Desse jeito os “contra” reelegem Bolsonaro

8 de novembro de 2021 § 39 Comentários

Sejamos curtos e grossos. Só tem uma alternativa: democracia existe quando o povo manda no governo e não existe quando o governo manda no povo; estado democrático de direito existe quando a lei é igual pra todo mundo e o privilégio é crime e não existe quando é ela que cria e faz do privilégio “cláusula pétrea”. Todo o resto da vasta literatura e, mais ainda, da torrente de discursos construídos para “beiradear” essas verdades elementares é tapeação.

É esse o problema dos 3os NOMES que não emplacam para nos tirar da sinuca eleitoral de 2022 porque 3a VIA mesmo nunca houve. Só ha duas e nenhum dos 3os nomes quer mudar o poder de mãos, para as do povo como é da democracia sem aspas. Todos só querem ser eles a presidir o estupro legalizado do favelão nacional.

É a mesma gente para a qual reduzir privilégios da privilegiatura que consome 95% ou mais da quase metade do PIB que os governos arrancam do favelão nacional com a mais alta carga de impostos do mundo (36% nominais mais os quase 10% ao ano de déficits/dívidas para fechar a conta) é “altamente impopular”.

Corte de privilégios, nem pensar! Só de investimentos! Direito arranquirido não morre jamais!” E a cada geração, a reforma vale só pra próxima geração…

É a mesma turma pra quem a “antidemocracia” de uns pede prisão enquanto o “amor à liberdade” de outros se expressa censurando e prendendo. Aquela imprensa que clama contra “o lavajatismo” (usar todos os meios, inclusive os ilegais, para combater a corrupção) mas exige o uso de todos os meios, inclusive o mais subversivo, de “legalizar” os ilegais, para soltar corruptos ou calar quem ousa pensar diferente.

O problema sem solução dessa gente é que, tirante a estupidez granítica quanto a vacinas, que é mais semântica que concreta, fato que à “de esquerda” não interessa esclarecer porque é a que lhe garante a sobrevivência, e a diferente disposição de roubar e deixar roubar que é aritmeticamente demonstrável, Bolsonaro e a privilegiatura “de direita” só são pertinentemente criticáveis pelo que têm de igual e não pelo que mais têm de diferente dela.

A “revolução”, depois que a realidade matou o sonho, caiu nessa bizarrice de gênero, raça e “correção do discurso” — pro Brasil nada! — porque tudo que de fato condena o favelão nacional a permanecer favelão nacional, nem a “direita” nem a “esquerda” da privilegiatura podem denunciar sem denunciar-se a si mesmas.

São eles – do barnabé e do soldado raso ao professor das universidades públicas de rico e aos generais, uns um pouco menos os outros muito mais – com seus empregos eternos, suas mordomias obscenas, suas aposentadorias plenas e precoces, suas legiões de criados e assessores rachadores, sua impunidade, seus “auxílios”, suas lagostas e seus vinhos tetracampeões, que custam a metade do PIB que falta agudamente à mesa do resto do país.

E é também pra que tudo isso fique intacto que o tema ambiental vive atolado na desconfiança sobre as ações propostas pela vasta horda dos profissionais da caça às verbas disponíveis para o assunto e não na discussão sobre a necessidade de ação séria e efetiva, sobre a qual ninguém mais que viva sob estes céus cada vez mais inclementes tem dúvida. O ambientalismo profissional carnavalesco, que quer índio no zoológico, virou um rabo da privilegiatura que, como ela, vive de, e se promove com, dinheiro público, e se quer intocável, inauditável e inimputável como ela.

Os bolsonaros do mundo foram eleitos em função da repulsa das maiorias sóbrias contra a hegemonia arrogante e assumidamente desonesta desse discurso. E o pânico da perspectiva da perda do poder empurrando a falta de diferença na substância entre esses dois lados da mesma moeda, levou a essa polarização cretina que está aí. Grita-se A se Bolsonaro estiver gritando Z, mas passa-se imediatamente a gritar Z se ele concordar em mudar para A.

Não tem acerto. E o favelão nacional é o refém desse ódio.

