Imprensa tem de acionar o circuit breaker

21 de maio de 2017 § 12 Comentários

Ate aqui todo o processo de exposição da nossa lenociniocracia ao sol corria por conta de um certo juiz e de um certo grupo do MPF de Curitiba. De prisão em prisão, de delação em delação, um país impedido de respirar chegou, ao fim de tres anos, até o segundo tijolo dessa estrutura: os Odebrecht e suas obras viciadas no Brasil e vizinhanças bolivariano-africanas.

O país passou a aguardar, então, o início das escavações que trariam à superfície a pedra fundamental sobre a qual apoia-se toda essa construção: a JBS, ergo BNDES e Fundos de Pensão do lulismo que, conforme o plano de Luis Gushiken comprado por Lula e Ze Dirceu em plena ressaca da Queda do Muro lá nos anos 90, acenava com quantidades de dinheiro formidáveis o bastante para bancar “um renascimento da esquerda latino-americana” pelos métodos que hoje sabemos quais foram…

Mas então, por razões incertas e não sabidas, a “investigação” deste que é o cerne, o nucleo duro de toda a conspiração identificada e descrita nas sentenças do mensalão para a consecussão da qual o lulismo destruiu o Brasil sai de Curitiba e passa diretamente às mãos do Procurador Geral da Republica.

Não demora muito e os 2ésleys ressurgem do primeiro lugar disparado da lista dos Inimigos Públicos transmudados em “policias-secretas” a serviço da PGR. E então, com as Organizações Globo escolhidas para dar “o furo” da vez em modo “força total adiante“, detonam sobre nossas cabeças a “Bomba JBS“.

A partir daí, tudo se precipita em velocidade de avalanche.

Tendo ido dormir com os sinais vitais da economia ressuscitados ao fim de três anos de coma pela perspectiva muito concreta de vitória das reformas trabalhista e previdenciária no Congresso, o país acordou com todas as alternativas ao lulismo reduzidas a pó, imerso no pesadelo de ter uma eleição convocada em 30 dias após a remoção de um Michel Temer sangrando das punhaladas recebidas e com os 2ésleys declarados impunes para todo o sempre … e com uma gorda bolada de dólares fresquinhos a mais no bolso angariados com o pânico que sabiam de antemão que a sua perfídia desencadearia.

AS LINHAS CRUZADAS

DO dr. JANOT

Tudo nessa história cheira fortemente a Venezuela.

Antes mesmo de ser publicada a gravação Joesley x Temer, duplamente desclassificada como prova pelas leis vigentes por ter sido obtida de forma clandestina e sub-reptícia e por ter sido editada dentro da própria PGR, pois não ha hipótese disso ter acontecido de outro jeito, ja estava aceita e sacramentada “como prova” por ninguém menos que o ministro Edson Facchin, o caçador de mandatos do STF.

Neste sabado, lá num canto do Estadão, vem a informação, apurada por Vera Magalhães, que dá a chave definitiva para se compreender com o que é que estamos lidando.

No dia 6 de março passado, véspera do ésley Jo entrar no Palácio do Jaburu com um gravador escondido na roupa e um roteiro bem estruturado na cabeça, o procurador Marcelo Miller, braço direito de Rodrigo Janot e figura de proa da equipe por ele arregimentada em 2013 para atuar na Lava Jato, anuncia aos colegas que está deixando a profissão e a carreira de promotor.

É um choque. É ele quem estava por tras de todas as etapas desse processo que se apoiaram em gravações clandestinas. As de Sergio Machado, o operador de Renan Calheiros na Transpetro cuja demissão foi expressamente exigida pela Price Waterhouse como condição para aprovar o balanço da Petrobras de três anos atras que, na iminência de ser preso por seus crimes, ligou para deus e todo mundo dentro do PMDB com conversas tão bem ensaiadas quanto a do ésley Jo com Michel Temer, e gravando tudo; as de Bernardo, o filho de Nestor Cerveró, que gravando conversa igualmente capciosa e bem ensaiada em que se vê apanhado em trampa mortal o ex-senador Delcídio Amaral…

Mas dura pouco a surpresa dos seus colegas. A partir do dia seguinte Miller reaparece contratado por Trench, Rossi & Watanabe Advogados, do Rio de Janeiro, o escirtório — adivinhem! –contratado pelos 2ésleys para negociar com a Procuradoria Geral da Republica os termos do acordo de leniência do grupo JBS.

