A fuga do Planeta Bizarro

12 de maio de 2014 § 6 Comentários

biz1a

Jabor tem batido na tecla de que a crise brasileira não é só política, é psiquiátrica.

Não ha como negar. As provas trombam com a nossa cara o tempo todo.

Em matéria de pensamento político o Brasil está congelado no tempo e no espaço. Tudo que o mundo baniu o Brasil adotou. Tudo que dá prisão lá fora aqui vira atenuante.

Quando assisto os programas eleitorais dos nossos 30 e tantos partidos, todos “socialistas”, lembro-me dos velhos gibis do Super-Homem da minha adolescência em que havia um certo “Planeta Bizarro” que era quadrado em vez de esférico e que tinha sido colonizado por clones defeituosos do “Homem de Aço” e de Lois Lane.

Tudo que aqui era veneno, lá era remédio; tudo que aqui era hediondo lá era uma glória; os bandidos eram os mocinhos, os vícios eram as virtudes e assim por diante.

biz13

A Petrobras, coitada, tá que são retalhos de carne, nervos e tendões esfrangalhados disputados a dente por uma cachorrada faminta.

Tem refinaria de 30 bi pra todo lado, todas tramadas com ladrões seriais com 50 anos de ficha suja; nenhuma funcionando. Pasadena é pinto! Não ha uma que tenha multiplicado o orçamento original por menos de 10 vezes.

A última turma que a Polícia Federal pegou lá dentro, com a mão na massa, tinha de presidente da bancada do PT na Câmara, ministros da República e diretores da Petrobras pra baixo lavando pra cima de 10 bilhões de dinheiro roubado na compra de sucata industrial, tungado da verba pra remédio de doentes miseráveis ou amealhado com tráfico internacional de cocaína em escala industrial com o concurso de gangsteres e quadrilhas multinacionais, máfias italianas e o diabo.

E pelo jeito a coisa toda só acabou sendo descoberta porque quando foram gravar conversas de grandes traficantes internacionais os espiões do Obama, lá na famigerada NSA de Edwad Snowden, acabaram escutando conversas deles com o pessoal dos gabinetes em volta do da Dilma lá no Planalto.

Era tudo a mesma gente! Usavam a mesma lavanderia!

biz12

Mas na Presidência da Republica, no Congresso Nacional e – acredite se quiser! – até na imprensa, ainda se discute com cara de sério se transformar 42 milhões em 1,3 bilhão em um ano é ou não é “um bom negócio” e montam-se campanhas milionárias passadas no horário nobre das TVs pra dizer que manter essa cachorrada com as dentuças ferradas naquele molambo é a melhor maneira de se proteger “um patrimônio do povo brasileiro”. Que manter um monopólio de petróleo que movimenta bilhões por minuto na mão das feras da “governabilidade” – que corroem tudo que tocam – é a única maneira de não ter esse patrimônio dilapidado e carregado daqui pro estrangeiro com todos aqueles sete quilômetros de oceano e de sal por cima.

Não ha um brasileiro – todas as pesquisas confirmam – nem mesmo nos asilos para mentecaptos, que tenha qualquer dúvida de que empresas públicas só existem para serem saqueadas; que cargos políticos no país dos 39 ministérios são privilégios exclusivos de ladrões; que entrar para “o Sistema” é, explicitamente, para ganhar sem merecer e comprar lealdades e ampliar o território de caça estendendo esse privilégio a cúmplices, amigos e parentes.

biz6

Mas quem falar em privatizar estatais, em reduzir o espaço para a roubalheira impune perde voto, veja você!

Até os jornais, que nos últimos anos têm vivido exclusivamente de demonstrar que estamos nas mãos de quadrilhas organizadas, comportam-se como quem assume como ponto pacífico que manter maquinas de bilhões nas mãos delas é a única forma de proteger o “nosso” petróleo da cobiça estrangeira.

A perspectiva de ser acusado de tentar tirar a Petrobras do alcance da matilha causa pânico nos candidatos da oposição. É das poucas coisas que os fazem ir aos tribunais processar quem o disser por calúnia.