Como de bobo Bolsonaro não tem nada, é ele quem escolhe o discurso. Empurrado de volta para o Centrão e para a “velha política” de tanto apanhar por tentar nega-la, fica com o de reduzir o preço do gás e da gasolina e como tornar perene o auxílio de R$ 400 para as vítimas da pandemia. Automatica e estupidamente como todos os raciocínios binários que cavaram esse buraco por baixo dos pés do Brasil, ao outro lado, que no ano passado empurrou dos R$ 200 propostos por Paulo Guedes para os R$ 500 impostos por Rodrigo Maia que, numa das manobras de cálculo mais sórdidas dos anais da sordidez, levou aos R$ 600 finalmente replicados por Bolsonaro que quebraram o Brasil, resta o discurso de como impedir o governo de fazer isso acrescentado às acusações de “crime contra a humanidade” que tanto comovem quem vive sob o fogo cruzado do crime organizado pra ver se conseguem levar a eleição com a fome do povo.

E como a este “A ou Z ou A” não ha argumento racional que sobreviva, a conversa sobre o interesse em zelar pelas contas públicas, proteger os acionistas da Petrobras, os donos de precatórios e os futuros investimentos estrangeiros no Brasil, junto com o de “salvar vidas” da CPI canalha de Renan Calheiros, Omar Aziz e Randolfe Rodrigues, não é que não enganam a velhinha de Taubaté. Não convencem nem mesmo o PT.

Assim, se não surgir nenhum lúcido por fora falando em aderir finalmente à revolução democrática e em entregar o poder ao povo, única maneira historicamente conhecida de faze-lo servi-lo, periga a “esquerda” da privilegiatura, que já fez isso uma vez, conseguir reeleger a “direita” da privilegiatura, e assim sucessivamente num nunca acabar, até o Brasil acabar.

Tentando acreditar em Joe Biden

23 de abril de 2021 § 34 Comentários

E cá estou eu mais uma vez procurando empenhadamente razões para beber uns goles do otimismo da imprensa ocidental em peso com a “Cúpula do Clima” de Joe Biden.

A primeira sequência de “chefes-de-estado” que vi desfiarem suas promessas ao mundo parecia animadora. Americanos, chineses, calejados europeus, árabes, russos, ilhéus da Oceania, argentinos, tudo parecia uma mesma procissão de santos bem intencionados. 

Mas o estraga prazeres que insiste em soprar fatos nos meus ouvidos não saia de lá. A maioria desses “representantes da comunidade internacional” não são isso, repetia ele, são só chefes do crime organizado. E muitos são governantes absolutistas. Gente que como os monarcas da Idade Media, declara-se governante eterno e pune com a morte quem desafia esses decretos. Não dá nenhuma satisfação de seus atos a quem quer que seja dentro de suas fronteiras. 

Alguns árabes mandam açoitar mulheres e decapitar oposicionistas em praça pública. Os russos assassinam opositores com dardos radioativos. Os chineses, que têm uma economia tocada a carvão e são os maiores poluidores do planeta (28% do total de emissões venenosas), são também os maiores predadores dos 7 mares com suas frotas pesqueiras semi-piratas recheadas de marinheiros escravos. Greta Thumberg não os vê mas eles estão lá e dizimam em escala industrial as últimas populações de animais selvagens do planeta, que são os que, antes das tecnologias que hoje permitem até identificar cada inimigo do partido único no meio de uma multidão numa fração de nano-segundo, ainda conseguiam esconder-se na água. Mantêm um milhão de Uigur’s e ninguém sabe quantos milhões de chineses outros em “campos de reeducação urbanos”, prisões-políticas verticais que se espalham por todas as cidades do país. Entre esses Uigur, quem não morre, mesmo “reeducado”, é “esterilizado”. Quer dizer, a China de Xi Jinping, conforme apuração do insuspeito NY Times, literalmente “pega pra capar” essa parcela da sua própria população porque ela se declara adepta do islamismo que o Ocidente é acusado de perseguir… 

Vai por aí a pletora dos horrores deste mundo patrocinados por esses bons senhores preocupados com o grau e meio de aquecimento no horizonte das gerações futuras, que fazem promessas solenes de cuja seriedade convencem absolutamente a imprensa brasileira e internacional ambientalmente engajada. 

Xi Jinping mesmo, que só concordou em participar do convescote menos de 24 horas antes dele começar, depois de certificar-se de que Joe Biden seria lhano no trato, disse que “A China está ansiosa para trabalhar com os Estados Unidos para melhorar a governança global. Nós lutamos por uma sociedade mais equilibrada e priorizamos o meio ambiente, queremos atingir nossas metas climáticas … em tempo mais curto que outros países desenvolvidos”. Vago nas próprias promessas foi incisivo com quem foi preciso nas suas: “Vamos restringir o comércio com países que não cumprirem suas metas climáticas”.

