A infelicidade de ser levado ao ar

11 de julho de 2012 § Deixe um comentário

Leilane Neubarth, dando um show de ventriloqüia com o seu “especialista” de ocasião em cuja boca punha e tirava afirmações com impressionante desenvoltura, saudava a cassação de Demostenes Torres, hoje no final da tarde na Globonews, como “um dia histórico nesta nossa mudança para a democracia“.

Já eu não dou um tostão por mais esta “conquista”.

Transitar por esta nossa Babel, aliás, é um negócio que fica mais complicado a cada hora que passa.

A Rede Globo é macaca velha nessa coisa de produzir noticiários taylor made para cada horário de exibição. Não sei quanto dessa regra ainda são restos dos “territórios ocupados” que há em toda redação, oriundos da construção granmsciana cuja má fé se tornou indesculpável desde que o PT se sentiu a vontade para mostrar sua verdadeira face, e quanto leva o endosso explícito dos proprietários ou, ao menos, a falta de disposição deles de enfrentar a máfia e limpar definitivamente a área.

Mas que a coisa acontece, acontece.

Já faz décadas que a dose de liberdade permitida aos jornalistas da casa nas dezenas de jornais que a emissora apresenta em seus muitos canais e horários é inversamente proporcional à audiência do horário…

Mas deixemos a Globo pra lá.

Dia histórico para a democracia brasileira?

Vamos lá:

  • a estreia de Carlinhos Cachoeira nos jornais televisivos nacionais sob os auspícios da hoje monopolística do segmento Polícia Federal Productions se dá em 2004, na sala contígua ao gabinete do Presidente da República, Luís Ignácio Lula da Silva, em pleno Palácio do Planalto, estrelando Waldomiro Diniz, posto dono das loterias do Brasil pelo intrépido discípulo dos irmãos Castro, José Dirceu, a vender favores para o homem que “em toda a história deste país“, haveria de ser o maior plantador de laranjas da capital federal e cercanias e de lá até o Oiapoque e o Chuí;
  • não se sabe quantos anos antes de 2004 a Polícia Federal Productions já estava gravando os ires e vires do sr. Cachoeira;

  • oficialmente dão-no como dedicado ao jogo do bicho “ha 17 anos”, o que nos põe em 1995, mas ha controvérsias: datam dessa mesma época (2004), entre outros, os episódios estrelando o prefeito de Palmas, hoje acoitado no PT, Raul Filho, aquele que “teve a infelicidade de ser filmado” recebendo dinheiro dele naquele ano mas confessa que já se relacionava com o insigne “contraventor” desde 1994;
  • Raul Filho é um dos fornecedores de alimento à Delta Construções, a stella mater da constelação de empresas do “empresário” em questão, em cuja boca mantém as tetas uma vez concedidas mesmo diante de flagrantes de “malfeitos”, conforme o padrão estabelecido;
  • Leilane e seu “especialista” repisaram muito o “fator agravante” de Demóstenes ter “decepcionado” seus pares porque se apresentava como um paladino da ética na política até o momento em que foi flagrado “malfazendo”, esquecida de que de ex-paladinos da ética na política a Presidência da República deste país está cheia;
  • a “cronologia” do processo de cassação de Demóstenes, devidamente desacompanhado de qualquer das conclusões ou perguntas óbvias que ela enseja, foi o ponto alto da cobertura pois revelava a apurada técnica com que a Polícia Federal Productions mantém o suspense nas novelas que encena: a cada semana uma e apenas uma “revelação”, primeiro a de uma amizade suspeita sustentada por um numero vago (“mais de 300 telefonemas”); depois, um fogão e uma geladeira de presente de casamento; a seguir, R$ 3 mil reais para pagar um taxi aéreo; finalmente a menção à separação de “um milhão do Demóstenes”;
  • enquanto o Senado fuzilava Demóstenes, na Câmara dois petistas (Sande Junior e Rubens Ottoni) e um filo petista (Protógenes de Queiroz), também da lista de infelizes gravados “cachoeirando”, aproveitavam o ruído do tiroteio para safar-se ficando na rede apenas um peessedebista de cujo nome já nem me lembro;
  • seria ocioso, aliás, listar aqui todo o rol de interlocutores contumazes dos rádio-telefonemas e outros parceiros recorrentes das tramóias do sr. Cachoeira, bastando lembrar que inclui representantes de todos os partidos políticos em todas as casas de leis de todos os entes da federação e em todos os níveis do Poder, a começar pela Presidência da Republica cujo Programa de Aceleração do Crescimento – o PAC filho da Dilma – é tocado preferencialíssimamente pela “inidônea” (e convenientemente emudecida) Delta Construções;
  • para terminar, mandam avisar a quem interessar possa que sai Demóstenes e entra um tal Wilder Pedro de Moraes, dono de 24 empresas conhecido do Fisco por seus problemas de memória cuja relação mais próxima com a política está no fato de ter cedido a namorada para ninguém menos que – tchã, tchã, tchã, tchãããn! – Carlinhos Cachoeira!

