Uma dúzia de desaforos

11 de dezembro de 2013 § 2 Comentários

a1

Repare o ar triunfante de Fernando Collor de Mello.

Para crimes de corrupção torna-se “de mãe” o coração do PT.

O próprio espírito do Ubuntu: “Eu roubo porque todos nós roubamos. Eu só posso continuar roubando se todos nós continuarmos impunes”.

Vá se acostumando, Madiba velho! Sua história já não é mais sua. Seu texto, agora, é “wiki”…

No mais o partido é muito rigoroso. Para todas as outras categorias de crime segue valendo mestre Getulio: “Para os amigos, tudo; para os inimigos, a lei”.

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a6 

Não ha nenhuma lei de vigência universal impondo o dólar como a única moeda confiável do planeta. Os povos rapelados do mundo é que insistem em não acreditar em nenhuma outra.

Dá-se o mesmo com esse negócio da “hegemonia dos EUA nas Américas” que dona Dilma, ao lado de Raul Castro, disse lá na África do Sul que não admite mais: não são eles, que têm lá as suas chinas com que se haver, que se levantam contra nós; somos os cucarachos que, de livre e espontânea vontade, não paramos de nos rebaixar.

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a7

Diplomas de medicina são vendidos por entre 90 e 180 mil reais pelo Brasil afora, segundo materia especial mostrada pela Globo ontem de manhã.

Pra que tanto!?

Entrando na campanha da Dilma o cara ganha um jaleco branco e sai dando diagnósticos e emitindo receitas por aí de graça.

Principalmente se falar espanhol…

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a8

Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, dono da casa que foi o QG da campanha da Dilma em 2010, contrata Erenice Guerra, ex-Casa Civil da “presidenta“, exonerada a bem do serviço público, para defende-lo no TCU em processo por superfaturamento em serviços prestados para o governo federal.

Cuidado! Isso dá AIDS!

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O Facebook e o Google puxando um protesto mundial contra a espionagem na rede é como a dona Dilma, do PT da revanche, encomendando a alma de Nelson Mandela, o pai do perdão.

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a12

Pais rico faz metro; país pobre faz VLT suspenso, poluindo a paisagem.

Fernando Haddad, o petista bonitinho, nem isso: põe os trens no chão, dividindo a rua com os automóveis na porrada mesmo.

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a14

Um dos vascainos daquela pancadaria ja tinha matado um (com certeza, talvez dois) a pau e a ferro em estádios de futebol.

É o de sempre: não ha crime bárbaro no país que não tenha sido cometido por bandido preso pela policia e solto pela Justiça.

PS.: Também foi filmado distribuindo coices pelas arquibancadas um funcionário do governo do Paraná que, quando vereador, fez uma lei obrigando ao cadastramento de torcedores violentos. Quer dizer: de leis “as mais avançadas do mundo” o inferno brasileiro está cheio.

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a15

Acabou a moleza!

Prepare os seus filhos. Os shoppings vão ficar iguais às ruas. Neste país sem culpados a moda dos “rolêzinhos” tem tudo para pegar!

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a18

Tem uma briga rolando na Justiça. Os aposentados do Banco do Brasil merecem só 30 ou 45 mil reais por mês?

O Banco do Brasil tem 118-mil-a-po-sen-ta-dos!!! Quanta gente tem na ativa ninguém sabe. E, veja bem, todos fazem parte daquela turma que milita no PT e é vítima da “zelite”…

Por coincidência o maior empregador do pais aqui fora também é um banco: o Bradesco inteiro tem modestos 83 mil funcionários, todos tra-ba-lhan-do.

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a20

O presidente do Cade e sobrinho do Secretário Geral da Presidência da Republica, Vinicius Carvalho, anunciou uma “desfiliação retroativa” (a 16 de maio de 2008) do PT.

O sobrinho de tio Gilberto é aquele que costurou o acordo de delação premiada com o misterioso Everton Rheiheimer, da Siemens, para acusar vivos e mortos do PSDB e, a partir de agora, passa a te-lo feito despido de qualquer paixão partidária. Antes de ganhar o Cade ele trabalhava para o deputado Simão Pedro, o tal Secretario de Serviços (?!) de Fernando Haddad que disse e depois desdisse que foi ele que entregou a denuncia do alemão pra mídia, digo, pra polícia.