Não é para menos. Joe Biden, um dos pouquíssimos governantes do planeta totalmente sujeitos às leis que no seu país são feitas pelo povo, “comprometeu-se” em reduzir suas emissões (15% do total mundial) em 50% até 2030. Isso implica coisas como banir, como ele já se comprometeu a fazer, toda a nova tecnologia de fracking de maciços de xisto que transformou os Estados Unidos de maior importador em maior exportador de energia do mundo, barateando o gás industrial a ponto de promover a volta de industrias que tinham migrado para a China num país que precisa desesperadamente de empregos.

Mas mesmo Biden, com toda a influência que possa ter mediante a criação de incentivos federais, não tem poder para garantir tudo isso. Quem decide essas grandes ações de cunho ambiental, como tudo o mais por lá, é o povo, nas instâncias estadual e municipal. O governo de Nova York, por exemplo, acaba de desenhar um pacote de 3 bilhões de dólares com esse propósito a ser decidido no voto (ballot) nas próximas eleições de 2021.

Finalmente, chegamos a Jair Bolsonaro. A mudança de tom conseguida do presidente brasileiro no tratamento da questão ambiental foi, certamente, a conquista mais formidável da “Cúpula do Clima” de Joe Biden, o que não é pouca porcaria posto que o maior problema do Brasil não têm sido as ações, mas o tom com que Bolsonaro vocifera antes, durante e depois de praticá-las. Para desespero dos apedrejadores domésticos do Brasil, o novo tom da política ambiental, para o meu gosto, esteve próximo de perfeito tanto nas cobranças quanto nas promessas que fez em nome do país que, como ele lembrou, é responsável por menos de 1% das emissões historicamente acumuladas e menos de 3% das acrescentadas à atmosfera todos os anos.

Quanto à promessa de redução a zero de emissão de carbono até 2050 e de 40% do desmatamento até 2030, sou pessimista. O desmatamento no Brasil é, já ha um bom tempo, função exclusiva da corrupção. Não tem nada a ver com o agronegócio como gostariam que fosse os apedrejadores domésticos e os fariseus da velha Europa. Só duas pessoas ganham hoje com a depredação de florestas no Brasil: o madeireiro e o político corrupto que o acoberta (além dos que comerciam as últimas madeiras virgens no “mundo civilizado”, luxo que não é pro bico de pais pobre). 

A redução do desmatamento no Brasil depende absolutamente, portanto, da redução da corrupção, o que é totalmente insano esperar com esse STF que solta os ladrões e prende as polícias. Redução da corrupção é, histórica e planetariamente falando, função exclusiva do aumento de democracia. E no Brasil a democracia está em extinção. 

Das iniciativas de Bolsonaro, portanto, a única que com toda a certeza será cumprida, é a de sempre em se tratando do Estado brasileiro: a do “aumento de recursos” e, portanto, de funcionários indemissíveis e incobráveis acrescentados à legião da privilegiatura.

A questão ambiental, seja pelo viés do aquecimento global, seja por todos os outros, é seríssima. Mas só pode ser endereçada pelo tratamento de sua causa fundamental, que é a superpopulação humana. Enquanto a luta pelo poder – nacional ou global – tiver precedência  sobre o controle da natalidade na questão ambiental, continuaremos matando o planeta.

O mundo que se estrumbique

30 de setembro de 2013 § 5 Comentários

terr1

A ONU apresentou sexta-feira mais um daqueles relatórios sobre o aquecimento global, agora “tomando redobrados cuidados para recuperar a credibilidade perdida” desde que um hacker divulgou, em 2009, e-mails trocados entre os cientistas que indicavam ter sido empregadas doses cavalares de “matemática criativa” para forçar conclusões alarmistas no relatório de 2007.

