Agora é queda livre

27 de fevereiro de 2014 § 16 Comentários

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Graça Foster saiu do armário.

Gilberto Carvalho saiu do armário.

Marta Suplicy saiu do armário.

Vamos um por um:

Graça Foster deu coletiva de imprensa para sacramentar A Privataria Petista.

É isso mesmo, disse ela, estamos liquidando patrimônio; estamos vendendo a Petrobras aos pedaços pelo mundo afora pra sustentar o suborno eleitoral do preço subsidiado dos combustíveis.

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É isso mesmo, vai continuar assim por 2014 afora o que, pelas contas dela, mata irremediavelmente o resultado de 2015 também. De 2016 em diante, quem sabe…

No arrasto, rola o mesmo processo na indústria do álcool onde usina atrás de usina nacional estrangulada pelo tamponamento dos preços está sendo vendida para multinacionais com capital suficiente pra esperar isso voltar depois que o monopólio estiver configurado.

Gilberto Carvalho chamou a imprensa pra dizer que é isso mesmo, é o governo quem financia os “red blocs” do MST e, se assim é, assim continuará sendo porque distorção ideológica não é pagar trogloditas para esbulhar proprietários produtivos, marchar sobre a capital federal e invadir o STF que ousa condenar petistas, mas sim denunciar que foi isso que aconteceu.

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Marta Suplicy, dita ministra “da Cultura”, disse que é isso mesmo, sob o governo petista a Lei Rouanet de incentivo “à cultura” só vale pra fazer propaganda do PT, não serve pra biografias de não petistas em ano eleitoral nem que estejam mortos e que, se não se pode eleger morto que se dane porque não interessa se o cordeiro está rio acima ou rio abaixo da alcatéia, ela não precisa de mais argumentos que a posse dos dentes para devorá-lo.

São todas notícias de um único dia envolvendo figuras do primeiro escalão de uma organização criminosa que perdeu o medo. Eles já fizeram a conta: ha subornados que chegue para aguentar qualquer desaforo. Os que têm olhos de ver não bastam para detê-los. E se a casa balançar, joga-se a Dilma fora e chama-se o Lula que a coisa vai.

Por isso nada impede que tudo isso seja  despejado sobre o público com a operação de assassinato no garrote vil da última instituição a resistir passando ao vivo na televisão.

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O Poder Judiciário, que morre assim que morrer o STF, assiste a tudo em estrondoso silêncio. Reles presidiários já não se furtam de chutar-lhe a bunda. A comunidade jurídica, Brasil afora, recebe a patada e cumpre, sem dar um pio: corte-se a cabeça dos diretores da prisão que ousaram enfrentar o condenado. Amém!

Não ha mais um Poder Judiciário; há 4 maquis* e uma madalena arrependida entrincheirados no STF até que a compulsória, que está próxima, os mande para a clandestinidade. Serviriam melhor à causa democrática se renunciassem em protesto em vez de continuar definhando dentro de uma instituição que foi ocupada por vendidos, dentro da qual gente decente não têm mais nenhum papel a cumprir.

Agora é queda livre.

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* Maquis é um arbusto abundante da Córsega que era utilizada pelos habitantes locais como refúgio durante as várias invasões estrangeiras na ilha. O general Charles De Gaulle durante a Segunda Guerra Mundial organizou a resistência francesa e em homenagem a Napoleão Bonaparte, que era corso, deu o nome de Maquis aos heróis que lutavam na clandestinidade contra os alemães (Wikipédia).

Natan Donadon disse tudo!

13 de fevereiro de 2014 § 9 Comentários

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“O voto aberto vai fazer com que meus colegas votem contra o coração e a vontade deles“.

E não é com isso que o Brasil sempre sonhou? Que eles votem SEMPRE contra o coração e a vontade deles e a favor da nossa?

Democracia é exatamente isso; nem mais, nem menos.