Na semana passada 8.200 “funcionários” da Petrobras “aderiram a um plano de demissão voluntária” – e pode-se imaginar as condições oferecidas para que tanta gente considerasse trocar o certo pelo incerto – e isso não deu mais que uma notinha nos jornais. 8.200 caras, informou-se de passagem, perfazem menos de 10% da folha de pagamento dessa estatal. Assim ficamos sabendo que ela tem alguma coisa entre 80 e 90 mil “funcionários”, todos amigos, todos parentes, todos no mínimo correligionários de algum vendedor de “governabilidade“. A Exxon Mobil, que atua em 160 países, tem exatos 79.880. E quantos deles você acredita que estão lá porque são amigos ou parentes do CEO, ganhando sem merecer?

biz14

Os conselhos de administração da Petrobras e coligadas, então, são uma festa. Tem ministros de dona Dilma com um jeton de 20 mil em cada sub-empresa da empresa mãe. São eles que aprovam as Pasadenas. São eles que aprovam as refinarias de 30 bi. E quantos dos 80/90 mil “funcionários” da Petrobras não são militantes do PT? Quantos põem os interesses da empresa acima dos do partido? Quantos manteriam o emprego se aquilo fosse uma meritocracia?

Agora, tirar a Petrobras desse cocho? Entregá-la a gestores profissionais submetidos a regras globalizadas de prestação de contas, responsabilidade social e fiscalização por acionistas multinacionais respaldados por especialistas e agências internacionais? Fazê-la render o mínimo que tem de render um monopólio em cima de uma das maiores reservas de petróleo do planeta? Transformar os royalties de propriedade privada daqueles 26 caras em uma montanha de impostos pra todos nós?

De jeito nenhum!!

Isso “nós” não vamos deixar!

Nós” quem, cara-pálida? Que os ladrões digam isso, tá. Mas os roubados!!

biz4

Pois no nosso “Planeta Bizarro” é assim. A lavagem dos cérebros brasileiros nas nossas escolas, nas nossas redações, foi feita com soda cáustica. Sobrou zero de capacidade de relacionar efeito com causa.

Pois não está hoje mesmo nos jornais o Joaquim Barbosa sendo acusado de “autoritário” sem nenhum ponto de exclamação por reafirmar a igualdade perante a lei das ex-autoridades que, hoje presidiários, ainda se querem isentas dela?

Não sei como é que o Brasil vai sair disso enquanto o tom da conversa for o mesmo dentro das celas da Papuda e das salas de aulas e redações do país. Só sei que nada vai acontecer antes que a imprensa, pelo menos – o único poder constituído da Republica dentro do qual gente de bem ainda pode se estabelecer sem ser retida na malha fina pela falta do atestado de criminoso que o nosso sistema de seleção negativa exige de quem quer fazer parte dos outros três – recupere o seu senso crítico e a sua capacidade de indignação.

Vai ser um trabalho tão custoso e meticuloso quanto foi fazê-la perdê-los.

biz11

Eu me lembro bem de como foi isso. Devo ser dos últimos que se lembra. Começa por um esforço artificial para inverter os significados estabelecidos. Um esforço metódico de subversão da linguagem. O prezado jornalista acredita que tal distorção é “normal”? Não importa. Consulte-se o manual dos fundamentos da democracia (na época consultava-se os da anti-democracia) e, se não for, ele fica obrigado a indicar que não é e mostrar indignação ainda que não a sinta.

Ou seja, será preciso percorrer o caminho inverso da construção dessas mentiras que se estabeleceram quando jornalistas, professores e artistas da TV fingiam diante das câmeras ou do papel em branco que era digno de aplauso aquilo que seus pais lhes tinham ensinado a receber com indignação e escândalo; festejavam o errado de sempre como o novo certo; rebatizavam a covardia de heroísmo; chamavam nobre o execrável.

Só assim, ao fim de algum tempo, as coisas começarão a voltar ao seu devido lugar. Só assim o passado deixará de ser o futuro nas nossas futuras campanhas eleitorais, e o Brasil poderá, enfim, deixar de ser esse curupira de pés invertidos, voltar a integrar a ordem dos planetas esféricos e olhar novamente para a frente.

biz16

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