Depois de descobertas essas conexões, toda essa história contada pelos petistas também “retroagiu“. Aí o ministro da Justiça em pessoa assumiu que foi ele que desovou o pacote.

Foi então que descobriram que a tradução da “confissão” de Rheiheimer foi falsificada para enfiarem lá os nomes dos peessedebistas que não estavam no original. Será que Jose Eduardo Cardoso também vai retro-agir?

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Romeu Tuma Jr. está lançando um livro para mostrar como funcionava a fabrica de dossies do PT (aquela dos “alaoprados”) que ele estourou. Também faz revelações sobre como os recursos arrecadados pelo falecido prefeito Celso Daniel, de Santo André (9 tiros no rosto) foram parar na campanha eleitoral do PT.

Secretario Nacional de Justiça do primeiro governo Lula, Romeu Tuma Jr. foi “fuzilado” logo depois de desvendar a falcatrua com a exibição de uma gravação de uma conversa sua com Li Kwok Kwen, chefão do contrabando de quinquilharias chinesas da 25 de Março e arredores a que algum jornal da época “teve acesso”…

O livro chama-se “Assassinato de Reputações” e o autor indiscutivelmente entende do assunto.

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a00Deus e o mundo estão na lista dos embarcados na roubalheira que rolava debaixo das asas de Gilberto Kassab.

Agora, ele mesmo o único roubo que confessa é o de deputados de partidos alheios. Mas como vender governabilidade pode…

Haddad, Kassab e as novelas da Globo

13 de novembro de 2013 § 7 Comentários

Um perigo essa guerra de arapongas!

Com a progressiva consolidação do “Reich de Mil Anos” do PT já não ha o que lhes resista. As tênues fronteiras e distinções de comportamento que chegaram a se esboçar dentro do território “deles” com os ensaios de meritocracia e responsabilidade fiscal da longínqua “Era FHC” vão perdendo a razão de ser.

Faz cada vez menos sentido ser mais realista que o rei que clama todos os dias, lá do trono, o seu  “Eu sou. Mas quem não é”?, sublinhado pelos sucessivos “Eu não disse“? que a sua polícia distribui de jornal em jornal, cobrindo de lama vivos e mortos.

Como consequência cada vez mais gente “lá dentro” desiste de “não ser”.

Ocorre que num ambiente onde todos generalizadamente “são”, usar a arma da denuncia de corrupção é, cada vez mais, atirar no escuro: nunca se sabe em quem se vai acabar acertando.

Fernando Haddad, o petista bonitinho que gosta de posar de Robin Hood enquanto arranca o couro do povo com seus impostos escorchantes, achou que seria muito esperto, para abafar as manchetes contra o golpe do IPTU com + 35% à meia noite, “dar acesso” aos jornalistas do costume às provas das falcatruas de uns tantos fiscais ladrões escolhidos entre as hostes de fiscais ladrões dos ex-prefeitos que se apresentam como pré-candidatos a disputar com o PT o governo do Estado de São Paulo.

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Dois coelhos com uma só cajadada!

Esqueceu-se sua excelência de que na nova realidade suborno-totalizante instalada no país não ha senão aliados do PT.

O mundo dos 32 “partidos políticos” brasileiros onde, fora os  dois ou três com veleidades de disputa-la que reivindicam “neutralidade” enquanto a eleição não passa, todos os demais se declaram “de esquerda” e aliados dos atuais ocupantes do poder, parece-se cada vez mais com o das novelas da Globo que ninguém sabe se imitam a vida ou se são imitadas por ela.

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Como todo mundo “come” todo mundo nesses ambientes gêmeos – velhotes e moçoilas, crias e criaturas de qualquer sexo, tipos normais e tipos “especiais”, homens, mulheres, híbridos ou “trans”, foi só disparar a primeira bala e ela não parou mais de ricochetear.

