Para onde aponta o desastre europeu
16 de novembro de 2011 § 3 Comentários
E o terremoto da Europa vai parando o mundo.
Sobre suas causas, não ha nenhuma dúvida. O cataclismo econômico europeu é, como todos os fenômenos do gênero, filho do oportunismo político.
A China entrou na competição jogando sujo? Não está dando para ganhar? Os salários e o numero de empregos estão em queda?
Em sistemas onde é preciso se eleger ninguém quer encarar problemas de frente. Tudo que importa é inventar maneiras de adiar o fim da festa.
Nos Estados Unidos via o aumento artificial da capacidade do consumidor se endividar em cima da hipoteca da própria casa; na Europa pelo expediente de esticar ao máximo as amenidades do bem estar social sem lastro na realidade da economia.
Tanto faz: os desastres financeiros das proporções deste são sempre o caótico final dos expedientes para comprar votos no presente cavando buracos no futuro, na expectativa de que sejam “outros” os governantes a cair neles.
E o povo? Ora, o povo só é lembrado antes de depositar seu voto na urna…
As autoridades da União europeia autorizaram que seus bancos alavancassem na proporção de até 450 por 1 sobre o capital, desde que fosse para “investir” na compra de títulos públicos de governos. Os bancos imediatamente aceitaram o convite para o banquete e se endividaram para comprar dívidas de governos e embolsar o spread.
Foi uma orgia de lucros.
Agora é um pesadelo.
Tostão por tostão, o buraco das economias europeias chega aos 3 trilhões de euros (se incluirmos só da Irlanda à Itália, que são os oficialmente “estourados” por enquanto). É um rombo “intapável” mesmo admitindo-se um calote geral de 50% desse valor, como os bancos carregados desses títulos já avisaram que aceitariam sem que o pânico arrefecesse.
Já se desvaneceu, igualmente, a esperança de qualquer fórmula milagrosa de reestruturação que permitisse que a economia europeia crescesse mais rápido que a dívida, que seria a única perspectiva matemática dela vir a diminuir. Há algumas semanas, já, só os juros cobrados pelos financiadores dos governos ainda andam para a frente. A Europa inteira já está andando pra traz ou quase parando. Nem da Alemanha espera-se crescimento neste ano ou no próximo.
Cortar despesas, o outro caminho matemático de solução, tem o efeito colateral de desacelerar ainda mais essas economias agravando a situação.
A única saída que resta, portanto, é a de desvalorizar fortemente a moeda. É a única forma politicamente praticável de se desvalorizar os salários na medida suficiente para fazer com que uma economia ganhe competitividade comercial e se reanime com dinheiro de fora mesmo carregando todos os seus defeitos presentes. Nós, brasileiros, conhecemos bem esse tipo de “truque”…
Resta saber se os europeus com maiores problemas – os países já oficialmente arrebentados como Grécia, Portugal, Espanha, Bélgica, Itália – se desligarão da União Europeia para tomar o remédio amargo da desvalorização na denominação de suas antigas moedas nacionais, ou se a União Europeia fará isso como um todo, preservando a construção política erguida até aqui e que cada um de seus membros sabe que será essencial para enfrentar a nova realidade global jogando na primeira divisão.
Como dinheiro de verdade para resolver a crise não existe e todas as outras alternativas – defecções da União, calotes ainda que seletivos e consensuais, ajustes dolorosos – conduzem ao contágio global imediato, a crises bancárias sistêmicas, a recessões prolongadas ou à combinação disso tudo, o mais provável é que, ao fim de muito choro, ranger de dentes e reformulações drásticas e solenes nas regras sobre o direito de cada um de fabricar déficits daí por diante, a União Europeia faça como os Estados Unidos de hoje e o Brasil de outrora e ligue a máquina de imprimir euros.
Os alemães ainda resistem mas é isso ou aceitar a volta ao passado das economiazinhas nacionais.
E aí?
Aí o euro desvalorizado significará menos exportações dos Estados Unidos e da China para a Europa (o maior comprador da China que, por sua vez é o maior comprador do Brasil) e mais competição dos europeus com o resto do mundo, emergentes em especial. E o resto do mundo não ficará de braços cruzados diante desse desafio o que aponta para ondas sucessivas de “desvalorizações competitivas” e medidas protecionistas.
