Agora é só na força bruta

19 de abril de 2021 § 31 Comentários

A pandemia estabeleceu “de jure” a verdade que já vigorava “de facto”. 

O assalto vem de longe. Contra a lei, primeiro. Automatizado em função da impunidade, depois. Institucionalizado e perpetrado à mão armada de lei mais além. Agora perderam os últimos pruridos de vergonha na cara. Autorizados pela imprensa, mentem na cara do povo com a desfaçatez de quem já não tem qualquer resquício de respeito por ele.

Voltamos à lei da selva. Ao império da força bruta. Não há regra nem verdade estabelecida. Acabou-se o privilégio do que está escrito nos códigos. Tudo que tiver sido dito pode ser impunemente desdito. Estão oficialmente banidos o senso comum e a lógica. Não há mais porque argumentar.

Seja o que quiser, na hora que quiser ou desquiser, cada um dos 11 monocratas. 

Eleições pra que? Aos representantes eleitos do povo na Câmara chutam a bunda: “Algeme-se”! “Prenda-se”! “Cale-se-lhe a boca”! Aos do Senado dão cascudos na orelha: “Agora isto”! “Agora aquilo”! Abraçam a Lei de Segurança Nacional da ditadura – até ontem “a maldita” – que, limpa da gosma retórica com que os odoricos paraguassus do juridiquês defendem mais esta empulhação nos jornais, querem de tal modo reformada que possa ser usada contra mas não por Bolsonaro e os bolsonaristas.

E porque não no país que aceita como “estado democrático de direito” a constituição que cria e petrifica a privilegiatura explícita e literalmente sustentada à base de “lagostas e vinhos com no mínimo quatro premiações internacionais” pelo favelão nacional reduzido a cozinhar a lenha as migalhas que lhe sobram para por no prato?

O Brasil não chega a ser um país politicamente selvagem. Ha passividade demais para comportar esse adjetivo. Somos apenas primitivos. Pré-iluministas. Saltamos os séculos 18 e 19 das revoluções democráticas. Vivemos na desesperança absoluta e conformada da Baixa Idade Media em que a religião é o único consolo contra “o inevitável”. 

Nobreza e povo escondem-se um do outro. Qualquer contato acaba em mordida. Somos os filhos da censura. No início era proibido o papel. Que dirá escolas e livros! Depois os computadores. Agora temos Alexandre, O Pequeno, e o soviete do jornalismo partidário para os quais os herdeiros da imprensa nacional fabricam a corda da qual pende o país pelo pescoço. 

Todo mundo sabe o que não quer mas ninguém sabe o que é democracia. E é proibido mostrar as que existem. Somos a anti-Ásia. Não temos nada a aprender com ninguém. Aqui é só “nóis-com-nóis”…

Obtido o “consenso passivo das classes dominadas”, como queria Gramsci, a esquerda antidemocrática deixou de lado o chororô dos “anos de chumbo” e da “luta pela democracia”. Sente-se segura para assumir-se como o que sempre foi. “Censure-se”! “Prenda-se”! Arrebente-se”! desde que a gente do lado certo. Já a “esquerda democrática” tem vergonha do que é. Vive sob a síndrome do “renegado Kautsky”. Acha-se bunda-mole por hesitar em matar. Ao primeiro “quiéquiéisso companheiro” borra-se toda. 

“Direita radical”? Não é mais que um rito de invocação. Meia dúzia de fugidos do museu. Nenhum deles recebe indenização do Estado. Ninguém está preso por “ofendê-los”. Mas uma menção ao AI-5 é mais “ação antidemocrática”, nos altos templos da mentira nacional, que festejar, condecorar e financiar a fundo perdido com os bilhões negados ao favelão nacional todas as ditaduras e genocidas sobreviventes no planeta. 

E cá estamos nós: 

Com uma só penada lá se foram o Poder Judiciário inteiro, ameaçado de prisão nas pessoas dos 9 juizes das três instâncias que o tribunal bolivariano “cancelou”; o Código Penal; o Código de Processo Penal; a Constituição dos Miseráveis; a Câmara, presa e arrebentada mas mansa, e sua Lei da Ficha Limpa; o Senado de orelha puxada e com Renan Calheiros dando as cartas de novo; a Declaração Universal dos Direitos do Homem com suas liberdade de expressão, devido processo legal e igualdade perante a lei.

Se fizeram tudo isso peitando os 57 milhões de votos que disseram “NÃO” ao “maior assaltante de todos os tempos”, conforme descrito pelo Banco Mundial, o que não farão com ele posto de volta na Presidência da República pela eleição sem recibo?

