Eles vivem da burrice do Brasil

6 de dezembro de 2024 § 1 comentário


Bye, bye, Paraguai

2 de dezembro de 2013 § 3 Comentários

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Outro dia foi a China que anunciou que está saindo de onde o PT quer entrar.

Na semana passada, quem diria, quem passou por nós na contramão e dando adeus às Venezuelas e às Cubas dos sonhos do PT, foi o Paraguai que, na quinta-feira 28, acabou com a imunidade parlamentar dos seus senadores – ou melhor, com aquela parcela dela que é abusiva e antidemocrática – depois de duas semanas de rebelião aberta contra a decisão anterior, do dia 14, quando 23 dos colegas do senador punido votaram a favor da sua permanência impune no Senado.

Victor Bogado, do Partido Colorado, tinha a babá de seus filhos ganhando dois salários – um pela Câmara dos Deputados e outro pela Itaipu Binacional – e foi um dos primeiros a ter seus podres publicados no novo site da internet criado pelo presidente Horácio Cartes, do seu próprio partido, para prestar contas sobre gastos públicos e dar transparência ao que se passa dentro do governo.

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Pouco depois da votação espúria, um dos parlamentares que votou pela impunidade do senador alegando a imunidade parlamentar entrou numa pizzaria para jantar.

Foi o estopim. Ele foi expulso sob vaias e palavrões e, por pouco, não foi agredido pelo público.

Daí por diante foi como uma epidemia. Restaurantes, bares, comércios, shoppings centers e até estádios de futebol e hospitais (estes abrindo exceções só para emergências) começaram a por cartazes na porta anunciando que “não atendemos ratos neste estabelecimento”. A única exceção foi uma funerária que pôs anúncios nos jornais dizendo que receberia qualquer um dos traidores “com todo o prazer”.

O povo montou uma vigília na frente do Congresso e um site foi abeto na internet com fotos dos 23 traíras e acompanhamento diário dos seus passos.

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Em duas semanas nova votação foi convocada, a imunidade do senador caiu e ele foi cassado.

Nesse meio tempo Genoíno ia para casa e José Dirceu passava a ganhar R$ 20 mil por mês para conspirar contra a democracia brasileira do jeito a que já está acostumado, enquanto todos os partidos de algum peso fechavam as portas para a admissão de Joaquim Barbosa como seu candidato em 2014.

O Paraguai esteve 35 anos sob a ditadura de Alfredo Stroessner, 14 anos a mais que os nossos ditos “de chumbo”. Nunca experimentou nada que lembrasse remotamente uma democracia digna desse nome.

E no entanto, taí respirando novos ares graças às novas condições de circulação da informação e articulação da resistência civil.

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E o Brasil?

Algo de muito semelhante ocorreu aqui no mês de junho deste ano. Mesmo com todo o marasmo em que vive a nossa política, bastou que alguém agitasse uma bandeira – no caso o STF com as condenações do Mensalão – e o povo se levantou com força suficiente para por o “Sistema” em pânico.

Mas nenhuma força organizada deu sequência ao movimento o que ensejou que os profissionais do golpe armassem a sequência de quebras-quebras que tirou a gente séria das ruas.

Se tivesse havido uma única voz disposta a puxar a fila, ela seguiria andando. Mas você pode virar e revirar os nossos 32 “partidos de esquerda”, inclusive os “de oposição” e seus milhares de candidatos; ver e rever o horário eleitoral e não encontrará rigorosamente nada que escape daquela tapeação vergonhosa que conhecemos, ofensiva à nossa inteligência de tão rasa e explícita.

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Pior, você pode revirar todos os jornais, ouvir todas as rádios, ver todos os programas jornalísticos da TV, e nada que não sejam esses próprios candidatos e o que uns estão dizendo sobre os outros lhe será apresentado. Haverá até quem afirme gostar e quem afirme não gostar deste ou daquele entre eles. Mas sugestão nova, propostas ou reportagens sobre modos diferentes de gerir a coisa pública; informações sobre como os outros que dão certo estão fazendo isso, zero!

Mesmo os acontecimentos do Paraguai tiveram uma cobertura menor que um reles desastre de trem em Nova York.

