Golpe com anestesia

19 de março de 2014 § 19 Comentários

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Em 11 de julho de 2012 O Estado de S. Paulo publicou a primeira e quase única matéria que saiu na “grande” imprensa brasileira até ontem sobre o verdadeiro assalto praticado contra a “nossa” Petrobras envolvendo uma refinaria obsoleta em Pasadena, Texas, que nos foi empurrada goela abaixo daquela forma risonha e franca habitual entre os que têm a certeza da impunidade.

Naquela ocasião, já lá vão 20 meses, o destaque dado à matéria foi inteiramente desproporcional ao escândalo que ela relatava e que envolvia diretamente ninguém menos que a atual presidente da Republica, Dilma Roussef, presidente do Conselho de Administração da Petrobrás quando a falcatrua foi aprovada.

Veja bem, o resumo do caso é o seguinte:

Em 2005 a família Frére, da Bélgica, compra a refinaria de Pasadena por US$ 42,5 milhões. Era uma refinaria pequena que estava desativada e que não tinha condições técnicas de processar o petróleo pesado produzido no Brasil.

 

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Em 2006, ela vende à Petrobras 50% do que comprou por US$ 360 milhões, ou seja, 8,47 vezes mais do que pagou pela refinaria inteira ou 17 vezes mais que o que pagou por 100% de suas ações. O agente direto dessa transação, Alberto Feilhaber, é um desses patriotas que pululam neste governo. Tinha 20 anos de Petrobras em seu currículo mas, àquela altura estava empregado da Astra, a empresa dos tais belgas.

Mas essa primeira mordida não foi bastante. Segundo informa hoje O Estado de S. Paulo com 20 meses de atraso em relação à sua primeira matéria, a Petrobras se comprometeu por contrato a comprar o restante das ações  ao fim de um certo prazo acrescidas de um lucro anual de 6,9%.

Em 2012, ao fim de uma batalha judicial, a Petrobras paga aos felizardos belgas mais 820 milhões e quinhentos mil dólares pelos 50% restantes, perfazendo 1 bilhão e 180 milhões de dólares pelo “mico” inteiro, o equivalente a 277,64 vezes o que eles tinham pago pela empresa, o que obviamente não quer dizer que eles embolsaram sozinhos toda essa multiplicação.

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No meio do caminho, desde 2008 quando entrou em litígio nos EUA contra seus sócios belgas, a Petrobras contrata um escritório de advocacia ligado aos próprios signatários da falcatrua para defende-los naquele país pela bagatela 7 milhões e novecentos mil dólares…

E quem foi o arquiteto de toda essa operação transcorrida em pleno ano eleitoral?

Um certo senhor Nestor Cerveró, nomeado Diretor Internacional da Petrobras, segundo consta por ninguém menos que José Dirceu, o mais VIP entre os hospedes da ala VIP da Prisão Federal da Papuda que ele divide com metade da diretoria do Partido dos Trabalhadores que ainda nos governa, depois que ele já tinha sido apeado da Casa Civil da Presidência da Republica de Lula por causa do Mensalão.

Este senhor Cerveró continua até hoje na Petrobrás como Diretor Financeiro da BR-Distribuidora, imaginem vocês que festa!

As demais figuras de proa envolvidas na operação não estão mais lá.

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Dilma Roussef a presidente do Conselho de Administração que  assinou o negócio proposto pelo preposto de Dirceu, virou presidente da Republica e hoje publica nota oficial no Estado para dizer, candidamente, que “foi mal informada sobre a operação” que aprovou (e certamente continua sendo, posto que o “omisso” mor continua onde estava). Vale a pena ler aqui esta ode à cara-de-pau.

Sérgio Gabrielli, então diretor da Petrobrás, é hoje Secretário de Planejamento do governo da Bahia chefiado por Jacques Wagner, que pretende suceder no governo daquele estado, e que na época também fazia parte do Conselho da Petrobrás e também assinou o esbulho. Andam juntos desde sempre, esses dois.

Outro figurão cuja assinatura consta desse contrato-confissão é o hoje “consultor de empresas” e então ministro da Fazenda e membro do Conselho da Petrobrás, Antônio Palocci.