Que Gloria Perez que nada! Saio dessa novela pior do que entrei, me perguntando onde é que vai acabar essa história sem mocinhos onde nada acontece por acaso e a “infelicidade” não está em ter ou não ter um papel nela mas em ser condenado por juízes nem tão invisíveis assim a ter o seu capítulo escalado para ser levado ao ar.

Uma imensa Venezuela?

21 de maio de 2012 § 1 comentário

Em entrevista hoje para O Estado de S. Paulo o ministro da Justiça do PT, Jose Eduardo Cardoso, disse que “o ato de criação da Comissão da Verdade simbolizou o Brasil superando divergências políticas e ideológicas“.

Pra mim o que simbolizou o Brasil superando divergências ideológicas foi ver o Lula abraçando Fernando Collor de Mello e José Sarney.

Daí por diante, tudo tem sido só circo.

Eu acompanho a trajetória de José Eduardo Cardoso desde os tempos da Câmara Municipal de São Paulo, onde vi ele tomar algumas atitudes que provaram que ele já foi diferente da média do comportamento moral dos seus colegas de partido.

Mas vejam o que ele disse hoje:

Nós vivemos numa democracia. Então, mesmo aqueles que no passado foram contra essa democracia hoje podem se valer dela para expressar suas opiniões. Talvez um dia, quem sabe, eles se convençam de que a democracia é bem-vinda”.

Não, não é do PT e daquele pessoal que, patrocinado por Cuba e pela Russia soviética, pegou em armas para implantar à força a “ditadura do proletariado”, aquela que murou países inteiros, matou 10 vezes mais que Hitler, criou os hospitais psiquiátricos para “tratar” quem era louco de discordar e continua espancando ceguinhos na China até hoje que ele estava falando.

Era aos que resistiram a tudo isso para preservar as “liberdades burguesas”, tais como as de eleger e deseleger seus governantes, mantê-los submetidos à mesma lei válida para todos e fiscalizados por uma imprensa livre que os petistas passaram a vida apedrejando que ele se referia.

Torturadores aparte, que estes são unanimidade, eram esses que os cesare battisti nacionais caçavam a tiro nas ruas antes que os milicos caíssem de pau em cima deles. Só depois é que os generais começaram a gostar da brincadeira. A verdade histórica é que foram eles que legaram ao Brasil os 20 anos de chumbo.

E vejam mais esta pergunta e esta resposta:

“Mas o sr. integrou a CPI dos Correios como deputado e, à época, disse que o Mensalão existiu. O sr. mudou de opinião?”


Em nenhum momento eu disse que o Mensalão existiu. Cheguei até a pedir uma correção à revista Veja. Afirmei que existia uma situação de destinação de recursos ilegais, de caixa dois. Isso era indiscutível“.

Assim como José Dirceu “acredita cada vez mais” na própria inocência, eu sinceramente acredito que o ministro José Eduardo Cardoso acredita cada vez mais no que diz.

É fascinante, aliás, esse processo dentro do PT no poder. Quanto mais ele se distancia de um comportamento democrático e republicano, mais veementes ficam os discursos dos petistas afirmando o contrário, começando pelos da presidente Dilma que ninguém sabe dizer com certeza se mente na cara de pau como todos os outros ou se só viaja na maionese da sublimação de uma dignidade sincera mas impotente.

Seja como for, o fato concreto é que por trás desse palavrório atirado no poço sem fundo do esquecimento o partido segue, numa sólida linha de coerência, desmontando, tijolinho por tijolinho, todas as instituições de moderação do seu poder de executar (por enquanto só atos de rapinagem e de governo) sem dar satisfações a ninguém.

