Dilma x Lula: a vez das afinidades

29 de março de 2011 § 1 comentário

Começo por onde parou o editorial de hoje do Estadão.

A presidente Dilma mostrou diversas vezes quais são as suas diferenças em relação ao presidente Lula. Mas ao aceitar o linchamento do diretor da Vale, Roger Agnelli, está sinalizando a quem interessar possa onde começam as semelhanças.

O que me pergunto é se a escolha do sensível território das invasões barbaras que o PT tem praticado na economia privada para mostrar essas afinidades não indica que as diferenças até hoje comemoradas são mais de tática que de fundo.

Pelo seguinte.

A conquista do Estado é página virada para o PT. Foi um longo aprendizado até que Lula conseguisse aparar todas as arestas que o atritavam com os eleitores mas ele conseguiu. Agora, depois de oito anos “lá” a ocupação e o aparelhamento do máquina pública e a sua integração orgânica ao projeto de poder petista é algo tão sólida e abertamente assumido que, se resta alguma duvida por ser dirimida é se, na eventualidade da Presidência da Republica cair nas mãos de outro partido, o Estado petista vai ou não se submeter ao veredicto do eleitor e seguir as ordens de um governo não petista.

Isto posto, pensemos granmscianamente, como fariam os petistas que interessam.

Com a máquina do Estado bem segura no embornal; com os demais poderes bem amarrados pelas nomeações e seus titulares devidamente documentados no uso das suas tetas licitas e ilícitas; com os grandes empresários no bolso e o governo desfrutando de ampla liberdade para usar as polícias e as leis apenas quando convém e somente contra os incomodados, como tem acontecido desde o esquecido Mensalão 1, não faz mesmo nenhum sentido trombar de frente com as liberdades fundamentais, como a de imprensa, renegar os direitos humanos básicos, nem tampouco alinhar-se automaticamente com os mais notórios desclassificados da cena politica internacional.

Isso só serve para “sujar a barra” internacionalmente e fazer aliados perder votos.

O próprio Lula, aliás, faz jus ao mérito que todos lhe reconhecem de ter convencido os restos da esquerda radical, no Foro de São Paulo, de que já se foi o tempo da violência e da contestação, o caminho para o poder, agora, é o do voto. E convenceu tão completamente que até o velho Fidel Castro trocou a farda por um moleton e acedeu em “exortar” a ultima guerrilha esquerdista em ação – a das Farc na Colômbia – a aceitar a paz. Cuba está tão empenhada nessa paz, aliás, que as Farc foram subitamente acometidas de uma epidemia de traições em seus esconderijos na selva que resultaram na morte em sequência de todos os seus lideres “linha dura”, restando apenas os moderados que agora estão negociando com o governo de Bogotá, como deseja Fidel.

Mas tudo isso é passado. A questão que está pela frente, e que desde a segunda eleição de Lula monopoliza obsessivamente a sua atenção, é como projetar internacionalmente o poder desse novo Brasil; desse novo PT.

E para isso  o modelo, hoje, indiscutivelmente, é a China.

Vista por essa ótica, passa imediatamente a fazer todo sentido a longa série de estranhos acontecimentos que desagua agora no fuzilamento publico do homem que, desde que passou a comandar a Vale, multiplicou por quase 17 vezes o seu valor.

Por que razão esses nossos antigos paladinos dos fracos e oprimidos vivem hoje abraçados aos superpoderosos empresários que, graças aos seus préstimos, galgam todos os anos novas colocações na lista dos bilionários da revista Forbes? O que explica que o único banco brasileiro de fomento ignore os milhares de empregadores brasileiros sem acesso a crédito e despeje dezenas de bilhões de dólares exclusivamente nos cofres das mega-empresas, as únicas no país que podem tomar dinheiro tanto no mercado aberto quanto em bancos nacionais ou estrangeiros? Porque um governo que diz agir em favor dos oprimidos trabalha furiosamente para criar monopólios que darão poderes absolutos a patrões contra trabalhadores com cada vez menos alternativa de empregadores? Porque focam essas operações em produtores de insumos primários em cima dos quais se estruturam todas as grandes cadeias produtivas da indústria nacional? Porque, depois de cooptar os homens mais ricos do país, tomam-nos pela mão e levam-nos ao exterior para fechar ainda mais os seus esquemas monopolísticos com recursos do Tesouro Nacional?

