pelas commodities brasileiras, bem na hora em que um gigante privado local dava os últimos pontinhos para fechar o seu esquema hegemônico.

Passar uma rasteira nos concorrentes estrangeiros foi sopa no mel naqueles tempos em que gritar “Fora gringo!” era coisa de repercussão garantida e imediata no Itamaraty “bolivariano” de Celso Amorin/Marco Aurélio Garcia.

É verdade que mesmo neste Brasil mais sério da Dilma não existe nada mais improvável que passar da proibição total para programas de conservação do meio ambiente com a participação de capitais internacionais como eu quero propor que se faça também aqui neste longínquo grotão do mundo isolado da modernidade pela barreira da língua onde os dinosauros do ecoideologismo e as velhas viuvas do mundo com fronteiras que ainda se entrincheiram em órgãos públicos, redaçōes e ONGs cevadas com dinheiro do governo reagem em ordem unida se, e somente se, o objetivo final for apedrejar “O Império”.

Mas como ha muito tempo deliberei ignorar todas as provas em contrário que tenho colhido da experiência concreta e me aferrar com unhas e dentes até o fim ao otimismo e à fé na razão sem a qual a prática do jornalismo não faz sentido, vou insistir:

Não ha nada mais absurdo que agir (e legislar) como se fosse possível a um gringo que investisse em terras por aqui arrancar o seu terreno do nosso mapa ou mesmo as benfeitorias nele plantadas e leva-los pra casa debaixo do braço.

A balela do “roubo de biodiversidade” e de segredos dos nossos matos então é mais ridícula ainda. Primeiro porque sem bilhões de dólares em cima e décadas seguidas de pesquisa, experimentação e aplicação intensiva de altíssima tecnologia, nada no mato deixa de ser o que é no estado natural: apenas e tão somente comida para formiga. Segundo porque achar que proibindo gringo de comprar terra vai se impedir que ele contrate índios ou quem mais seja pra catar folhas por aí e mandar-lhe, até pelo correio, promessas de bons princípios ativos é história da carochinha em que nem debiloide embarca com fé.

Douglas Tompkins

Dinheiro gasto em preservação – isto é, para manter uma área intacta como a Natureza a fez – é, portanto, o dinheiro mais desinteressado e mais facilmente nacionalizável do mundo. Não ha rigorosamente nenhum risco de prejuízo que não se possa recuperar integral e imediatamente com uma simples assinatura da autoridade competente.

Muito bem.

O ministério da Agricultura de Dilma, ao que se informa, não baba nem perde a capacidade de raciocinar à simples menção da palavra “estrangeiro”, como ainda acontece em certos arraiais do petismo. “Restrinjam-se as compras dos grandes fundos por traz dos quais estão até governos como o da China. Restrinjam-se as compras dos grandes traders de commodities que querem verticalizar seus esquemas porque uma e outra restrição fazem, sim, sentido. Mas libere-se o investimento privado que vá virar produção, melhoria tecnológica e emprego, venha de onde vier o dinheiro”, é o que diz o novo ministro.

Já é alguma coisa…

Mas se é justificável que o dinheiro estrangeiro venha fazer nossas terras produzirem, não é muito mais justificável ainda, no país que tem dado mostras de que não consegue garantir sozinho a conservação de suas florestas, os alvéolos do pulmão do mundo, não só permitir como, mais que isso, incentivar por todos os meios e modos as compras por capitais internacionais de áreas ainda integras para preservação ou mesmo de áreas degradadas ou já exploradas pela agricultura para devolvê-las à Natureza? Não seria prudente fazê-lo enquanto é tempo, sobretudo neste momento em que o governo prepara a eletrificação da Amazônia, coisa que vai multiplicar vertiginosamente a velocidade e a extensão da devastação?

Parque Pumalin

Andei por 10 dias neste inicio de ano pelos confins da Patagônia chilena, nas cercanias do Canal de Beagle, que está quase exatamente do mesmo jeito que Darwin o viu em 1832.