A hecatombe dos metro-sexuais da nossa política faz lembrar a das ruas aqui fora. Caem amigos e caem inimigos; caem alvos visados e caem alvos “perdidos“; caem os desvalidos e caem os protegidos. A diferença é que os alvejados aqui fora morrem de fato e os lá de “dentro” são apenas “afastados” até que tudo seja esquecido depois das quatro ou cinco semanas regulamentares.

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O que fica são as ênfases nada sutis com que a televisão “” mentidos e desmentidos nos horários que o povão assiste e nos horários que o povão não assiste o que passa nas telinhas…

A pantomima, de qualquer maneira, diverte e (ainda) faz algum alvoroço. “Acessos” e mais “acessos” misteriosamente “obtidos” por diferentes órgãos de imprensa jogarão sal e pimenta nessas histórias provocando as divertidas reviravoltas que animam as noites da TV. Mocinhos virarão bandidos e bandidos virarão mocinhos ao sabor da arte da edição como pedem todos os folhetins que se prezam.

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Mas, outra vez como nas novelas da Globo, no final tudo voltará às boas. Com a aproximação das eleições, diante da perspectiva de mais quatro anos no controle das tetas, corneados e corneadores, transgressores e transgredidos, acusados e acusadores perdoar-se-ão mutuamente e cantarão, abraçados, que “Hoje é um novo dia/ de um novo tempo que começou./Nesses novos dias, as alegrias serão de todos, é só querer”.

Todos os sonhos deles, enfim, serão verdade.

Nos mundos encantados do modelo globeleza de família brasileira e da “luta ideológica” que move os aspirantes a Brasília tudo sempre acaba bem.

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(REMÉDIO PARA ESTA DOENÇA VOCÊ ENCONTRA NESTE LINK)

Em Brasilia nem o “passaralho” da McKinsey voa

28 de janeiro de 2013 § 1 comentário

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Aqui fora, no mundo onde as contas têm de ser pagas com suor e trabalho, a notícia da entrada da McKinsey numa empresa faz o pânico correr como fogo de palha pelos corredores: “O passaralho vêm aí! O passaralho vem aí!

Mas nem aqueles nerdzinhos de sotaque esquisito, ternos pretos com suspensórios e os indefectíveis Power Points cheios de setas coloridas apontando em todas as direções com que vendem aos trouxas a sua invariável recomendação de horrendas amputações resistem aos ares do Planalto Central.

Brasília, seja qual for o tamanho da safra, seja qual for o regime do mundo, seja qual for a assessoria consultada só se move numa direção: a da engorda.

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Pois não é que “ao fim de um processo em gestação ha mais de um ano” sob os auspícios “da maior consultoria de inteligência empresarial que existe no Brasil”, a McKinsey, “para adequar o banco ao seu novo perfil mais competitivo”, recomendou pela primeira vez desde que sua história começou a ser registrada que ele se torne um pouco mais pesado?!

O contribuinte brasileiro podia ter economizado pelo menos o preço deste palpite – e os da McKinsey custam sempre os olhos da cara! – já que ele não varia um milímetro sequer daquele que todo e qualquer “anão do orçamento” que já nos concedeu a graça dos seus préstimos sempre prescreveu para todos os problemas do Estado brasileiro: a criação de mais duas vice-presidências e 10 diretorias para abrigar uma nova leva de “aliados” que vão acrescentar “governabilidade” ao governo do PT, isso sem contar um ministério extra que, pela primeira vez na história deste país e quiçá do mundo, nos põe na marca das quatro dezenas deles.

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E ficam aí os doutores Celso de Mello e Joaquim Barbosa a fazer beicinho para os trocados que o PT distribuía para comprar este mesmo precioso bem nos primeiros dias do seu governo…

Pois o Brasil estava fazendo um excelente negócio e não sabia!

O novo ministério – da Micro e Pequena Empresa – vai para o dr. Afif Domingos porque ele, na hora certa, tornou-se amigo de Gilberto Kassab. Já a nova vice-presidência de Micro e Pequena Empresa (bis) da Caixa vai para o indicado do dr. Kassab que, com tais fontes de munição eleitoral nas mãos, torna-se eterno enquanto durar na política brasileira.