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Apesar de todos esses elementos já estarem presentes desde a primeira matéria ela saiu, como disse, perdida numa das páginas internas do jornal. Dez dias depois, a 21 de julho, o mesmo jornal publica uma matéria assinada pelos mesmos repórteres que assinavam a primeira para, sem mencionar o caso Pasadena uma única vez, contar ao distinto público que dona Graça Foster, que substituiu Gabrielli na presidência da Petrobrás, estava “passando um pente fino” em todos os contratos da estatal, além de afastar quatro diretores ligados ao ex-presidente, com quem, entretanto, seguia mantendo as melhores relações: “A gente é amigo…A diferença é que você é menino e eu sou menina”. Não é um amor?

Sobre Pasadena, porém, ela nada mais disse nem lhe foi perguntado.

O resto da grande imprensa brasileira, com exceção da Veja, praticamente ignorou o assunto. Seguiu publicando, aqui e ali, os dossiês regulamentares a que figuras nunca nomeadas lhe “dão acesso”, tais como, entre outros, o caso Alstom, velho de 31 anos e envolvendo, entre outras figuras menores do partido, um grande numero de membros já falecidos do PSDB, que nesse meio tempo mereceu dúzias das manchetes que todos negaram ao caso da multiplicação por 277 vezes do preço de um bem que não nos serve para nada numa transação aprovada pela atual presidente da Republica candidata à reeleição em pessoa.

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Nesse meio tempo, ainda, a Petrobras, por essas razões e por outras ainda piores, teve seu valor de mercado reduzido em 43% (desde 2010), algo equivalente a R$ 165 bilhões de prejuízo para seus acionistas ao redor do mundo, os mesmos de cujo dinheiro depende a reforma da infraestrutura brasileira que, nestes 12 anos à frente do destino da Nação, o PT permitiu que se transformasse em sucata depois de dissipar na compra de votos e na contratação de “companheiros” todo o dinheiro que poderia tê-la resgatado e modernizado minimamente.

Na semana passada mesmo ficamos sabendo de outra. Trata-se, agora de suborno diretamente pago por alugadores de plataformas “para o pré-sal” a diretores da empresa também da época em que seu órgão máximo de direção era presidido pela atual presidente da Republica candidata à reeleição. Coisa de US$ 130 milhões até onde conseguiram saber as autoridades holandesas que investigam o caso ha anos.

É mais um fato que não move as chefias de redações brasileiras a qualquer reação proporcional à importância dos personagens envolvidos nesta véspera de uma eleição que tem tudo para ser a última como, por exemplo, mandar “enviados especiais” à Holanda para tirar essa história a limpo, o que seria uma providência nada mais que comezinha.

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Nada!

A imprensa nacional envia seus atentos farejadores para chover no molhado dos conflitos mais minuciosamente cobertos do mundo, como o da Criméia e o da Venezuela, e ha até quem mande “enviados” à caça de “features” frios lá no Vale do Silício, como que para nos confirmar que não é de contenção de despesas que se trata.

Mas ninguém mostra curiosidade em saber nada do que descobriu a polícia holandesa – e a norte-americana e a inglesa também têm o que nos dizer sobre isso – a respeito das falcatruas da diretoria que a atual presidente da Republica instalou na maior empresa do pais, hoje à beira da falência, flagradas e confirmadas com vasta documentação.

Foi – ora vejam! – o PMDB quem denunciou o caso na abertura da sua tradicional temporada de “caça ao filé” de toda véspera de eleição. E a julgar pelas providências tomadas até agora, ele poderia facilmente “furá-los” mais uma vez chegando com seus “investigadores” à Holanda antes de qualquer jornalista. Não será o caso apenas e tão somente porque, pelos mesmos métodos que constam das denuncias investigadas na Holanda, o governo acusado já “tomou o controle” da Comissão Externa montada pela Câmara para este fim, pelo que fica desde já garantido que por essa via não saberemos de mais novidades.

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Sendo este o ambiente geral da Nação onde, desde o advento do PT no poder tornou-se gradativamente consensual que denunciar a corrupção alheia em campanhas eleitorais “é baixaria”, os candidatos da moribunda oposição continuam sem um discurso que possa abalar a recandidatura de dona Dilma de Pasadena.

É por essas e outras que o Brasil encontra-se hoje na inédita situação do país que sofreu um golpe de estado mas ainda não se apercebeu disso.

