Mais umas tantas obviedades
11 de abril de 2012 § 1 comentário
Olavo Noleto, sub-chefe de Assuntos Federativos da Secretaria de Relações Institucionais, aquela comandada por dona Ideli das Lanchas, “fumou mas não tragou”.
“Sim“, disse lavado em lágrimas, “eu conhecia mas não mantinha relações com o sr. Carlos Cachoeira“.
Não era de sexo que ele estava falando.
Noleto foi gravado, também, em conversas intimas com Wladimir Garcez, o nº 2 da organização criminosa do seu “conhecido”, segundo ele “para tentar negociar a adesão de Demostenes Torres à campanha de Dilma“.
Ideli das Lanchas acreditou…
E o Brasil se livrou por pouco de Demostenes Torres se tornar outro José Sarney, aliado da situação, o que faria dele mais um facínora intocável.
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O PSDB decidiu defender o mandato do deputado Carlos Lereia (GO) que, flagrado recebendo dinheiro das Organizações Cachoeira, disse que foi só “por relação de amizade“. O que confirma que a probabilidade de punição de políticos corruptos no Brasil por seus próprios correligionários é inversamente proporcional à distância que o partido do meliante está do poder.
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Rubens Otoni (PT-GO) aparece nas gravações da Polícia Federal discutindo dinheiro para o Caixa 2 da campanha para a eleição de 2004.
Mas, junto com todas as outras instituições da Republica, a imprensa em peso continua guardando um silêncio atroador sobre a pergunta óbvia:
Com que direito eles se sentaram em cima dessa informação por 8 anos? Isso não dá cadeia?
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Procuraram e procuraram, de lanterna na mão, alguém do PMDB, o maior partido do Ocidente, em condições de presidir a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar.
Não encontraram.
Esta democracia é pequena demais para nós tres
16 de setembro de 2011 § 2 Comentários
“Viva o povo brasileiro, viva o PMDB, viva o Brasil”?!!
Alto lá, dona Dilma!
Esta democracia é pequena demais para nós três! Somos mutuamente excludentes: ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil!
Fica aí, registrada, a minha primeira reação ao discurso da presidente no fórum organizado pelo maior partido da “base aliada” para traçar estratégias para as eleições municipais de 2012 (argh!) que, no dia seguinte à demissão daquele velhinho bandalho do motel do Ministério do Turismo, tisnou para sempre a biografia de Dilma Vana Rousseff com a mancha de uma ovação recebida ao vivo daquela “corte de homens de cabelos pintados ou transplantados em que consiste a fina flor do PMDB”, segundo a descrição precisa de Roberto Pompeu de Toledo.
Mas, controladas as erupções cutâneas e aplacado o estomago que, à minha revelia, sempre reagem com violência indômita a qualquer “ato político” dessa organização, fui voltando lentamente à ambiguidade dos meus sentimentos em relação à Dilma.
O quarto representante da herança maldita em menos de nove meses atirado de volta para o aterro sanitário do Congresso Nacional, que ainda é o máximo que se consegue fazer contra os ratos e as baratas que infestam a política brasileira está aí para provar a autenticidade dos sentimentos da presidente com relação ao “vício brasileiro”.
A sua recusa em aceitar fichas-sujas para substituí-lo – e tentaram impingir-lhe um acusado de assassinato (!!) e, em seguida, mais um porcalhão do Dnit – também corrobora essa impressão.
Mas no fim das contas trocamos um Sarney por outro Sarney, ficando como saldo positivo os sinais de que está se esgotando o estoque de ladrões do Sarney.
O estomago e a epiderme ameaçaram se rebelar de novo mas eu encurtei-lhes as rédeas.
O mundo está derretendo, a inflação está mostrando os dentes, o crescimento já meteu o pé no breque…
Vai ser preciso agir, e agir com rapidez e agilidade para enfrentar o que vem vindo aí. E quanto mais o país precisar de decisões, mais aumentará o poder de chantagem do aterro sanitário.
Melhor pensar duas vezes…
“Viva o povo brasileiro, viva o PMDB, viva o Brasil”.
Nessa ordem.
É o que temos. E, além do mais, pensei, na outra ponta está a turma que grita “Dirceu, guerreiro, do povo brasileiro!” e que, como a Dilma também lembrou na mesma reunião do PMDB, “prefere um partido único, modelo rejeitado em nosso país”.
E da irritação fez-se a comiseração.
Não ha que se exigir de Dilma mais do que Dilma pode dar. Para adiante do que já fomos, só mesmo com o engajamento da sociedade. Este que se ensaiou timidamente no 7 de Setembro elevado à enésima potência.
Porque não haverá rebelião da “base” nem que a vaca tussa
19 de agosto de 2011 § 1 comentário