Neste preciso momento, por exemplo, enquanto mantem o seu fogo de barragem contra a memória do Mensalão, arma o tiro de misericórdia no poder de investigar e dirigir inquéritos criminais que a Constituição de 88 deu ao Ministério Público, a instituição que chamou de “quadrilha” os 39 figurões da nata do petismo que, chefiados pelo dito José Dirceu, arquitetaram e puseram em prática o esquema de suborno institucionalizado que o Supremo Tribunal Federal, por ordem do MP, ainda promete julgar antes da prescrição agora no meio do ano.

O agente do golpe é indireto, como sempre. Quem planta a bomba desta vez é a Associação Nacional dos Delegados de Polícia que faz parte da máquina sindical criada e gerida pelo PT.

A Polícia Federal comanda, em média, 70 mil inquéritos criminais por ano. O Ministério Público só uns 14 mil. Mas a quase totalidade deles refere-se a ações civis públicas por improbidade administrativa. Ladroagem de políticos e funcionários públicos para falar em português castiço. Na área criminal, o MP realiza menos de 1% do total de inquéritos conduzido pelas polícias que o governo nomeia.

Mesmo assim, são eles que assinam o Projeto de Emenda Constitucional (PEC nº 37) depositado na fila de votações do Congresso acompanhado de um comprometedor parecer da Advocacia Geral da União na época em que ela era comandada por José Antônio Dias Tóffoli, aquele advogadozinho do compadre do Lula que foi convenientemente plantado no Supremo Tribunal Federal nos últimos dias da presidência do padrinho da Dilma.

Diz o seguinte: “Revela-se fora de dúvida que o ordenamento constitucional não reservou o poder investigatório criminal ao MP, razão pela qual as normas que disciplinam tal atividade devem ser declaradas inconstitucionais“.

Foi também o MP que, em 2007, adquiriu o sistema de monitoramento de telefones Guardião que transformou num inferno a vida da ladroagem “oficial”.

Desmontada essa última arma de defesa da cidadania, não ficará mais nenhum obstáculo de monta na frente das ambições imperiais do petismo.

A imprensa, que tem se alimentado do que o sistema Guardião registra para fazer suas denuncias, está quase toda sob a batuta de “profissionais” formados nas escolas do PT.

As edições de sexta-feira passada, o dia seguinte do golpe que desmontou a CPI do Cachoeira e do escandaloso SMS de amor do ex-líder do PT na Câmara, Candido Vaccarezza, para o governador Sérgio Cabral do Rio, patrono da lavanderia Delta que tem 108 contratos de obras do PAC, filho da Dilma, são um exemplo veemente.

Dos três jornais nacionais, apenas um, a Folha de São Paulo, registrou esses fatos em manchete. Os outros dois trouxeram chamadinhas anódinas para tudo isso em suas primeiras páginas e pedaços selecionados da história do que realmente se passou em suas páginas internas, e manchetaram com a decisão “faxineira” de dona Dilma de por na internet os salários dos funcionários do Poder Executivo. E, como o Lula bem sabe, um fim de semana faz o efeito de um milênio para a memória da “nova classe média brasileira” que tem mais o que comprar para se preocupar com bobagens como a investigação de corruptos.

Graças a isso o golpe que desmontou a CPI do Cachoeira já soava hoje, aos quatro dias de idade, como um eco distante do passado sem autoria definida…

O PT já mira bem mais adiante da old mídia, aliás, preparando-se para matar a resistência democrática que, logo logo, estará confinada à internet. Montou uma bem engraxada máquina de patrulhamento e boataria na rede onde “jornalistas” a soldo do partido escrevem “séries de reportagens” para acusar colegas que denunciam a corrupção de “conluio com o crime organizado”, acusação que seus agentes colloridos repercutem no Congresso, seus hackers e especialistas na mecânica do Google (SEO) “bombam” no Twitter e nas redes sociais, e os agentes “da sociedade civil organizada” pelo dinheiro do governo, de que a UNE é o exemplo mais acabado, transformam em ensaios de pogroms e “empastelamento” de redações aguerridas, como a da Veja, na melhor tradição fascista.

