O jogo está feito
6 de setembro de 2013 § 4 Comentários
Que o Brasil está doente a gente já sabia.
Trata-se agora de confirmar se ha esperança de cura ou se a doença é terminal.
As manifestações de junho mostraram que o organismo do paciente ainda reage a qualquer migalha de estímulo que se lhe atire, como foi a primeira etapa do julgamento do Mensalão.
Mas como sairá de uma eventual reversão das condenações?
A mera constatação de que essa possibilidade existe e, pior, é pacificamente discutida pela multidão dos roubados, dá conta da gravidade do caso e antecipa o longo e doloroso tratamento que se fará necessário se ainda houver esperança de cura.
Já se a virada se confirmar, seja como for que a recidiva se manifeste – pela devastadora metástese lewandowskiana ou pela crônica resiliência insidiosa barrosista – tudo estará terminado.
O que fará Joaquim Barbosa nessa hipótese? Emigrará?
E os milhões de brasileiros que a sua saga pessoal de menino pobre que venceu pelo caminho da justiça simboliza? Que escolha lhes restará senão a do outro menino pobre que venceu trapaceando e pisoteando a lei?
Não estamos sozinhos nessa encruzilhada.
O mundo inteiro está pendente do veredicto que for dado ao carrasco da Síria. E este é um caso muito mais complicado que o do Brasil onde as consequências de cada alternativa são muito mais claras.
Se prevalecer a impunidade pleiteada pela alcatéia petista/putinista, não tardará até que armas químicas venham a ser usadas de novo, sabe-se lá contra quem. Uma vitória da impunidade representaria, também a reversão da vitória das democracias sobre os genocidas a gás ou a paredón do século 20 o que animará todos os reacionários do mundo, como os da China, entre outros, a recrudescer a repressão contra o namoro com a liberdade que a prosperidade animou seus súditos a alimentar.
Isso poria as democracias ainda mais na defensiva do que já estão e apontaria para uma longa luta de resistência da cidadela tecnológica em que têm vivido sitiadas contra a barbárie aparelhada com armas de destruição em massa cujos passos ela trata de antecipar à custa do sacrifício do nosso direito à intimidade e à individualidade.
Se, por outro lado, atacarem Assad sem remove-lo, em que se terá avançado? Seguir massacrando seu povo a bala pode? E se ele for removido, o que virá a seguir será melhor ou pior que o quadro atual?
É isto que, com palavras ou nas entrelinhas, Barack Obama está dizendo ao mundo na televisão, com uma maturidade que me surpreende positivamente e uma transparência a que só os dirigentes de democracias se sentem obrigados, enquanto batuco estas linhas no computador.
O seu tom e os precedentes históricos que invocou, entretanto, soam mais como Pilatos lavando sua consciência pelo que vem vindo por aí do que como César se preparando para impor a sua ordem ao mundo. E mesmo assim, lá vêm os “especialistas” todos, de plantão, para nos dizer que não é nada disso e por trás do dilema moral em que ele se debate estão apenas interesses materiais das empresas americanas que morrem de preocupação com a concorrência das brasileiras e outros sábios esclarecimentos do gênero.
Não é um cenário bonito este em que vai entrando a humanidade.
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Relaxou…
30 de agosto de 2013 § 4 Comentários
O voto de confirmação do mandato do deputado presidiário Natan Donadon não vai levar apenas à mobilização do Congresso para por um fim aos votos secretos.
O próprio José Dirceu acha que aquilo foi demais e jogou a pá de cal sobre suas últimas esperanças de escapar da prisão. Pelo menos um dos seus aliados no Supremo, aliás, balançou e já está dando sinais de que vai roer a corda.
Quem prestou atenção na seção de ontem já sabe quem é…
Ele está preparando as malas, conformado com a ideia de dedicar o período sabático que tem pela proa a escrever o seu livro, do qual os últimos capítulos, conforme se desenrolarem as coisas, podem se transformar uma daquelas bombas de rachar a República ao meio.
Notícias, naturalmente, pendentes de confirmação…
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O Suplicy do STF
26 de agosto de 2013 § 3 Comentários

Ricardo Lewandowski é o Eduardo Supliciy do Supremo Tribunal Federal.
Quando ele começa com aquele interminavel nhém-nhém-nhém o ministro Joaquim Barbosa reage com a mesma impaciência exasperada com que Bernardo Cabral reagia na CPI do Collor aos intermináveis nhém-nhém-nhéns do senador.
Os dois são fiéis soldados do PT e o que naquele tempo era pedra hoje é vidraça. Mas o resto não mudou: saco tem o mesmo limite de elasticidade hoje que tinha em 1992
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“Voto distrital com recall” é a resposta – 1
25 de junho de 2013 § 36 Comentários
(1º de uma série sobre voto distrital com recall. Leia os próximos aí em cima)
Rapidamente saímos do caminho malcheiroso dos “representantes” nunca eleitos para outro mais limpo e transparente.
