O ultimo dos moicanos

16 de setembro de 2009 § 1 comentário

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Puma yagouaroundi.

Com seu primo do Norte, Puma concolor, é um dos mais versáteis entre os mamíferos. Espalha-se por mais de 100° de latitude do globo terrestre. Se vira bem das escarpas geladas do Estreito de Magalhães até o Yukon canadense, e em variações de altitudes tão amplas quanto o nível do mar e 4 mil metros montanha acima. Dos desertos às florestas úmidas, dos extremos de frio aos extremos de calor, nada conseguiu detê-los.

As fêmeas, que demoram entre 70 e 75 dias em gestação, dão à luz entre um e quatro filhotes por vez. Amamentam por 6 a 7 meses e, nesse período, têm de caçar até três vezes mais do que bastaria só para elas. Passada essa etapa em que vivem estritamente para as crias, começam a levá-las em suas caçadas, para aprender.

Esses gatos americanos são parentes muito próximos das chitas africanas. Estão entre os felinos com maior proporção entre a pata traseira – a de dar impulso – e a dianteira. São feitos para correr, saltar, se esticar, mais que qualquer outro animal. Existem fósseis em tudo parecidos, entre esses dois, de mais de três milhões de anos.

cataclismoOs mamíferos, nossos primos, evoluem de um grupo especial de répteis há cerca de 285 milhões de anos. Aparecem na Terra antes dos dinossauros. Os dois convivem por 160 milhões de anos, perambulando pelo planeta. Mas os mamíferos desenvolvem a capacidade de regular internamente a temperatura do corpo, que os dinossauros não têm. E isto aumenta a sua versatilidade quanto a habitats. É, provavelmente, o que os faz sobreviver à extinção dos dinosauros, que ocorre 65 milhões de anos atrás.

Começa aí a era de ouro da nossa espécie. Nos ultimos 45 milhões de anos todos os grupos de mamíferos que conhecemos hoje já estavam aí.

Somos 5411 espécies.

Como os felinos, nós estamos entre os mamíferos placentais (que nascemos em úteros). Evoluímos junto com os grandes eventos tectônicos que provocaram a separação dos continentes.

Puma yagouaroundi.

De jaguarundi, o “gato do mato”, como os chamavam os guerreiros tupi-guarani. Sub categoria dos jaguar, “aqueles que brigam”, que gostavam do Jaguaré, o “lugar amigo das onças”.

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Este de Louveira, era um deles.

Exausta, cercada, derrotada, era, possivelmente, a ultima onça parda deste particular pedaço da grande área entre o mar e mais de 300 quilometros para o interior, talhada e retalhada pelo desdobramento em metástese desta São Paulo, que um dia foi deles. A ultima de uma raça que viveu nas matas que ali houveram desde os começos do mundo.

Como seus ancestrais, ela reunia todo o equipamento necessário para atravessar dois milhões e oitocentos e cinqüenta mil séculos de cataclismos de proporções planetárias, de choques de gigantescos corpos celestes contra a Terra, de glaciações, de fomes, de predadores, de doenças e o mais. Por todos esses milênios, sustentou seu direito de continuar viva, aqui e agora.

Mas não estava preparada para que lhe tirassem o chão de debaixo das patas; para que lhe suprimissem o mundo de em volta do corpo…

“Mor-reu-na-con-tra-mão-atra-pa-lhan-do-o-trâââânsitô!”

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