Distraídos em catar a chuva de trocadinhos que lhes vem sendo ardilosamente atirada sobre as cabeças ao som do foguetório da imprensa contra alvos especialmente criados para desviar-lhes a atenção daquilo que interessa, os brasileiros foram sendo gentilmente despidos de suas calças, tangidos para as janelas escancaradas das suas antigas defesas institucionais e tendo os seus traseiros desnudos convenientemente pendurados dos parapeitos com o “alvo” devidamente engraxado a espera do que der e vier. E desde a posse do STF “de ocasião” que desmanchou as condenações do Mensalão, já não resta rigorosamente nenhuma instituição em pé a que um eventual violentado possa recorrer em sua defesa.

O que está faltando, por enquanto, é apenas o apetite do PT para completar o ato para o qual nos preparou a todos, saciadíssima que está a sua libido que se vem regalando à farta sem que ninguém o incomode nesse bacanal.

Esse apetite voltar-se-á para a grande “refeição” adrede preparada quando, passada a eleição, esgotarem-se os anabolizantes que ainda vêm sendo instilados nas veias da economia real e a verdade que já se pode palpar na Petrobras e na Eletrobrás aflorar inteira às ruas e às prateleiras dos supermercados.

Nesse momento, como aconteceu na Venezuela, como aconteceu na Argentina, aquilo que até hoje foi apoio popular vai se transformar na reação irada à traição em que tudo isto de fato se constitui.

Só então o Brasil vai saber quem, exatamente, é o PT.

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Manifesto a favor do escândalo

12 de março de 2014 § 7 Comentários

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Ha uma semana que os jornais não falam de outra coisa.

Agora o “blocão” dos “aliados”, chefiado pelo PMDB, “impôs uma derrota ao governo”. A foto do Globo dessa galera em delírio de “júbilo cívico” é impressionante.

E qual o feito épico que comemoravam?

Por se sentirem lesados na divisão daquilo que eles e o PT nos arrancam juntos os “aliados” romperam o pacto de silêncio sobre as falcatruas uns dos outros que eles mantêm contra nós, o povo brasileiro. É isso que eles chamam de “votar todos os projetos com independência”.

Resultado do “voto independente” de ontem?

Vão, finalmente, dar uma olhada na roubalheira que rola dentro da Petrobras, coisa de 140 milhões de dólares de suborno pago por uma empresa que aluga plataformas de petróleo que está sendo investigada ha mais de um ano pelos governos da Holanda, da Inglaterra e dos Estados Unidos, mas não pelo do Brasil, que é o principal interessado.

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“Se quiser refazer o acordo”, diz o pessoal do PMDB (isto é, o acordo de sempre pra todos voltarem a  jogar unidos CONTRA NÓS), “o governo vai ter que sentar e conversar” (leia-se vai ter de dar aos aliados uma fatia maior do que está enfiando sozinho no bolso).

Agora, o que mais me assusta é que a imprensa noticia tudo isso pelo ângulo tranquilo e plácido do “debate político”. Segundo os “pundits” de Brasília tudo não passa de uma “crise da base de sustentação” normal para essa época de eleição (que, na verdade, é quando as máfias políticas que estão aí combinam quem vai ficar com quanto daquilo que nos tungam).

Essa perda de sensibilidade da imprensa, o fato dela assumir candidamente a linguagem e o padrão de normalidade ditado pela moral dos bandidos é, com certeza, muito mais grave que essa “afanadinha” que deram na Petrobras que não é nem a pontinha do iceberg do que rola lá dentro daquela caixa preta gigante.

A imprensa é o sistema imunológico da democracia; o agente que dá o alarme para que os anticorpos entrem em ação quando o organismo dela é invadido por alguma doença que pode matá-la.

b7O que nós estamos vendo é que o sistema imunológico da nossa democracia está “deprimido”. Ele também está doente. O vírus entra, deita, rola e arrebenta e ele não dá o alarme;  continua agindo como se tudo estivesse normal.

Com isso o organismo social não reage e deixa que a doença vá matando a sua sensibilidade moral que é o que segura a democracia em pé.

É preciso resgatar o valor do escândalo. Tem escândalo falso e tem escândalo autêntico. E o autêntico, mais que necessário, é o sinal vital da saúde moral da Nação. E SÓ A IMPRENSA PODE FAZE-LA REVIVER.  Dos políticos é que essa ressurreição não virá.

É preciso parar com essa ideia falsa de que ser profissional em jornalismo é tratar como se fosse normal aquilo que não é normal ou como se fosse saudável aquilo que é doente.