Por trás desse barulho todo, enquanto a economia rateia, o obediente dr. Mantega manda jogar na conta do Tesouro Nacional o alarmante excesso de créditos duvidosos do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal para libera-los para seguir financiando o consumo (e as eleições) passando ao largo das regras de Basiléia 3 (essas que foram criadas para evitar o surgimento de novas grécias) e dona Dilma possa dizer à multidão dos novos quase remediados que “o Brasil está 300% preparado para enfrentar a crise mundial“.

E vamo que vamo que quando a “nova classe média” acordar do seu sonho de consumo nós já teremos nos transformado numa imensa Venezuela.

O cálculo de Lula

16 de abril de 2012 § 2 Comentários

O tema mais decisivo para definir a eterna oscilação do Brasil entre civilização e barbárie tem sido sistematicamente subestimado no debate político nacional porque envolve uma questão que fere o amor próprio dos jornalistas e envolve interesses diretos ou aspectos considerados sensíveis pelas empresas de informação que preferem não discuti-los em público.

Mas é contando com isso que Lula, do alto do seu olímpico desprezo por toda e qualquer convenção moral, faz os cálculos que embasam cada um dos seus passos na política.

A momentosa questão é:

Quanto realmente pesa o segmento livre da imprensa do Brasil? De que tamanho realmente é essa imprensa que investiga e faz denuncias? Quanta gente ela atinge?

A resposta curta e grossa é: quase ninguém.

Para ser preciso, ela é do tamanho dos jornais impressos de São Paulo, do Rio de Janeiro e de uns poucos estados mais com mercados publicitários capazes de sustentar um jornal, e mesmo assim, de nem todos os jornais impressos nessas praças. E atinge uma parcela da parcela (realmente) alfabetizada das populações dessas áreas.

O resto da imprensa ou está diretamente nas mãos do governo, ou vive da publicidade oficial ou é censurada – como são o rádio e a TV – pelos artifícios por baixo dos quais se esconde a censura dentro da legislação eleitoral à qual nós já nos acostumamos mas que escandalizariam qualquer súdito de democracias muito menos festejadas que a nossa.

Qual é o verdadeiro alcance do “efeito apagador” que o “horário eleitoral gratuito” proporciona? O que realmente fica gravado na cabeça do povão ao fim dos jornais das TVs: o capítulo do dia da novela da corrupção com os respectivos contraditórios exigidos pelas normas do bom jornalismo, ou as dúzias e dúzias de entradas dos mesmos políticos acusados se apresentando como santos abnegados na propaganda eleitoral enfiada nos intervalos desses mesmos jornais e ainda antes e depois deles?

Luís Ignácio Lula da Silva, que conhece como ninguém o Brasil dos grotões, sabe exatamente o que chega e o que não chega aos ouvidos do povão.

Por isso reage com tanto sarcasmo às ilusões  que a imprensa séria alimenta a respeito do alcance das denuncias que faz.

Esse caso da CPI do Cachoeira é exemplar.

O que teria levado o nosso Maquiavel de Garanhuns a soltar seus cachorros para levantar a caça que traria atrás de si, quando menos, a memória das “negociações salariais” entre Waldomiro Diniz, braço direito de seu chefe da Casa Civil, José Dirceu, e o chefão da jogatina Carlinhos Cachoeira, filmadas na sala vizinha àquela em que ele despachava como Presidente da Republica no Palácio do Planalto nos idos de 2003?

O presidente do PT, Rui Falcão, foi explícito na declaração que gravou para a página de entrada do site oficial do partido. Não;  é claro que não se tratava da reconciliação do PT com a ética na política. Falcão pedia o apoio dos seus correligionários à CPI do Cachoeira “para levar à investigação do escândalo dos autores da farsa do Mensalão” que um STF presidido por um dos últimos ministros anteriores à “safra Lula” promete começar a julgar no máximo até julho próximo.

Fogo de encontro, portanto.

A função dessa CPI, na expectativa de Lula e seus esbirros é, segundo suas próprias declarações, a fabricação da prova definitiva de que “eu sou porque todo mundo também é“…

O mais foi fruto de emoção. Lula é um sujeito vingativo e Demostenes Torres foi o senador mais atuante na CPI dos Correios, na qual foi revolvida toda a sujeira do Mensalão. E Marcondes Perillo foi o governador que, naquela ocasião, contou ao país que informou Lula com antecedência de tudo que estava acontecendo no esquema operado por Marcos Valério.