E, no entanto, as conclusões desta nova edição têm destaques tais como:

  • se antes a certeza de que o aquecimento é provocado por humanos era de 90%, agora é de 95%;terr9
  • se na edição anterior calculava-se que os oceanos subiriam entre 18 (nem 17, nem 19) e 59 centímetros (nem 58, nem 60) até 2100, agora eles subirão entre 26 e 82 centímetros, sendo o espaço entre a 1a e a 2a hipóteses de quase quatro vezes, como da vez anterior;
  • se a temperatura até 2100 ia subir “entre 1,1 e 6,4 graus” (6 vezes de diferença, incluídas as casas centesimais), agora vai subir “entre 0,3 e 4,8 graus” (16 vezes entre a mínima e a máxima!)…

Nunca me canso de me fascinar com esse negócio!

terr10

Se antes de 2009 havia dúvidas, depois tornou-se uma certeza que a história do aquecimento global tinha virado uma indústria e era isso que explicava o ibope que o tema dava. Era uma daquelas palavras mágicas que abriam, ao mesmo tempo, os cofres das instituições internacionais a toda e qualquer “pesquisa” que incluísse “aquecimento global” como seu objeto, e a cabecinha travada dos  jornalistas de manada sempre presa ao atávico pavor de pensar só com os miolos e correr o risco de ser fulminado por um “quiéquiéisso companheiro”.

Mas agora isso acabou e mesmo assim continuam gastando zilhões de bits e toneladas de papel com esse bestialógico.

terr8

Veja bem: eu não sou um eco-cético, como chegaram a chamar todos quantos apresentavam reações lúcidas a essa história. Não duvido, mesmo, que o globo possa até estar a se aquecer em função da interferência humana.

A minha questão é outra. A minha questão é: e daí?

É evidente que a metástese da espécie humana é uma doença potencialmente terminal do planeta, e eu poderia invocar toda a minha experiência de observador ultra especializado da natureza para apresentar as provas que indicam que assim é.

Mas não é necessária especialização nenhuma. Qualquer idiota pode ver, a esta altura, que o planeta não tem condições de sustentar 7 a 8 bilhões de pessoas nos níveis de consumo necessários para uma vida digna para todos e, ao mesmo tempo, manter a bio-diversidade que sustenta a renovação da vida.

terr11

Mais que isso. Não dá pra manter essa gente toda e ter, ao mesmo tempo, sequer um ambiente minimamente higiênico e salubre.

Agora, cretinice maior ainda só pretender que dá pra sustentar essa gente toda sem industria, agro-indústria, combustíveis fósseis, geração de energia com dano ambiental e defensivos agrícolas; pretender que da pra sustentar essa gente toda sem a destruição de todos os biomas naturais, sem o envenenamento paulatino de todos os fluidos de que depende a continuação da vida na Terra e tudo mais que está óbvio que já está acontecendo.

É claro que é urgentemente necessário tomar uma providência quanto a tudo isso, sendo a única providência que pode produzir efeitos remover a causa do problema, ou seja, reduzir fortemente as taxas de natalidade e a quantidade de seres humanos comendo e “obrando” por aí.

terr3

Porque então continuam gastando trilhões de dólares para fazer contas imbecis sobre a temperatura de daqui a 100 anos e ninguém fala em controle de natalidade quando já está óbvio que nos afogaremos em lixo ou, na melhor hipótese, morreremos de tédio olhando uns para a cara dos outros como única e solitária espécie sobrevivente neste planeta que já foi tão interessante, muito antes de chegar lá?

Porque essa discussão infindável sobre apenas um dos efeitos e nenhuma palavra sobre a causa do problema?

E eu mesmo respondo: pela mesma razão pela qual o PT investe bilhões em juntar gelo (de consumo sustentado com moeda falsa) em torno dos termômetros que medem a febre da miséria nacional mas não investe um tostão em educação, a única forma de removê-la de uma vez para sempre.

Porque o que esse pessoal quer é voto e verba e não soluções. O mundo que se estrumbique depois que eles terminarem a festa deles “”.

terr4

Em busca da vaca anaerofágica, ou, Eu não disse que eles não eram sérios?

5 de junho de 2012 § 4 Comentários

De uma olhada na postagem anterior.

Foi só eu falar e a prova veio a cavalo.

Não, não é uma alusão ao cavalinho do símbolo de O Estado de S. Paulo que publicou esta pérola. Com pouquíssimas exceções condenadas aos guetos, a imprensa inteira se põe de quatro e passa a ruminar assim que alguém pronuncia as palavras mágicas “aquecimento global”. E não é só no Brasil.

Eu sei de fonte segura que aqui e ali, dentro das redações que hoje só contratam corredores de revezamento, ainda há um ou outro sujeito que raciocina. Mas, em geral, estão disfarçados. Não têm fome de capim mas se atiram ao assoalho sobre os dianteiros e imitam os demais por medo de perder o emprego porque, com esse negócio de religião, sempre foi um perigo mexer.

