2011 revisitado, ou, As agruras e chatices da vida adulta
20 de dezembro de 2011 § 1 comentário
Está em todas as matérias de balanço deste ano da graça de 2011 a confusão que enfia no mesmo saco a onda de protestos que correu o planeta do Oriente Médio ao centro do mundo capitalista, passou pela Rússia e até pela China e só deixou incólume este nosso impávido colosso onde só o sexo, as drogas e o rock & roll ainda põem gente para marchar nas ruas.
Tudo, hoje, se atribui à revolução tecnológica.
As novas tecnologias da comunicação estão presentes, é fato, na organização de todas essas manifestações como, aliás, não poderia deixar de ser posto que é o que temos para falar uns com os outros.
Mas o significado disso varia muito com as coordenadas geográficas.
As redes sociais são o ambiente por onde circula não apenas voz mas todo tipo de produção intelectual humana não só do presente mas também do passado. Elas são, ao mesmo tempo, canais de trânsito de informação viva e portais de acesso aos acervos universais da história e da cultura que, depois do advento delas, passam a ser de uma só humanidade.
Depois das redes globais tudo vai mudar. Não se sabe ainda exatamente em que direção mas ao menos uma norma geral já ficou clara: ainda que vivendo, neste ponto de partida, tempos históricos muito diferentes haverá, doravante, um ritmo único de evolução política e econômica da humanidade a partir de uma média do que conquistamos como comunidade planetária.
E isto significa que alguns andarão para a frente e outros andarão para traz.
Os mais atrasados politicamente deram a arrancada mais espetacular. Sendo a censura e o controle da informação a pedra fundamental de toda ditadura, o fato dela transitar hoje sobre essa nova estrutura de redes descentralizada, espalhada pelo globo e fora do controle dos governos nacionais, condena todas elas à morte (o que, como estamos tendo a oportunidade de conferir no Egito, não conduz automaticamente à democracia).
Ótimo!
Mas também ha perdas.
Fora do ambiente específico das ditaduras o efeito mais notável das redes não é, como parece acreditar quem está propenso a olhar com os mesmos olhos para a praça Tahrir e para Zuccotti Park, o de canal de articulação de insatisfeitos e indignados dispostos a protestar.
Ao eliminar a perda de qualidade entre o original e a cópia; ao reduzir à flexão de um dedo o esforço necessário para se reproduzir ilimitadamente o fruto do esforço alheio, da mais intrincada obra de engenharia ao mais inovador dos scripts em HTML, as novas tecnologias feriram mortalmente o direito de propriedade que é o primeiro fundamento da superação da lei do mais forte; a base sobre a qual foi estruturado o Estado de Direito.
E ao unificar globalmente os mercados de trabalho e de consumo ao mesmo tempo em que enfraquecia o Estado Nacional, essa tecnologia libertou os famintos de poder econômico das barreiras políticas de que os tinham cercado as poucas democracias dignas desse nome ao longo do século passado para moderar-lhes a voracidade e cercear-lhes a propensão natural a devorar os mais fracos.
Dizendo de outro modo, os instrumentos de força e o poder de coerção do Estado Nacional que tantos brasileiros que se julgam democratas se apressam em apedrejar por princípio nem sempre foram usados só para o mal. A forma mais evoluída da democracia, que separa nitidamente os papéis de agente e de regulador do processo econômico e opõe a força do Estado à força do dinheiro, também dependia essencialmente desse poder de coerção.
Sem ele, as duas feições que o poder assume – a política e a econômica; a da força bruta e a do dinheiro – passaram a olhar para os mesmos objetivos.
Associadas essas duas forças, como está em vias de acontecer no mundo todo como forma de reação à entrada em cena do capitalismo de Estado chinês, o indivíduo, o cidadão, fica à sua mercê, inteiramente impotente.
A tecnologia da informação acrescenta potência, portanto, a todo tipo de ação ou de propensão da natureza humana: as voltadas para o bem e as voltadas para o mal. Ela aproximou, sim, uns dos outros, os representantes dos “99%” em todo o mundo. Mas empurrando-os por lados opostos em direção ao já mencionado ponto médio: para mais longe das ditaduras os do lado de lá; para mais longe da democracia os do lado de cá do mundo.