Veja-se o exemplo da cidadezinha de Hampton, na Florida, que o Jornal Nacional mostrou ontem. Montaram lá uma indústria de multas de trânsito; os funcionários da prefeitura gastaram 70 mil com cartões corporativos; a cidade deve 300 mil e não paga.

Normal?

No Brasil é coisa de criança. Não ha quem não faça. Mas lá o prefeito já está na cadeia, com o devido uniforme de presidiário e isso é só o começo. Se não aparecer a grana da indústria de multas que sumiu e a cidade não pagar sua dívida, vão acabar com ela como unidade política autônoma e incorporá-la à cidade vizinha.

É assim que se trata essas estripulias. É assim que se trata essa cambada onde a saúde moral da Nação está viva!

Corrupto tem em todo lugar. Não é privilégio de brasileiro. É privilégio da espécie humana. Mas se deixar o corrupto ganhar a parada depois de desmascarado como corrupto vai tudo pra cucuia. Não dá mais nem pra mãe da favela convencer o filho de que é melhor estudar que entrar para o tráfico, nem pra mãe do Leblon convencer o dela que é melhor trabalhar que puxar saco de político pra arrumar uma beira pra roubar a Petrobras. E o país apodrece de cabo a rabo.

Teve outro momento chocante no Jornal Nacional de ontem, aliás, que ligou alarmes em mim que nunca tinham soado antes. Viram aqueles moleques do morro depredando um carro da polícia e dando porrada nos PMs que corriam pra lá e pra cá sem reagir?

O que é que é aquilo, meu deus do céu?!

Segundo a Globo – e eu vi a cena e a repetição desse diagnóstico umas 10 vezes em todo os jornais de todos os canais de notícias de Jacarepaguá que estão sempre ligados aqui no meu posto de observação – trata-se de “uma nova estratégia usada pelo tráfico para desmoralizar as UPPs”!!!

É nada! Quem desmoraliza a polícia é a imprensa com o modo absurdamente desequilibrado como ela cobre um lado e outro dessa guerra. Não precisa “estratégia” nenhuma pra desmoralizar as UPPs. A PM está tomando cascudo e chute na bunda de pivete no centro nacional do crime organizado na véspera da Copa do Mundo porque a polícia já está desmoralizada. E não foi o tráfico que fez isso. O tráfico não tem poder para tanto, como já mostrei no artigo de ontem.

Enfim, meus caros amigos, a imprensa está precisando ir pro divã correndo. Ela é a única esperança que nos resta mas, se não abrir o olho, se não reativar o seu nervo moral adormecido,  se não reassumir a função institucional para a qual está habilitada e legitimada em todo lugar civilizado do mundo, que inclui ser propositiva e não obrigatoriamente passiva diante de fontes viciadas como parece que se exige hoje nas nossas redações, roda já pra onde já rodaram as da Venezuela e da Argentina, e nós todos com ela porque já não sobra mais nada em pé.

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2015 é o ano do tamanduá

23 de janeiro de 2014 § 2 Comentários

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Se a minoria consciente já o sabia, agora ha uma medição concreta. Viramos o espigão da subida dos salários e iniciamos a descida do morro, sempre por aquele tradicional método da inércia brasileira: o que os governos não fazem o mundo acaba fazendo por eles.

Pela primeira vez desde 2008 o peso dos salários em dólar caiu para a indústria brasileira entre janeiro e novembro de 2013. Nada que salve uma indústria que além da monumental carga de impostos e das condições dramáticas da qualidade da mão de obra (educação) e da infraestrutura, teve esse custo aumentado em 54% no acumulado entre 2009 e 2012. A redução do ano passado, de 3,8% no custo do trabalho por unidade produzida, decorre dos primeiros sinais da disparada do dólar que vem vindo por aí e só vai assumir a velocidade real depois da eleição deste ano.

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Nominalmente, em reais, os trouxas continuam tendo a impressão de que o salário segue subindo mais que a produtividade. Esse tem sido o truque mediante o qual o PT vem sustentando a sua popularidade a custa da implosão da economia nacional que, agora, vai chegando no osso com as contas “fechando” mediante as mágicas do dr. Mantega enquanto as chinas da vida nos vão comendo pelo pé.

O truque é duplamente venenoso e o que o PT comemora sempre, com o dedo na cara do mundo como ainda agora em Davos, é a tomada progressiva de toda a economia por esse veneno sistêmico.