Bastou um encontro a portas fechadas com Lula e as algemas da Polícia Federal se tornaram uma ameaça mais preocupante para o futuro da democracia brasileira que os telefonemas grampeados dos algemados que a TV exibia naquele mesmo momento pedindo “capricho na fachada” das arapucas com que assaltam os miseráveis deste país.
“Mil desculpas, excelências! Vamos nos encontrar uma vez por mês, daqui por diante, e todos os partidos aliados estão convidados. Não haverá mais abusos…”
Na sequência uma reunião solene para afagar os 80 deputados e 20 senadores do partido do vice-presidente da Republica, seguida da liberação de R$ 1 bilhão em emendas parlamentares que, de qualquer modo, já estão na coluna de gastos desde 2009, e mais a re-confirmação da promessa de que será ao PMDB que o PT entregará a presidência da Câmara em 2013, se um dia 2013 chegar.
Na despedida, a presidente até aquiesceu que tem sido “sectarista” a cobertura dos escândalos pela imprensa…
E só isso já bastou para alguns jornalistas considerarem que, de uma vez por todas, Dilma “aderiu ao pragmatismo lulista”.
Pode ser…

Mas eu ainda resisto a me entregar a essa ansiedade de ver o país voltar à sua “normalidade” anormal. E invoco como prova da precipitação de tal conclusão o fato de que enquanto Dilma fazia todo esse rapapé o chefão da Agricultura, posto lá por Michel Temer em pessoa, despencava para a lixeira.
Mais um. E bitelão!
Dilma, é claro, esta vendo que o mar não está pra peixe – falo do mundo e não da nossa particular lagoa de piranhas – e sabe que vai precisar de votos para aprovar medidas que ajudem a poupar o país do contagio pelo segundo mergulho da crise financeira mundial.
É bom dar um tempo para tomar fôlego, portanto.
Mas antes de chegar a conclusões definitivas é preciso por na balança também o pragmatismo inflexível dos nossos xiitas do adesismo. Se ha alguma coisa de absolutamente sólido e estavel neste país é a firme aderência desse tipo especial de ser humano que consegue passar pelo rigoroso filtro da nossa política para dentro do “sistema” a todo e qualquer governo que se elege.

Alguém comentava ontem na televisão o “comedimento” de Michel Temer durante todo esse tiroteio, atribuindo tudo isso a uma suposta característica pessoal dele de autocontrole.
De fato. Michel Temer é um profissional que sabe fazer cálculos. Senão não estava bilionário como está.
É claro para ele como é claro para qualquer pessoa razoavelmente lucida que, a menos que o mundo afunde de vez, enquanto a China continuar faminta por commodities o Brasil seguirá se aguentando pra lá de bem, mesmo com toda a roubalheira; mesmo com toda a gastança; mesmo com toda a incompetência gerencial de que se tem dado provas por aí.
E como isso de eleições “It’s the economy, your stupid“, enquanto a economia não estiver descendo pelo ralo o poder continuará nas mãos do PT.

E aí (a História é minha testemunha) enquanto o PT tiver o governo os xiitas do adesismo continuarão aliados ao PT, mesmo porque nunca fizeram e nem sabem fazer outra coisa senão “estar aliados a governos”. Não governando, que isso dá muito trabalho, mas “estando aliados a governos”, que é uma delícia, sobretudo depois do “liberou geral” do Lula.
Se antes a corrupção requeria um empresário privado na outra ponta, dividindo o que fosse roubado, os partidos “da base” de hoje não precisam mais dessa bobagem. Criam eles próprios as empresas com quem os ministérios com que são contemplados vão fazer negócios. Não é preciso dividir com ninguém.
Agora eles mesmos cobram os escanteios e correm pra área pra cabecear pro gol.
E perder uma mina dessas!? Nem pen – sar!
Veja-se o PR. Lá da “lixeira” da Dilma o presidente Alfredo Nascimento anunciou a “decisão do partido de se retirar da coalizão”. Se não tivesse calado a boca daí por diante para livrar a cara, sua próxima frase teria de ser a clássica “Fomos traídos!”, já que não deu zebra: todo mundo se fez de bobo e continuou exatamente onde estava. Alguns balbuciaram que oposição, oposição mesmo, é exagero, mas que doravante passariam a “votar segundo sua consciência”. Mas isso é só uma confissão, para os anais, de que até então vinham votando exclusivamente com o bolso. Folclore…