O inefavel dr. Janot, ouvido por O Estado de S. Paulo sobre o que foi negociado entre ele e seu ex-pupilo que mudou de lado em favor da JBS, manda dizer a quem interessar possa que não ha conflito nenhum pois “existe uma cláusula no contrato de leniência determinando que ele não pode atuar pelo escritório (que para essa finalidade o contratou) nos acordos com a JBS“.

É tão descarado o desplante que segue-se um noticiário ainda muito confuso do qual depreende-se que um outro ramo do próprio Ministério Público não aceitou o golpe, exigiu da JBS uma multa de R$ 11 bilhões, 44 vezes maior que a que lhe tinha imposto o dr. Janot, e deu-lhe pouquíssimo tempo para pensar no assunto. À meia noite de sexta-feira declarou o prazo esgotado e os 2ésleys sujeitos, de novo, às penas por seus crimes. Agora temos duas ordens em vigor: a de Janot mandando soltar e a do MP revogando a primeira.

Escaldado com a política o Brasil vinha aprovando pelo avesso as reformas de Temer ao negar tão ostensiva e persistentemente a sua participação em todas as tentativas feitas de sabota-las e condena-las nas ruas que nem o Congresso Nacional conseguiu encontrar meio de não entender o recado. Na véspera da votação explode a “Bomba JBS“.

Não cabe especular aqui quanto tem havido de dolo ou de ingenuidade bem intencionada no comportamento de todos quantos contribuiram para fazer essa explosão provocar todo o estrago que provocou e continua provocando. Nos estamos na iminência de ultrapassar o ponto de não retorno. A hora é de por o pé no breque e passar a investigar essa investigação evitando a todo custo deixarmo-nos envolver por silogismos idiotas como estes em que embarcou a OAB para jogar o seu punhado de pólvora nessa fogueira, apenas porque os canais de “news” funcionam 24/7 e é preciso continuar falando e fazendo falar do assunto sem parar.

A imprensa tem de ligar o “circuit breaker” sem medo de não tirar nem pedir conclusões até que tenha informações suficientemente claras para saber exatamente o que está fazendo.

§ 12 Respostas para Imprensa tem de acionar o circuit breaker

  • Joenir disse:

    Em quem devemos acreditar? MP, PGR, PF!!!!
    Porque os irmãos JBS estão soltos?
    Porque o MP não tinha conhecimento da operação montada pela PGR?
    Como explicar a celeridade na liberação de empréstimos para o JBS?
    Porque os órgãos de controladoria e auditoria do governo nunca investigaram as operações de empréstimo com o BNDES?
    De tudo que já li e ouvi tiro uma única conclusão: a única solução é fechar o congresso e convocar novas eleições depois de depurado todos os envolvidos em corrupção e demais crimes.

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    • Fernão disse:

      o melhor a fazer ate que tudo fique mais claro é NÃO FAZER NADA.
      quando v se perde no mato, se sair andando pra la e pra ca, na emoção, no panico, v se perde cada vez mais…
      sente ao pé de uma arvore, espere os batimentos voltarem ao normal e a cabeça voltar a funcionar. só então decida o que fazer

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  • Zsolt Pal Kolossvary disse:

    Vou acionar meu circuit breaker; A falácia da questão social, a violência urbana, o nº de assassinatos, as drogas, a ausência de Estado, a falta de decoro, de ética, e princípios, o altíssimo desemprego, o contínuo desapontamento vigentes, veiculados diuturnamente com incrível celeridade, confesso me causam asco, e vontade de arrasar o “ Status Quo” vigente. Percebo então quão fácil é destruir o que resta e quão difícil construir o que falta, e me contenho.
    Como colocou o Fernão, responderei por ora a esse desafio desconfiando de tudo e de todos, não “abraçarei” apaixonadamente denuncia alguma; Até porque as posições são incomensuráveis e distint,as tornado-se até mesmo paradoxais na mesma “opinião”; Como por ex: Pedir a saída de Temer e seus ministros maçônicos e corruptos, (o que importa é que são corruptos, ou maçons?), afirmando que nem é pelo bem do Brasil, é pelo bem de quem então? Bem da maçonaria? A Qual, aliás, não vi manifestar-se oficialmente! Estarão ocupados, pedindo piedade do Grande Arquiteto do Universo?
    É muita discrepância, vou acionar meu circuit breaker; Não darei mais nem um passo passional, por enquanto… Estando à beira deste abismo moral, ético, social, e político o menos inadequado é ouvir, ouvir e ouvir… e serenamente tornar a “razão” mais razoável. E Torcer para que, quem tiver ouvidos que ouça…

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