É a glória eterna dos Gerdau, dos Ermírio de Moraes, dos Batista, dos Joésios que este governo quer garantir?

Ou está-se juntando a fome de poder do PT com a vontade de comer dos “capitalistas de relacionamentos” de modo a reeditar os recorrentes consórcios de interesse entre o Estado e os interesses privados para controlar as torneiras dos insumos básicos onde todo o resto da economia nacional é obrigada a vir beber que sustentaram os esquemas de poder tanto de Getúlio Vargas quanto dos militares por quem Lula tantas vezes declarou admiração?

E com o crescente peso relativo da economia brasileira no cenário mundial, não é esse modus operandi, também, perfeitamente adequado para projetar internacionalmente o poder de um país de que o PT, do qual Lula se considera a encarnação viva, acredita ser “a vanguarda”.

O que, senão o desejo de usar como instrumento político o controle de gargalos nevrálgicos da economia mundial, como os de commodities minerais, petróleo e, especialmente, a produção e comercialização de proteína animal e vegetal, pode explicar o esforço ingente dos governos petistas de criar e se tornar sócio de grandes monopólios em operações onde não se leva em conta o mérito dos escolhidos ou dos preteridos no jogo de cooptação dos representantes do capital nem o interesse da massa dos brasileiros nos seus papéis de trabalhadores assalariados ou de consumidores?

A China, com a sua abordagem predatória do mercado por monopólios que somam o poder do Estado ao do capital anabolizados pelo esmagamento dos direitos dos trabalhadores que os servem, está pondo o mundo de joelhos e ameaçando o capitalismo democrático com a pura e simples supressão do seu habitat (que é o mercado livre de interferências espurias).

E o PT está louco para bancar uma parte desse jogo.

“Graças a Deus não me mataram!”

28 de fevereiro de 2011 § 2 Comentários

Não tem nada que explique melhor o Brasil do que a frase que se ouve, dia sim dia não, de alguém muito próximo da gente: “Fui assaltado! Graças a Deus não aconteceu nada! Não houve tiros, não houve estupro, não barbarizaram minha família…Só levaram nossas coisas“.

O brasileiro está tão acostumado a ser tratado como a mosca do cocô do cavalo do bandido que não tem a mais vaga noção sequer daquilo que tem direito a aspirar. Que dirá do que tem direito de exigir…

E isso não é só com o favelado, o “excluído”, o desvalido explícito. É com todo mundo, de qualquer classe social. Todos nós somos democrática e “inclusivamente” esfolados, vilipendiados, humilhados e ofendidos “di-á-ri-a-mente”, como diria a Marisa Monte.

Saindo vivo, tá no lucro!

É isso que explica o sucesso do Lula.

A unica divisão real que existe no Brasil é entre quem paga e quem cobra impostos;  quem tem de dividir o resultado do seu trabalho suado e quem tem “direito adquirido” ao ócio remunerado; quem faz das tripas coração todo santo dia porque vive ameaçado de ser empurrado para a porta de saída e quem, como diz candidamente o eterno senador José Sarney, leva a vida na santa paz daquele mundinho encantado onde “só existe a porta de entrada”.

Esta ilustração sobre o que acontece com os automóveis vale para tudo, do leite do brasileirinho que vai nascer hoje ao remédio do doente miserável que vai morrer amanhã neste país do “graças a deus não me mataram”.

Resta esperar que a universalização dos bens de consumo e a internet tornem isso mais claro pra quem vive preso atras da inexpugnável muralha da língua portuguesa, e um dia a gente faça com os nossos mubaraks o que até os egípcios já fizeram com os deles…

Ilustração enviada por Carlo Gancia

Tudo se arruma com uma única reforma

17 de janeiro de 2011 § 3 Comentários

Mais uma safra de desgraças.