A outra novidade chancelada pela multinacional que aprendeu tudo que sabe em Wall Street é a vice-presidência de Habitação, tema xodó de dona Dilma que aprendeu rapidamente que a Sua Casa é a Vida Dela. E, sendo assim, esta fica com o PT mesmo.

Vai que “deus” deixa ela ser candidata outra vez…

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Em troca o dr. Kassab entrega 49 deputados e dois senadores que ele nunca elegeu mas surrupiou de outros caciques menos rápidos no gatilho. Comprou cargos com deputados roubados, o que merece um capítulo novo na lista de agravantes do Código Penal quando tivermos um que alcance gente com cargos públicos.

O PMDB, que tem só duas vice-presidências da Caixa, já deu o alarme que terá de vir mais por aí pois, feitas as devidas comparações entre a “governabilidade” entregue e o pagamento aferido o “diferenciado” Zé Sarney tem a haver mais uma fatiazinha do Brasil.

A vice-presidência de Pessoa Jurídica (quer dizer, as grandes empresas), hoje nas mãos do fiel Geddel Vieira Lima, último sobrevivente do nanismo orçamentário, um tipo de roubalheira que já se tornou obsoleto, jorra bem mas já não enche o balde. E a de Fundos de Governo e Loterias, bifão que já foi daquele sujeito unha e carne do Zé Dirceu que foi filmado sendo subornado pelo Carlinhos Cachoeira quando ele ainda não tinha cabelos implantados, hoje nas mãos zelosas de um certo Fabio Cleto sem o “p” entre o “e” e o “t” servia para os tempos do milhão mas já não basta para estes do bilhão.

mk13

O PMDB sabe esperar…

Faz parte dessa mesma reforma chancelada pela McKinsey a entrega, mês que vem, da Presidência do Senado ao dr. Renan Calheiros e sua legião de laranjas e testas de ferro, e a da Câmara a Henrique Eduardo Alves, atual líder do PMDB, que tem ficha parecida com a deste.

Explica-nos o vice-presidente de dona Dilma e presidente de honra do PMDB, Michel Temer (que, para os íntimos, jacta-se de ser homem de pelo menos R$ 5 bi), do alto de sua infinita sabedoria, que as fichas imundas desses candidatos não atrapalham mas, ao contrário, ajudam a eleição desses senhores pelos seus pares nas duas casas do Congresso Nacional.

Basta dar uma olhada na nova fornada de líderes partidários em gestação para a legislatura que se inicia agora em fevereiro. Comandarão a frente de apoio ao antigo “partido da ética na política“, pelo PR, Anthony Garotinho, pelo PMDB, Eduardo Cunha, pelo próprio PT, ninguém menos que José Guimarães, vulgo “cuecão”, irmão do cruzado da democracia José Genoíno, pelo espírito inovador de que já nos deu provas. A lista desce por aí abaixo, “E a todos eles, explica sua excelência, interessa ter nas mesas que controlam a criação de CPIs, a abertura ou engavetamento de processos por falta de decoro e outros instrumentos assemelhados gente que tenha sensibilidade para o mesmo tipo de problema que afeta a cada um desses patriotas”.

Vivendo e aprendendo!mk20

O corrupto essencial e o maria-vai-com-as-outras

12 de março de 2012 § 1 comentário

Tanto quanto no que diz respeito a outros atributos humanos, também no que se refere à corrupção existem os autênticos, os inovadores, os grandes criadores e os que são apenas seguidores, esforçados maria-vai-com-as-outras.

A distinção faz toda a diferença. Vai de estar submetida a uns ou aos outros uma sociedade ser vítima de predação sistêmica, podendo ser levada ao esgotamento, ou apenas de atos isolados de rapinagem que ela pode se organizar para coibir e controlar.

Primeiro porque os grandes criadores são muito menos numerosos que os “maria”. Segundo porque, se os primeiros não conseguem se estabelecer como padrão para o resto da sociedade, a corrupção dos outros permanece em estado de latência e eles podem até ser compelidos a comportar-se de modo virtuoso se for esse o caminho obrigatório para o sucesso.

