Quando o STF e sua ética de máfia viram fábula
28 de setembro de 2026 § 1 comentário


Há frases que dizem mais sobre quem as pronuncia do que sobre quem se pretende atingir. Seria o caso de alguém afirmar, em ambiente de toga e liturgia, que “até a máfia tem ética”. Isso não soaria como uma reprimenda, mas sim como uma confissão de método. Porque a máfia tem, de fato, uma ética, e convém conhecê-la.
Assim o jornalista Hugo Studart inicia o preâmbulo de uma fábula que publicou no portal Poder360 sobre nossos supremos ministros. Ele continua…
A ética da máfia não é a da verdade. É a da lealdade. Seu primeiro mandamento não proíbe o crime; proíbe a delação. Seu pecado capital não é o desvio, mas a luz acesa sobre ele. Diante de uma acusação, a organização nunca raciocina assim: “Fomos acusados. Vamos explicar o que aconteceu”. O raciocínio é outro: “Fomos acusados. Quem teve a desfaçatez?”.
Em seguida, o autor contextualiza o caso…
No centro dessa fábula, a clássica distinção de Max Weber (1864-1920) entre a ética da convicção (aquela pautada por princípios morais e pessoais absolutos) e a ética da responsabilidade (quando o agente público tem de ponderar os efeitos reais de suas decisões antes de agir) foi tragicamente transmutada pela realidade da vida na ética da conveniência, na qual se amolda o rito ao sabor do compadrio de bastidor. Ou seja, uma corruptela do maquiavelismo vulgar, no qual os fins justificam os meios.
E, então, começa a fábula…
Imagine-se, só como exercício de ficção, uma certa famiglia. Um banqueiro em apuros descobre que certas portas se abrem melhor pela cozinha, a porta do fundo. Aproxima-se de um homem poderoso, cuja consorte mantém um escritório de advocacia. O escritório passa a receber R$ 3 milhões por mês, durante 3 anos, para organizar “5 núcleos” de atuação perante o Judiciário, o Ministério Público, a polícia, o Banco Central e o Legislativo.
A história, claro, é cheia de coincidências, como se assume no final, dando margem para alguma reflexão sobre Dinos, Gilmares, Alexandres e Zanins…
Qualquer semelhança com instituições reais é, evidentemente, mera referência. Mas coincidências, quando se repetem em sessão pública, com transmissão ao vivo, costumam ter outro nome.

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