Mais uma safra de frustrações.

A TV mostrou ontem que ha 115 mil pessoas vivendo em áreas de risco somente na Grande São Paulo, segundo mapeamento minucioso feito pela Prefeitura.

115 mil!!!

E a serra carioca então? Virou, inteira, uma constelação de favelas, como o resto do Rio; como o resto do Brasil. Igualzinho ao que está acontecendo em toda a Serra do Mar aqui em São Paulo. Os “sertões” das praias do Litoral Norte, que vieram de Cabral até aqui mais ou menos com a mesma cara, nos últimos 10-15 anos, vão tomando os ares miseravelmente caóticos das “Rocinhas” da vida.

A extensão da desordem, por si só, já fornece a desculpa para as mortes dos próximos muitos verões.

Como remover tudo isso até o próximo?

Como remover isso um dia, qualquer que seja, se as “autoridades” com a atribuição de faze-lo são as mesmas que muitas vezes lideraram e, em todos os casos, sancionaram essas invasões das áreas de risco?

Reconfirmada a nossa impotência como cidadãos, lá vai o Brasil de novo, entrando na senda do conformismo.

As TVs “enlatarão” a emoção da desgraça da hora enquanto durar a curiosidade sobre ela, mas basta o sol voltar a brilhar e o carnaval ocupar as telinhas com suas bundas tremelicantes para que também os cadáveres da Serra do Rio sejam esquecidos.

Afinal, tudo, no Brasil, está torto e precisa ser endireitado.

É coisa demais! Desanima qualquer um!

O jeito é “ligar o foda-se” e seguir adiante, cada um por si, porque a vida é uma só.

Se a gente for esperar o Brasil mudar, não vive.

Soa familiar?

Esse raciocínio já lhe passou pela cabeça?

Não é atoa!

Mas eu insisto: essa impressão é um engano.

As vidas perdidas, as mutilações, as felicidades roubadas em função das enchentes, do mau estado das estradas, das fugas e assassinatos dos “indultados” de cada Natal; a roubalheira desenfreada das vésperas de eleição, a corrupção policial, o crime organizado, a indústria do achaque contra quem trabalha, o descalabro dos hospitais e da educação públicos, a irracionalidade dos impostos que nos empobrecem a todos, tudo isso e muito mais é fruto da mesma distorção original e só pode ser corrigido por uma única e solitária reforma: o fim da impunidade no topo da cadeia de comando.

Tentar eliminar, um por um, todos os efeitos da força que entorta todo o sistema político brasileiro é tarefa impossível. Mas se cada um “deles”, cada um dos que têm o poder de nomear e a obrigação de agir, souber que pode ser sumariamente demitido, ter sua carreira encerrada e se ver em apertos de fato com a Justiça a qualquer momento por “dá cá aquela palha”, como se dizia antigamente, aí o problema passa a ser deles. Então – e só então – eles passarão a jogar a seu favor. E, rapidinho, tudo isso se corrige como num passe de mágica.

Porque exatamente como acontece com a impunidade, a responsabilização também só funciona em cadeia.

O fiscal da prefeitura só proibirá construções em área de risco e tratará de fazê-lo antes que seja tarde se ele souber que o surgimento de uma única e solitária construção numa área de risco já implicará, imediata e inapelavelmente, na sua demissão, no fim da sua carreira e, possivelmente, em mais que isso em alguma penitenciária do Estado (se ele tiver sido pago para fechar os olhos).

O fiscal só será inapelavelmente demitido diante do surgimento de uma construção em área de risco se o Secretário que o nomeou for inapelavelmente demitido se não demitir seu subordinado num prazo previamente estabelecido sempre que ele for flagrado em delito.

E o Secretario só será liminarmente demitido se tergiversar com os erros e falcatruas dos seus fiscais se o Prefeito que o nomeou for sumariamente demitido toda vez que tergiversar com os erros e as falcatruas dos seus Secretários.

A mesma coisa vale para governadores e presidentes da Republica.