§ 31 Respostas para Agora é só na força bruta

  • Herbert Sílvio Augusto Pinho Halbsgut disse:

    No texto de hoje, penso que O Fernão não está , nem é pessimista, apenas descreve a realidade dura e crua do Brasil, à la Nelson Rodrigues.
    Todos nós já sabemos, por experiências passadas em muitas outras eleições.que os resultados, em 70% dos casos, já são esperados – tal o cerceamento que fazem nas candidaturas, privilegiando gente pouco cândida e que dá votos para o partido – e 30% fica por obra do acaso, para distrair a galera eleitora patriótico-ufanista, que acredita que alfaiate pode se transformar em encanador exímio, da noite para o dia, sem preparo, estudo e experiência na vida real.
    Repararam os tipos candidatáveis que há tempos vem sendo apresentados ao “favelão nacional” como solução mágica para reconstruir o Brasil das cinzas? Muito improviso?
    Será que não perdemos a chance de lançar o grande filósofo brasileiro, “Chacrinha”, à presidência da República; pelo menos assim já saberíamos claramente que ele não viria para explicar, mas confundir? É piada, claro, e ao Abelardo Barbosa no seu descanso eterno peço vênia, mas penso que até daria em alguma surpresa, porque ele saberia a diferença entre o palco, ou o estúdio, e um gabinete presidencial, agindo com atitudes como dar buzinadas no STF, no Congresso Nacional, em Assembleias Legislativas e miríades de Câmaras Municipais – estas que estão aí chupando nosso dinheirinho… e gozam dos Tribunais de Contas, engavetando processos de contas por estes condenadas.
    Já imaginaram o “Velho Guerreiro” mandando um recado televisivo para os Deputados: – vocês querem bacalhau? Vocês querem pizzas? Vocês querem marmelada? Leia-se: bacalhau = ser colocados em penitenciária de segurança máxima; pizza = processos sem decisões de monocráticos juízes supremos; marmelada = exoneração sem proventos por justa causa e arresto de bens do “representante”, amealhados ilegalmente.
    Tudo sonho, porque o Chacrinha gostava de promover os artistas competentes e, certamente varreria, como presidente, a maior parte dos arteiros que se dizem políticos que nos representam.

    Provocação: Que tal o ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, como candidato a presidente da República em 2022? O que me dizeis, ó vespas!

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    • Herbert Sílvio Augusto Pinho Halbsgut disse:

      Da noite para o dia?
      Abrahan Lincoln cortava lenha para ganhar seu sustento, mas nunca deixou de ler a Bíblia, sabia discursar e tinha cérebro privilegiado para o raciocínio das coisas da política; enfim um estadista.
      Nada de mal vejo em Joaquim Barbosa, um negro ilustre e experiente, que não engolia abobrinhas de seus pares no STF e conhece os meandros das leis e da máquina pública pseudo-republicana. Poderia, sim , ser um ótimo candidato e,se eleito pela massa inculta e bela, que sabe onde aperta o calo, onde a coisa pega,poderia vir a ser uma surpresa positiva. Ser jurista não é empecilho, é virtude, meu caro!
      Seu candidato é o Luciano Huck , esse que a mídia e poderosos estão propondo há tempos aos jovenzinhos como a salvação sebastiana do Brasil?
      Afinal, não respondeu totalmente a minha provocação aos vespas todos, pois não disse quem seria um bom candidato em sua abalizada opinião. Vais dizer que não vota mais, como muitos “cidadãos ” por aí?Se é assim, é seu direito garantido na surrada Constituição Federal, né.

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      • A.(sno) disse:

        Adoramos gastar nosso tempo em especulações. Só falo em candidato à presidente a partir de julho do ano que vem! Até lá é melhor cuidar do coronavírus…

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  • A.(sno) disse:

    O sr. condena quem “acredita que alfaiate pode se transformar em encanador exímio” e vem falar num jurista pra presidente?????

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  • António Posser disse:

    Bravo Fernão, spot on e parabéns pela coragem e resiliência. Abraço

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  • Nelson Barros disse:

    Celso de Mello defende o impeachment de juízes

    É sabido que a rede de internet nunca deixa esquecer algo que algum dia passou por ela. Vejam a entrevista do Ministro Aposentado do STF Celso de Mello à Folha de São Paulo em 1997. Seguem os links:

    No STF:

    Clique para acessar o 1997_maio_19_7.pdf

    Folha de S.Paulo – Entrevista da 2ª: Celso de Mello defende o impeachment de juízes – 19/05/97

    https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc190502.htm

    Ainda há tempo….

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