Funciona assim: aumenta-se o salário acima da produtividade na indústria. Esta, que é a base concreta de todo o sistema de produção de riqueza nova, começa a minguar primeiro. Mas como ha uma inundação de dinheiro novo no sistema, ainda que falso, não representando ganho de produção, e o pessoal começa a gastar mais, o setor de serviços passa a vender muito mais, ou seja, incha e absorve o desemprego da indústria.

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O setor de serviços tem, então, de contratar mais gente do que a indústria está demitindo porque ainda não inventaram um jeito de fazer manicures, hot-dogs, restaurantes e cabeleireiros lá da China competir com os brasileiros como os produtos da sua indústria competem. Assim, a festa dos serviços é emprego na veia e os salários sobem mais ainda também para a indústria porque os dois setores disputam os mesmos empregados desqualificados.

É a pá de cal…

É por isso que os empregos na indústria vêm caindo ha 30 meses seguidos, junto com a produção, e as importações e o consumo disparando, assim como as compras diretas do exterior por brasileiros nestes tempos de internet e viagens facilitadas. Lá na base o que sobe, portanto, é o consumo em dólar.

A conta começa a chegar com a disparada do dólar (que começa a faltar) pra restabelecer a verdade daquele jeito que quem é maior de 40 anos já viu 20 vezes.

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Acaba tudo como a Venezuela e a Argentina, os paradigmas bolivarianos que o PT tem como melhores amigos e “parceiros comerciais“, que ontem desvalorizou o peso em 12% e anunciou que as compras na internet por seus nacionais estão proibidas. Cada argentino só poderá comprar duas vezes por ano na internet, 25 dólares de cada vez, a partir de agora. Outras imporações como as que fazia do Brasil então,nem pensar.

Ponha-se por cima disso o que vem sendo feito com outros setores essenciais pra comprar voto. Os de energia e combustíveis, por exemplo. Não foram apenas as elétricas e a Petrobras que o PT quebrou com sua genial invenção de baixar o preço da luz por decreto, inundar o país de automóveis baratos endividando o povo para enchê-lo de lata em vez de educação e infraestrutura, e depois segurar na marra o preço da gasolina. Quebrou também a indústria sucro-alcoleira, uma das maiores cadeias de produção do país (máquinas, adubos, usinas, transporte, exportação, etc.).

Ontem foi anunciado que o Brasil está importando etanol dos Estados Unidos, acredite se quiser! O primeiro navio descarregou 100 milhões de litros no porto de Itaqui, no Maranhão. Como o Nordeste ia ficar sem gasolina em ano de eleição porque, quebradas as usinas de álcool, da região a Petrobras não consegue nem processar nem distribuir o petróleo que importa por lá, dona Dilma, depois de manter o álcool nacional abaixo do preço de custo (porque o dele é função do preço da gasolina), desonerou o etanol de milho importado dos EUA do PIS e do Cofins, o que é mais um ralo nas contas públicas.

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É o tiro na nuca. Do jeito que vai, não vai sobrar nada.

A produção e as condições brasileiras de produzir álcool eram tão boas ha 10 anos que, em 2003 o Brasil lançou os carros flex. Em cinco anos o consumo de álcool já tinha ultrapassado o de gasolina.

Na média, um hectare de cana produz 7200 litros de álcool enquanto um de milho americano produz 3100 litros. De troco, as emissões de CO2 de um litro de álcool somam 400 gramas enquanto o de gasolina gera 2200 gramas. Mas mesmo assim, hoje os carros flex enchem seus tanques com gasolina. É “mais barato” (até o fim da eleição).

Resultado: de 385 usinas de cana nacionais, 100 estão endividadas até o cabo, praticamente paralisadas ou fecharam as portas. E dezenas de outros projetos que estavam prontos para decolar nem saíram do papel.

Mas a popularidade de dona Dilma se salvou, que é o que interessa.

É possível que dona Dilma consiga marcar seu gol. Mas quem vai correr pro abraço, que em 2015 vai ser dado no povo, vai ser mesmo o tamanduá. Será o abraço sufocante do dólar e da inflação nas alturas que vão nos contar, do pior jeito que ha, de que tamanho é essa mentira chamada PT.

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Um ano de “black friday” para reeleger dona Dilma

4 de dezembro de 2013 § 3 Comentários

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Os jornais de ontem estavam cheios de cálculos sobre as contas da Petrobras depois do reajuste magrelinho que dona Dilma houve por bem permitir que ela fizesse no preço dos combustíveis para explicar a queda de mais de 10% só na segunda-feira nas ações da companhia. R$ 24 bi de valor perdido em um único pregão.

