O problema ambiental somos você e eu

15 de dezembro de 2009 § 8 Comentários

A politização do problema ambiental ainda vai nos matar.

Se não for pela enorme encheção de saco que é ter essa empulhação empurrada goela abaixo em doses maciças pela mídia em peso, será porque degradá-lo à condição de pivô de uma guerra ideológica impede que ele seja tratado com a urgência e a seriedade que ele exige.

Pense bem nessa obsessão de olhar para a coisa pelo discutibilíssimo ângulo climático.

Precisava?

Claro que não. Qualquer sujeito com olhos na cara e algumas gramas de miolo na cabeça que tenha passado mais de meia hora na Terra não precisa de explicação nenhuma para entender que o problema ambiental somos nós mesmos nos multiplicando desenfreadamente nesse planeta onde já não da pra se mexer sem esbarrar em alguém.

Perdoem-me a crueza.

Mas é isso aí. Ninguém morre mais! Todo mundo dura 100 anos. Pode nascer uma orelha. Se der o menor estremeção põem ela numa caixinha, ligam na tomada, e vira mais um pra durar 100 anos comendo, cagando, comendo, cagando, comen…

Discutir infinitamente se isso também afeta ou não o clima é como ficar discutindo a influência das luas de Júpiter e das correntes do Pacífico no processo de digestão da madeira no trato intestinal dos cupins enquanto sua casa é devorada, em vez de simplesmente jogar veneno neles e salvá-la.

Se a depredação e a imundície que espalhamos no planeta não afetasse de nenhuma maneira o clima melhorava alguma coisa? Claro que não. Continuaríamos comendo mais do que o planeta pode repor, sujando mais do que a Terra é capaz de reciclar e requisitando mais espaço do que o necessário para que as demais espécies vivas continuem vivas.

Já é problema mais que suficiente, né mesmo?

Ah, mas isso não serve! E não serve porque superpopulação é um problema de todos nós e, especialmente, dos mais pobres e ignorantes, e ficar apontando isso não ajuda nada em campanhas eleitorais. Pelo contrário. Do papa pra baixo, uma multidão de deformados virá apedrejar quem ousar dizer que o sol desta verdade está aí, brilhando pra todo mundo ver.

Nada disso! É necessário demonstrar que quem está acabando com a Terra é “o modo capitalista de produção”.

E tem outro? A China que o diga…

Mas isso não interessa. Nos grotões do mundo, essa ainda é a linguagem que rende voto. Ta vendo a fumaça que sai da fábrica do seu patrão? Pois é ela! Não é o fato de você ter 12 filhos; de um monte de ecologistas por aí terem cinco ou seis e dessa multidão toda requerer produção em escala industrial…

Só os chineses, que já não cabem mais no quase continente que ocupam, é que foram obrigados a fazer contas e tomar, já, uma providência concreta para resolver o principal. E que providência foi essa? A providência óbvia. A providência que realmente faz diferença. Um filho por casal, gente, ou explodimos amanhã! E é pra valer. Quem tiver mais, vai pagar caro por isso. Dois, no máximo, para a conta ficar zero a zero.

É claro, é cristalino, é direto: menos bocas para comer, menos esgoto pra nos envenenar, menos diversidade a ser destruída para abrir espaço para fabricar a ração que sustenta a praga humana. Tudo se resolve de uma vez.

Tirar o povo da merda, literalmente, é isso seo Lula…

Mas onde fica a luta de classes? O mundo dos bandidos contra os mocinhos? Como sustentar um monte de ONGs para explicar platitude tão evidente? Onde  iriam parar aqueles bilhões de dólares para sofisticadas pesquisas monitorando os Pólos, os oceanos, a estratosfera e os peidos de vaca em cinco continentes ao mesmo tempo? Como ganhar oscares e eleições correndo o risco de ser acusado de ser contra as criancinhas?

É absolutamente sintomático o fato dos três candidatos à presidência brasileiros terem corrido para o circo de Copenhague. É para isso mesmo que ele serve. Lá demagogos do mundo inteiro, notórios por nunca terem cumprido nada do que prometeram, conhecidos por não obedecer lei nenhuma a começar pelas dos seus próprios países, podem sempre jurar mais um compromisso solene com metas que nunca pretenderam cumprir para levar pra casa o troco fácil de dizer que os americanos (aqueles chatos, obrigados a seguir a lei e cumprir o que se comprometem a fazer) é que os impediram de salvar o planeta.

E o mundo que se exploda! Après moi, le déluge!

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§ 8 Respostas para O problema ambiental somos você e eu

  • Tony disse:

    Pois é meu caro, mas neste aspecto da natalidade os esquerdistas determinam o controle e ponto.

    Enquanto os liberais, defendendo as liberdades individuais, abrem espaço para os religiosos e seus dogmas obtusos…

    • fernaslm disse:

      ainda prefiro assim, tony,
      mas se em vez de entrarem todos na manada para mugir em uníssono eles começassem a discutir a questão principal e, ao menos a imprensa “esclarecida”, a fazer campanha pelo que interessa já adiantava muito, né mesmo?

  • barbara gancia disse:

    ai, que infelicidade! Serei forçada a plagiar este texto, praticamente na íntegra, na minha coluna de sexta-feira. Diante da clareza aqui explicitada, não há como resistir. Ao menos, poderei dizer que copiei as ideias do ex-presidente da Greenpeace-Brasil…

  • Joao Camargo disse:

    Este texto eo maximo falando da Falacia do meio ambiente, Gostaria dr ter este texto na minha chave democracia.com@estadao.com.br

  • jonathan disse:

    Parabéns pelo texto! Acima de todos os problemas realmente esta a superpopulação do planeta, coisa que c/exceção de vc e Malthus, nunca vi ninguém abordar com tanta frieza. O sistema é viciado?Sim, mas como construir tantas creches, hospitais, escolas se a cada esquina existe uma mulher grávida!O controle da natalidade deve ser rigido e sem ele não sobreviveremos!

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