Na primeira baia chilena na margem Norte do canal, pouco além da fronteira com a Argentina, onde ancoramos por um dia e uma noite, fizemos um extenso passeio a cavalo pela propriedade de um dos muitos bilionários estrangeiros que se dedicam a gastar o que têm de sobra para preservar ou devolver áreas como aquela ao seu estado natural. Trata-se de Douglas Tompkins, dono das marcas americanas de roupas para a prática de esportes de natureza The North Face e Espirit que comprou os 40 mil hectares da bacia do rio Yandegaia, um dos que nascem nas milenares geleiras da Cordilheira Darwin, uma das pontas dos Andes que mergulham na encruzilhada do Atlântico com o Pacífico lá perto do Polo Sul. É uma área que tinha pertencido a um traficante de drogas que precisou de dinheiro para pagar advogados, foi comprada por um grupo de conservacionistas chilenos e depois por Tompkins, que entregou sua gestão à ex-ministra do meio ambiente do Chile. Hoje está aberta ao publico. O trabalho que corre lá neste momento é o de arrancar todas as cercas e construções deixadas pelos antigos proprietários, deter as queimadas para abertura de pastagens e controlar a população de cavalos selvagens descendentes de ancestrais abandonados por fazendeiros derrotados pela aspereza da natureza local, que tomou de assalto o habitat dos pumas, dos guanacos e de outros espécimes endêmicos .

Mais ao Norte, cortando, literalmente, o estreito território chileno ao meio, Tompkins tem outra propriedade de 300 mil hectares de florestas pluviais temperadas intactas que vai da fronteira argentina até o Pacífico e que ele transformou no Parque Pumalin, recentemente declarado Patrimônio da Humanidade, apesar da gritaria dos nacionalistas chilenos que, como muitos que conhecemos por aqui, preferem ver aquilo depredado por conterrâneos que preservado por um estrangeiro.

Joseph Lewis, dono do Hard Rock Café e do Planet Hollywood, Ted Turner, ex-CNN, apaixonado pela pesca de truta com fly, Ward Lay, da Pepsi. Co, e até Sebastien Piñera, o bilionário que se tornou presidente do Chile, estão entre os muitos ricaços internacionais que compraram grandes áreas na Patagônia chilena ou argentina, uma das regiões mais preservadas do planeta, para mantê-las para sempre livres das pressões que vêm empurrando inexoravelmente santuários semelhantes para o extrativismo criminoso, a agricultura intensiva ou a especulação imobiliária pelo mundo afora.

Dinheiro contra dinheiro. A receita que, para o bem ou para o mal, resolve muito mais que conversa fiada. E o que pode ser mais coerente que investir em conservação ambiental sem consideraçōes retrógradas sobre fronteiras nacionais, dinheiro que hoje se ganha comprando e vendendo globalmente sem consideraçōes retrógradas sob fronteiras nacionais?

Douglas Tompkins, um pioneiro da causa ambiental na Patagônia, tem a seu favor um retrospecto que torna indiscutível o seu espírito altruísta e o aprofundamento da sua visão ecológica. É odiado pelos nacionalistas xiitas do Chile como de qualquer modo nunca deixaria de ser. Mas é respeitado e tido como um amigo do país por todo chileno que raciocina e é permeável ao testemunho dos fatos.

Árvores de 3.500 anos em Pumalin

Agora um numero crescente de bilionários segue os seus passos. Sejam quais forem as intenções que os movem – ainda que se trate só de vaidade ou qualquer outra forma secreta de cobiça – uma coisa é certa: eles nunca poderão mover suas propriedades de onde estão nem impedir os governos nacionais aos quais respondem de dar-lhes outra destinação no futuro, se assim decidirem.

Se a intenção é a de preservar, cabe aos governos nacionais condicionar o direito ao latifúndio ecológico a esse propósito e incentivar ao máximo a disposição dos ricos do mundo de financiar a manutenção dessas reservas.

Já os “ecoideologistas” profissionais que continuam preferindo a depredação “soberana” à conservação a cargo de cidadãos do mundo, mesmo diante da crescente ameaça para a sobrevivência da espécie humana, estão apenas dando mais uma prova de que, na sua escala de prioridades, conservar a natureza e manter florestas em pé está onde sempre esteve: nos últimos lugares.

Para charter no barco da foto em Beagle e Patagônia chilena veja Mar Sem Fim

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