Essas duas votações em menos de seis meses – 233 votos pela cassação, 24 a menos que o necessário a 172 pela manutenção do mandato (mais abstenções) há seis meses; 467 pela cassação x 1 abstenção (de outro deputado presidiário) ontem – são a prova do que se tem afirmado desde sempre aqui no Vespeiro: a civilização (que é o outro nome da democracia) não é muito mais que a presença da polícia.

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O voto distrital com recall põe polícia na política. É a chegada do xerife a este faroeste dominado pelos bandidos em que vivemos.

Não há povos piores nem povos melhores; “gentinha” nem gentona. O que há são os que já experimentaram e os que ainda não experimentaram. E mesmo entre os que já experimentaram, se tirar a polícia de cima volta tudo pra traz. Até o Steve Jobs, o Leonardo da Vinci cibernético; o “inventor da modernidade”; se tiver certeza de que não vai pagar por isso, vira explorador de menores miseráveis na China.

O voto distrital com recall arma a mão da polícia da política – que é você – para que ela possa exigir o cumprimento da lei. E o efeito é imediato e automático, como previa o anteontem ainda deputado e hoje mero presidiário Natan Donadon. E se é assim diante da simples perspectiva de ser identificado pelo eleitor, imagine o que seria se eles soubessem que o eleitor pode, a qualquer momento, sem manifestação de rua nem bagunça, retirar o voto que lhes garante o emprego.

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O recall é isso.

Divide-se o numero de eleitores pelo número de deputados e cria-se um distrito eleitoral delimitado pela geografia com aquele numero de eleitores. Cada candidato só pode pedir votos em um único distrito eleitoral. Se eleito, fica-se sabendo exatamente que eleitores ele representa. E se “mijar fora do pinico“, qualquer eleitor daquele distrito tem direito de passar uma lista pedindo a confirmação ou não do mandato do porcalhão. Se colher as assinaturas de 5% dos eleitores daquele distrito, convoca-se uma nova votação, só entre eles, cassa-se o mandato do cara e manda-se ele conversar com o ministro Joaquim a respeito de que direitos vão lhe restar lá na Papuda.

Isso faz milagres! Muda a vida! Qualquer outra reforma fica fácil de arrancar com essa arma na mão.

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Agora que estamos na bica de acabar com essa tapeação dos mascarados assalariados, todo mundo sabe de quem, quebrando tudo por aí, taí uma boa razão pra você voltar pra rua.

Mas jogue fora o cartaz inútil, por mais engraçadinho que tenha sido o trocadilho usado na última vez.

Espalhe esta convocação: vamos todos pra rua com o mesmo cartaz; vamos todos exigindo a arma que temos direito de portar pra podermos construir um Brasil do jeito que a gente quer.

VOTO DISTRITAL COM RECALL, JÁ!

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MAIS INFORMAÇÕES SOBRE COMO FUNCIONA O RECALL NESTE LINK

 

Sua avó subiu no telhado…

12 de fevereiro de 2014 § 3 Comentários

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Mais que o que virou o Brasil do PT o mundo descobriu – tarde demais para ser útil – quem é o PT do Brasil. Pra eles, sem problemas. É só vender as posições nas bolsas “emergentes” e a gente que se rale. Mas quanto valeu aquele “Este é o cara!” e aquele Cristo decolando para derrubar a última linha de resistência de um Brasil que sempre soube com quem estava lidando e, exatamente por isso, resistiu 30 anos a esse canto de sereia, a gente ainda está para ver.

O Cristo virou para baixo, desembestado como o rojão que matou o cinegrafista; a imprensa Europeia dá capas e mais capas sobre o que pode vir a ser a Copa com a brutalidade e o crime fora de controle; Janet Yellen falou e disse, mas agora é tarde. Ficamos nós com o abacaxi pra descascar e que é dos mais cabeludos.

Os sinais, cada vez mais, são de que o PT “assumiu”. Não quer mais convencer; quer comprar a eleição nem que tenha de quebrar o país inteiro para isso.