O fato é que ha uma má consciência geral e a humanidade em peso acha secretamente que está merecendo o fogo do inferno. E havendo demanda…

Os cientistas e os funcionários desse tipo de banco dispensado de fazer dinheiro, como este senhor Walter Vergara, chefe da Divisão de Mudanças Climáticas e Sustentabilidade do Banco Mundial (BID) que falou ao Estado, pelo menos são pagos para apresentar o seu numero.

Os jornalistas nem isso. Stulticia gratia stulticia. Menos mal…

A brincadeira que proponho é assim: em azul, sublinho frases do jornal e de seu entrevistado; (em vermelho) faço os meus comentários ao trecho. E você decide se eu tenho ou não tenho razão.

Segue então a integra das perguntas e respostas publicadas pelo Estado, escoimadas do “nariz de cera” que esse jornal ainda insiste em querer nos fazer engolir, repetindo nos primeiros quatro ou cinco parágrafos de qualquer entrevista que publica tudo que o entrevistado em pessoa vai dizer nos quatro ou cinco parágrafos seguintes. (Eles ainda hão de conseguir se curar dessa gagueira…)

Cabe registrar, antes de começar, que a Comissão Econômica da América Latina e do CaribeCepal, e o World Wildlife FundWWF, também endossaram o relatório aqui comentado que será apresentado nesta terça-feira, 5, em Washington e no dia 20 na Rio+20, no Rio de Janeiro.

Mas, mesmo assim, o pulso (do meu cérebro) ainda pulsa.

Vamos lá?

Custo do aquecimento global na

América Latina é de US$ 100 bi ao ano, diz BID

Fernanda Bassette – O Estado de S. Paulo

1 – O relatório aponta as perdas de US$ 100 bilhões por ano. De que forma chegaram a essa conclusão?

O relatório fez uma avaliação da literatura científica que identificou os diferentes impactos físicos. E conseguimos também na literatura fazer uma relação entre os impactos físicos e custos associados.. Para alguns impactos conseguimos as informações na literatura, para outros nós fizemos os cálculos. A novidade do estudo consiste em que pela primeira vez temos feito um cálculo de muitos impactos físicos, utilizando uma metodologia similar e colocando os custos financeiros em uma moeda que possa ser comparativo. Os custos foram calculados para dólares. Em resumo, fizemos uma avaliação de todo impacto físico com base na literatura e colocamos tudo em uma forma que fosse compatível para toda região.

2 – Quanto tempo demorou o levantamento?

Não demorou muito. O relatório começou a ser feito em dezembro de 2011 e conseguimos finalizá-lo agora, no início de junho.

(Repararam no detalhe? O tal “estudo” do banco consistiu em compilar a lista de ameaças constante “na literatura existente” sobre aquilo que continua sendo apenas uma hiper controvertida hipótese a ser confirmada daqui a 100 anos, e calcular todos os valores aventados nessa “literatura” em dólares pra que todo mundo possa fazer a sua própria conversão.

Agora, pense um minuto: que banco, senão um que não tenha de se preocupar em sobreviver num mercado competitivo, poderia se dar o luxo de manter, desde já, uma divisão inteira “de Mudanças Climáticas e Sustentabilidade” que talvez, e apenas talvez, venham a ocorrer daqui a 100 anos? E como justificar tal emprego e mais os dos autores da tal “literatura” senão, como este chefe de divisão que O Estado entrevista, fazendo acreditar a qualquer custo que tal hipótese de fato se realizará?)



3 – Os dados serão apresentados na Rio+20?

Sim, será apresentado no dia 20 de junho na Rio+20, num evento especial no Hotel Barra Windsor, às 9h.

4 – O relatório aponta que os investimentos em adaptação significariam 10% dos prejuízos de US$ 100 bilhões ao ano. Que tipo de ações seriam necessárias para reduzir os impactos ambientais?

Depende dos impactos. Por exemplo: o derretimento dos glaciares, nos Andes, trazem um prejuízo financeiro muito alto para as populações locais. Mas o derretimento pode ser compensado com algumas ações de adaptação para conservar a retenção da água no solo, nas montanhas, e também a construção de reservatórios de altura para aumentar a capacidade de armazenamento dessa água. No Brasil, temos um problema muito grave que é a perda de capacidade dos reservatórios hidroelétricos.