O maria-vai-com-as-outras, em resumo, vai com quaisquer “outras”. Deixa-se pautar pela circunstância enquanto o corrupto “de raiz” em momento algum consegue deixar de ser o que é.

Daí a pertinência da síntese de autoria de Theodore Roosevelt tantas vezes citada aqui:

O problema não é haver corrupção. Corrupção é inerente à espécie humana. O problema é o corrupto poder exibir o seu sucesso, o que é subversivo“.

Veja-se, por exemplo, a reportagem que O Estado de S. Paulo traz hoje sobre o loteamento das tetazinhas de R$ 6 mil por mês nos conselhos das empresas do Município de São Paulo entre representantes de sete partidos que o prefeito Kassab acredita que possam vir a contribuir para o sucesso das suas ambições políticas.

Gilberto Kassab não tem nem a personalidade que se requer de um grande criador no campo da corrupção, nem a fibra que caracteriza o tipo que persiste em remar contra a maré para tentar reformar as regras do Sistema. É o exemplo perfeito e acabado da variação “maria”.

Como a esmagadora maioria dos que nos roubam e achacam a cada passo nos municípios e nos estados desde que o PT escancarou as portas do Inferno, ele faz parte daquela legião que não interessa especialmente, nem a deus, nem ao diabo.

Mas como o padrão instalado no Brasil é o que se traduz naqueles 36 ministérios/antros de Brasília, cada um de propriedade particular e intransferível de uma das máfias que, graças ao flagrante do Mensalão, tornaram-se parasitas crônicos da roubalheira lulo-petista, Gilberto Kassab apenas dança conforme a música. A mesma coisa acontece com os barões do BNDES, esses “grandes empreendedores” obcecados pelo “sucesso”, hoje reduzidos a dar testemunho público de vassalagem uma vez por mês sentando-se ritualmente à volta da mesa do “Conselho de Gestão” de um governo que tem como marca registrada a mais sólida e irredutível incapacidade de gestão.

Tudo isso é apenas natural.

Volto a bater em outra nota que sempre toco aqui no Vespeiro: a corrupção é muito menos uma questão moral que uma consequência de se viver sob instituições defeituosas.

A questão é puramente darwiniana. O vencedor será sempre o mais capacitado. E a crise ambiental que se vai tornando aguda está aí para comprovar que o homem é o mais oportunista dos organismos oportunistas que infestam o Planeta Terra.

Se o sistema baliza-se pela corrupção, os mais corruptos estarão no topo e, daí para baixo, haverá uma seleção dos maria-vai-com-as-outras segundo a sua disposição de se corromper. Quanto menos escrúpulos, mais para cima se colocará o “maria” nessa cadeia alimentar artificial que são os sistemas de poder, seja o poder que se compra com cargos, seja o que se compra com dinheiro.

Resistirão à pressão do meio apenas e tão somente os honestos “de raiz”, relegados a uma semi-clandestinidade.

Já se o sistema balizar-se pela capacitação técnica e profissional e pelo merecimento, a escola passará a ser um estágio obrigatório para o sucesso e os corruptos essenciais é que serão forçados a cair na clandestinidade, ficando polícia e bandidos em campos opostos, como convém.

É como com os cupins: se não matar a rainha-mãe, não adianta chorar. Eles continuarão roendo a árvore até depois que ela já estiver morta.

Uma doença antiga e 4 notas maldosas

26 de novembro de 2011 § Deixe um comentário

O Brasil vive ha 500 anos atolado nesse mesmo brejo: o descalabro anterior é sempre o que se alega para justificar o descalabro seguinte. Em vez de providenciar o conserto do membro danificado, deixemos que ele caia de podre e que o corpo todo se entorte para se adaptar a essa irremovível “realidade”.

Um exemplo?

Deu nos jornais da semana que passou que o Ministério da Justiça destacou um grupo que vai se empenhar sistematicamente em reduzir a “inflação penal”, que é como eles chamam as “dezenas de projetos em tramitação no Congresso” que, respondendo a eleitores em pânico com a falência da segurança pública, aumentam as penas para inúmeros crimes.

