Bem melhor assim!

6 de setembro de 2012 § 1 comentário

Olho no olho, sem promessas, nem musiquinhas nem figuras cafajestes no último, é o seguinte: “Sai da prefeitura com o seu endosso para evitar que um governo petista reduzisse o estado inteiro ao que eles tinham reduzido a cidade de São Paulo. Você aprovou isso com seu voto para governador“.

A verdade, quando se apresenta, tem a força esmagadora dos fatos.

E ao se reconciliar com ela, Serra, não sei com quanta consciência disso, fez uma síntese perfeita do sentido do confronto PT x PSDB como o eleitor que não se deixa subornar o vê: “venho para ser tudo que eles não são” (o que não inclui, naturalmente, o que eles possam ter feito de bom).

Essa tomada de posição é algo que ele nos deve desde 2002 quando, para a suprema alegria de um incrédulo Lula, Serra ouviu calado no debate, endossando-os, os ataques do barbudo à essência do que tinha sido construído pelo governo FHC: o fim da farra com o dinheiro público (responsabilidade fiscal), o drástico encurtamento do território privativo de caça dos ladrões que são as estatais, a institucionalização dos mecanismos de decisão e as demais reformas que mataram a febre da hiperinflação que resultava do desembesto da putaria política.

Não foi pouco o que essa atitude inexplicável ajudou a reinstalar no Planalto, sob nova direção, a mesma máfia que as reformas de FHC desbaratara.

Na TV – até as criancinhas sabem disso! – o que o espectador capta não é o que se diz mas com que convicção se diz.

Cara a cara, olho no olho, mentira nenhuma decola a menos que quem estiver mentindo seja um tremendo de um ator.

Quando é, é um inferno. Mas se tem uma coisa que José Serra definitivamente não é, é um tremendo de um ator.

Lula sim. É “o cara” nessa arte. Faz, com a maior tranquilidade, até aquele clássico papel do gêmeo bonzinho x o gêmeo malvado, invertendo na mesma cena o que disse agora ha pouco na maior cara de pau e mostrando idêntica “convicção”. O Youtube está aí, recheado de provas, pra quem precisar refrescar a memória

Mas isso não é para quem quer. E nem dura para sempre.

Felizmente a abertura desastrosa da campanha de Serra tentando cavalgar o “tchan” cercado de uma coleção de figuras tenebrosas dos porões da televisão levou poucas horas para devastar o falso Serra.

Sobrou na raia, lá atrás e bem machucado, o Serra verdadeiro. Se conseguir se livrar da sua eterna dinamarca e prosseguir reconciliado com aquilo que é, pode ser que a pátria seja salva.

Ele acredita no Brasil?

30 de agosto de 2012 § Deixe um comentário

Da vez passada tentou ser mais Lula que o Lula.

Agora piorou: quer ser mais Valdemar da Costa Neto que o Valdemar da Costa Neto!

No momento em que um STF empurrado a tanto levanta-se para liderar o enfrentamento final da Nação contra a esculhambação definitiva da politica brasileira, ele tira do ar todo mundo que tem algo a dizer – e os únicos que têm ainda estão no partido! – e enche o horario eleitoral deste PSDB que só sobrevive pela memoria que o eleitor insiste em guardar da diferença de qualidade que um dia representou em relação a fauna dos predadores que nos devoram, de Tiriricas colecionados no que ha de pior no que ha de pior na televisão brasileira.

Assim não dá! Burrice tem limite!

O Brasil tem remédio?

25 de maio de 2012 § Deixe um comentário

No artigo O Brasil tem remédio, publicado ontem no Estado, Jose Serra fez um relato pormenorizado de como ele conseguiu quebrar a resistência das multinacionais, a fraqueza das nossas instituições e a inépcia da burocracia do Estado brasileiro para iniciar a fabricação e a distribuição de medicamentos genéricos no país.

Mesmo abandonado pelo PT, o programa ainda mantém 17 mil produtos à venda pela metade do preço dos remédios de marca, tendo proporcionado uma economia de R$ 22 bilhões para a população doente brasileira em 12 nos.

A Anvisa, hoje loteada entre a canalha da “base” pelo PT, foi o órgão chave de todo esse processo pois era quem zelava pela qualidade dos genéricos e pela idoneidade dos seus fabricantes. Acabou nas mãos do famigerado governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, um dos funcionários do Cachoeira que, conforme provas divulgadas ha alguns meses, passou a alugar o direito de “vender saúde” ao povo brasileiro a qualquer um que se dispusesse a pagar.

Fiquei pensando, então nesse eterno movimento pendular da desgraça brasileira: quando o político da hora tem competência para fazer e um mínimo de padrão moral, não tem competência para se comunicar com o povão; quando tem competência para se comunicar com o povão, não tem nenhuma condição técnica para fazer e usa sua habilidade exclusivamente para enganar e degradar as instituições e os costumes políticos.