(Mas apesar da pertinente ressalva, o sr. Vergara já sabe que, sejam quais forem os impactos de daqui a 100 anos, as “adaptações” para preveni-los desde já importarão em apenas 10% do total dos prejuízos que haveria se a hipótese se confirmasse um dia…)


5 – O estudo inclui uma avaliação dessa perda, e haverá uma perda da capacidade de geração de eletricidade. O que pode ser feito?

Se você não faz adaptação, os impactos físicos vão repercutir num prejuízo de disponibilidade de energia elétrica no Brasil. Nesse caso, uma medida de adaptação muito simples é trabalhar em bacias altas, acima dos reservatórios, fazer reflorestamento, conservar os bosques nessas áreas para que eles consigam reter a água e diminuir o impacto físico da perda de energia firme. Se você consegue conservar os bosques e reflorestar nas partes altas, você consegue diminuir a velocidade de escoamento das águas. Quando chove muito forte a água vai transbordar, não vai ter capacidade de armazenamento adequada, e com a conservação dos bosques você consegue diminuir o escoamento e armazenar no solo. Isso aumenta a capacidade dos reservatórios de manter a água para geração de eletricidade. Com a mudança climática, tem chuvas muito intensas. Essa água escorre e chega no mar rapidamente.

(Não vamos nos deter nos pormenores porque apenas os absurdos e contradições contidas nesta resposta dariam para encher toda a memória que me resta no WordPress. Fiquemos só com essa “adaptação muito simples” que requer, além, é claro, do principal de que nunca se fala que é prescindir de alguns pares de bilhões de seres humanos que disputam esse espaço para plantar sua ração, substituir-se à natureza e “plantar e manter bosques” nas áreas onde eles mais fazem falta como, por exemplo, o semi-árido nordestino, que já levava esse nome, não por acaso, alguns séculos antes do BID ou da primeira industria no Brasil existirem…)

6 – Esse tipo de ação é suficiente para diminuir o impacto do aquecimento?

O aquecimento vai acontecer. O que você precisa é se adaptar com medidas de ação para diminuir o impacto físico. Tem outras medidas de adaptação que talvez sejam mais fáceis de discutir. O aumento do nível do mar, por exemplo, vai ter um impacto em toda a costa do Brasil e da América Latina porque vai atingir cidades costeiras e estradas que ficam ao lado do mar. Muitas áreas poderão ser inundadas. O que fazer? São duas opções: você pode planejar a longo prazo e fazer novas obras de infraestrutura terra adentro, mais longe do mar. É uma medida de adaptação que vai prevenir prejuízos futuros.

Mas você pode dizer que não pode mudar uma cidade, nem mudar o local de uma rodovia. Outra medida seria construir uma defesa física para que essas cidades ou essas rodovias não sejam afetadas pelo aumento do nível do mar.

(“O aquecimento vai acontecer” ou o departamento que chefio no banco teria de desaparecer, deveria ter completado o sr. Vergara. E faltou lembrar  também que, na feliz hipótese disso tudo vir a acontecer, “vai acontecer” num montante de 2 graus a mais na média da temperatura do planeta e daqui a 100 anos. As providências “simples” que ele recomenda, contudo, devem começar a ser tomadas já…)

7 – Que tipo de defesa física, por exemplo?

Bom, a rodovia poderia ser levantada. Ficar mais alta. A cidade é muito mais complexo e vai precisar de defesas físicas como está acontecendo na Holanda, por exemplo, onde temos barreiras de contenção para impedir a entrada do mar na cidade. Isso possivelmente vai ser necessário por aqui.

(A Holanda, não custa lembrar, passou a existir com o tamanho que tem hoje porque roubou certas baias ao mar que sempre esteve onde está hoje, muito antes de haver qualquer “emissão de carbono” a custa de queima de petróleo ou qualquer outro “culpado” pelo aquecimento futuro definido “na literatura” em cuja infalibilidade o sr. Vergara acredita tão literalmente quanto um carismático acredita na Bíblia ou um fundamentalista islâmico acredita no Corão.)

8 – Se a América Latina e o Caribe contribuem só com 11% das emissões, por que são regiões tão vulneráveis?

Porque o aquecimento é um fenômeno global. Se um país produz muitas emissões, essas emissões vão afetar todo o planeta, não importa se estamos no Brasil ou no Vietnã.

9 – Quais são os principais prejuízos para esses países?

Um bom exemplo é a produção agrícola na América Tropical, Brasil, Bolívia, norte da Argentina. Todos eles vão sofrer com o aquecimento porque por um lado as condições climáticas mudam e a lavoura agrícola terá de se adaptar. Naquela área onde era possível plantar soja, por exemplo, terá de mudar e encontrar sementes que consigam se acomodar às mudanças de temperatura e umidade que vão ser resultado das novas condições climáticas.