PMDB et caterva não querem governar. E fazer oposição, ou é para quem quer ser o próximo governo, ou é coisa pra herói que realmente só pensa no interesse publico.
Não tem ninguém assim na “coalizão”.
De modo que a Dilma não precisa violentar a sua natureza porque não haverá rebelião nem que a vaca tussa.
Ta certo: é preciso andar com cuidado, esperar o horizonte desanuviar um pouco, trabalhar pela blindagem da economia contra a crise.
A Dilma esta sozinha nisso. O Lula pressiona porque ele é o mais bandalho entre os bandalhos e está se lambuzando que só ele, pra cima e pra baixo nos jatões da Odebrecht. Mas a Dilma é que é a presidente, e presidente ainda tem muita força no Brasil.
Se a imprensa não recuar, como é do seu dever; se der a ela, de fora, o apoio que lhe é negado de dentro, ela terá a cobertura que precisa para, a tempo e a hora, retomar a “faxina” sem poder ser desafiada de frente porque isso queimaria mais o desafiante do que ela.
Ate no Brasil ainda pega mal “fechar” com os assaltantes contra os assaltados em cima do flagrante. Mesmo pro Lula. E depois, limpar um pouco da miséria moral que assola o país é condição essencial para acabar com a outra.

Aproveite a Dilma enquanto durar
5 de abril de 2011 § 1 comentário

“Tem que acabar com esse preconceito contra políticos (ele se referia à resistência da Dilma em distribuir-lhes cargos). Se Geddel (Vieira Lima, um dos “Anões do Orçamento”) foi ministro porque não pode ser vice-presidente da Caixa? Se o Iris (Resende) foi governador como não pode comandar a Sudeco (o equivalente da Sudene para o Centro Oeste)? É verdade que o Lula aceitava mais políticos em cargos técnicos. Até porque o ex-presidente tinha uma formação mais política e mais sensibilidade para essa questão. Não se pode exigir da Dilma, em tão pouco tempo de exercício do poder, o desempenho de Lula nas questões políticas e a capacidade dele para entender essas necessidades. Até porque ela nunca exercitou antes esses temas políticos, ja que era uma executiva“.
Esse discurso não me sai da cabeça desde que o li no Globo de domingo passado.
Considerando-se que quem o proferiu foi Henrique Eduardo Alves (RN), deputado ha mais de 40 anos que, neste seu 11ro mandato, fez por merecer o posto de líder do PMDB na Câmara, o leitor há de concordar comigo que ele é uma das descrições mais dolorosamente perfeitas,ouvidas ultimamente, disso em que se converteu o que chamamos de política no Brasil.
A primeira coisa que chama a atenção é o quanto o cachimbo pode entortar uma boca ao longo de quatro décadas de imersão no promiscuo troca-troca dos que vivem de partilhar “a governabilidade” deste país.

“Esse preconceito contra político … em cargo técnico” quer dizer, sem mais nem menos, esse “preconceito” contra a roubalheira institucionalizada.
Sim, porque, do ponto de vista do governo, não existe nenhuma explicação razoável para se colocar um sujeito num cargo do qual ele nada entende ou num cargo desnecessário criado especialmente para este fim (e o Brasil já tem 37 ministérios!) a não ser que seja para pagá-lo antecipadamente pelos votos que, contra essa nomeação, ele promete dar a projetos do Executivo no Congresso, sejam eles de interesse nacional ou não. E do ponto de vista do nomeado, nada justifica que ele aceite o posto no qual não poderá dar nenhuma contribuição técnica, senão para usá-lo para fazer-se remunerar pelos votos que, antecipadamente, promete vender em troca dessa oportunidade de se locupletar.
É particularmente desanimadora a candura sincera com que “sua excelência” declara ao país o que pensa a esse respeito, candura esta que coloca-o aquém da imoralidade, naquele território dos que não são mais capazes de discernir o que é e o que não é ético no jogo da política.
É como o drogado que, na euforia do desfrute do seu “barato”, ainda não se dá conta de que está doente, o que o põe além da possibilidade da cura.
Se o tomarmos como padrão – e certamente ele não seria eleito primus inter pares do partido que tem cadeira cativa em todos os governos desde a inauguração da “Nova Republica” se não o fosse – teremos uma medida desanimadora do quanto estamos longe da possiblidade de nos tornarmos uma “democracia” apta a dispensar as aspas.