Mas o buraco é mais embaixo.

O que ficou oficialmente confirmado depois do longo braço de ferro entre a disciplinada companheira Graça Foster, que engoliu em seco e voltou quieta para “a geladeira”, e dona Dilma, é que tudo neste país, sem exceção de nada (e não é pleonasmo, é ênfase mesmo), está subordinado à eleição do partido de que estas duas senhoras são meros soldadinhos.

Muito ao estilo Nicolás Maduro o que se vai anunciando é um ano inteiro de “black friday” para reeleger a senhora presidenta.

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O problema com a  Petrobras, que é só mais um copo d’água no oceano dos recursos de que o Brasil precisa para não passar as próximas décadas atolado que o PT está queimando para não perder a eleição de 2014, é que ela é um alarme para os estrangeiros de cuja poupança, mesmo em tempos normais, o Brasil depende para conseguir evitar andar para traz.

Cada vez mais nós nos vamos alinhando com aqueles países longínquos e exóticos que insistem em se agarrar ao pensamento mágico e não ingressar na idade da razão e, por isso interessam cada vez menos ao mundo adulto.

Mas quando as ações da Petrobras, as mais comercializadas deste grandalhão filo-bolivariano nas bolsas internacionais, desabam esse tanto, o mundo volta a olhar para cá com lente de aumento.

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E cada um que faz isso sai desse exame com vontade de não repeti-lo mais em função deste raciocínio palmar: se eles são capazes de fazer isso com a  Petrobras, que é o xodó do esquerdismo tupiniquim, o que não farão com o resto?

Já estão fazendo, como bem sabe quem está mais perto…

A Petrobras tem a mesma classificação nas agências internacionais de rating que o Brasil. Geridos ambos pela mesma gente, uma é um termômetro do outro.

A Petrobras ainda é “BBB”, um dos últimos graus “de investimento”. Abaixo disso é “corra que o piloto sumiu”. Acontece que depois da descoberta do pré-sal, ela própria, mobilizada a nata dos alquimistas de números do PT, anunciou que de 2013 a 2017 vai ter de investir US$ 236 bilhões de que não dispõe. A empresa está endividada no limite e, mais um pouco – este pouco que se torna obrigatório depois deste braço de ferro perdido – vai ser rebaixada.

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Com ela, provavelmente, cai junto a classificação do Brasil.

Mas isso, ainda é o de menos. O importante, insisto, é a sinalização dada, que é literalmente a seguinte: a política econômica, a política social, a política que se queira nomear do PT é eleger o PT e ponto final. É isso que manter a Petrobras tamponada e sem sangue nas células na marra quer dizer.

Dona Dilma pode continuar falando sozinha e “passando pito” nos fatos como quiser mas não engana ninguém. E a verdade é que já não quer enganar o mundo. Para o partido de que ela é funcionária antes de ser Presidente da República é bastante enganar a massa dos analfabetos funcionais e outros desinformados aqui de dentro mesmo e o resto que se dane.

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Tanto que para consegui-lo o PT jogou no lixo até a última cláusula pétrea do seu modelo “socialista” e passou à privatizar mais que o “Consenso de Washington”  para poder seguir torrando dinheiro e comprando eleitores sem deixar que o rombo inteiro que está cavando apareça antes de outubro e novembro de 2014 passarem.

Mensalão? Financiamento oficial de partidos? Dinheiro dos barões do BNDES?

Tudo isso é troco perto da gigantesca operação de compra de votos que inclui, entre outras contas, estas:

  • as desonerações no IPI desses automóveis que atravancam o país inteiro, que já custaram R$ 91,5 bilhões este ano e vão ser prorrogadas mais uma vez;
  • o irmão gêmeo deste programa feito para rechear o “Sua casa, Vida da Dilma” de geladeiras e lavadoras de roupa made in China, que ninguém sabe quanto já custou;

