A guerra por controle remoto

1 de março de 2010 § 4 Comentários

O filme que você pode ver aí em cima está circulando pela internet como coisa real. Alguns especialistas que o avaliaram afirmam que não; que a explosão no final e outros detalhes indicam que se trata de uma versão “demo”. Mas isso é o de menos. O importante é que é exatamente assim que a coisa real acontece. A guerra por controle remoto – e eventualmente o terrorismo por controle remoto – estão aí para ficar.

O filme mostra a operação de um MQ-9 Reaper (foto) em ação no Afeganistão mas controlado remotamente a partir da base Creech, da Força Aérea americana, no deserto de Nevada, pertinho dos cassinos de Las Vegas, a quase 13 mil kilometros de distância. Esses aviões sem piloto, que carregam 4 mísseis teleguiados Hellfire e duas bombas de 250 quilos podem permanecer voando por 22 horas a 21 mil pés de altura (uns 7 mil metros), o que os torna invisíveis e absolutamente silenciosos para quem está em terra.

Lá de cima, suas câmeras enxergam o que está lá embaixo com um nível de detalhe que permite que se veja uma galinha andando pelo chão, a maçaneta de uma porta ou se um homem enquadrado está ou não portando uma arma.

Para operações no Afeganistão, eles são lançados de Kandahar. Minutos após a decolagem os controles passam a ser operados, via satélite, de Nevada. Cerca de 5 mil aviões controlados remotamente estão em operação no Iraque e no Afeganistão. E o numero tende a crescer porque eles têm sido saudados como o equipamento que mais tem salvo vidas (de americanos) nessas duas guerras.

São mais usados para reconhecimento, mas também têm sido empregados em missões de ataque. Em Nevada, um piloto e um navegador controlam o avião, conforme se vê no filme, e mais dois militares veteranos, com experiência anterior sobre as áreas sobrevoadas, sentados atrás deles, ajudam a interpretar as imagens. A 13 mil quilômetros de distância, o comandante dos batalhões nos campos de operação enxerga as mesmas cenas que estão sendo vistas em Nevada num “Rover”, um lap-top especial. Cinco canais de chat, alguns via internet outros via rádio, permitem contato permanente entre os operadores em Nevada e os soldados no front, cujos movimentos são guiados pelo que os aviões-robô estão vendo. Eventualmente, o comandante no teatro de operações pode pedir um “bombardeio de saturação” para limpar o terreno que os soldados vão ocupar. O gatilho será apertado em Nevada por pilotos que, todas as manhãs, acordam ao lado de suas esposas em casa em Las Vegas, pegam os seus carros e guiam uns 50 minutos pela auto-estrada para chegar ao trabalho. Depois de cumprido o seu turno, voltam para casa para brincar com os filhos ou ir ao cinema…

Ataques de precisão contra alvos especiais, como figuras importantes da Al Qaeda, principalmente, têm sido feitos por esses aviões com enorme grau de sucesso. A CIA os considera “a arma mais efetiva jamais utilizada” contra esse tipo de alvo.

O problema é que, como toda arma, ela não tem preconceitos a respeito de quem aciona o gatilho. Guerrilheiros do Hezbollah, no Líbano, por exemplo, conseguiram roubar alguns planos e construir versões, ainda que mais rudimentares, dos aviões-robô, que foram usados para reconhecimento do território israelense na guerra de 2006…

O livro “Wired for War: The Robotics Revolution and Conflict in the 21st Century“, de Peter W. Singer (http://www.amazon.com/Wired-War-Robotics-Revolution-Conflict/dp/0143116843/ref=sr_1_1?ie=UTF8&s=books&qid=1267473948&sr=8-1 ) é um best-seller nos Estados Unidos e o que se descreve lá, segundo uma resenha, é de arrepiar. Dezenas de novas armas-robotizadas estão em desenvolvimento. Vão de novos aviões sem piloto com as características dos Stealth, que os radares não conseguem captar, até objetos voadores do tamanho de uma mosca, capazes tanto de missões de espionagem quanto de destruição.

Arnold de Borchgrave, um experiente analista militar, considera que a robótica é a mudança mais fundamental na condução das guerras desde a invenção da pólvora.

Quando os Estados Unidos invadiram o Iraque, havia um punhado de aviões não pilotados no ar e nenhum equipamento robotizado no chão. Hoje perto de 12 mil equipamentos carregando mísseis, bombas e granadas, no ar e no chão, estão em operação”.

Isso vai reduzir o custo das guerras, derrubar as barreiras psicológicas para o ato de matar e erodir os códigos de conduta dos soldados, alem de tornar as guerras muito mais fáceis de começar”…

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