Ora, os homens que ousaram apontar um dedo acusador contra “deus” flagrados irretorquivelmente com a boca na botija das organizações Cachoeira era bom demais para ele permitir que o fato passasse sem um carnaval.

Mas é na emoção que mora o perigo.

Será que eles tinham ouvido todas as gravações da PF? Como tinham tanta certeza de que o feitiço não acabaria virando contra o feiticeiro se desde 2003 já havia figuras de proa do PT no bolso de Cachoeira?

A resposta é: não tinham. “Deus” também pode se precipitar e eventualmente … errar.

E ha uma particularidade, em especial, que pode tornar esse erro fatal.

Cercado de experimentados “arapongas”, Carlinhos Cachoeira julgava-se garantido no quesito “prevenção contra grampos”. Acreditou cegamente nos “assessores” que lhe juraram que a Policia Federal não tinha condições de gravar conversas feitas dentro do sistema Nextel de rádio-telefonia, sobretudo se as contas fossem contratadas fora do país.

Foi assim que Cachoeira passou a operar todas as ramificações da quadrilha, dentro e fora do sistema institucional, por meio das várias dezenas de contas Nextel abertas nos EUA.

Mas com um pormenor especialmente venenoso.

Fazia isso com toda a tranquilidade do mundo. Usando todos os nomes e números verdadeiros. Dizendo tudo explicita e minuciosamente como se estivesse numa sala entre amigos (onde ele julgava de fato estar). De tal modo que mesmo neste paraíso dos advogados de bandidos que é o Brasil, será muito difícil dar o dito por não dito e tirá-lo da prisão ou manter fora dela os seus principais interlocutores.

O resto é apenas o óbvio.

A roubalheira está onde o governo está. E sendo mais de 80% dos governos do PT ou dos sócios do PT, é assim também que se distribuem os negócios das organizações Cachoeira.

Não demorou nada para que, de Demostenes e Perillo, saltássemos para Agnelo e – tchã, tchã, tchan tchaan –  Fernando Cavendish, o rei do Rio, o rei da Copa, o rei da Olimpíada, o “brother” do Cabral, unha e carne com Agnelo Queiroz; o rei do lixo de Brasília e a sua famigerada e onipresente Construtora Delta.

Só que Fernando Cavendish, quem diria, é também o rei do PAC filho da Dilma!

A gravação mostra o tipo de cavalheiro de fino trato que o sr. Cavendish é. E, pelo jeito, é mais falastrão que o boquirroto do Cachoeira…

R$ 884 milhões no PAC só no ano de 2011!

Xii, seu Lula! Vai dar merda!

“Cachoeira – O Retorno” e outras obviedades

10 de abril de 2012 § 1 comentário

Ponha-se de lado as lanchas de dona Ideli, que nos deixam outra vez às portas do gabinete presidencial.

Fiquemos só com o senhor Cachoeira, o avô do Mensalão que nos idos de 2004 iniciou, também na sala vizinha à do Presidente da Republica de então, a sua carreira de “estrela de TV” pelas mãos do mesmo “diretor” que filmou este “Cachoeira – O Retorno“, ora em exibição.

O que se pode concluir?

  • que entre Waldomiro e Demostenes o “corte” do suborno para ganhar favores e contratos do governo subiu quase 10 xs (de perto de 3% para perto de  30%);
  • que a liberdade para roubar impõe um outro patamar de competição onde só se tem chance roubando também;

  • que em função disso, nesta republiqueta petista e no seu entorno só se salva quem ainda não foi investigado, ou melhor, quem ainda não teve a sua cine-biografia distribuída em “circuito comercial”;
  • que entre o filme quente estrelando Waldomiro de Dirceu e este vintage 2009 onde Demostenes do DEM encabeça vasto elenco só o que mudou foi o aparelhamento da Polícia Federal e a cumplicidade da imprensa para com os seus explícitos desengavetamentos ad-hoc e customizados de personagens incômodos de um arquivo que mostra evidências de ser muito mais vasto que os relatoriozinhos de caderneta dos aprendizes da ditadura militar em torno dos quais os assalariados da UNE estão fazendo esse barulho todo;
  • que pelo menos na Terceira Divisão – onde hoje joga o DEM – em se denunciando, cai, o que confirma os benefícios da alternância no poder.