O argumento é na linha de sempre: nossas prisões são tão indecentes que se transformaram em fábricas de feras. Logo a solução é deixar os criminosos soltos nas ruas e os cidadãos presos nos seus casebres, onde as “celas” são melhorzinhas…

Se, seguindo a moda em voga no mundo, o governo instituísse um único “Dia Nacional sem Roubo” por ano, dava pra arrumar todas as prisões existentes e ainda construir as que estão nos fazendo falta.

Visto que, também nesta mesma semana, noticiou-se que o Brasil gasta em proporção ao PIB e à população o mesmo que os países mais seguros do mundo gastam com polícia, confirma-se que só ficaria faltando acabar com a galopante inflação de recursos e firulas formais que valem mais que os fatos nas discussões e decisões dos nossos advogados, promotores e juízes – inclusive e principalmente nos julgamentos a respeito da corrupção dos seus pares – pra resolver o problema da segurança pública no Brasil.

Mas aí como é que esse povo trabalhador do sistema judiciário ia sustentar os seus pequenos luxos?

Nem pensar!

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Jorge Gerdau Johanpeter, que foi imperialmente remunerado, via BNDES, para não ter mais que pensar em suas empresas e poder se dedicar “ao Brasil”,  concluiu, após 8 ou 9 meses sentado no gabinete dentro do Palácio do Planalto de onde coordena a Câmara de Gestão e Planejamento do governo Dilma Roussef, que “é impossível governar com 40 ministérios e 25.500 cargos de confiança“.

Obrigado, dr. Jorge…

Mas o problema da administração pública brasileira nunca foi de falta de diagnóstico. É de recusa sistemática dos governos de tomar o remédio que todo mundo conhece contra o seu velho vício de subornar partidos políticos, fabricar e distribuir cargos públicos e cooptar empresários para lhes comprar eleições e perenizar no poder.

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E de repente, não mais que de repente, toda a legião dos banqueiros públicos e dos temidos fiscais do PT que têm acesso a cada movimentação nas contas de cada empresa do Brasil online e em tempo real no famoso computador da Receita Federal que deixa o da Nasa no chinelo, grita em uníssono sobre a compra pela Caixa Econômica Federal daquele banco do Sílvio Santos que eu e a torcida do Corinthinas sabíamos que estava arrombado: “Fomos traídos!

Coitados…

O Silvio Santos é o dono daquela rede de TV da bolinha de papel na careca do Serra que selou a sorte da última eleição.

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Kassab, acusado de ladrão, é cria de Maluf, condenado como ladrão, que é padrinho de Negromonte, flagrado como ladrão.

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A USP se transformou na nossa madrassa. É lá que são fabricados os nossos aiatolás.

Vai longe este patriota!

2 de setembro de 2011 § 4 Comentários

Gilberto Kassab tem todas as anti-qualidades necessárias para escorregar como um quiabo ensaboado por entre as malhas do filtro negativo da política brasileira.

Adota e descarta amigos segundo as necessidades do momento sem pestanejar ou fazer exigências ingênuas quanto a caráter, comportamento pregresso ou ficha na polícia.

É objetivo e flexível. Declara-se sem ideologia nem sexo, podendo assumir a (ou o) que parecer mais apropriado para cada ocasião.

Troca de partido ao sabor dos imputs do Ibope, podendo criar um novo com a necessária flexibilidade se nenhum dos 37 hoje em oferta no mercado lhe parecer suficiente para abrigar tão rigorosa neutralidade.

Para tanto deixa Jesus Cristo no chinelo: caminha com tranquilidade sobre as águas turvas da nossa legislação eleitoral, ressuscita mortos e tira de letra o milagre da multiplicação das assinaturas.

Agora, na melhor tradição do “nosso guia”, acaba de abraçar Judas diante da necessidade que se apresenta de “fazer o que todo mundo faz” para concorrer a eleições. Faltando 15 meses para o fim do mandato, anunciou aos seus eleitores paulistanos que chegou a hora de confessar-lhes que o plano é vender às imobiliárias mais uma fatia do futuro da cidade deles.