(Nas respostas às perguntas 8 e 9 subjaz o ponto enfatizado na postagem anterior: a culpa não é nossa, é dos ricos que “emitem” muito mais. Nós somos só as vítimas que vamos pagar com a fome pela ganância deles. Um “eles” dentro do qual, diga-se de passagem, incluem-se também e principalmente os plantadores de soja e quejandos do pérfido “agronegócio”…)  

Os prejuízos são muitos e o relatório aponta essa queda de produção agrícola, queda da produção de energia elétrica, inundação das áreas costeiras, branqueamento dos corais, o derretimento dos glaciais. Muitos impactos físicos.

(E embora o desastre ainda esteja por acontecer, na melhor hipótese ao fim de 100 anos como diz a primeira frase da resposta à pergunta 6, os prejuízos já estão todos presentíssimos…

Felizmente para todos nós e especialmente para o sr. Vergara, o BID está aí vigilante, com todo o seu departamento gastando preventivamente no presente para garantir que pareça sempre iminente o possível desastre futuro.)

10 – Em quanto tempo acredita-se que haverá esse aumento do nível do mar?

A literatura científica conclui que nesse século o nível do mar pode aumentar mais de um metro, quase dois metros. Essa é a literatura mais recente. Então, quando vai acontecer ninguém sabe, mas nós esperamos o aumento de um metro ainda neste século.

(Assim como a Terra já esteve no centro do Universo e O Profeta reencarnará, e morte a quem discordar…)

11 – Em quanto tempo o senhor acha que esse investimento deveria ser feito para reduzir os danos?

A minha sugestão é que esses investimentos em adaptação tem de ser feitos o mais cedo possível porque o processo de adaptação toma muito tempo. Imagine um país como a Guiana, em que a capital está um pouco abaixo do nível do mar. Imagine que o nível do mar vai aumentar e se as pessoas que moram na área costeira desse país não se prepararem com antecipação, vão sofrer muito com as consequências. Os países têm de iniciar os processos de adaptação agora mesmo. Já. Ontem. Precisam planejar com muito tempo e identificar quais são as ações mais efetivas para reduzir os danos da mudança climática.

(É nada menos que comovente a pressa do sr. Vergara em salvar as nossas almas…)

12 – Mas esses países são mais pobres, estão em desenvolvimento. Como adequar esse tipo de investimento à realidade de cada país?

Os países da América do Sul e da América Latina em geral são países que têm muitas prioridades de investimento em saúde, educação, habitação, todas as coisas essenciais para o desenvolvimento. Esses países tem muitas necessidades nessas áreas. Os prejuízos da mudança climática serão uma demanda adicional para os poucos recursos financeiros que esses países têm hoje. Por isso esse é um desafio muito importante para o desenvolvimento futuro. Como colocar o dinheiro que tem muitos usos básicos nessas ações, o que podemos fazer? Eu não sei a resposta para essa questão, mas o que eu posso dizer é que sem o processo de adaptação os prejuízos serão ainda maiores.

Uma coisa muito importante para evitar prejuízos ainda maiores ao planeta como um todo é reduzir as emissões rapidamente. O relatório faz um cálculo dos custos financeiros associados à diminuição rápida de emissões na América Latina. E a gente calcula que será necessário investir outros US$ 110 bilhões por ano para reduzir as emissões da América Latina do estágio de hoje para 2 toneladas per capita para o ano 2050. O cálculo que a gente fez é a única forma para ter uma chance de manter a temperatura para não mais de 2º para cima da temperatura normal. Para que o planeta não se esquente (sic) mais do que 2º neste século. Para fazer esse esforço, para reduzir as emissões, a gente fez o cálculo e os países da América Latina teriam de investir US$ 110 bilhões ao ano – coincidentemente a mesma figura do prejuízo estimado, de ao redor de US$ 100 bilhões ao ano.

(Sentiram firmeza na precisão? Pois é…

É caro mas, fazêuquê?

