A “tempestade perfeita”
1 de novembro de 2009 § Deixe um comentário
Ha um crescente incômodo no ambiente. Uma inquietação agita os organismos mais sensiveis como nas vésperas dos grandes terremotos.
O governo Lula acabou.
Vem aí o governo do PT.
Por que foi mesmo que o Brasil resistiu a ele por mais de 20 anos, apesar de todo o poder de sedução de Lula?
O PT que treme de excitação para agarrar o leme é aquele velho PT que se formou no culto ao rancor e à intolerância. A escola política de suas figuras de ponta foi a clandestinidade e a dissimulação. Acreditavam-se portadores da Verdade e só admitiam discutí-la a tiros. Promoviam julgamentos à revelia de pessoas que não se sabiam acusadas e executavam suas sentenças na rua. Tudo, o recurso a qualquer meio se justificava pelos fins a serem atingidos.
É o partido que temperou os seus quadros nos conflitos entre “tendências”, nas conspirações de bastidores, no patrulhamento ideológico e nos linchamentos morais. É aquele PT que, a vida inteira, manteve o próprio Lula em permanente sinuca, disputando voto a voto o controle do partido. Só que agora depurado de seus idealistas; despido de qualquer traço de altruísmo; livre de contestações internas e de freios éticos. Desencantado da idéia de usar esse poder para algum outro fim maior.
Agora, tudo que foi aprendido nessa escola está a serviço do poder pelo poder.
Este que nos quer é um PT que assume o que é; que mente diante da prova; que prende o denunciante para garantir a impunidade do denunciado. É o PT que grampeia o Supremo Tribunal Federal; que vaza gravações; que assume o uso da chantagem.
É o PT dos linchamentos publicos; das perseguições individuais. O PT que censura, que reescreve a história, que apaga mensalões. É o PT que financia e abraça invasores; que devolve fugitivos de Cuba e abriga fugitivos da Italia. É o PT que cultua Fidel Castro e que abraça Chavez e Ahmadinejad. É o PT de Honduras.
O velho PT-POL, que ocupou de ponta a ponta a máquina publica com uma multidão que é inconstitucional devolver para fora, agora é dono da Policia e da Receita Federal e tem online, na ponta da unha, todas as empresas e todos os cidadãos do país, nos seus computadores que só os da Nasa, nas suas câmeras, nos seus grampos.
É esse PT que se prepara para saltar em cima de um país desinstitucionalizado, cujo padrão moral Lula levou do elástico para o esgarçado, do criticavel para o indefensável.
O Congresso Nacional é o do companheiro Sarney. Seus próprios membros não se levam à sério. Este vem junto de podre, catando as migalhas. E se não vier, fecha-se. Quem haveria de defende-lo? Com que argumentos?
E as outras instâncias de fiscalização? As agências setoriais já são território conquistado. Compõem, agora, o arsenal de cooptação de empresários amigos ou retaliação contra quem queira mostrar independência. TCU, Ibama, Ministério Publico? Que não ousem deter a “máquina de produção” do governo. O TCU ainda é inaparelhavel? Ha resistências contra a sua anulação? Contorne-se a dificuldade. Vamos criar uma instância aparelhavel por cima dele…
Se o orçamento já não valia nada, hoje o que ha é o PAC. Mais e mais dinheiro presente e dinheiro futuro é concentrado nas mãos da União. E sua excelência em pessoa manda avisar que dona Dilma vai “negociar” obra por obra com governadores e prefeitos. Cada fonte luminosa, cada calçada vai requerer um beija-mão…
O Judiciário ainda não está morto. Mas está domesticado. Nos tres tribunais superiores – o de Justiça, o do Trabalho e o Militar – mais de 50% dos quadros foram nomeados por Lula. E no Supremo, 8 dos 11 juízes foram colocados por ele. O ultimo, um jovenzinho sem expressão, é o advogado pessoal do presidente…
E a economia privada?
Na agricultura, ninguém sabe o que é de quem. Não ha critérios mensuráveis ou previsíveis. O que vale são as “vistorias” e os “ukazes” do Incra. Tudo fica na dependência da boa ou da má vontade de alguém do partido. E se até isso falhar, o “inexistente” (e portanto inimputavel) MST está aí pro que der e vier…
Nas maiores empresas “privadas”, o BNDES e os fundos de pensão das estatais, quase órgãos do partido, geridos pela elite do seu braço sindical, participam do controle e, quando não, dos conselhos de administração. E o padrão de governança corporativa pelo qual se pautam é o que foi esboçado no episódio Vale x presidente da Republica.
Isto para o que diz respeito aos investimentos passados dos fundos estatais e do BNDES. Para os do futuro, está aí o modelo da Oi x Telemar.
Olhando-se o que realmente interessa, como notou Fernando Henrique Cardoso em artigo para o Estadão deste domingo, encontraremos os sindicatos, os “movimentos sociais” e os “capitalistas de relacionamentos” igualmente amarrados no mesmo laço da dependência direta dos fundos de pensão das estatais e do Tesouro Nacional.
Para os que não estão presos nesse abraço e para as empresas menores, sempre ha o recurso à Receita e à Polícia Federal que grampeia, invade na madrugada e algema.
A intelectualidade?
Já não é necessário insistir em formalidades que, de prático, só renderiam críticas internacionais. Os mestres das ocupações gamscianas agora controlam as leis de incentivo à produção cultural; a torneira sem a abertura da qual ela não se materializa. Desde já, nada “fora do esquadro” passa pelas bancas de aprovação do PT. A intelectualidade, portanto, segue “no bolso”…
A TV? Pelo Brasil afora, já é dos donos do poder. E a imprensa se debate na sua crise histórica.
E se o país reagisse, que país reagiria: o dos “negros”, o dos “brancos” ou o dos índios?
O Brasil está diante do que os americanos chamam “a tempestade perfeita”.
E se a Dilma levar…




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