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  • o subsídio à gasolina (maior) e ao diesel (menor para enganar os trouxas) que custa R$ 5 bi por trimestre (R$ 20 bi por ano), fora o que se perde, em função deles, com as exportações de combustíveis que caíram, só este ano, 36%, de 606 mil barris/dia para 390 mil;
  • tudo que um país inteiro se arrastando permanentemente em engarrafamentos perde por minuto na equação carro novo para todos/estradas novas para ninguém;
  • o crédito geral ao consumo, que só os gigantes do varejo embolsam, teve alta de 14,7% neste 2013 depois de anos seguidos de crescimento, atingindo R$ 2,6 tri ou 55,4% do PIB, com os juros voltando aos dois dígitos só pra sussurrar nos ouvidos dos endividados o que é que vem aí depois da eleição;
  • o crédito aos estados e municípios, onde costuram-se neste momento as “alianças” que rendem mais minutos para mentir sem contraditório na televisão que o condenado José Dirceu coordena lá daquele hotel, decolou 61,7% nos últimos 12 meses, o maior aumento em 10 anos; foi literalmente para o espaço a Lei de Responsabilidade Fiscal que pôs o Brasil em ordem depois da “terra arrasada” deixada por José Sarney, hoje o maior e mais reverenciado sócio do PT;

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  • agora anuncia-se outro “me engana que eu gosto” para colar um esparadrapo em cima do rombo que inaugurou o “sistema Dilma de argumentação eleitoral” que foi a implosão das elétricas com aquela demagogia da redução da conta de luz na marra: a Caixa Econômica vai assumir o lugar do Tesouro Nacional para jogar nas empresas tungadas pelo decreto presidencial o que o subsídio em que ele se traduz lhes tira, numa operação triangular que faz esse montante sumir da conta do déficit nominal do governo, outro dos medidores em que os estrangeiros reparam muito; são mais R$ 10 bilhões este ano e R$ 9 bilhões calculados para 2014…

Enfim, não há limite. É um assumido e desenfreado vale-tudo este em que está empenhado o PT para não abrir mão das blandícias do poder. Estão vendendo o país inteiro! E baratinho porque o mundo todo já entendeu o risco que é meter-se com essa gente.

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O que se compra com o dinheiro do pré-sal?

22 de outubro de 2013 § 6 Comentários

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Mais do que um sucesso, foi um alívio o resultado do leilão do Campo de Libra, a “jóia da corôa” do pre-sal no qual o PT aposta todas as fichas do seu cada vez mais escasso cacife para salvar o Brasil do naufrágio para que apontam os números da operação do dia a dia destes seus quase 11 anos no comando da economia.

Pois afinal, trata-se, segundo a avaliação deles próprios, do maior tesouro atualmente mapeado no planeta e, no entanto, somente 11 das 40 empresas do mundo em condições de disputá-lo chegaram a se inscrever na aventura e, destas somente quatro – sendo duas estatais chinesas – concederam fazer a oferta mínima aceita pelo governo brasileiro. Sete desistiram a meio do caminho e a Petrobras teve de comprar, ainda, outros 10% que ninguém quis além dos 30% com que ela estava obrigada a arcar pelo modelo de partilha em vigor.

Dona Dilma correu à TV para comemorar, o que é justo posto que 24 horas antes ainda era duvidoso que alguma empresa tocada a dinheiro com dono se dispusesse a entrar na aventura.

ovo1

Refeitas as contas em cima do lance mínimo, a Total, meio estatal meio privada como tudo que há na França, e a Shell, tantas vezes apedrejada pelo PT, decidiram que vale o risco esta associação pelos próximos 30 anos com o país que recém golpeou as elétricas e seus acionistas internacionais e, nos últimos 11 anos, vive aplaudindo governos especializados em expropriações e calotes internacionais.

A comemoração de dona Dilma não deve ter animado especialmente os responsáveis por essa decisão pois ela já começou por inflar os números dos resultados esperados para o Brasil de modo a exorcizar o fantasma da cobrança por “privatarias” sempre denunciadas no alheio na campanha eleitoral que já está fervendo por aí. E isso porque o principal problema do PT, que nos pôs na presente entalada da sobreposição de um Tesouro Nacional esgotado com a infraestrutura esbagaçada, é justamente o de, sem qualquer sinal de hesitação, sacrificar literalmente tudo – dos recursos do Tesouro à credibilidade nacional – à aquisição de mais alguns milhares de votos.

ovo1

Dona Dilma festejou que mais de 80% dessa “fabulosa riqueza” que jaz a quatro quilômetros sob a crosta terrestre que, por sua vez, repousa debaixo de mais quatro quilômetros de águas oceânicas, “ficarão no Brasil”. O número resulta da “soma” dos 40% adquiridos pela Petrobras com os 41,65% de “excedente de óleo” (tudo que for extraído depois de pagos os custos de extração) que os sócios da empreitada pagarão ao governo.

