Uma doença antiga e 4 notas maldosas
26 de novembro de 2011 § Deixe um comentário
O Brasil vive ha 500 anos atolado nesse mesmo brejo: o descalabro anterior é sempre o que se alega para justificar o descalabro seguinte. Em vez de providenciar o conserto do membro danificado, deixemos que ele caia de podre e que o corpo todo se entorte para se adaptar a essa irremovível “realidade”.
Um exemplo?
Deu nos jornais da semana que passou que o Ministério da Justiça destacou um grupo que vai se empenhar sistematicamente em reduzir a “inflação penal”, que é como eles chamam as “dezenas de projetos em tramitação no Congresso” que, respondendo a eleitores em pânico com a falência da segurança pública, aumentam as penas para inúmeros crimes.
O argumento é na linha de sempre: nossas prisões são tão indecentes que se transformaram em fábricas de feras. Logo a solução é deixar os criminosos soltos nas ruas e os cidadãos presos nos seus casebres, onde as “celas” são melhorzinhas…
Se, seguindo a moda em voga no mundo, o governo instituísse um único “Dia Nacional sem Roubo” por ano, dava pra arrumar todas as prisões existentes e ainda construir as que estão nos fazendo falta.
Visto que, também nesta mesma semana, noticiou-se que o Brasil gasta em proporção ao PIB e à população o mesmo que os países mais seguros do mundo gastam com polícia, confirma-se que só ficaria faltando acabar com a galopante inflação de recursos e firulas formais que valem mais que os fatos nas discussões e decisões dos nossos advogados, promotores e juízes – inclusive e principalmente nos julgamentos a respeito da corrupção dos seus pares – pra resolver o problema da segurança pública no Brasil.
Mas aí como é que esse povo trabalhador do sistema judiciário ia sustentar os seus pequenos luxos?
Nem pensar!
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Jorge Gerdau Johanpeter, que foi imperialmente remunerado, via BNDES, para não ter mais que pensar em suas empresas e poder se dedicar “ao Brasil”, concluiu, após 8 ou 9 meses sentado no gabinete dentro do Palácio do Planalto de onde coordena a Câmara de Gestão e Planejamento do governo Dilma Roussef, que “é impossível governar com 40 ministérios e 25.500 cargos de confiança“.
Obrigado, dr. Jorge…
Mas o problema da administração pública brasileira nunca foi de falta de diagnóstico. É de recusa sistemática dos governos de tomar o remédio que todo mundo conhece contra o seu velho vício de subornar partidos políticos, fabricar e distribuir cargos públicos e cooptar empresários para lhes comprar eleições e perenizar no poder.
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E de repente, não mais que de repente, toda a legião dos banqueiros públicos e dos temidos fiscais do PT que têm acesso a cada movimentação nas contas de cada empresa do Brasil online e em tempo real no famoso computador da Receita Federal que deixa o da Nasa no chinelo, grita em uníssono sobre a compra pela Caixa Econômica Federal daquele banco do Sílvio Santos que eu e a torcida do Corinthinas sabíamos que estava arrombado: “Fomos traídos!“
Coitados…
O Silvio Santos é o dono daquela rede de TV da bolinha de papel na careca do Serra que selou a sorte da última eleição.
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Kassab, acusado de ladrão, é cria de Maluf, condenado como ladrão, que é padrinho de Negromonte, flagrado como ladrão.
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A USP se transformou na nossa madrassa. É lá que são fabricados os nossos aiatolás.
Vai longe este patriota!
2 de setembro de 2011 § 4 Comentários
Gilberto Kassab tem todas as anti-qualidades necessárias para escorregar como um quiabo ensaboado por entre as malhas do filtro negativo da política brasileira.
Adota e descarta amigos segundo as necessidades do momento sem pestanejar ou fazer exigências ingênuas quanto a caráter, comportamento pregresso ou ficha na polícia.
É objetivo e flexível. Declara-se sem ideologia nem sexo, podendo assumir a (ou o) que parecer mais apropriado para cada ocasião.
Troca de partido ao sabor dos imputs do Ibope, podendo criar um novo com a necessária flexibilidade se nenhum dos 37 hoje em oferta no mercado lhe parecer suficiente para abrigar tão rigorosa neutralidade.
Para tanto deixa Jesus Cristo no chinelo: caminha com tranquilidade sobre as águas turvas da nossa legislação eleitoral, ressuscita mortos e tira de letra o milagre da multiplicação das assinaturas.
Agora, na melhor tradição do “nosso guia”, acaba de abraçar Judas diante da necessidade que se apresenta de “fazer o que todo mundo faz” para concorrer a eleições. Faltando 15 meses para o fim do mandato, anunciou aos seus eleitores paulistanos que chegou a hora de confessar-lhes que o plano é vender às imobiliárias mais uma fatia do futuro da cidade deles.
Sensível às demandas do mercado como é, está inventando 452 mil metros quadrados antes inexistentes na já saturadíssima área da Faria Lima, a serem oferecidos a preço módico às imobiliárias na forma de 500 mil novos Certificados de Potencial Construtivo, essa linda invenção de Paulo Maluf, o nosso político mais procurado pela Interpol (olha o Brasil aí, genteeee!). É nada menos que a mesma quantidade que foi vendida nos últimos 10 anos, de onde ele espera conseguir arrancar no mínimo R$ 2 bilhões, imprescindíveis para dar ao seu charme um alcance nacional.
E é investimento sem risco: se não se eleger, no mínimo vira o próximo Valdemort da Costa Neto no multibilionário mercado do comércio de governabilidade lá em Brasília.
Vai longe este patriota!
E se…
11 de março de 2011 § 1 comentário

