Tiririca, Obama e a questão palestina
20 de setembro de 2011 § Deixe um comentário
E Benjamin Netanyahu chamou Mahmud Abbas para conversar em Nova York e seguir conversando em Jerusalém e Ramallah…
Os pessimistas dirão que nada mudou e que negociar um acordo de paz abrangente para toda a região sempre foi a condição prévia de Israel para discutir a criação de um Estado Palestino.
E assim é, por enquanto.
Mas se a aprovação iminente de um Estado Palestino pela ONU já o obrigou a se mover, é claro que a consumação do fato poderá convence-lo a mudar a qualidade dessa conversa. 
Foi exatamente assim, aliás, que nasceu o Estado de Israel, que estaria até hoje nessa mistura de blá, blá, blá com pólvora e sangue em que está atolada a questão palestina ha 63 anos se a ONU tivesse “encolhido” em 1948 e ficasse esperando a anuência dos árabes.
A esta altura, de qualquer maneira, não ha mais nada a perder. Quando você chega ao ponto em que cada uma das partes envolvidas pode retrucar a qualquer argumento da parte contrária com um “Você matou meu pai”, “Você matou meu irmão”, a racionalidade não tem mais lugar.
Os votos de ódio eterno estão feitos e é deles que vivem todos quantos, de parte a parte, querem mante-los vivos para sempre.
Mas um empurrão da ONU nos fatos para que as formalidades tratem de correr atrás deles como puderem depois pode criar para os palestinos o problema novo de construir uma Nação, desviando o foco absoluto na destruição que hoje é tudo que lhes resta. E isto pode proporcionar o hiato que falta para levar àquele vale de lágrimas, o sopro de esperança que está faltando para que todos possam gritar unidos um “Chega de tanta dor!”.
Barak Obama desistiu de esperar respostas desemocionalizadas dos republicanos para a necessária ação contra a crise da divida doméstica, e forçou uma decisão ao prometer vetar qualquer corte no Medicare sem a contrapartida de um aumento nos impostos dos ricos, que é a única solução possível para o problema.
Ele pouparia tanto tempo e sofrimento para seu país e para o mundo quanto ha de nos render a todos este – vá lá! – ato tardio de coragem se mostrasse a mesma decisão com relação à questão palestina, permitindo à ONU fazer já aquilo que, de qualquer maneira, terá de ser feito um dia.
Mesmo porque, nos dois casos, pior do que está não fica.


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