Mas prefeitos, governadores e presidentes da Republica só podem ser sumariamente demitidos quando tergiversarem com as falcatruas e ilegalidades praticadas por seus subordinados se os representantes eleitos pelo povo nos legislativos forem sumariamente demitidos toda vez que fizerem vistas grossas para os flagrantes de ilegalidade dos membros do Poder Executivo que eles são pagos para fiscalizar e, quando for o caso, “impedir” (de “impeachment”).

Libere qualquer um deles da ameaça de demissão a qualquer hora e por qualquer motivo que o eleitor achar suficiente, e você estará liberando todos. Impunidade ou responsabilidade são como gravidez. Não existem pela metade. Ou valem para todos ou não valem para ninguém.

Os Estados Unidos quase acabaram, no final do século XIX, roídos pela corrupção de políticos que suas instituições não tinham força para alcançar e punir. Inventaram, então, o voto distrital, para definir quem representava quais eleitores, e deram a esses eleitores a prerrogativa de “reconvocar” (recall) seu representante por simples “quebra de confiança”, ou seja, sem necessidade de especificar a razão. Basta circular uma lista pelo distrito eleitoral. Se 5% ou mais a subscreverem (o numero varia de Estado para Estado), convoca-se nova eleição que derruba ou reconfirma o cara. Isso vale para qualquer funcionário eleito. E lá quase todos os que têm funções executivas, de policiais a professores, de vereadores a presidentes da Republica, passando por tudo que está no meio, o são.

Isso reduziu a roubalheira e a ineficiência a limites jamais alcançados por qualquer outra sociedade moderna, pôs os legisladores fazendo leis a favor do povo e não de si mesmos e fez daquele país a maior potencia do mundo.

A discussão lá, hoje, é em torno do direito de eleger e cassar também os juízes de direito.

Torcendo pela Dilma

11 de janeiro de 2011 § 2 Comentários

Alguém disse, dia desses, que “pão ainda ha, mas o circo, pelo menos, acabou”. Menos mal. Nem os mais intransigentes fãs de Lula aguentavam mais aquele chororô. Deu mais shows de despedida que Frank Sinatra.

A Dilma anima. Alivia quem andava crispado pela completa hegemonia da emoção no discurso político brasileiro. Tem coragem e dignidade suficientes para tomar posição até contra deus todo poderoso. Com a obrigatória dose de reverencia mas sem nem um chorinho a mais. Desde antes da eleição disse o que é e o que não admite ser em todos os momentos em que se tornou imprescindível fazê-lo. Sente-se segura o suficiente para conclamar o país à união. Não precisa dividir para governar.

Se estamos condenados ao PT, com todo o risco implícito da doença se tornar crônica, esse tanto já não é pouco.

Se for mentira, será mais uma. Mas por enquanto não parece…

Agora, herança maldita perde!

A sua Via Dolorosa prenuncia tantas “estações” quanto a de Cristo.

Um PMDB nunca antes tão explícito, nunca antes tão despudoradamente ávido, graças ao espaço nunca antes tão amplo que se deu à avidez e à explicitude no governo Lula, não demorou a sentir a diferença entre a criatura e o criador. Dora Kramer pintou o quadro. Com 10 dias de vôo solo, sem que fosse necessário nenhum murro na mesa, apenas com a discreta operação do “amortecedor” Palocci, já entenderam que ha que ter alguma compostura. No mínimo comportar-se bem à mesa. Foi inequívoco o recuo entre os primeiros dias e hoje, ainda que seja só tático.

Do setor elétrico ao Turismo houve um nítido downgrade no território privativo de caça da família Sarney entregue ao velhinho bandalho que a representa no novo ministério. Não pela pouca importância do turismo para o país que vai receber uma Olimpíada e uma Copa do Mundo, mas pela quantidade de dinheiro imediatamente ao alcance da mão e o poder de chantagem comparativamente muito menor. Se não se tratar de uma simples troca de ladrões, é auspicioso. Energia é coisa séria demais num país em crise de crescimento.