Na crise, “back to the basics”, dizem os americanos.
Nada como a sabedoria popular!
É o que a “oposição” brasileira está precisando fazer.
O que se lê nos jornais sobre ela é de dar pena.
Serras, kassabs, chalitas…
A coisa vai de mal a pior.
E mesmo o Aécio, coitado, não sabe pra onde se virar.
A oposição está, como diria Voltaire, como aquele “cego, num quarto escuro, procurando um gato preto, que não está lá”.
Pois de volta ao básico!

E o básico é o seguinte. Desde que Roma inventou a Republica, só existe uma questão importante para o desenvolvimento da democracia: como submeter o representante ao representado.
É isso que conserta ou entorta tudo.
O Império Romano caiu porque não resolveu esse problema. A Inglaterra inventou a modernidade construindo essa resposta. E os Estados Unidos dominaram o mundo depois que conseguiram aperfeiçoá-la.
O Brasil balança na mesma alternativa: ou cria controles da cidadania sobre os políticos e a máquina publica ou o desembesto geral em que eles andam desmoraliza de uma vez por todas a ideia de democracia nestes tristes trópicos.
Aécio tem procurado associar a ideia de “choque de gestão” à sua “marca” política.

É por aí mesmo!
Só que está na hora de sairmos do “choque de gestão” opcional, episódico, cosmético, para o choque de gestão permanente e irreversível no setor publico. Só isso permitirá ao Brasil sair da alternância entre o péssimo e o apenas ruim. Só isso dará ao país a oportunidade de mudar definitivamente de patamar e deixar de festejar o sofrível.
É desta ilusão que Lula tem vivido. E superá-la é a única forma de superar o lulismo.
O mundo mudou mais nos últimos 30 anos do que tinha mudado nos 30 milhões de anos precedentes justamente porque passou por um profundo “choque de gestão”. E esse choque de gestão consistiu em retirar do entorno do trabalho todos os anteparos de que os políticos o cercaram para tornar a garantia de emprego, o desenvolvimento nas carreiras e a remuneração de cada trabalhador mais dependentes da sua submissão à política que do esforço pessoal e do mérito de cada um.
Dirão os mal intencionados que derrubar a parafernália de falsificações de que se cerca o trabalho até hoje em países como o Brasil é tirar “direitos dos trabalhadores”. Mas isso é uma mentira grosseira que a globalização da produção e dos empregos e a revolução das comunicações tornam a cada dia mais evidente.
A verdade é que foi o “choque de gestão”; as regras internacionais de governança corporativa; os sistemas de trabalho baseados no mérito que trouxeram a democracia para o andar de baixo da sociedade e colocaram-na – finalmente! – ao alcance da massa trabalhadora.