Acontece que o maior sócio da empreitada é a própria Petrobras, o que nos diz que a conta real não é bem esta que ela comemora. Pois tirados 41,65% de 100% sobram 58,35% e os 40% disso de que a Petrobras é dona correspondem a 23,34% que, somados aos 41,65% que o governo já têm resultam em 64,99% que “ficarão no Brasil”, teoricamente. E teoricamente apenas porque a Petrobras, ela também proibida de cobrar mais do que paga pelos combustíveis que importa e repassa aos eleitores brasileiros, ficou reduzida à pior situação financeira em que já esteve nestes 60 anos em que tem sido “nossa”.

ovo1

Segundo estudo do Bank of America, a Petrobras é a empresa aberta com a maior dívida em todo o planeta, fora do setor financeiro, com um passivo de 112,7 bilhões de dólares, 6xs o seu Ebitda atual. Isso provocou a sua desclassificação pelas agências de risco, desclassificação esta que descerá mais um degrau nos próximos empréstimos tomados segundo regra que é função desse multiplicador.

Com o caixa lá embaixo, a Petrobras terá de arcar com 40% dos pesadíssimos investimentos no Campo de Libra. Seu plano de desembolsos até 2017 já estava orçado em outros 236 bilhões de dólares que ela não tem. Só estes 10% a mais que teve de engolir neste leilão vão lhe custar 3,5 bilhões adicionais por ano e empréstimos de mais 21 bilhões, pagos a taxas de duplamente desclassificados.

Boa parte do que vai entrar por um bolso, portanto, estará saindo por outro.

Enfim, ainda que a conta venha a ser positiva no final, essa mania de tudo inflar e tudo relacionar à tarefa de colher votos a qualquer custo é o maior custo com que arcam o Brasil e os brasileiros hoje. É este o nome de família do famigerado Custo Brasil que pagamos e repagamos a cada passo…

ovo1

Quer consolar-nos dona Dilma com a ideia de que tudo, literalmente cada tostão disso, será investido em educação e saúde.

Ok. Vamos esquecer a legião dos ladrões. Aqueles fiscaizinhos todos com malas de 800 mil embaixo do colchão como o que  a TV flagrou na semana passada e daí para cima Brasil afora.

É mesmo de falta de dinheiro o problema da educação e da saúde públicas no Brasil?

Vejamos.

A educação é o instrumento por excelência da meritocracia. A negação do amiguismo, do partidarismo aparelhante, do emprego público garantido seja qual for a qualidade do serviço prestado, dos “campeões nacionais” fabricados com dinheiro público. É a ferramenta de eliminação, enfim, de tudo que o PT representa, patrocina e sustenta e o símbolo de tudo quanto ele odeia.

O PT substituiu, nestes 10 anos, o ensaio de introdução do mérito como baliza do sistema público de educação plantado pelo governo anterior, por uma política de cotas em que tudo e mais alguma coisa – da cor da pele à disposição do candidato de mentir na cara dura – é argumento legalmente válido para jogar o merecimento no lixo.

ovo1

Com uma só e mesma penada, também de inspiração nitidamente eleitoreira, este governo destruiu igualmente os dois instrumentos que faziam a qualidade da medicina do país ser apoiada no esforço e no mérito medidos e conferidos. Foram juntos para o saco o exame do MEC, de que estão dispensados os médicos convidados pelo PT, especialmente os cubanos, e a obrigação de residência e acabamento da educação teórica com a prática antes a cargo dos CRMs que garantia a qualidade da medicina de que dependerão nossos filhos.

Como é que professores com estabilidade no emprego e dispensados de entregar qualidade poderão formar os brasileiros para enfrentar o mundo da hipercompetitividade? Como é que os empreendedores que só contam com sua disposição para o esforço derrotarão os barões do BNDES e, depois deles, os chineses e os americanos com quem disputam mercados? Como é que a ciência e a medicina nacionais farão progressos se 30 anos de dedicação e esforços para aprender puderem ser derrotados por decretos de governantes amigos?

Não, não é de dinheiro o problema da educação brasileira, assim, como não depende de haver ou não petróleo debaixo do chão que se pisa (ou do mar que se navega) que determina quem vence e quem não vence no mundo de hoje, como provam a Venezuela e o Japão, a Arábia Saudita e a Coréia do Sul.

Dinheiro só compra bens menos duráveis. Como eleições, por exemplo.

ovo1

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