Gilmar tenta nova manobra para melar julgamento de Moraes

28 de setembro de 2026 § 3 Comentários

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu hoje a suspensão do julgamento sobre a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes até que sejam identificados todos os magistrados citados nas apurações relacionadas ao caso Banco Master.

A proposta consta da questão de ordem que o decano do STF apresentou na fatídica sessão extraordinária que teve o pedido de vista de Dino. Ele divulgou o documento apresentando quatro medidas que, na avaliação dele, devem anteceder a retomada da análise do mérito.

Para o decano, as 52 mensagens trocadas entre Vorcaro e seu colega ou os contratos fechados pelo escritório da esposa dele com o ex-banqueiro em um total de mais de 180 milhões de reais, incluindo cotas de um jato particular e um helicóptero, ainda são insuficientes para iniciar uma investigação.

Estrategista da tropa de choque que sabe que a queda de Moraes significa a ruína do atual regime de exceção no Brasil, assim como o próprio inquérito das Fake News, Gilmar propõe reunir em um único processo as apurações sobre Moraes e sobre a atuação de André Mendonça no caso Master; redistribuir os dois processos por sorteio de relator; identificar os magistrados que aparecem nas investigações e sobre os quais haja indícios de recebimento indevido de valores; e abrir prazo para manifestação do procurador-geral da República e dos citados.

Para o ministro, que não se incomodou com o voto de Moraes na última sessão extraordinária sobre a abertura de uma investigação contra si, “enquanto não se souber quais integrantes desta Corte foram mencionados e em que condição, não se saberá quem pode votar e quem se acha impedido nos feitos correlatos”. Ele endossa a proposta de outro membro da tropa de choque do regime, o lulista Flávio Dino, para que a Secretaria Judiciária faça esse levantamento, afirmando que “apuração parcial é apuração viciada, porque o recorte do objeto já constitui, ele próprio, um juízo prévio sobre o que merece e o que não merece ser esclarecido”.

A questão de ordem dedica parte da análise ao ministro Kassio Nunes Marques. Sem nunca ter feito isso com Moraes ou Toffoli, Gilmar cita mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, trocadas com Luiz Rennó, então diretor jurídico da instituição.

Apesar do viés e da clara intenção protelatória de sua questão de ordem, Gilmar também critica a condução das investigações por André Mendonça, relator de procedimentos relacionados ao Banco Master, mais uma vez atribuindo à sua condução um “inequívoco viés político-eleitoral”.

O julgamento está interrompido desde 15 de setembro, quando o plenário chegou a 4 votos a 3 pela manutenção, em processos separados, das análises envolvendo Moraes e Mendonça.

Flávio Dino pediu vista e interrompeu a discussão. Dois dias depois, o presidente do STF, Edson Fachin, retirou de pauta o julgamento sobre a atuação de Mendonça, que estava previsto para 23 de setembro.

A questão de ordem de Gilmar será apreciada pelo plenário quando o julgamento voltar à pauta.

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