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Ha mais uma chance agora que a Aneel emitiu um relatório avisando que é necessário aumentar o preço da energia já para perfazer ao menos os 5,5 bilhões de reais de buraco, pouco mais ou menos, que ficaram entre a “redução do preço da energia” por decreto com que dona Dilma praticamente abriu sua campanha eleitoral ha um ano e meio e o que o Tesouro (nós, os que pagamos quase 40% do PIB em impostos) enfiou nas elétricas para cobrir o rombo aberto por essa esmolinha eleitoral. Mas a julgar pelo que foi feito com o preço dos combustíveis, que arrasta junto com a Petrobras toda a cadeia do álcool pro buraco, parece que eles vão apostar na mentira até à última carta.

Se confirmar isso depois do relatório que recebeu de seu ex-conselheiro de confiança, Mario Veiga, da PSR Consultoria, sobre o verdadeiro estado de coisas na sua antiga área de especialização – a de energia – dona Dilma estará dando o veredito final sobre si mesma.

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O que diz esse especialista acatado por todos, a começar pelo próprio PT, como uma das maiores autoridades do país no assunto, é que a crise do setor de energia elétrica “é muito grave” e a causa principal do problema “não é a falta de chuvas mas sim a de investimentos e gestão tanto na área de geração quanto na de transmissão de energia”, nesta entrada do 11º ano de governo do PT. O nível mínimo de segurança do sistema é dispor de 5% a mais que a carga máxima consumida e em janeiro ficamos abaixo de 1%. Mesmo que chova canivetes daqui pra frente, diz ele, o país não escapará, nos próximos dois anos, de problemas sérios de fornecimento de energia.

Os rombos mal escondidos por baixo do tapete abertos pelas “desonerações” seletivas de impostos, pela meticulosa incapacidade gerencial e pelo emprego em massa da militância petista e mais a catravaiada toda da horda de comerciantes de governabilidade na máquina do Estado, com a correspondente explosão dos custos a que se referiu indiretamente Janet Yellen em seu discurso de ontem, estão por todos os lados e a corrida ao dólar já começou.

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Tudo indica, portanto, que estamos entrando na segunda fase dos processos do gênero que é aquela em que o mercado se convence de que a vaca foi pro brejo e isso torna impossível que ela saia de lá porque, se mesmo quando os fatos não correspondem ao que o mercado acredita que vai acontecer aquilo acaba acontecendo porque ele passa a agir em função do que acredita, imagine-se com os fatos ajudando…

E que fatos são esses?

Os que corroboram que a cada sinal adicional do agravamento da crise mais o PT se concentra em ocupar o Estado, comprar a eleição e preparar-se para seguir aferrado ao poder a qualquer custo nos dias de apoio popular minguante que está prevendo pela frente. Não se movem para enfrentar os problemas, só para negá-los ou para adiá-los pra ver se dá tempo.

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Eles começam a ter dúvidas de que a eleição vá ser o “passeio” alardeado, tão rapidamente se vai carregando o céu no horizonte. Mas não se “avexam“. Dobram a parada. Tudo ou nada!

O mau sinal é que os preparativos concretos não são para “o que vamos fazer com o país que conquistarmos“. São, cada vez mais ostensivamente para prover os meios e modos de não larga-lo mais depois que a conta for aberta no dia seguinte e a vida se mostrar como ela é para a multidão dos eleitores iludidos de hoje. Estão tratando é de ir preparando um amanhã sem votos.

Ganham força as correntes mais reacionárias e anti-democráticas dentro do partido. Seus próceres desafiam e sabotam o último bastião da resistência no Supremo Tribunal Federal até quando ele sai de férias. O partido dispensa os moderados e arma em postos-chave a turma do “controle da mídia”; substitui os últimos técnicos dos ministérios por quadros políticos explicitamente inspirados pelo lema “tudo pela eleição”; coloca o ex-advogado de José Dirceu para zelar pela lisura do processo eleitoral; conspira com os sabujos do Legislativo para tirar do Ministério Publico o poder de julgar crimes eleitorais; empurra a campanha pelo fim das doações privadas de campanha (agora só valem os bilhões da esmola oficial e dos pequenos luxos da massa subsidiados pelo Tesouro); multiplica os assassinatos de reputações.