Sensível às demandas do mercado como é, está inventando 452 mil metros quadrados antes inexistentes na já saturadíssima área da Faria Lima, a serem oferecidos a preço módico às imobiliárias na forma de 500 mil novos Certificados de Potencial Construtivo, essa linda invenção de Paulo Maluf, o nosso político mais procurado pela Interpol (olha o Brasil aí, genteeee!). É nada menos que a mesma quantidade que foi vendida nos últimos 10 anos, de onde ele espera conseguir arrancar no mínimo R$ 2 bilhões, imprescindíveis para dar ao seu charme um alcance nacional.

E é investimento sem risco: se não se eleger, no mínimo vira o próximo Valdemort da Costa Neto no multibilionário mercado do comércio de governabilidade lá em Brasília.

Vai longe este patriota!

E se…

11 de março de 2011 § 1 comentário

Na crise, “back to the basics”, dizem os americanos.

Nada como a sabedoria popular!

É o que a “oposição” brasileira está precisando fazer.

O que se lê nos jornais sobre ela é de dar pena.

Serras, kassabs, chalitas…

A coisa vai de mal a pior.

E mesmo o Aécio, coitado, não sabe pra onde se virar.

A oposição está, como diria Voltaire, como aquele “cego, num quarto escuro, procurando um gato preto, que não está lá”.

Pois de volta ao básico!

E o básico é o seguinte. Desde que Roma inventou a Republica, só existe uma questão importante para o desenvolvimento da democracia: como submeter o representante ao representado.

É isso que conserta ou entorta tudo.

O Império Romano caiu porque não resolveu esse problema. A Inglaterra inventou a modernidade construindo essa resposta. E os Estados Unidos dominaram o mundo depois que conseguiram aperfeiçoá-la.

O Brasil balança na mesma alternativa: ou cria controles da cidadania sobre os políticos e a máquina publica ou o desembesto geral em que eles andam desmoraliza de uma vez por todas a ideia de democracia nestes tristes trópicos.

Aécio tem procurado associar a ideia de “choque de gestão” à sua “marca” política.

É por aí mesmo!

Só que está na hora de sairmos do “choque de gestão” opcional, episódico, cosmético, para o choque de gestão permanente e irreversível no setor publico. Só isso permitirá ao Brasil sair da alternância entre o péssimo e o apenas ruim. Só isso dará ao país a oportunidade de mudar definitivamente de patamar e deixar de festejar o sofrível.

É desta ilusão que Lula tem vivido. E superá-la é a única forma de superar o lulismo.

O mundo mudou mais nos últimos 30 anos do que tinha mudado nos 30 milhões de anos precedentes justamente porque passou por um profundo “choque de gestão”. E esse choque de gestão consistiu em retirar do entorno do trabalho todos os anteparos de que os políticos o cercaram para tornar a garantia de emprego, o desenvolvimento nas carreiras e a remuneração de cada trabalhador mais dependentes da sua submissão à política que do esforço pessoal e do mérito de cada um.

Dirão os mal intencionados que derrubar a parafernália de falsificações de que se cerca o trabalho até hoje em países como o Brasil é tirar “direitos dos trabalhadores”. Mas isso é uma mentira grosseira que a globalização da produção e dos empregos e a revolução das comunicações tornam a cada dia mais evidente.

A verdade é que foi o “choque de gestão”; as regras internacionais de governança corporativa; os sistemas de trabalho baseados no mérito que trouxeram a democracia para o andar de baixo da sociedade e colocaram-na – finalmente! – ao alcance da massa trabalhadora.

Porque num sistema de mérito não é preciso puxar o saco do patrão (nem do político) para subir na vida. Cada um pode ganhar tanto quanto estiver disposto a cavar com seu trabalho. Não ha mais limite. Pela primeira vez na história do mundo, é possível ficar rico vendendo apenas “mais valia”, sem se tornar dono do capital.

Os trabalhadores recuperaram, enfim, o direito à dignidade e o controle sobre o seu próprio destino.

Isto sim é que é democracia! O resto é conversa para enganar trouxa.

É claro que, humanos que somos, logo passamos a inventar novas maneiras de viciar o novo sistema para que também ele passe a abrigar privilégios.