É contra isso, aliás, que quer protestar, ainda sem saber bem como, a parcela deles que já tinha ultrapassado a barreira da emancipação política e hoje é vítima do abuso do poder econômico.
Não está claro, portanto, se é um sinal de “mais” ou um sinal de “menos” que restará à frente do número final desta adição. E quando considero o explosivo crescimento do arsenal de ferramentas de controle sobre os indivíduos aportados pelas novas tecnologias confesso que me sinto bem menos propenso ao otimismo com o que vem por aí do que muitos observadores festejados que tenho lido ultimamente.
Já a segunda parte deste balanço, pode ser só uma projeção freudiana da minha trajetória pessoal sobre uma realidade mais ampla.
Mas não dá para desprezar os fatos que sugerem que talvez não seja só isso.
O que há de mais inquietantemente marcante entre a minha geração e as atuais é a ausência de utopias. Comemos da árvore do conhecimento o suficiente para crescer e amadurecer e agora aí está a humanidade adulta, sem ilusões nem sonhos dourados.
Chata, enfim, como é a maturidade comparada à grande aventura da infância e da juventude dos tempos em que ainda havia infância e juventude.
Sim, nossos heróis morreram de overdose. Os últimos paraísos proletários estrebucham sob o tacão de novas dinastias medievais. Os arautos da revolução de ontem, hoje estão doentes de obesidade, morbidamente empanturrados de poder e de dinheiro.
Mas culpar a quem, se fomos nós que os pusemos onde estão?
Eis aí o grande dilema dos “99%” da parcela do mundo em que não há ditadores óbvios em quem assestar a mira.
O jeito é encarar a realidade.
Não ha mais grandes atalhos. Assim como todo indivíduo adulto, as sociedades maduras são o que a sua história e a sua circunstância fizeram delas.
Se não nos agrada o que nos tornamos, a única maneira de retomar o controle é revisar essa trajetória; entender o que ela fez de nós; trazer para o nível da consciência os caminhos e desvios que nos levaram ao que somos.
A História é a psicanálise das sociedades. E a educação a única forma de percorrê-la de novo livres das paixões da versão ao vivo até compreende-la com a razão e, assim, recuperarmos algum controle sobre o nosso destino.
Uma “causa” para todo esse protesto – 2
18 de outubro de 2011 § Deixe um comentário
Ficou capenga o meu artigo de ontem sobre a ausência de foco das manifestações que se espalharam pelo mundo a partir do Occupy Wall Street iniciado em Nova York ha um mês.
Eu critiquei o artigo de Nouriel Roubini por mencionar como solução a situação ideal com que todo mundo sonha, muito ao estilo dos políticos brasileiros, mas sem dar nenhuma sugestão sobre como chegar lá.
Mas acabei fazendo a mesma coisa que ele. Fiquei apenas na enumeração daqueles entre os pleitos dos manifestantes que, ainda que muito justos, não são solução para o problema. E apenas indiquei que a solução não está no Ocidente, onde se acumulam as piores consequências do processo ora em curso no mundo, mas sim na Ásia, onde ele se origina.
Recordo a síntese de que processo é esse.
Ao jogar no mercado de trabalho 2,3 bilhões de novos braços pagos a preço vil, a China e a Índia (assim como os países menores que engrossam essa conta), aviltaram o valor do trabalho no mundo todo sem aumentar de forma correspondente o numero de consumidores porque o que esse novo contingente ganha mal dá para viver.
Há muito mais trabalhadores e cada vez menos demanda.
A única maneira de reequilibrar o quadro é ajudar esses trabalhadores a serem melhor remunerados o quanto antes porque a lei do mercado sempre acerta as contas por baixo. O consumidor compra o bem mais barato, que é o produzido pelo trabalhador mais mal pago, e assim os trabalhadores bem pagos, que é a outra identidade dos consumidores, acabam sendo expulsos do mercado. Disso resulta, ao longo do tempo, que todos os salários do mundo são rebaixados até encontrar o nível em que serão capazes de concorrer com os dos trabalhadores chineses e indianos.