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E enquanto “mais e mais médicos”  cubanos correm na direção contrária, dona Dilma, sempre que pode – entre um fado e outro – dá um pulinho nos últimos estados policiais do planeta com a mala dos bilhões do BNDES que faltam aos nossos hospitais, às nossas escolas, à nossa infraestrutura debaixo do braço, para mais uma confraternizaçãozinha que é pra ninguém ter dúvidas sobre onde é que ela sonha chegar.

Brasil, faz tempo que “sua avó subiu no telhado”…

Mas nem tudo está perdido!

É digna de aplausos efusivos a resposta de Joaquim Barbosa à última tentativa de rasteira do melífluo Lewandowski.

Cana neles!

A democracia moderna nasceu na Inglaterra quando o Joaquim Barbosa de lá, o chief-justice Edward Coke, em 1605, afirmou o império da lei sobre tudo e sobre todos olhando nos olhos do rei. Se o Brasil se tornar uma democracia, um dia, não será exceção: é por esse caminho que ela virá. Golpes e revoluções só fazem a gente andar pra traz.

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Sobre justiça, hotelaria e jornalismo

28 de novembro de 2013 § 3 Comentários

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Meu avô não admitia essa expressão e a mera decomposição silábica dela dispensa maiores conhecimentos etimológicos para explicar o porque. Outros tempos… Mas não ha outra que defina tão precisamente o que está acontecendo. Assim é com um pedido de desculpas por alguma sensibilidade que ainda resista por aí e possa ser ferida que registro que a resposta do companheiro “Vé Dirfeu” à confirmação da sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal abre a etapa final do processo de esculhambação geral da democracia brasileira.

Dá medo o país que vem vindo aí…

Entre o chorão José Genoíno e o José Dirceu que “não perde nunca”, o segundo é, com certeza, muito mais venenoso.

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Quer dizer então que o articulador do Mensalão, que ele tramou principalmente de dentro de quartos de hotéis em vésperas de eleições, vai “pagar a pena” pelo “atentado à democracia” que perpetrou passando a véspera da próxima eleição na “gerência” de outro hotel que o “empregou” por 20 mil reais/mês (!) para confirma-lo no direito ao regime semiaberto de prisão reservado apenas a quem trabalha para viver!

Não poderia ser mais inequívoco!

O Hotel St. Peters, que oferecerá as mesmas conveniências para 2014 que os hotéis anteriormente usados para o mesmo fim pelo hoje “prisioneiro” ofereceram para a urdidura das “costuras” e “bordados” que levaram ao sucesso do PT em eleições anteriores, pertence a um daqueles híbridos de político e dono de rede de comunicações que vivem nas fronteiras da ilegalidade pondo ora um pé dentro ora um pé fora dela.

a18Paulo Abreu tem uma rede com mais de 10 rádios transmitindo ilegalmente para São Paulo. Os Abreu têm agentes dentro e fora do “Sistema” agindo coordenadamente para o mesmo fim, como os ex-deputados José e Dorival de Abreu, que conseguem concessões de rádio para Paulo em cidades próximas à capital de São Paulo.

Este, assim que as recebe, planta suas antenas na Avenida Paulista e passa a transmitir por cima das frequências das rádios legalizadas sob as vistas grossas de autoridades como, por exemplo, o amigo “Dirfeu” que, se já não era passa agora a ser um íntimo, e um íntimo com uma dívida de gratidão para com seu benfeitor.

É o momento que Paulo Abreu esperava para dar o bote com que sonha ha anos, de ressuscitar a TV Excelsior, cujos direitos ele passou a deter pelos mesmos métodos que conquista suas rádios.

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Uma bofetada direta na cara do ministro Joaquim Barbosa não teria efeito maior para desmoralizar o pouco que ainda não está desmoralizado no Supremo Tribunal Federal do que o mais notório entre os condenados por essa corte pelo Mensalão  “cumprir sua pena” reincidindo acintosamente nos crimes pelos quais foi proibido de circular pelas ruas a bem do serviço e da segurança públicas.