Não há exemplo histórico de processos como o brasileiro que tenham sido revertidos senão por dois tipos de expedientes: uma iniciativa forte do Poder Judiciário ou a articulação de propostas novas e campanhas para levá-las a efeito protagonizadas pela imprensa. Ou então essas duas coisas junto.

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O voto distrital com recall foi um dos instrumentos que foi criado assim e tem currículo mais brilhante no rol das revoluções pacíficas da humanidade. Tem mudado mundos e fundos nos últimos dois séculos e está aí esperando quem a tome para mudar o Brasil.

Mas, até agora, a única figura institucionalmente forte que vi pregar esse remédio no Brasil foi – adivinhe! – o ministro Joaquim Barbosa aquele que, pela primeira vez em nossa história, pôs essa bandidagem da porta da prisão para dentro, ainda que tenha sido impedido de trancá-la.

Aécio Neves, esse alegre candidato “de oposição” em busca de um discurso, é um dos que se adotasse este, correria o sério risco de, pela primeira vez na vida, dizer alguma coisa que valesse a pena ser ouvida.

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Notícias de Belíndia

24 de abril de 2013 § 1 comentário

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Está tudo pronto, no STF, para a sentença final sobre a democracia brasileira.

O mundo está de olho no Brasil”.

A advertência do ministro Joaquim Barbosa, o único homem com alguma coisa entre as pernas naquela corte, ao receber a homenagem da revista Time que o incluiu na lista dos 100 homens mais influentes do mundo, soou como um pedido de socorro.

Se o polegar virar mesmo para baixo e o Supremo assar essa pizza nunca mais se vai comer outra coisa “neste país”.

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Horácio Cartes, o novo presidente do Paraguai acusado de ter relações com o narcotráfico, fazer contrabando e lavar dinheiro – nada que o falecido Chavez não tenha feito – manda avisar que “quer trabalhar com o Brasil e não contra o Brasil”.

Nem assim acertou.

O que funciona aqui é o contrário, como provam as relações em 50 tons de cinza de Cristina Kirshner com Dilma Russef: quanto mais ela bate mais a presidenta gama.

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A Embrapa, que já teve 60% do mercado de sementes de soja e 30% do de milho especialmente desenvolvidas para as condições brasileiras, feito que nos transformou na agricultura mais eficiente do mundo, hoje está reduzida a 9% do primeiro e 1% do segundo. A gloriosa Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, sob o PT, dedica-se, quem diria, “à automação, à sustentabilidade e aos alimentos ultracêntricos”. Nem a Wikipédia informa o que venha a ser isso.

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Reluzentes espigões de vidro estão se espalhando pelas principais cidades do Norte e do Nordeste em ritmo de epidemia. Mas, lá embaixo, o esgoto continua sem tratamento em proporções que variam de 70 a mais de 90%.

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Conferidas todas as 12 cidades sede da Copa do Mundo, nenhuma gastou mais de 50% da verba aprovada para melhorar a mobilidade urbana.

Já aqueles engarrafamentos-monstro que até ha pouco tempo eram mais um dos odiosos privilégios de São Paulo estão finalmente democratizados. A receita petista de financiar carro a vontade mas ruas e estradas não “incluiu” o país inteiro neles.

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Em compensação em outros campos decisivos do processo civilizatório e dos direitos humanos nós somos super avançados. Por exemplo: o governo acaba de anunciar que o sistema público de saúde já está autorizado a fazer operações gratuitas de mudança de sexo em candidatos a essa “opção” a partir dos 18 anos de idade.

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Mas nem tudo são más notícias.

Volta e meia fico comovido com o remorso da esquerda honesta por ter ajudado a por a horda petista no poder.

Pois foi dos males o menor.

Imagine se tivessem conseguido criar a Republica Popular Democrática do Brasil por que lutaram os petistas de hoje nos “Anos de Chumbo”. Nós poderíamos ter nos transformado num “Coreião” com alguma versão macunaímica da dinastia Kim entrando na terceira geração, reduzidos ao “quem chora mais (a morte do ditador) apanha menos” que vigora por lá, em vez de só a este “Argentinão/Venezuelão” onde “quem pode mais chora menos” com que eles se contentam hoje em dia.