Porque num sistema de mérito não é preciso puxar o saco do patrão (nem do político) para subir na vida. Cada um pode ganhar tanto quanto estiver disposto a cavar com seu trabalho. Não ha mais limite. Pela primeira vez na história do mundo, é possível ficar rico vendendo apenas “mais valia”, sem se tornar dono do capital.
Os trabalhadores recuperaram, enfim, o direito à dignidade e o controle sobre o seu próprio destino.
Isto sim é que é democracia! O resto é conversa para enganar trouxa.
É claro que, humanos que somos, logo passamos a inventar novas maneiras de viciar o novo sistema para que também ele passe a abrigar privilégios.
Mas os privilégios de hoje no mundo corporativo são, na maior parte dos casos, privilégios que se combate com a polícia e não privilégios protegidos por ela. Distorções que decorrem de relações libidinosas entre as corporações e os políticos. Mas, mesmo assim, são privilégios infinitamente mais limitados que os que definiam a situação anterior.
Não foi necessário arquitetar qualquer projeto especial para que essa revolução se processasse no universo privado brasileiro. Bastou deixar o Brasil exposto à competição mundial e à globalização do emprego e da produção, que “cassa” implacavelmente quem não se ajusta, para que todo o resto acontecesse de motu próprio.
O instinto de sobrevivência faz milagres…

É isso que precisa acontecer no Brasil oficial.
A impunidade é uma cadeia que, num sistema onde prevalecem as nomeações, desce como uma praga hierarquia abaixo.
Garanta a impunidade aos cabeças e atribua-lhes o poder de outorgar esse privilégio com uma simples nomeação e você estará criando uma máfia onde o único valor que restará em pé, com a força do instinto de sobrevivência, será a cega lealdade ao chefe.
Exponha o primeiro da fila à responsabilização e você estará expondo todos os demais. Faça o emprego dele depender do desempenho dos seus nomeados e ele tratará de fazê-los, todos, mostrarem para que servem.
Impunidade e estabilidade no emprego são os dois pilares que sustentam todos os vícios do Brasil oficial. Enquanto cada político, cada funcionário publico souber que posto um pé dentro do “sistema” o emprego e a impunidade estão garantidos, aconteça o que acontecer, a continuação de tudo quanto temos lamentado nos últimos 500 anos será mera consequência.
Só a instabilidade dos políticos e dos funcionários públicos poderá gerar um Brasil estável.
Tornar os nomeadores imputáveis pela obra dos nomeados é, portanto, o caminho.
Eis aí uma bandeira para um partido de oposição que aqueles 44 milhões de brasileiros que, apesar do Serra, se recusaram a votar no Lula, abraçariam com todas as suas forças.

Não ha como leva-la adiante?
É outra mentira.
Será preciso carregar essa proposta pela porta dos fundos para dentro do Legislativo, hoje um inimigo do Brasil real posto a serviço do Brasil oficial. Mas os caminhos institucionais para isso estão postos e abertos. O Brasil conta com as figuras da Lei de Iniciativa Popular, a que gerou a lei da Ficha Limpa, e do Referendo, que adiciona força a esse instrumento. É com essas duas que se poderá dar mais agilidade à terceira, que é a que torna as outras duas realmente efetivas: o direito de determinar a demissão de qualquer funcionário eleito – legisladores inclusive e principalmente – a qualquer momento e por qualquer motivo que os eleitores achem suficiente, mediante um abaixo assinado seguido de plebiscito dos eleitores interessados (ou manifestação especifica na eleição seguinte, ja que temos uma a cada dois anos por aqui).
Os americanos usaram esse caminho ha cerca de 100 anos. O resultado foi que a corrupção foi reduzida em pelo menos 80%, o que os transformou no que são hoje: o povo mais rico e mais dono do seu próprio nariz em todo o mundo. Dado o primeiro passo, completaram a obra reduzindo drasticamente as funções preenchíveis por nomeação, concentrando nos municípios e nos Estados a maior parte dos serviços públicos e passando a eleger diretamente a maior parte de seus funcionários públicos (para poder cassá-los a vontade e a qualquer momento). Hoje a cédula de cada eleição americana inclui, em média, 60 quesitos, entre recalls (cassações) de funcionários, leis de iniciativa popular e eleições de funcionários como policiais, diretores de escolas publicas e outros. O pais discute, agora, o direito à cassação de juízes e sentenças judiciais que o povo julgue viciadas.
Para o Brasil bastaria a primeira parte da receita, para começar. Tornar instável – periclitante mesmo – a carreira dos nossos políticos, já faria uma revolução. Mesmo despreparados como são, você se surpreenderia com o que eles se mostrariam capazes de fazer a seu favor se a sobrevivência deles dependesse disso.
Tudo que está faltando é um líder de oposição que acredite que os brasileiros não são piores que os egípcios e se disponha a dar o primeiro grito.