Mas é exatamente isso que está pintando.

O que estamos assistindo, portanto, é  a outra metade do Brasil passando a ser governada de dentro das penitenciárias, com o que o “Sistema” passa a ser um todo mais orgânico.

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A primeira ha tempos que já está nas mãos do PCC que manda e desmanda no que de mais espetacularmente pior é perpetrado aqui fora, apesar da polícia saber de antemão todas as barbaridades que eles ordenam.

Você já se acostumou a ver na Rede Globo – sempre depois que o irremediável acontece – aquelas gravações “sem cara” mas com letreiros pra que não fique dúvida sobre se você ouviu direito a barbaridade da hora – com a turma do PCC mandando comprar e vender drogas e armas, matar concorrentes, policiais, juízes e até govenadores; acionando os “seus deputados” no Congresso Nacional para “aliviar” aqui e ali; mandando “bondes” infiltrar as manifestações de griffe (aquelas feitas para abafar as de junho) e “botar pra quebrar” pra expulsar das ruas os não profissionais que, por alguns momentos, puseram o “Sistema” em sinuca…

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Eles deitam e  rolam, enfim, mas os celulares continuam funcionando nas celas dos presídios de segurança máxima na proporção de um por prisioneiro, segundo a ultima medição feita pelos arapongas, e a polícia continua ouvindo o que eles dizem só por esporte, já que não age antecipadamente em função disso.

Isto tudo se dá enquanto se desenrola a emocionante novela do “cartel da Alstom” que equipara vivos  e mortos entre os poucos que ainda resistem ao PT a personagens de novelas da Globo, tais são as perfídias de que são acusados.

Eu não acredito em santos mas tudo tem um limite. Esse enredo passa, todos os dias, por uma reviravolta, sempre na mesma direção, que torna o caso cada vez mais irresistível para os atuais escrevinhadores de manchetes.

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Primeiro o O Estado de S. Paulo publica, durante dois dias, matérias informando que na mesma denuncia contra seus opositores havia provas da mesma “formação de cartel” contra o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (DNIT), órgão do governo acusador, que controla as obras de metrô em quatro capitais da Republica, mas este “pormenor, que as televisões nem chegam a mencionar, é logo esquecido também pelos jornais, inclusive O Estado de S. Paulo.

Depois o “executivo da Siemens” a quem a denuncia inicial foi atribuída em pessoa consegue furar a barreira de silêncio e afirmar, passados já meses de intenso tiroteio, que não disse nada do que puseram em sua boca.

Sem problemas! A denúncia imediatamente “passa a ter partido” do Cade, órgão a quem caberia saber das coisas em matéria de cartéis mas levou quase 20 anos para se tocar que era isto que ele tinha em mãos ao longo destas duas décadas.

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Vira daqui, vira dali, e o país é avisado de que quem comanda o Cade é o sobrinho do ministro-chefe da Casa Civil da presidenta Dilma que vai concorrer em 2014 contra os principais acusados e que, na cadeia de informantes que ele usou para fazer tudo chegar à imprensa há até comandantes da campanha eleitoral de sua excelência.

Sem problemas, de novo! A imprensa continua não desconfiando de nada como o personagem de Antônio Fagundes na novela atual. A denúncia passa, então, a “ter partido” do mesmo Ministro da Justiça do governo do PT que, desde o primeiro dia do imbroglio nega-se a autorizar o envio de uma cópia dela aos próprios acusados, que finalmente confessa que apesar de ter recebido “um documento apócrifo”, mandou-o, ele em pessoa, para a Polícia Federal que, então, assume a sua divulgação para a imprensa.

Mas ainda não é o fim!