9 de agosto de 2012 § 1 comentário

Charge do diário ABC, do Paraguai

Enviada por Cláudio Noschese

Aprendendo com o Paraguai

3 de julho de 2012 § Deixe um comentário

São sempre educativas as reviravoltas políticas desta “nuestra América“.

As reações ao impeachment de Fernando Lugo no Paraguai, por exemplo, serviram para recolocar os pingos nos “is” para todos quantos vinham se deixando confundir pelo embaçamento geral dos conceitos que caracterizam os tempos em que vivemos.

O Brasil de dona Dilma, que vive falando na superação do nosso “complexo de vira-latas” com o dedo na cara dos grandes do mundo, mantem-se caninamente preso a ele quando o que está em causa é a ancestralidade nas práticas antidemocráticas.

É ela que rege a peculiar hierarquia do kirshner-bolivarianismo-petista.

Senão como explicar porque, junto com a fina flor dos caçadores de jornalistas da América Latina, a presidente da “6a economia do mundo” foi tão rápida em entrar em forma sob a ordem unida do coronel Chavez, o morubixaba que não admite contestação lá da aldeia venezuelana, para condenar “o golpe suave com verniz de legalidade contra a democracia” que viram na decisão soberana do Senado do Paraguai?

Seguindo todas as exigências legais os paraguaios decidiram mandar de volta para casa o presidente que conseguiu, finalmente, o massacre que andava procurando ao rasgar a lei e fomentar a guerra aberta entre agricultores (especialmente os “brasiguaios” fugidos do pampa de Dilma, de Tarso Genro e de João Pedro Stédile) e invasores de terras insuflados e patrocinados pelo governo deposto.

Lugo agiu na questão agrária, exatamente, aliás, como fizeram cada um dos presidentes vizinhos que correram em seu socorro em seus próprios países. A amarga retaliação via Mercosul, ela própria uma violência jurídica flagrante, responde à impotência de todos de conseguir, no nível dos tratados internacionais regidos por tribunais idem, o que conseguem facilmente em casa que é fazer da lei um instrumento de suas conveniências.

Não há, tecnicamente, como desqualificar a legalidade da decisão do Senado paraguaio. Assim, trataram de forçar a barra na sua agremiaçãozinha particular, mesmo sob o risco de verem-se contestados mais adiante.

O efeito prático, de qualquer maneira, é nenhum.

Despido de todo sentido econômico já faz um bom tempo o Mercosul, que exige de seus sócios respeito às normas democráticas, depois desta admissão no tapetão do maior de todos eles, fica reduzido a uma espécie de Clube dos Cafajestes da subcultura política sul-americana, mais uma vez em temporada de florescimento.

A “união aduaneira” que justificou sua criação está esfacelada nas imagens irretorquíveis das filas de caminhões e dos pátios abarrotados de automóveis de exportação ha meses acumulados nas vizinhanças da “Ponte da Amizade” entre Brasil e Argentina (sempre as inversões semânticas!), impedidos de circular nas economias “hermanas” entre as quais rigorosamente mais nada é livremente trocado graças aos préstimos de dona Christina Kirchner, outra figura sinistra que, malgrado sua insignificância por qualquer tipo de credencial que não seja a de legitima herdeira do peronismo, merece as reverências do PT que se compraz em aplaudir não só os atentados que ela pratica contra as liberdades democráticas quanto, frequentemente, até os desaforos com que ela diariamente nos brinda.

Já Federico Franco, o vice que sobe à Presidência do Paraguai, é reconhecido por todos – especialmente pelos brasileiros perseguidos em seu país – como um amigo de quem trabalha que não contemporiza com os profissionais do esbulho.

Daí se ter renovado contra ele a Tríplice Aliança mercosuliana que, entre dentes, jura de morte aquele que se interpôs no caminho desta América kirchner-bolivariano-petista onde não ha brasileiros, nem venezuelanos, nem argentinos: ha milionários cooptados, miseráveis assistidos e caciques onipotentes para quem tudo é permitido, de um lado, e “burguesias lacaias do império” do outro.

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