Ora, salários baixos são, em última instância, sinônimo de falta de democracia. Quanto mais democracia, mais poder de reivindicação e mais direitos conquistados. O inverso também é verdadeiro. Só debaixo de pau é que se consegue segurar a insatisfação de quem se mata de trabalhar por nada ou, pior ainda, de quem fica sem emprego nenhum.
Logo, se quiserem manter os seus direitos, os seus salários e a sua democracia os trabalhadores do Ocidente terão de se organizar politicamente para ajudar a acelerar a libertação dos trabalhadores semi escravos da Ásia, boicotando o consumo do que eles produzem e trabalhando ativamente pelo aumento dos direitos e dos salários deles.
Impossível?
E quem diria que seria possível levar, em menos de um mês, uma manifestação local a se transformar numa manifestação global? Não são as próprias empresas ocidentais, ao alcance da pressão direta de seus conterrâneos, as que mais se servem desses trabalhadores semi-escravos da Ásia?
É o mundo aqui fora que terá de fazer campanha salarial pelos trabalhadores chineses e denunciar quem os explora no Ocidente para aumentar seus lucros. O empenho da China em censurar a internet, o que felizmente é tecnicamente impossível, não é outra coisa, aliás, senão uma confissão da vulnerabilidade que ela sente a campanhas de mobilização por mais direitos (= a mais salários) vindas de fora da sua “muralha” que ela sabe que, mais cedo ou mais tarde, começarão a acontecer.
É hora, portanto, de tratar de criar um foco para essa mobilização mundial que já se provou possível.
O caminho para isso é uma política comercial e uma atitude de consumo condicionadas a uma política de direitos humanos, nos níveis governamentais, e uma política sindical globalmente sincronizada para exigir a elevação do nível mínimo de direitos e salários ao menos nas industrias que fabricam bens de consumo global.
E a melhor contribuição que pode dar quem analisa profissionalmente esse problema é demonstrar exaustivamente o seu componente essencial, qual seja, o de que neste novo mundo sem fronteiras o salário do trabalhador de Nova York ou de Geneve, será determinado muito mais pelo que a Foxconn estiver pagando em Shenzhen do que por qualquer ação política cosmética ao alcance do presidente Obama, do Congresso dos Estados Unidos ou do comando da União Européia em Bruxelas.
Uma vez comprendido esse dado incontornável da realidade, o resto fica mais fácil.
Uma “causa” para todo esse protesto – 1
17 de outubro de 2011 § Deixe um comentário
Já não é mais Jim Stark nem Marlon Brando. O mundo virou um rebelde sem causa.
A vida imita a arte…
O site da Al Jazeera em inglês trazia, neste fim-de-semana, artigo bastante didático de Nouriel Roubini (aqui) sobre “a onda global de agitação política e social” na qual ele inclui “a Primavera Árabe, a onda de saques em Londres, os protestos da classe média de Israel contra a inflação e a deterioração do padrão de vida, os protestos dos estudantes chilenos, a onda de depredação de automóveis de luxo na Alemanha, o movimento contra a corrupção na India, a crescente insatisfação com a corrupção e a desigualdade na China e, agora, o movimento Occupy Wall Street que saltou de Nova York para o mundo”.
Para Roubini, o que eles têm em comum é que todos expressam, de alguma forma “a angustia das classes média e trabalhadora do mundo todo diante do que advém para elas da crescente concentração de poder e riqueza nas mãos das elites financeira e política, qual seja, o desemprego e o subemprego crescentes, a inadequação dos sistemas de educação da juventude para a realidade globalizada, o ressentimento generalizado contra a corrupção e o aprofundamento acelerado da desigualdade social”.
Ele é preciso, também, na identificação da causa essencial (ainda que não a considere a única) do processo que levou à crise.