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Nem 48 horas tinham transcorrido desde que o ministro da Justiça assumiu a autoria da façanha em rede nacional de TV e surge a prova material de que a tradução do documento em inglês contendo a versão original das denúncias do tal empresário foi grosseiramente falsificada na tradução para o português para incluir os nomes e partidos dos “acusados” que convém ao PT acusar, que “nunca tinham sido mencionados nos originais”.

Mas mais uma vez não importa! Os jornais e TVs a quem vem sendo dado “acesso” a cada capítulo dessa novela não se fazem de rogados. Seguem mais preocupados em festejar os seus “furos”, mesmo aqueles que os “furos” seguintes comprovam falsos, e o ventilador segue espalhando a lama apenas sobre quem os autores do folhetim querem que seja atingido.

Enfim, é assim que funciona a “imprensa de CEO” cujos diretores de redação com rarefeita experiência em jornalismo têm de provar todos os meses, com números, a Conselhos de Administração sem nenhuma noção de jornalismo, que têm se desempenhado a contento. E como das poucas coisas redutíveis a números no seu metier é a comparação entre o numero de “furos” a que ele “teve acesso” em relação ao número de “furos” a que “teve acesso” o seu concorrente, o Brasil vai em marcha batida para o despenhadeiro.

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Novelas como a descrita acima só se tornam possíveis porque, de par com a “profissionalização da política” e a “profissionalização do crime”, uma coisa sempre andando nas vizinhanças da outra, também a imprensa mudou de mãos de um tipo de profissional regido por um determinado código de ética para outro tipo de profissional regido por outro tipo de código de ética, tornando-se tão impossível sobreviver o jornalismo responsável e com coragem para avaliar situações e agir em função de todos os componentes e nuances que, para além das palavras, determinam o significado dos fatos em vez de seguir manuais e metas de fábricas de salsicha, quanto se tornou impossível um estadista sobreviver num ambiente político onde as regras do jogo e os destinos da Nação são decididos em celas de penitenciárias e em quartos de hotéis entre pacotes de dinheiro enfiados sofregamente em meias e cuecas.

E por essas e outras, a imprensa já não conduz nem a si mesmo segundo os velhos cânones que fizeram dela uma instituição auxiliar das democracias. Passou a ser passivamente conduzida pelas “fontes”, o que a transformou numa perigosa bateria de canhões que atira a esmo todo e qualquer petardo que se lhe enfie na culatra.

O Brasil está, portanto, diante da tempestade perfeita de modo que amarrem tudo no convés porque não vai ser mole meeeesmo.

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A Fênix ou o Cisne?

18 de novembro de 2013 § 3 Comentários

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Foi “o Judiciário” ou foi Joaquim Barbosa?

Isso teria acontecido sem ele?

O que vai ser do Supremo Tribunal Federal depois que a presidência sair das suas mãos e passar às de Ricardo Lewandowski? E depois de mais um mandato e novas nomeações de juízes pelo PT?

O que é que estamos vendo, afinal: Fênix ressurgindo das cinzas ou o último canto do cisne?

São as perguntas que suscita a “virada” de quarta-feira passada, obtida absolutamente “na raça” pelo ministro Joaquim Barbosa ao arrancar de seus pares, “na moral”, a titubeante “unanimidade” da Corte para a tese da antecipação do cumprimento das penas dos condenados do Mensalão antes da apreciação dos “embargos infringentes” sem a qual não teria restado nenhuma condição de sobrevivência para o Poder Judiciário e para a democracia brasileira.

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Cambaleante, sangrando da sucessão de punhaladas recebidas, é ela que se reergue, ao menos em potência para, no Dia da República, esfregar a bandeira da República na cara dos seus inimigos declarados.

Sim, vale a pena resistir!

Sim, cada homem faz diferença!

Sim, uma única e solitária vontade determinada pode mais do que um milhão de honras corrompidas!

Sim, ainda ha pelo que lutar!

Esta é a maneira otimista de encarar o que aconteceu na véspera deste feriado em Brasília.

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A realidade, porém, é sempre bem mais complexa que essas simplificações.