Domesticar o PMDB, de qualquer maneira, vai ser uma tourada. Mas uma tourada para a qual o PT está mais bem aparelhado que todos os outros partidos que já passaram por “lá”. Primeiro porque não tem, nem o PT, nem a máquina publica contra si.  Os sabotadores profissionais realmente perigosos jogam todos a favor. Segundo porque a batalha da comunicação está ganha antes de começar. O Brasil inteiro sabe o que é o PMDB. Explorar essa má fama é nadar a favor da corrente. E para os eventuais rebeldes, não ha de faltar munição aos especialistas do PT-POL que tiveram oito anos para juntar dossiês sobre personagens que, cada um deles, rende uma enciclopédia inteira de ignomínias.

O perigo, aí, é ser fácil demais e levarem o Congresso inteiro de roldão. Seria o roto falando do rasgado, sim. Mas quem ha de se levantar para defender o rasgado? Com que argumentos?

É possível que ainda tenha de pedir socorro à corja, o coitado do Brasil!

O espectro fantasmagórico de um PT governando sozinho nos remete à segunda “estação”. Catequizado o PMDB, começará a guerra contra os PTs. As batalhas já estão todas mapeadas: controle da imprensa, contenção das “organizações da sociedade civil”, defesa da democracia representativa, controle de gastos, meritocracia no serviço publico, política externa e, last but not least, o controle da desembestada corrupção “amiga”.

Dilma já tomou posição explícita quanto a todos esses assuntos. E na melhor direção possível.

Essa Dilma filha e neta de professores universitários europeus (ainda que dos Balcãs, elemento que compõe bem com o lado mais “aventuroso” da sua biografia), personifica inequivocamente essa alta classe média do petismo, integrada por quadros tradicionais do alto escalão do serviço publico, enriquecidos (…) e aburguesados, portadores de uma sólida cultura tecnocrática e corporativa, que se sente confortavelmente em casa no poder como ele está organizado hoje. Esse grupo tem o que perder. Mas terá de se haver, ao longo de todo o caminho, com os êmulos do banditismo sindical, cevados no crime, com uma “praxis” e um repertório culturalmente marginais e, ainda, com os restos do PT ideológico com o qual ela própria ainda mantém compromissos de lealdade.

Vai ser complicado!

Pairando sempre por cima de todos, “o cara”, a inesquecível Rebeca da Dilma presidente, com suas previsíveis recaídas e sua incontrolável loquacidade. Será ele a carta de “Revés” do baralho deste governo que, cada vez que “sair”, vai impor a Dilma caminhar diversas “casas” para traz no jogo da afirmação no poder.

Em que momento se dará o confronto? Quando Dilma formará o seu próprio ministério? Com que artes conseguirá neutralizar os restos do passado que lhe foram impostos?

E que outras Dilmas haverá por traz desta dos judiciosos discursos de final de campanha e início de governo?

Quem, afinal, é Dilma Vana Roussef? A da Erenice que, como se viu na posse, também “nunca saiu de lá”? A do passado, com tempero balcânico? A tecnocrata exigente, que não enjeita trabalho e sabe o valor do mérito? A cidadã que, ao não fazer concessões com a liturgia do cargo, dá provas de sua reverência pelas instituições?

Ou que mistura dessas todas?

O que teria levado Lula a tirá-la do anonimato diretamente para o cargo mais alto da Nação: apenas e tão somente um cálculo macunaímico para tornar mais difícil esquecê-lo e mais fácil a sua volta ou uma secreta noção de que, por traz de todo o rancor que não consegue conter em relação aos letrados, sente a falta que eles fazem para este momento da vida brasileira?

E o palco onde tudo isso se dá: que tipo de tentações poderá adicionar a essa receita este mundo pão/pão, queijo/queijo, sem moderação nem utopias, que caminha reto para a associação do pior do estatismo com o pior do capitalismo selvagem, mortos o liberalismo e o socialismo?

Pois é…

Viver é mesmo muito perigoso!

E o palhaço quem é?