Esta segunda do Terceiro Milênio, enfim, não promete ser uma década de que venhamos a ter saudade no futuro…





Quanto catastrofismo no Vespeiro!
A crise, em termos globais, é apenas financeira. E apenas em países pequenos da Europa. A UE cresce moderadamente a despeito de todo esse pessimismo, bem como os USA. A China nem se fala quanto cresce. Dá show de crescimento.
Os países quebrados vão ter de ajustar suas contas publicas, ou saem do Euro e inflacionam, pois não dá para viver sem controle. Foram longe demais. Mas nada será de forma apocaliptica. Certamente se ajustarão, de uma forma ou de outra. Mas nao serao capazes de envolver as economias de outros países. Alias, quanto mais cedo e mais rapido se ajustarem, melhor será para seu crescimento futuro sustentavel.
Desvalorizar o Euro não resolve o problema das contas públicas. Resolve o endividamento externo em outras moedas, mas esse nao é o problema da UE.
Essa crise europeia é mediática apenas, em termos de crescimento economico, pois o mundo segue crescendo em termos globais. Mesmo que nao crescesse, nao seria uma crise. Seria apenas um ano perdido em termos de prosperidade da humanidade.
Como a economia é uma ciencia do comportamento, pessimismo injustificado causa atraso de crescimento e menor padrao da vida para a geração atual.
Em tempo, até o Japão mostrou recentemente números de uma economia em crescimento.
La no interior onde nasci diziam ” é muito barulho para pouco resultado” para nao usar palavroes
esses “países pequenos” da Europa incluem, entre outros, a oitava maior engrenagem da máquina financeira global (Itália) sem a qual a economia não funciona.
mesmo assim, torço furiosamente para você estar certo e eu errado, prezado Renato.
ps.: ja leu “Red Capitalism”, de Carl E. Walter e Fraser J. T. Howie?
Enquanto isso na Grécia…
Zeus vende o seu trono para uma multinacional coreana.
Medusa faz bico na ala dos ofídios em um zoológico local.
Narciso vende seus espelhos para pagar a sua dívida do cheque especial.
Aquiles vai tratar o seu calcanhar no SUS.
Eros e Pan inauguram um prostíbulo. Afrodite dá uma forcinha pros amigos como gerente do estabelecimento porque também está a neném.
Hércules suspende os seus 12 trabalhos por falta de pagamento.
Medusa transforma pessoas em pedra e vende na Cracolândia.
O Minotauro está puxando carroça para ganhar a vida.
Acrópole é vendida e em seu lugar é inaugurada uma Igreja Universal do Reino de Zeus.
Afrodite teve que montar uma banquinha de produtos afrodisíacos para pagar as contas.
Eurozona rejeita Medusa como negociadora grega: “ela tem minhocas na cabeça”.
Sócrates inaugura Cicuta’s Bar para tentar ganhar uns trocados.
Dionísio vende seus vinhos na beira da estrada de Marathónas.
Hermes está entregando o currículo para trabalhar nos correios. Especialidade: entrega rápida.
Caronte anuncia que a partir da próxima semana passará a aceitar o bilhete único.
Afrodite aceitou posar para a Playboy.
Sem dinheiro pra pagar os salários, Zeus libera as ninfas pra trabalharem na Eurozona.
Ilha de Lesbos abre resort hétero.
Para economizar energia, Diógenes apaga sua lanterna.
Oráculo de Delfos vaza números do orçamento e provoca pânico nas Bolsas.
Vênus de Milo promete dar uma mãozinha a desempregados.
Ares, deus da guerra, foi pego em flagrante desviando armamento para a milícia carioca.
Sócrates, Aristóteles e Platão negam envolvimento na rebelião da USP: “Estamos na pindaíba, mas ainda não descemos a esse ponto”.
A caverna de Platão está abrigando milhares de sem teto.
Descobri o porquê da crise: os economistas estão falando grego!
(recebi de uma amiga e desconheço a autoria)