E, claro, nem uma palavra sobre a causa de tudo, que é a superpopulação e sua consequência mais direta, mais triste e mais ameaçadora que é a redução da diversidade biológica. Muito menos criar no BID um Departamento de Educação para o Planejamento Familiar ou coisa parecida. Isso desconcentra o investimento e dificulta as mordidas nesse bolo. De modo que façam filhos que depois a gente vê…

Pra ficarmos só no folclore, enfim, o resumo é o seguinte: vamos continuar enchendo o mundo de vacas pra essa gente toda poder comer, mas vamos tratar de impedi-las de peidar.)

Acorda, gente! Esse pessoal não é sério!

4 de junho de 2012 § Deixe um comentário

A população da Terra era calculada em 250 milhões de pessoas no Ano 1 da Era Cristã. Passou para 500 milhões em 1500.

1500 anos para dobrar.

Por volta de 1800 chegou a 1 bilhão de habitantes.

300 anos para dobrar.

Em 1922 atingiu 2 bilhões de pessoas.

122 anos para dobrar.

A esta altura fazia um bom meio século que já não era possível sustentar todos sem produção em escala industrial.

Em 1975 chegamos a 4 bilhões.

53 anos para dobrar.

Nos 13 anos seguintes (até 1988) houve um acréscimo de mais 1 bilhão. Mais 11 anos (1999) e somamos outro bilhão à conta. Total: 6 bilhões.

Neste ano da graça de 2012 chegamos a 7 bilhões de habitantes do planetazinho azul.

Seremos 8 bilhões em 2015 (e terão sido 40 anos para dobrar de novo se nada for feito), e 9 bilhões em 2050.

Quando a Rio 92 estava se reunindo pela primeira vez no Aterro do Flamengo, 20 anos atrás, nós éramos 5.478.595.455.

No momento do início da Rio+20, seremos 7.052.135.000.

1.600.000.000 de pessoas foram acrescentadas à conta entre uma festividade e outra.

E, no entanto, nem na Eco 92, nem na Rio+20, “superpopulação” é o tema central da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável. Na verdade esse assunto mal chega a ser mencionado nos debates que essa entidade promove.

Continuam com aquela coisa do “aquecimento global”, gastando trilhões de dólares para investigar até quanto os peidos das vacas contribuem para a hipótese de termos 2º centígrados em média de aumento na temperatura global nos próximos 100 anos, e em quantos centímetros subirá o nível dos oceanos se isso acontecer.

Se entre a Eco 92 e a Rio+20 tivessem investido 1% do que foi gasto “pesquisando o aquecimento global” para fazer campanhas e programas de educação em massa para as pessoas terem menos filhos já teríamos a questão ao menos sob controle.

Mas não.

Enquanto fazem filhos muito além da conta da reposição ou da redução da população humana na Terra, ecologistas, cientistas ávidos por verbas “para pesquisas” e os governos dispostos a fornecê-las a ambos mas apenas para as pesquisas e as campanhas “certas” (apedrejando o dito “aquecimento global”), seguem sugerindo ao mundo que a causa dos nossos problemas são os efeitos da superpopulação (dos quais o aquecimento global pode ser que venha a ser um) e não o contrário, e como se fosse possível alimentar 7 bilhões de bocas sem massacrar a diversidade biológica, produzir em escala industrial ou gerar o lixo e os dejetos correspondentes.

Isso acontece porque superpopulação é uma questão que não comporta controvérsia ideológica e aponta mais para os pobres que para os ricos, o que não é nada bom para eleições, enquanto o “aquecimento global” sim, põe os ricos no banco dos réus e condena o “modo capitalista de produção” sem o qual seria impossível essa multidão sobreviver. Ou seja, desculpa a maioria (e mais os corruptos que estão pendurados na ponta do fio dessa meada) e culpa a minoria (a “zelite”, os ricos, os gananciosos) como convém à boa matemática eleitoral.

Ha sinais positivos nos esforços privados que vêm sendo desenvolvidos nos últimos anos para conseguir energia limpa e melhores formas de tratamento dos dejetos mas, bem feitas as contas (que a imprensa costuma evitar a todo custo mencionar), todas as pessoas honestas entendem imediatamente que isso só adia um pouco o desastre.

Solução mesmo, só diminuindo a quantidade de gente na Terra.

O fato dessa conferência reunir “mais de 100 chefes de Estado” – ou seja, políticos profissionais “de sucesso” que é a variedade mais tóxica dessa erva daninha – já deveria bastar para todos quantos vivem sob “chefes de Estado” e ainda não foram lobotomizados entenderem que isso não é sério.

Mas como parece que não basta, eu repito:

Acorda, gente! Esse pessoal não é sério!

Onde estou?

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