“A súbita adição de 2,3 bilhões de trabalhadores chineses e indianos à força de trabalho global reduziu drasticamente o número de empregos para trabalhadores não especializados e levou à exportação dos empregos de nível médio dos países industrializados (o que reduziu a capacidade de consumo de uma ampla parcela da população). Nos países anglo saxões a resposta (dos políticos) foi democratizar o crédito (o que forçou o aumento da alavancagem financeira e eventualmente desencadeou a crise). Na Europa, o buraco entre as aspirações e a real capacidade de consumo foi preenchido com serviços públicos como educação e saúde (aposentadorias e redução da carga de trabalho) que não eram financiados pela real arrecadação, o que inflou o déficit publico”.
Roubini não chegou a mencionar o último e potencialmente mais perigoso elemento dessa equação que é o que o mundo está descobrindo agora. Não é só o Ocidente que está viciado em crédito barato direta ou indiretamente subsidiado pelo Estado. Também o crescimento chinês tem sido fortemente anabolizado por um nível de financiamento da produção e do consumo determinado por cálculos políticos e não sustentado por cálculos econômicos, com consequências semelhantes às que esse tipo de expediente teve no resto do mundo que agora começam a fugir ao controle do Partido Comunista Chinês.
Nada de muito diferente disso está acontecendo também, é bom lembrar, nos chamados BRICs ou, pelo menos, no primeiro inspirador da sigla, o Brasil de Lula, onde a sustentação do crescimento também tem sido feita à força de facilitação do crédito para consumo por iniciativa do governo, sobretudo nos períodos pré-eleitorais. A diferença, no caso brasileiro, é que, ao contrário do que aconteceu na Europa e nos Estados Unidos, os governos petistas partiram de uma situação em que os bancos estavam completamente saneados e sob rígido controle da fiscalização, tudo obtido pelos sempre apedrejados PROER e ajuste das finanças do Estado executados pelo antecessor do PT na presidência, às custas da mesma (inevitável) “década perdida” que agora se inicia para os países centrais.
O que eles podem aprender de útil com o Brasil, portanto, é como sanear as finanças públicas e colocar o sistema financeiro sob controles confiáveis e não como por em risco esse patrimônio inestimável decretando que a vontade pessoal dos governantes está acima das leis da aritmética e gastando tanto mais quanto mais se aprofundar o buraco da dívida pública como a nossa Dilma tem recomendado que façam aos seus incrédulos ouvintes pelo mundo afora.
Roubini, entretanto, é muito preciso na descrição do passado mas pouco criativo na especulação sobre o futuro.
“Com a redução geral do poder de compra, as empresas das economias avançadas estão, agora, cortando empregos para ajustar a oferta. Mas cortar empregos enfraquece a demanda futura porque reduz a renda e aumenta a desigualdade. E como o trabalho, que é custo para as empresas, é renda para os consumidores, aquilo que parece racional para cada empresa individualmente é destrutivo quando olhado em conjunto”.
(…)
“Para estabilizar as economias de mercado será necessário voltar a um balanceamento adequado entre os mercados e a oferta de benefícios públicos. O que quer dizer afastarmo-nos tanto do modelo anglo saxão de mercados sem regulamentação quanto do modelo baseado no endividamento público da Europa Continental. Mesmo a alternativa asiática de crescimento – se é que existe uma – não conseguiu evitar o crescimento da desigualdade na China, na Índia e onde mais esteja em desenvolvimento”.
Va benne…
Só que para fazer as coisas se moverem não adianta dizer onde se gostaria de chegar. É preciso mostrar como é que se chega lá.
Como quase todo mundo que tem abordado essa charada no Ocidente, Roubini, do meio para o final de seu artigo, deixa-se arrastar para a discussão ideológica em torno do problema. E os debates ideológicos não são travados em torno da questão “como resolver um problema?” mas sim em torno de “como explorar as consequências de um problema para se afirmar no poder?“, seja ele o poder político, seja o da disputa pela hegemonia de uma linha teórica sobre outra nos arraiais intelectuais.
Logo, vamos ao que interessa:
Sim, a adição de 2,3 bilhões de novos braços a uma força global de trabalho que antes não contava nem um terço desse total – adição da qual as novas tecnologias de comunicação foram o veículo – tem necessariamente de provocar a diluição que provocou.