Mas Henrique Eduardo é peixe pequeno.
Naquele mesmo fim-de-semana a revista Época publicava o relatório final do Mensalão entregue pela Policia Federal ao Supremo Tribunal Federal, onde se reafirma, tim-tim por tim-tim, que é rigorosa e detalhadamente verdadeiro tudo quanto o Procurador Geral da Republica, Antônio Fernando de Souza, imputou aos 40 membros da “organização criminosa” chefiada pelo ex-titular da Casa Civil da Presidência da Republica, José Dirceu, a partir da sala vizinha à do presidente Lula no Palácio do Planalto. E, no entanto, ele passou os últimos 6 anos dizendo que o Mensalão não passava de uma mentira urdida pelas “elites golpistas” e ameaçando dar ele o golpe nas liberdades democráticas fundamentais antes delas, se elas continuassem relatando ao povo o que a policia e o Ministério Publico diziam de seu governo.
Nas 332 páginas desse relatório descreve-se em minucias como o “publicitário” Marcos Valério inventava contas e “serviços prestados” para dar origem ao dinheiro que os 40 ladrões do PT manipulavam para comprar políticos no Congresso e fora dele, para comprar eleições ou para melhorar a vida da companheirada. Mostra-se como o Banco do Brasil foi usado para essa vasta operação de “técnica política” por meio da conta Visanet, e como o amigo de 20 anos e, naquela altura, guarda-costas pessoal do presidente em pessoa, Freud Godoy, mordeu o seu pedaço, confessadamente “para pagar despesas de campanha” do senhor presidente.
Lula, como nos lembra o líder do PMDB e todos nós pudemos comprovar ao longo dos seus oito anos de governo, “tinha mais sensibilidade (que a Dilma) para essas questões e … para entender essas necessidades” da politica, simplesmente porque nunca fez outra coisa na vida.

Para nosso alívio o experiente líder peemedebista constatava também que “não se pode exigir de Dilma o mesmo desempenho de Lula … até porque ela nunca exercitou antes esses temas políticos, já que era uma executiva”.
O nosso cândido Henrique Eduardo esqueceu outro ingrediente que não é de somenos nessa “falha de desempenho” de Dilma, que é o fato dela nunca ter sido membro do PT, agremiação que se transformou numa escola tão exigente quanto a esse tipo de prática de que o seu líder supremo é o paradigma quanto as madrassas do Talibã em relação aos preceitos dos aiatolás. Não ha escolha: é segui-las ou ser expulso do partido.
Eu que sou um cara propenso a me iludir a respeito da natureza humana (hoje, confesso, isso já é uma “ilusão” que ponho conscientemente entre aspas porque não faz sentido ser jornalista sem ser otimista em relação a possibilidade de ver as coisas mudarem um dia) ainda alimento a expectativa de que Dilma está consciente de que os índices de popularidade colhidos nestes primeiros 100 dias (47%, o que é mais que Lula teve no mesmo momento de sua trajetória), se devem mais ao que ela mostra de diferenças do que pelo que ela tem de semelhanças em relação a ele. E talvez isso a anime a aprofundar essas diferenças.
Mas mesmo que a coisa seja só questão de tempo, como pensa o líder do PMDB, podemos aproveitar bastante a Dilma enquanto ela durar, já que seria necessário muito mais tempo do que ela provavelmente vai ter no poder para que “se exercitasse” nessas práticas o suficiente para fazer com que sua experiência como executiva fosse definitivamente apagada por sua prática como politica.








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