Bom!
Combina muito com as facções em luta dentro do PT tentar enfiar trutas na discussão logo no primeiro momento como esta que eu denunciei pela manhã e de repente a coisa sumir no ar como se nunca tivesse acontecido. Lá cada um quer uma coisa e quase todas são ruins…
Dilma, a princípio completamente desorientada, surpreende-me pelo acesso de humildade. Do murro na mesa parte para consultas a representantes de todos os poderes em busca de caminhos para dirimir sua perplexidade.
Nada como um bom trambolhão debaixo de vaias para um político cair na real!
Nós temos a força. Eles entenderam, finalmente, que não são eles que mandam nesta merda.
A diversos amigos que me ligaram, respondi sempre o que venho dizendo aqui: não precisa inventar nada; o caminho é voltar aos elementos básicos da boa e velha democracia de que nós nunca tivemos um gostinho.
Entre todos os que tenho mencionado aqui, o mais prático e operacional para o momento é o que o ministro Joaquim Barbosa acaba de discutir com Dilma pelo que se depreende da entrevista que ele deu minutos atrás à Globonews: o voto distrital.
O voto distrital, como o ministro destacou, conduz automaticamente ao seu corolário, que é o “recall”, ou a retirada do mandato de representação do representante que trai.
Só com ele podemos entrar no terreno que permite a ação direta da cidadania sem risco de sacanagem.
Se sabemos que o deputado representa um determinado grupo de eleitores, é fácil estabelecer uma regra clara para tirar-lhe esse mandato mediante a coleta de uma porcentagem “X” de assinaturas daquele colégio eleitoral que levaria a um referendo para confirmar ou cassar o mandato do traidor.
Como disse o ministro e as manifestações de rua confirmam, a crise é de legitimidade, sintetizada naquele grito que mais se repete e que eu já registrei aqui: “Não nos representa! Não nos representa!”.
O voto distrital põe um dono em cima de cada deputado e de cada vereador pelo Brasil afora. E isso muda completamente a qualidade do jogo.
Um monte dos outros problemas de que os cartazes das manifestações se queixam endireitam-se automaticamente só com essa medida. E um monte de possibilidades futuras promissoras se abrem com ela também.
A gente mandando neles, tendo o emprego deles nas nossas mãos, tudo o mais é possível conseguir.
Se você quer que essas manifestações resultem em algo de bom, esse é um excelente começo. Transforme-se num soldado – digital e das ruas – do voto distrital com “recall”. Atenção porque esse complemento é fundamental. Não aceite uma coisa sem a outra que é o que eles vão tentar naquelas famigeradas “regulamentações” em que tudo se dissolve.
Grite, escreva, repasse e repita: “VOTO DISTRITAL COM RECALL”
Cabe registrar, para encerrar, que a oposição está perdendo uma grande oportunidade por não ser a primeira a empunhar essa bandeira. Mas ainda está em tempo.
Já do Congresso, só veio o que era de se esperar. O sr. Renan Calheiros e a legião de oportunistas em volta dele apressou-se em montar uma extensa lista de “presentes” para os manifestantes, todas tentando comprá-los com dinheiro.
“Passe livre” eterno no transporte público para os pouquíssimos grupos que ainda não ganharam esse privilégio; mais dinheiro pra saúde, mais dinheiro pra educação, mais dinheiro pra isso, mais dinheiro praquilo.
Não acredite em nada que se baseie em dinheiro. Esse dinheiro é o seu e o que o Brasil precisa é mudar as bases da sua democracia; reformar o seu sistema de representação.
Um passo de cada vez. Aposte no voto distrital que esse dá um monte de filhotes.
TODA A SÉRIE SOBRE VOTO DISTRITAL COM “RECALL”
http://vespeiro.com/2013/08/21/democracia-a-mao-armada-9/
http://vespeiro.com/2013/08/14/a-travessia-do-deserto/
http://vespeiro.com/2013/08/02/porque-nao-ha-perigo-no-recall-7/
http://vespeiro.com/2013/07/23/recall-sem-batatas-nem-legumes/
http://vespeiro.com/2013/07/20/discutindo-recall-na-tv-bandeirantes-6/
http://vespeiro.com/2013/07/15/mais-informacoes-sobre-a-arma-do-recall/
http://vespeiro.com/2013/07/12/voto-distrital-com-recall-como-funciona/
http://vespeiro.com/2013/07/10/a-reforma-que-inclui-todas-as-reformas/
http://vespeiro.com/2013/06/25/voto-distrital-com-recall-e-a-resposta/
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Falando besteira da grossa
7 de maio de 2013 § 1 comentário
Ninguém é perfeito.
O presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, perdeu uma excelente oportunidade de economizar uma grossa besteira quando disse que falta “pluralismo” e “diversidade ideológica” na imprensa brasileira.
“O Brasil tem hoje três principais jornais nacionais impressos, todos mais ou menos inclinados para a direita”, disse o meretíssimo.
E o que mais haveria de ser a imprensa num país com quase 40 partidos políticos, todos sócios do governo e todos “de esquerda”?
Não sei o que o insigne ministro sabe sobre a circulação desses tres jornais que eu que trabalhei quase 40 anos num deles não saiba, para chamá-los de “nacionais”.
Também não sei o que o ministro conhece dos outros 600 títulos privados publicados diariamente no Brasil para ter tanta certeza de que todos tenham a mesma “inclinação” e a mesma “ausência de negros e mulatos em cargos importantes“.
Não sei, igualmente, quanto o ministro conhece das publicações, das inclinações e da composição racial da legião de jornalistas contratados pelo governo em suas infinitas ramificações federais, estaduais e municipais, esta sim, de longe a maior empresa jornalística e a maior empregadora de jornalistas do Brasil, com milhares de estações de radios, redes e repetidores de redes nacionais de TVs, incontáveis jornais, publicações diversas e multiplas “assessorias de imprensa”.
Empregam tantos jornalistas que o medo de fechar essa porta é um dos fatores que leva muitos dos raros entre eles ainda trabalhando na imprensa não oficial a pensar dez vezes antes de contar tudo o que sabe ou criticar aquele que pode vir a ser o seu futuro empregador.
Já o contrario não é verdadeiro porque como todo funcionário publico, também o jornalista que consegue enfiar, uma vez, um pé “lá”, não perde o privilégio nunca mais…
Ignoro, finalmente, quanto o ministro sabe a respeito desses mesmos quesitos no que diz respeito à legião de “jornalistas” e “jornalistas cidadãos” que tarabalham a soldo do governo por baixo do pano na internet para fazer proselitismo aberto do esquerdismo de reserva da matilha “radical” guardada para este fim nos cargos de chefia do PT que o governo atiça para ladrar pelo “controle da mídia”, a castração do Poder Judiciário e a proibição final de todo e qualquer pluralismo sempre que um dos tais tres jornais publica denuncias das falcatruas de que ficam sabendo apenas e tão somente quando um ladrão incomoda outro dentro das quadrilhas que se digladiam no interior do condomínio governamental e acha conveniente queima-lo com o recurso à voz alheia.
Se a distinção dada aos tres jornais mencionados e negada a toda essa legião de concorrentes subentende que estes são sérios e praticam jornalismo de fato enquanto os outros são tão tortos, singulares e marcados ideologicamente que valem, em conjunto, menos que estes que somados não circulam 1 milhão de exemplares neste país de 190 milhões de habitantes, muito obrigado.
Missão cumprida.
O tipo de “diversidade” de que fala o ministro o freguês deve buscar, hoje em dia, é no grande condomínio que adere ao poder constituído onde militam conhecidos meliantes oriundos tanto da extrema direita quanto da extrema esquerda, passando por tudo quanto está no meio, todos, sem exceções, convidados de honra do partido no poder.
Se esse melê é o que o ministro considera “a esquerda”, então é verdade que a imprensa que os fiscaliza e critica é “a direita”. Mas isso não tem nada a ver com as ideologias do passado. A divisão hoje é entre quem está dentro e quem está fora do condomínio do poder; quem admite que rouba “porque todo mundo rouba” e quem não admite que se siga roubando. E entre estes últimos estão também os derradeiros sobreviventes da esquerda honesta, todos eles, ainda mais indignados que os demais, escrevendo nos tais tres jornais.
Nem o melê governista tem a ver com os ideais que caracterizavam a esquerda no século passado, nem muito menos, os tres jornais veiculam ou veicularam jamais, ao longo de trajetórias por vezes mais que centenárias, as ideias do que se chamava “a direita” no século passado. Ao contrário, foram vítimas dela.
Eles apenas cumprem a única função digna, já não direi de jornalistas, por que isto vai sem dizer, mas de todo intelectual sem aspas nem subsídio do Estado, que é fiscalizar e criticar o poder estabelecido, especialmente neste país onde, do Capital ao Trabalho, de Zé Sarney, Fernando Collor e os latifundiários ao MST, todos fazem parte dele.
Exigir que também a imprensa que resta abra espaço para os teóricos da “boa” ladroagem e para os apedrejadores da liberdade de imprensa e da independência do Judiciário, que é o que define a esquerda bandalha num ambiente institucional onde tudo o mais “tá dominado“, é pedir demais.



















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