O poderoso senhor Boulos

6 de agosto de 2014 § 3 Comentários

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Guilherme Boulos, assim como o “lobista” José Carlos Bumlai, amigo do Lula, o todo-poderoso José Dirceu, ex-“capitão do time”, a elegante Rosemary Noronha, de diferentes predicados, e tantos outros nesta Era PT, é um furador oficial de filas.

Não que tenha, exatamente, feito por merecer os poderes que tem. O PT tem, como se sabe, problemas insuperáveis com o conceito do merecimento. Não foram as suas idéias, não foram os seus discursos; não foi o seu carisma, nem muito menos o seu currículo que lhos conferiu. Guilherme Boulos nunca formulou um conjunto de ideias novas ou teve de convencer alguém a aderir às que tomou de empréstimo. Não teve sequer, como é o caso de alguns de seus correligionários, de pegar em armas para constranger os outros a aceitar seus “argumentos“. Nem uma simples indenização por prejuízos impostos pela ditadura ele tem para exibir.

Guilherme Boulos é apenas um intermediário; um transferidor de poderes que não são dele.

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Ao público aqui de fora, ele se impôs, da noite para o dia, como um “abridor de portas” para o sonho da casa própria nos bairros mais cobiçados da maior cidade da América do Sul para candidatos sem paciência nem disposição para as idas e vindas, os ganhos e as perdas, os suores e as lágrimas que aqueles que, vindos do nada como vieram todos os brasileiros, conquistaram passo a passo, antes deles, o direito a esses “filés”, pela mesma razão pela qual foi dado a José Carlos Bumlai franquear as portas de todos os gabinetes da República, a José Dirceu garantir acesso a todos os negócios do governo ultrapassando a casa do bilhão e a Rosemary Noronha arrumar cantinhos em licitações públicas menores: porque o governo do PT, onde cada um deles tem os amigos certos, mandou comunicar a quem interessar possa que, sim, casa própria é com ele mesmo e, assim como faz para os outros aqui citados, honra rigorosamente esse mandato outorgado por cima de toda a lei, doa a quem doer, sejam eles os sem-teto preteridos, os proprietários esbulhados ou os tribunais emasculados do poder de executar as leis que, para o comum dos mortais, mandam coibir tais expropriações.

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Guilherme Boulos é um homem de resultados. Furar a fila da casa própria pelas mãos dele é algo que pode ser feito por simples procuração. Seus comandados estão dispensados de todos os desconfortos vividos por seus precursores. Sem ter de passar pela burocracia de que não nos livramos os que insistimos em suar a camisa para ver se ganhamos o direito a algum “filé”, o que vai sem dizer, eles são hoje “pessoas jurídicas” que podem esconder suas identidades e estão dispensadas até das vicissitudes dos acampamentos em pleno inverno a que seus antecessores estavam submetidos. Assim, se der zebra e  houver ordem de despejo, só o quase-barraco será “despejado“, podendo ser reerguido com o mínimo de esforço logo a seguir.

Não ha filas na ida, nem sorteios no meio, nem cartórios, emolumentos, impostos e os impossíveis “habitem-ses” sem “amaciantes” que povoam os nossos pesadelos na volta. Os acampamentos de “sem-tetos” de Guilherme Boulos vivem a paz dos cemitérios. Não ha neles viv’alma. Àqueles que lhe vendem a sua bastam dois metros de plástico barato, cinco varas de bambu e uma lata de tinta branca para pintar a sua “marca” no quase-barraco e pronto: está “piruzado” o terreno que ninguém mais terá o poder de tirar-lhes no próximo “condomínio social” a ser enfiado pelo prefeito Fernando Haddad, como uma justa lição aos seus moradores “burgueses” da odiada classe média “velha“, no meio dos bairros mais disputados da cidade.

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A Organização Não Governamental Organizada pelo Governo (ONGOG) do senhor Boulos, dita MTST, tem todos os poderes que são negados a quem conquista as coisas pelo suor. Ela zelará para que a cada barraco corresponda o seu legítimo dono, esteja onde estiver.

A dispensa da presença física propiciará, além da fulminante multiplicação dos “sem-teto” indispensável para que sejam quebradas as resistências iniciais, o surgimento, garantido pelo argumento indiscutível do sucesso, de uma legião de “lumpen-especuladores” (adjetivos que se anulam mutuamente tornando-se automaticamente isentos de incorreção política) capazes de, com simples variações de garranchos, garantir a parte que lhes cabe em todo e qualquer “latifúndio” com probabilidades de valorização em diversos pontos desta aprazível metrópole.