O corrupto essencial e o maria-vai-com-as-outras

12 de março de 2012 § 1 comentário

Tanto quanto no que diz respeito a outros atributos humanos, também no que se refere à corrupção existem os autênticos, os inovadores, os grandes criadores e os que são apenas seguidores, esforçados maria-vai-com-as-outras.

A distinção faz toda a diferença. Vai de estar submetida a uns ou aos outros uma sociedade ser vítima de predação sistêmica, podendo ser levada ao esgotamento, ou apenas de atos isolados de rapinagem que ela pode se organizar para coibir e controlar.

Primeiro porque os grandes criadores são muito menos numerosos que os “maria”. Segundo porque, se os primeiros não conseguem se estabelecer como padrão para o resto da sociedade, a corrupção dos outros permanece em estado de latência e eles podem até ser compelidos a comportar-se de modo virtuoso se for esse o caminho obrigatório para o sucesso.

O maria-vai-com-as-outras, em resumo, vai com quaisquer “outras”. Deixa-se pautar pela circunstância enquanto o corrupto “de raiz” em momento algum consegue deixar de ser o que é.

Daí a pertinência da síntese de autoria de Theodore Roosevelt tantas vezes citada aqui:

O problema não é haver corrupção. Corrupção é inerente à espécie humana. O problema é o corrupto poder exibir o seu sucesso, o que é subversivo“.

Veja-se, por exemplo, a reportagem que O Estado de S. Paulo traz hoje sobre o loteamento das tetazinhas de R$ 6 mil por mês nos conselhos das empresas do Município de São Paulo entre representantes de sete partidos que o prefeito Kassab acredita que possam vir a contribuir para o sucesso das suas ambições políticas.

Gilberto Kassab não tem nem a personalidade que se requer de um grande criador no campo da corrupção, nem a fibra que caracteriza o tipo que persiste em remar contra a maré para tentar reformar as regras do Sistema. É o exemplo perfeito e acabado da variação “maria”.

Como a esmagadora maioria dos que nos roubam e achacam a cada passo nos municípios e nos estados desde que o PT escancarou as portas do Inferno, ele faz parte daquela legião que não interessa especialmente, nem a deus, nem ao diabo.

Mas como o padrão instalado no Brasil é o que se traduz naqueles 36 ministérios/antros de Brasília, cada um de propriedade particular e intransferível de uma das máfias que, graças ao flagrante do Mensalão, tornaram-se parasitas crônicos da roubalheira lulo-petista, Gilberto Kassab apenas dança conforme a música. A mesma coisa acontece com os barões do BNDES, esses “grandes empreendedores” obcecados pelo “sucesso”, hoje reduzidos a dar testemunho público de vassalagem uma vez por mês sentando-se ritualmente à volta da mesa do “Conselho de Gestão” de um governo que tem como marca registrada a mais sólida e irredutível incapacidade de gestão.

Tudo isso é apenas natural.

Volto a bater em outra nota que sempre toco aqui no Vespeiro: a corrupção é muito menos uma questão moral que uma consequência de se viver sob instituições defeituosas.

A questão é puramente darwiniana. O vencedor será sempre o mais capacitado. E a crise ambiental que se vai tornando aguda está aí para comprovar que o homem é o mais oportunista dos organismos oportunistas que infestam o Planeta Terra.

Se o sistema baliza-se pela corrupção, os mais corruptos estarão no topo e, daí para baixo, haverá uma seleção dos maria-vai-com-as-outras segundo a sua disposição de se corromper. Quanto menos escrúpulos, mais para cima se colocará o “maria” nessa cadeia alimentar artificial que são os sistemas de poder, seja o poder que se compra com cargos, seja o que se compra com dinheiro.

Resistirão à pressão do meio apenas e tão somente os honestos “de raiz”, relegados a uma semi-clandestinidade.

Já se o sistema balizar-se pela capacitação técnica e profissional e pelo merecimento, a escola passará a ser um estágio obrigatório para o sucesso e os corruptos essenciais é que serão forçados a cair na clandestinidade, ficando polícia e bandidos em campos opostos, como convém.

É como com os cupins: se não matar a rainha-mãe, não adianta chorar. Eles continuarão roendo a árvore até depois que ela já estiver morta.

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