16 de dezembro de 2010 § Deixe um comentário

Período………………………………………………2007 a 2010

Nós…………………………………………..……13 salários/ano

Eles……………………………..15 salários/ano (fora o resto)

Inflação……………………………………………………+ 19,64%

Salario mínimo…………………………………….……+ 34,21%

Salario dos deputados:………….…………………….+ 61,8%

Salario do presidente:…………………………………+ 133,9%

Salario dos ministros:…………………………………+ 148,6%

Automaticamente, por especial “direito constitucional”, as Assembleias Legislativas e Camaras Municipais do pais inteiro vão no arrasto.

O pretexto foi dar a todos “isonomia” com os ministros do Supremo Tribunal Federal. R$ 26.723,13 (adoro essas casas centesimais!), por enquanto. Mas já estão pedidos mais 14,78%: para R$ 30,675 e uns quebradinhos. Mas este é só, digamos assim, o multiplicador da equação dos salários dos parlamentares. Somado tudo que se expressa em cifrões naquilo que recebem (auxílios aluguel, gasolina, transporte, telefone, roupa, médico, dentista, etc), cada um deles + respectiva equipe nos custa R$ 128 mil por mês.

Sabe como é: no mundo encantado de Brasília o seu salário não sobe só se você trabalhar melhor, inventar alguma coisa ou render mais; o seu slário sobe porque o do seu vizinho subiu. E “punto e basta”, como diz aquele italiano fajuto da novela…

Um por todos; todos por um. É a cumplicidade que os une. Igualdade perante a lei é coisa pra americano “babaca”.

Para malandros espertos, como nós, a conta: R$ 2 bi, antes que a onda “isonomica” desça pelo funcionalismo publico abaixo, o que fatalmente acontecerá mais adiante.

Daqui por diante, alias, os “representantes” que nós livremente elegemos querem os ministros do Supremo Tribunal Federal como arrombadores oficiais da porta do cofre. Sempre que eles conseguirem um aumento, o que podem fazer por deliberação inter pares (um grupinho só de 11), a corja toda tem o salário automaticamente aumentado, Brasil afora, “sem ter de passar pelo constrangimento de aprovar uma lei só para isso” debaixo dos holofotes da imprensa livre (enquanto houver imprensa livre).

Aumentos como o aprovado ontem já passam em “votação simbólica”, sem registro da posição individual de cada parlamentar. E por se tartar de um “decreto legislativo”, o presidente da Republica não pode vetar, nem que tenhamos, um dia, um presidente da Republica disposto a moralizar aquele circo. Basta, como ontem, que o Sarney da vez ponha o decreto na mesa e o aprove em seguida, em nome dos demais. Não se requer nem lista de presença.

“Agora já sei o que faz um deputado”, disse o bom Tiririca, que é a cara de todos nós.

Porque, então, não acabar com essa burocracia besta e tornar secretos os salaries de todos os “servidores publicos” logo de uma vez? Nos poupa a vergonha e a dor de estômago de nos vermos cerimonial e oficialmente rapelados todo fim de ano.

Um dia chegaremos lá. Porque como diz o NANP (“nunca antes neste país”), democracia só não basta. Queremos “excesso de democracia” como a que o bom coronel Chavez proporciona ao povo venezuelano.

E já que a eleição acabou mesmo, vamos deixar pra lá as formalidades. Nas véspera da diplomação da Dilma, diploma tambem pro Maluf, pro Garotinho e pra todos aqueles bons brasileiros injustamente visados por essa anti-isonômica “lei dos fichas sujas”, hoje excelentíssimos membros da “aliança” que nos mantêm “lá”.

Barrá-los seria uma discriminação inadmissível. Afinal, este é o país onde ontem, no momento em que, para prevenir que lá na frente  algum “partido pela ética na política” venha a rescrever a história do Brasil, o “nosso guia”, em pleno Palácio, registrava a sua versão dela em cartório incluindo, desde já, suas realizações futuras, até o Zé Dirceu resolveu assumir: “Eu nunca saí daqui”.

Impunidade über alles, que está nascendo o nosso Reich de Mil Anos!

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