Abaixo os políticos cara de plástico!
11 de fevereiro de 2010 § Deixe um comentário

Quase dois meses com a cidade naufragando diariamente em seu próprio lixo!
Uma parte disso é a conta da corrupção. Décadas e décadas de invasões e loteamentos clandestinos em áreas condenadas à eterna desgraça incentivadas por aquele tipo de político “preocupado com o social” que vive de criar situações desesperadoras para depois vender o alívio por votos, sistematicamente legalizando e “urbanizando” os favelões resultantes.
Espero que estejam todos no Inferno, e que o bom e velho Lúcifer mantenha o braseiro sempre vivo para receber aqueles que ainda estão por aqui…
Mas não vem só daí a desgraça de São Paulo.
No final da semana passada a Globo mostrou cenas impressionantes das montanhas de sacos de lixo deixados nas calçadas de áreas sistematicamente inundadas, antes e depois da chuva do dia. Câmeras especiais, montadas como catéteres gigantes em cabos flexíveis, foram enfiadas galerias adentro, mostrando cenas desoladoras. Sólidos aglomerados de lixo de todo tipo, invariavelmente envolvidos em ou misturados aos onipresentes sacos plásticos, entupindo tudo. Quase tres mil kilometros de galerias pluviais pela cidade, todas com aterosclerose. E é indiscutivel que as finas películas de plástico que revestem todo e qualquer objeto oferecido no comércio hoje em dia, são o “colesterol” dessa doença fatal.
Mais que por qualquer outro fator, tomado isoladamente, é por causa deste que São Paulo infarta cada vez que cai água.
E qual é a resposta das autoridades?
A do prefeito Kassab, que acaba de dobrar o valor do seu IPTU, foi vetar a lei que limita o uso abusivo de sacos plásticos envolvendo todo e qualquer objeto ou genero alimentício que circula pela cidade antes e depois de ser usado pelas pessoas. Até o próprio saco plástico, comprado isoladamente, vem dentro de outro saco plástico. Cada pessoa que passa pelo supermercado sai com mais 10, 20 sacos plásticos, aí incluídos os sacos plásticos, maiores e mais resistentes que os usados no movimento de entrada, para embalar a saída do que se comprou no supermercado, na forma de lixo doméstico.
Cada uma dessas lâminas de petróleo aglomerado por processos químicos que produzem efluentes mortíferos, uma vez descartada, ficará 500 anos circulando pelo planeta, entupindo bueiros, assoreando rios e matando, em terra, por onde passar, até começar a matar tambem nos oceanos e terminar nos gigantescos vórtices de milhares de quilometros quadrados de lixo plástico girando em zonas esterilizadas que vêm se multiplicando em metástese em todos os mares do mundo.
É uma visão que literalmente arrepia quem ainda espera viver algumas décadas e aterroriza quem cometeu a temeridade de ter filhos.
Mas o dr. Kassab, veja bem, VETOU a lei aprovada pela Câmara Municipal que, nada menos que muito razoavelmente, se propunha limitar aos imperativos da verdadeira necessidade a circulação desse veneno!!!
Terá feito isso de boa fé?
Você decide…
Mas assim que decidir, tome uma atitude, porque está claro que nós temos de acabar com isso antes que isso acabe conosco!
Aonde estão, afinal de contas, a boa e velha sacola de feira que pode ir e voltar mil vezes ao supermercado? E a velha lata de lixo?
É preciso limitar o uso de sacos plásticos ao estritamente insubstituível. E começar a multar pesado, sim, qualquer porcalhão que atirar qualquer dejeto nas ruas, como acontece em toda cidade civilizada. Faturamento por faturamento, esta é uma forma mais honesta e socialmente util de produzí-lo do que ficar esfolando as pessoas com esses indecentes limites de velocidade que mudam a cada quarteirão. Saude publica por saude publica, esta é uma medida de alcance infinitamente maior que ficar infernizando quem insiste em fumar o seu inocente cigarrinho no meio dessa montanha de lixo impune dentro da qual vivemos atolados.
Tolerância zero para a plastificação desenfreada!
E pra esses políticos cara de plástico que fingem que não enxergam o óbvio, tudo que você sempre desejou pra eles.

Kassab e a Teoria da Relatividade
10 de fevereiro de 2010 § 4 Comentários
Sua casa vista por você…

Pelo comprador…

Pelo banco…

Pelo avaliador…

Pelo IPTU do Kassab









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