Não é a primeira vez que nos acontece…

Como romper esse ciclo vicioso?

Não dá nem para mudar a natureza do político que vem lá do fundo do vale e galga toda a montanha do poder mentindo e enganando “na língua do povo”, nem, muito menos, para esperar que o povo todo chegue ao nível de educação necessário para compreender o discurso mais elaborado dos que têm padrão moral e capacidade técnica para fazer.

A única possibilidade prática é que alguém que tenha padrão moral e capacidade técnica para fazer desça a um discurso alcançável pelo povão.

São duas as dificuldades para isso. A primeira é fazer o candidato a tanto compreender que essa “maquiagem” do discurso não é necessariamente um ato desonesto e que uma pitada da boa demagogia é absolutamente imprescindível para que não se perca a condição de fazer o que é preciso fazer, que é conquistar o poder.

Isso não é tão difícil de conseguir. É o que está acontecendo neste momento na França com a substituição de Sarkozy por Hollande, se bem que na França é bem verdade, o fosso da ignorância não é tão profundo quanto é no Brasil

A segunda é fazer com que tal processo não resulte na perda da autenticidade do discurso que é coisa que o eleitor percebe no ato, pela pele e que, ainda por cima, tudo isso seja encenado com altíssimas doses de simpatia.

Mas isso é um dom divino.

De modo que só resta rezar mesmo…

Da São Paulo bloqueada para o Brasil: eu sou você amanhã

24 de maio de 2012 § 1 comentário

A greve do Metro de São Paulo ontem, que chega na esteira de uma misteriosa epidemia de “panes” no sistema que costuma se manifestar em vésperas de eleições, é apenas uma amostra do que vai acontecer no país no dia em que a máquina do Estado brasileiro virar “oposição”.

Se pedir aumento de 15% acima da inflação de modo a garantir um “não” e partir para uma greve selvagem assim que ele foi pronunciado pela primeira vez sem sequer tentar negociar não é prova suficiente de que tudo não passa de fabricação de munição para debates eleitorais onde o Metro aparecerá como a maior obra do PSDB no país da infraestrutura zero, o grupinho fascista que invadiu as assembleias da categoria ontem para impedir votações para a retomada do trabalho e manter a greve na marra é.

Depois da debandada da esquerda honesta que se precipitou quando Lula abraçou ostensivamente os sarneys e os collors da vida, sobrou o funcionalismo público e as máfias sindicais cevadas no dinheiro do Estado na militância do PT.

Hoje eles estão no poder e nadando de braçada nas costas do Brasil.

Não é atoa que a renda per capita de Brasília disparou para alturas jamais sonhadas pelos novos quase remediados aqui de fora a quem eles atiram as migalhas da festança.

Mas, se mesmo com a máquina pública remando a favor o desempenho do governo petista é o desastre que se reflete na infraestrutura sucatada que vai expulsando a industria brasileira do mercado mundial e na predação generalizada a que ficaram reduzidas as ditas “obras da Copa”, imagine quando ela estiver jogando contra.

São Paulo tem pago o preço de não se dobrar ao PT.

Um dia o resto do Brasil também se cansará de faze-lo. E então veremos o confronto aberto do Estado petista com a Nação.

Serra ou não Serra

21 de março de 2012 § 4 Comentários

 

Se colocar José Serra, o do “papelzinho”, competindo pela Prefeitura de SP é a única maneira de impedir que o PT conquiste o penúltimo baluarte importante que continua a rejeitá-lo no Brasil, que é a cidade de SP, que dirá para impedir que ele conquiste o último, que é o Estado de São Paulo.

É nessa ilusão que o PSDB vai se desmilinguindo e desanimando qualquer um de se filiar a ele, para alegria do melífluo Kassab, já que a unica perspectiva que se abre para quem o fizer é, na hora H, ser obrigado a sair do palco para deixar Serra, o ubíquo, sozinho nele.

Tal “estratégia” se autoalimenta pois, desse jeito, nunca o partido poderá dar a “sangue novo” a chance de testar o eleitorado e acumular cacife para campanhas futuras.

E, no entanto, daqui de onde estou o que parece não é que SP resiste ao PT porque vota em Serra. O que acontece é exatamente o contrário. SP vota puto da vida naquele Serra que disputa com Lula para ser mais Lula que o Lula porque ainda ve nele qualquer coisa de menor que aquilo que o PSDB representa. São Paulo vota em Serra apesar de Serra porque essa é a única alternativa que lhe oferecem para os candidatos criados no laboratório do sapo barbudo.

Se, de tanto insistir em Serra, o PSDB acabar convencendo o eleitorado paulista de que ele é menor que Serra, como está tentando fazer, aí sim, conseguirá o milagre de fazer São Paulo – a cidade e o Estado – se renderem ao lulopetismo que, pelo menos, não se esforça para parecer aquilo que não é.

 

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