Todos os condenados menos quatro – um dos quais está foragido – saltaram pelo menos um degrau para baixo do limite do regime fechado no jogo de chicanas que uma Nação desiludida aprendeu que pode se dar também dentro do Supremo Tribunal Federal. E há, ainda, as reduções de penas até à sexta parte a que todos os condenados, é quase certo, farão jus.

Na dosimetria penal deste país, como no jogo de truco, nenhum número vale o que está escrito.

Mas isto sempre foi assim. Já estava lá antes. E o Brasil que caminha à beira do abismo bolivariano não está para luxos. O que resta daquelas penas é ainda o bastante para fazer com que, pela primeira vez em nossa história, corruptos do mais grosso calibre sejam constrangidos a exibir publicamente o seu fracasso.

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“O problema”, costumava dizer Theodore Roosevelt tantas vezes citado aqui, “nao é haver corrupção. Ela é inerente à espécie humana. O problema é o corrupto poder exibir o seu sucesso, o que é subversivo”.

Nada tem mais força pedagógica e efeito profilático que a regular exibição pública do fracasso do corrupto flagrado como tal.

Mas cessa exatamente aí o que pode nos dar de graça o heroísmo de Joaquim Barbosa, mesmo com toda a carga simbólica que ele carrega, a  confirmar que o Brasil profundo é melhor que suas elites.

Nós estamos dando apenas o primeiro passo nessa direção a partir de uma realidade que, desde sempre, nos treinou a todos na direção contrária, o que nos põe diante de uma nova categoria de risco.

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O Brasil vive dentro de um ambiente institucional que é deliberadamente intransitável. Nossas instituições foram montadas – ou foram sendo amontoadas como são – para engendrar a corrupção e não para evitá-la. Terão de ser reformadas de alto a baixo para que possam se tornar operacionalmente respeitáveis (no sentido de poderem ser respeitadas).

Hoje não são.

Não se pode sobreviver na política dentro da regra estabelecida. Não se pode sobreviver na economia dentro da regra estabelecida. A condição de sobrevivência não é dada dentro do nosso cipoal regulatório. Tem de ser comprada.

Por isso não houve comemoração dessas prisões nem na oposição, nem em qualquer segmento do establishment.

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O próximo capítulo já está ha alguns meses no ar: a guerra de dossiês para anular o handicap do partido no poder até a próxima eleição promete ir ao paroxismo, com o risco de destroçar irremediavelmente toda a classe política como aconteceu em processo extamente semelhante desencadeado pela Operação Mãos Limpas na Itália dos anos 90 que terminou com o poder sendo resgatado do chão por Silvio Berlusconi, a figura patética que domina o panorama político daquele país desde então.

Seja como for, de algum jeito nós tínhamos de iniciar o nosso caminho numa direção mais saudável do que vinhamos vindo.

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Mais uma vez, como vem acontecendo desde os primeiros passos da República e a cada encruzilhada porque ela passou, o Brasil chegou a uma síntese sobre aquilo que não quer mais, mas continua vago como sempre sobre aquilo que quer daqui por diante. Sabemos o que não mais nos representa; chegamos a identificar, até, alguns dos valores que as inovações institucionais produzem nas sociedades que as adotam – meritocracia, igualdade perante a lei, melhor distribuição de riqueza e justiça – mas nunca investimos no trabalho “chato” e meticuloso de reestruturar nossas instituições, detalhe por detalhe, para que produzam tais efeitos.

A História oferece, sim, cortes de caminho. Mas só para os humildes. Nós, latinos, porém, recusamos a solução asiática, que a cada dia se prova mais fulminantemente certeira, de partir para a cópia melhorada também e principalmente de sistemas institucionais mais avançados que os que já experimentamos. Insistimos em inventar a roda outra vez, sempre nos fingindo orgulhosos das dolorosas chagas que nos produz o esfalfante esfoço de arrastar pedra por pedra pelo mesmo velho chão de sempre.

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(PARA CONHECER UM DOS ATALHOS PARA O NOVO VÁ A ESTE LINK)

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