Fixar os olhos nesse dado fundamental já é um grande passo na direção de buscar o foco sem o qual a mais ampla mobilização popular de que o mundo tem notícia em muitos anos não deixará de ser o que é por enquanto: apenas um desperdício barulhento.
É preciso, agora, identificar com precisão o que de fato é capaz de mitigar os efeitos dessa diluição.
- A taxação progressiva da riqueza, penalizando proporcionalmente mais os mais ricos não vai resolvê-lo. Vai apenas tornar menos injusta a repartição das perdas que todos continuaremos a sofrer. É uma satisfação obrigatória que precisa ser dada rapidamente à ponta dos que mais estão sofrendo com a crise para que ela não degenere em espasmos de ódio sem controle. Mas não é a solução do problema.
- Mesmo sendo urgentemente necessária, pelas mesmas razões acima e mais algumas, a reorganização dos controles do sistema financeiro internacional também não será suficiente para reverter a crise. Se não bastasse a enormidade do numero referido – 2,3 bilhões de novos bolsos dividindo o mesmo bolo salarial – sobram as evidências de que o principal fator a determinar o crescimento em mestástese do peso do setor financeiro nas economias ocidentais foram os 30 anos de fusões e aquisições no setor de manufaturas e empresas em geral em todo o planeta de que ele foi apenas o agente operacional, ainda que regiamente remunerado.

- Essa onda de fusões e aquisições conduzindo a uma acelerada monopolização em todos os setores da produção e, portanto, a um processo de concentração aguda da riqueza e a um aumento avassalador da corrupção, por sua vez, ocorreu não em função de uma conspiração política ou de maquinações dos donos do dinheiro, mas como reação à entrada em cena do capitalismo de Estado chinês que, com a sua ação planetária de dumping salarial e monetário, tomou de assalto todos os consumidores do mundo inteiro.
- Tendo a economia planetária se tornado uma só e um sistema vazo comunicante, não ha como reverter esse processo de monopolização que, inevitavelmente e por definição massacra o consumidor e o trabalhador assalariado, a não ser que todas as economias de peso do mundo concordem em revertê-lo ao mesmo tempo. Quem tomar essa iniciativa sozinho será inapelavelmente excluído do mercado.
- A maior de todas as distorções do sistema hoje é a concentração de todos os ganhos nesse processo principalmente nas mãos do Estado chinês que já não sabe o que fazer com tanto dinheiro. Enquanto os 2,3 bilhões de trabalhadores que entraram no mercado não se tornarem consumidores (isto é, não tiverem seus salários e direitos igualados aos do resto do mundo) não será quebrado o círculo vicioso descrito por Roubini (“menos consumo levando a menos produção, menos produção levando a menos empregos e salários, menos salários levando a menos consumo…“). O processo terá de começar de novo a partir do ponto a que foi rebaixado com a entrada em cena dos 2,3 bilhões de novos trabalhadores.

- Nenhum governo ou partido político do mundo poderá mudar nada de significativo nessa nova realidade sozinho. Se tivermos de esperar que todos os que estão atualmente no poder caiam por força dessa circunstância, os que estão na oposição subam e por sua vez fracassem nas suas tentativas solitárias, até que o mundo se convença de que o buraco é mais embaixo, ele já poderá estar tão fundo que não haverá mais como sair dele.
- Não ha como evitar a abordagem ideológica entre os profissionais do poder. Mas se ao menos a grande imprensa internacional voltasse a ter um mínimo de autonomia intelectual e voz própria como já teve no passado em vez de apenas amplificar as vozes dos que se digladiam pelo poder como tem feito até aqui, haveria ao menos um discurso objetivo e desinteressado em torno desse problema.
Isso poderia contribuir para que a força desse gigantesco protesto mundial ainda sem rumo se concentrasse sobre o alvo certo e a libertação dos trabalhadores da Ásia (ou das ásias do mundo) poderia ser acelerada.
Sem ela, não nos salvamos. Doravante é assim: ou crescemos ou empobrecemos todos juntos, dando-se o “estouro” de cada parcela nacional do todo da economia global com uma diferença apenas de meses.
O resto é embromação para enganar eleitor.


























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