Mas os privilégios de hoje no mundo corporativo são, na maior parte dos casos, privilégios que se combate com a polícia e não privilégios protegidos por ela. Distorções que decorrem de relações libidinosas entre as corporações e os políticos. Mas, mesmo assim, são privilégios infinitamente mais limitados que os que definiam a situação anterior.

Não foi necessário arquitetar qualquer projeto especial para que essa revolução se processasse no universo privado brasileiro. Bastou deixar o Brasil exposto à competição mundial e à globalização do emprego e da produção, que “cassa” implacavelmente quem não se ajusta, para que todo o resto acontecesse de motu próprio.

O instinto de sobrevivência faz milagres…

É isso que precisa acontecer no Brasil oficial.

A impunidade é uma cadeia que, num sistema onde prevalecem as nomeações, desce como uma praga hierarquia abaixo.

Garanta a impunidade aos cabeças e atribua-lhes o poder de outorgar esse privilégio com uma simples nomeação e você estará criando uma máfia onde o único valor que restará em pé, com a força do instinto de sobrevivência, será a cega lealdade ao chefe.

Exponha o primeiro da fila à responsabilização e você estará expondo todos os demais. Faça o emprego dele depender do desempenho dos seus nomeados e ele tratará de fazê-los, todos, mostrarem para que servem.

Impunidade e estabilidade no emprego são os dois pilares que sustentam todos os vícios do Brasil oficial. Enquanto cada político, cada funcionário publico souber que posto um pé dentro do “sistema” o emprego e a impunidade estão garantidos, aconteça o que acontecer, a continuação de tudo quanto temos lamentado nos últimos 500 anos será mera consequência.

Só a instabilidade dos políticos e dos funcionários públicos poderá gerar um Brasil estável.

Tornar os nomeadores imputáveis pela obra dos nomeados é, portanto, o caminho.

Eis aí uma bandeira para um partido de oposição que aqueles 44 milhões de brasileiros que, apesar do Serra, se recusaram a votar no Lula, abraçariam com todas as suas forças.

Não ha como leva-la adiante?

É outra mentira.

Será preciso carregar essa proposta pela porta dos fundos para dentro do Legislativo, hoje um inimigo do Brasil real posto a serviço do Brasil oficial. Mas os caminhos institucionais para isso estão postos e abertos. O Brasil conta com as figuras da Lei de Iniciativa Popular, a que gerou a lei da Ficha Limpa, e do Referendo, que adiciona força a esse instrumento. É com essas duas que se poderá dar mais agilidade à terceira, que é a que torna as outras duas realmente efetivas: o direito de determinar a demissão de qualquer funcionário eleito – legisladores inclusive e principalmente – a qualquer momento e por qualquer motivo que os eleitores achem suficiente, mediante um abaixo assinado seguido de plebiscito dos eleitores interessados (ou manifestação especifica na eleição seguinte, ja que temos uma a cada dois anos por aqui).

Os americanos usaram esse caminho ha cerca de 100 anos. O resultado foi que a corrupção foi reduzida em pelo menos 80%, o que os transformou no que são hoje: o povo mais rico e mais dono do seu próprio nariz em todo o mundo. Dado o primeiro passo, completaram a obra reduzindo drasticamente as funções preenchíveis por nomeação, concentrando nos municípios e nos Estados a maior parte dos serviços públicos e passando a eleger diretamente a maior parte de seus funcionários públicos (para poder cassá-los a vontade e a qualquer momento). Hoje a cédula de cada eleição americana inclui, em média, 60 quesitos, entre recalls (cassações) de funcionários, leis de iniciativa popular e eleições de funcionários como policiais, diretores de escolas publicas e outros. O pais discute, agora, o direito à cassação de juízes e sentenças judiciais que o povo julgue viciadas.

Para o Brasil bastaria a primeira parte da receita, para começar. Tornar instável – periclitante mesmo – a carreira dos nossos políticos, já faria uma revolução. Mesmo despreparados como são, você se surpreenderia com o que eles se mostrariam capazes de fazer a seu favor se a sobrevivência deles dependesse disso.

Tudo que está faltando é um líder de oposição que acredite que os brasileiros não são piores que os egípcios e se disponha a dar o primeiro grito.

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