É o espetáculo da “ubiquidade invasiva”, garantia da paz e da justiça social prometidas pelo PT.

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Haverá choro e ranger de dentes pela cidade afora? Algum porque, na intrincada hierarquia das classes sociais e das “raças” que pauta a justiça petista, ha quem tenha nascido para ganhar e quem tenha nascido para perder, condições estas que o esforço e o desempenho pessoal serão incapazes de alterar. Mas os pais da “matemática criativa” com que deve ser tratado o dinheiro público aplicam uma rigorosa aritmética no que diz respeito a contas eleitorais, e não têm nenhuma dúvida sobre a legítima pertinência de mais esta entre as suas “políticas sociais” que, como as outras, veio para ficar enquanto houver votos a serem adquiridos.

Quem duvidar que entre na fila da casa própria de quem não tem as credenciais do poderoso senhor Boulos, cuja ONGOG terá, naturalmente, privilégios muito mais amplos — indiscutíveis mesmo — quando a coleção de “movimentos sociais” do gênero, prevista naquele Decreto 8243 que vai indo no vai da valsa, estiver do tamanho que o Secretário Geral da Presidência da República, o único ungido dessa prerrogativa, julgar adequado para que possam passar, conforme o previsto, a escrever no lugar do Congresso Nacional as leis que nos governam.

E quem não gostar dessa idéia que vá esgrimir argumentos com os blogueiros do tio Franklin.

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§ 3 Respostas para O poderoso senhor Boulos

  • Ronaldo disse:

    Nós, parcos burgueses, estamos assistindo a mais este assalto aos nossos direitos passivamente. A máquina que patrocina o Sr. Boulos lhes dá toda retaguarda ao passo que nós não temos quem nos defenda. Não há legisladores, não há oposição, não há justiça, não há meios de comunicação, somente há cooptados, fazendo o que são mandados fazer e fingindo não ver o que é recomendado não ser visto. Estou enojado, desanimado, sem esperança, sem rumo. Na atual campanha para elegermos novos governantes ainda não surgiu nada de novo ou de velho que assuma de peito aberto que vai nos curar destes males. Até porque, se assumir, perderá o apoio dos cooptados e terá dificuldades de se eleger e governar. Precisamos de alguém com coragem suficiente para romper com os cooptados e propor uma nova relação entre os poderes, restituindo a Democracia, com “D” maiúsculo como deve ser, e garantindo aos Poderes a sua independência e isenção. Como a ideia de voto distrital com recall difícilmente será implantada, o que nos resta?

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  • AIRTOM disse:

    ESTE MESMO “SENHOR BOULOS” PUBLICOU UM ARTIGO NA FOLHA EM 31/07 COM O TITULO “A PALESTINA APAGADA DO MAPA”

    DESFILA O DITO “SENHOR” SEU COMPLETO DESCONHECIMENTO SOBRE O CONFLITO NA ÁREA , SEM AO MENOS SABER QUE ESTE , SE DÁ ENTRE O ESTADO DE ISRAEL E UM GRUPO TERRORISTA –
    HAMAS – QUE PREGA A DESTRUIÇÃO DE UM ESTADO DEMOCRÁTICO.

    USA O MESMO DISCURSO DO SECULO 19 , EM PLENO SECULO 21.

    NÃO CONSIGO IMAGINAR OUTRO OBJETIVO DESTE TEXTO , QUE NÃO O DE SEGUIR ORDENS DO COMISSÁRIO MOR : VARRER
    DO NOTICIÁRIO NACIONAL AS LAMBANÇAS DE NOSSO EXEMPLAR
    GOVERNO , QUE NÃO CONSEGUE SEQUER SABER QUE , NO MESMO PERÍODO DESTE CONFLITO , FOI REGISTRADO PERTO DE 1.300 MORTES NA REGIÃO – INFELIZMENTE , CONTRA 4.795 ASSASSINATOS NO BRASIL – INFELIZMENTE

    TALVEZ ESTE SEJA O CONCEITO APRENDIDO NA ILHA , DE
    USO DESPROPROCINAL DE FORÇA?

    OU MESMO PARA INVADIR PROPRIEDADES ALHEIAS E RECLAMAR
    DE SERVIÇOS DE TELEFONIA CELULAR ?

    OU MESMO PARA ESCREVER UM TEXTO COM TAMANHA DESPROPORCIONALIDADE COM A VERDADE

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  • AIRTOM disse:

    MAIS UMA IMBECILIDADE DESTE “SENHOR”

    HOJE FOLHA DE SP

    CARA VOCE PERDE . COROA GANHO EU , OU ALGO PARECIDO COM ISTO

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