Escorchados, unidos, jamais serão vencidos!

25 de maio de 2010 § Deixe um comentário

A Rede Bandeirantes de Televisão começou a apresentar segunda-feira, no Jornal da Noite, uma série muito bem feita sobre o peso escorchante dos impostos no Brasil e a forma como o governo usa o dinheiro que nos toma.

E o dado mais impressionante da materia é o total desconhecimento dos brasileiros de todas as classes sociais, inclusive os supostamente mais bem informados, sobre quanto transfere para o bolso do governo cada vez que mexe no seu próprio, seja para o que for.

Todo mundo tem uma vaga ideia de que a coisa é pesada mas, quando é posto diante do numero real, quase cai de costas de susto.

Ha décadas eu vejo esse tema entrar e sair da pauta dos orgãos de comunicação sem que nada mude. E, como a Band mostrou mais uma vez, nada, no Brasil, vai mudar para melhor de forma sustentável se a ordem tributária não mudar.

Mil vezes vi essa matéria; mil vezes vi essa conclusão; mil vezes vi o comentário de que é preciso aprovar uma lei para que o imposto seja discriminado nas notas fiscais e nas etiquetas de preços para que a população tome consciência do quanto é explorada.

O problema é que o brasileiro está tão viciado em esperar que o governo faça tudo por ele que até para conter os abusos do governo ele espera uma iniciativa … do governo!

É desanimador!

Porque seria necessário esperar uma lei exigindo que o peso do imposto em cada bem seja exibido com todo o destaque que merece?  Porque as lideranças da sociedade civil e as entidades representativas dos setores mais penalizados por essa derrama permanente não tomam para si essa tarefa? Porque não partimos, todos, para uma campanha cerrada de denuncia da carga opressiva que os habitantes de Brasilia, a cidade sem crises, atiram nas nossas costas?

A Associação Comercial teve uma iniciativa de alto teor explosivo. Criou o Impostômetro, que mostra a velocidade alucinante com que dinheiro é transferido dos nossos bolsos para os “deles”, a cada segundo de cada minuto de cada dia das nossas vidas.  Mas fez isso de forma tão tímida que transformou sua bomba num traque.

Começa que o tal Impostômetro está escondido em local incerto e não sabido desta metrópole gigante. E, ainda por cima, está “mal diagramado”. Como a reportagem da Band comprovou, a esmagadora maioria das pessoas que passa diante daquele timido painelzinho luminoso com numeros “virando” em ritimo supersônico, ou não o vêm ou, quando vêm, nao sabem do que se trata.

Então a soma de todos os comerciantes do maior e mais rico centro de comércio da cidade que é a locomotiva econômica do Brasil não tem “bala” pra fazer melhor que isso?

Claro que tem!

O Impostômetro deveria estar no alto do prédio mais alto da cidade, mostrando algarismos gigantescos debaixo de letras luminosas garrafais, visíveis a quilômetros de distância, explicando suscintamente a que se refere aquela corrida alucinante de numeros.

VEJA QUANTO O GOVERNO ESTA TE TOMANDO NESTE MINUTO” ou “JÁ TE TOMOU NESTE ANO” ou coisa que o valha.

Se calhar, deveria haver mais de um Impostômetro para que ninguem pudesse atravessar esta cidade sem ter um sempre diante dos olhos.

Quanto poderia custar essa parte da “campanha”? Nada que uma redução módica dos impostos não pague em poucos segundos.

O resto da campanha, então, não custaria nada.

Deveria ser uma norma da Fiesp, da Associação Comercial, das entidades dos prestadores de serviço, das agências de propaganda, dos jornais e das televisões, da internet e das telefônicas; de todo mundo, enfim, que paga essa conta, proibir que qualquer associado, jornalista ou cliente apresente uma etiqueta, uma nota de venda ou faça menção a preços sem discriminar quanto nele é imposto e quanto é mesmo preço.

Deveria ser proibido, sob pena de “patrulhamento” intenso e represálias ferozes dos consumidores, fazer qualquer menção a preços sem a devida discriminação do imposto.

Dizia o sábio Montesquieu que “a existência do tirano depende estritamente da vontade do povo de ser tiranizado”. Isto significa, para ser exato, que mesmo nos tempos dos governos absolutistas, quando o povo quer mesmo uma coisa, ele consegue.

Não é preciso nenhuma lei para que seja exibido com força corespondente ao que ele nos custa o peso dos impostos que nós ajudamos os políticos a manter disfarçado. Basta que a sociedade se decida a tanto e que cada escorchado, na cadeia produtiva, deixe claro ao próximo escorchado o quanto ele está sendo escorchado.

No tempo em que a imprensa assumia causas, poder-se-ia esperar que ela tomasse a iniciativa de puxar essa fila. Mas como a imprensa resolveu abrir mão da essência do seu papel, paciência. Faça-se sem a imprensa, como já se fez no caso da Lei dos Fichas Sujas. Hoje ha ferramentas que permitem conseguir isso com um mínimo de esforço.

Esperar que Brasília tome essa iniciativa é o mesmo que acreditar nas boas intenções do Ahmadinejad.  Quem insistir nisso, merece o impôsto que paga.

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