A novela da meia entrada

14 de outubro de 2011 § Deixe um comentário

A novela da meia entrada na Copa do Mundo é um desses casos que deveria fazer cair a ficha aos habitantes desta ilha cercada de língua portuguesa por todos os lados para a distância abismal que nos separa das praias alguma vez já banhadas pelas águas da democracia.

Os donos dessa teta se levantam em defesa dela com o discurso da soberania nacional ameaçada e, em pleno Terceiro MiIênio ainda vejo alguns jornalistas salivando pavlovianamente e fazendo-lhes eco sem enrubescer, carregados de “indignação cívica” contra esses loiros de olhos azuis intrometidos, para nos lembrar como vai fundo o aparelhamento das nossas escolas e o quanto ainda nos pesa o isolamento linguístico em plena era da internet.

Mesmo assim, não ha como fazer entrar em cabeças que ainda pensam uma aberração como esta. Ainda que queira, como de certo quer já que também eles estão se fartando de mamar nessa festa que Lula nos armou, a Fifa simplesmente não tem como fazer contas a esse respeito de modo a fechar um business plan que faça um mínimo de sentido.

Pois não ha meios de saber que parcela de cada arquibancada de cada jogo desta Copa será ocupada por detentores de carteirinhas da UNE ou por “idosos” de 60 anos e mais com carteira de identidade brasileira, para que se possa calcular quanto cobrar a mais, para fechar a conta, de todos os outros mortais nacionais e estrangeiros não aquinhoados com o pedacinho de privilégio que o PC do B está autorizado a vender para ter como comprar os votos que seu discurso não consegue mais angariar.

Como é que é?

Isso mesmo. Se não é do seu tempo fique sabendo que distribuir “carteirinhas de estudante” que dão direito a meia entrada deixou de ser uma atribuição de qualquer escola, como foi um dia no passado, o que era apenas um absurdo, e passou a ser, graças ao finado presidente Itamar Franco, um privilégio exclusivo do PC do B, o que transformou a coisa num crime eleitoral consentido.

Como o PC do B é, coincidentemente, o partido do ministro dos Esportes, eles não tardarão a aprender o modo brasileiro de fazer justiça que é chutando os preços dos ingressos todos muito lá para cima de modo a garantir que entre mortos e feridos morram e sejam feridos apenas os rabos de sempre para que os deles fiquem garantidamente incólumes.

Pra brasileiro tudo bem já que, desde que nascemos, estamos acostumados a comprar carroças por preço de carruagem e pagar três vezes por qualquer coisa pra sustentar Brasília e cia. ltda, e o fazemos sem chiar desde que as prestações caibam naquilo que sobra do nosso salário depois da mordida do Leão.

Mas e os estrangeiros, estarão dispostos a pagar essa conta toda? Quantos desistirão de vir ao Brasil depois de conhecer os nossos preços londrinos por facilidades africanas e o custo do pacote de ingressos depois que o PC do B recolher o seu imposto particular?

É outra conta simples a que resulta da resposta a essa pergunta. Prejuízo essa Copa vai dar de qualquer maneira. Pois se o prejuízo for maior que o esperado, tudo bem, já que quem paga é de qualquer jeito este nosso povo alegre que não faz contas especialmente num mês tão feliz, recheado de feriados, porque jogo de futebol e trabalho ao mesmo tempo é coisa que a nossa infraestrutura de transportes que divide arrecadação com os pecês-do-bês da vida não comporta.

Por conta das queixas de lesa-soberania da Fifa, a UNE aproveitou mesmo foi pra passar o  “Estatuto da Juventude” em sessão tumultuada da Câmara, lá em Brasília, que estende a meia entrada em cinemas, teatros e eventos esportivos também para as passagens de ônibus intermunicipais, interestaduais e de turismo e, de quebra cria “Conselhos da Juventude” em todos os Estados e nos mais de 5.500 municípios para abrigar mais uma galera da companheirada.

E vamo que vamo que país rico é país sem miséria!

Rio Babilônia

30 de agosto de 2011 § 4 Comentários

Eu sinceramente tenho feito força para me animar com o progresso material evidente do Brasil. Empurro o pessimismo pra lá, reduzo a marcha e acelero. Mas mesmo esquecendo Brasília, está difícil. O noticiário do Rio de Janeiro é de arrasar.

Primeiro foi aquela fantástica “libertação do Maracanã”, que serviu de marco para o fim do programa de implantação das UPPs. O Estado acha suficiente retomar as favelas em torno do ou no caminho entre o Maracanã e a Zona Sul, por onde deverão passar “os ingleses” que virão ver a Copa. E basta. O resto fica pra depois. Brasileiro pode esperar pra sempre. E a imprensa do Rio achou normal!!!!

Ai foi aquele quase enfrentamento entre o delegado Alan Turnowski, até o pescoço no crime organizado, e o secretário de segurança, e quem teve de “encolher” foi o ultimo.

Você levanta, meio tonto, tenta recomeçar a andar e aí vem os flagelados re-flagelados da Serra Carioca. Primeiro a enxurrada, depois a horda de ladrões. Ja não há sinal do tsunami que arrasou o Japão mas a Serra Carioca continua como na manhã seguinte ao desastre. Os pesadelos aqui começam e não acabam mais.

Então vem a libertação do capitão Bizarro. Sim, aquele mesmo que passou indiferente a dois metros do coordenador do Afroreggae, Evandro João da Silva, baleado, estrebuchando no chão, e em vez de socorre-lo correu atras dos seus assaltantes para … assaltá-los. Voltou com um tênis e uma camisa na mão, quase pulou por cima da vítima, ainda viva, e foi-se embora. Dois ou três anos “afastado” (como o Palocci) a espera de julgamento, e saiu livre, com dois meses de “prisão administrativa” que é outro dos nomes que eles dão à impunidade por aí.

Depois, a juiza que ousa prender os criminosos da polícia. Uma do nosso lado afinal!

Massacrada na rua: 21 tiros no rosto do Brasil.

Os motoristas de ambulância que vendem seus doentes a quem pagar mais; o bondinho de Sta. Tereza amarrado com arame; o sistema de saúde sem informática, o Judiciário sem informática, o sistema de educação publica semeando analfabetos para colher clientes do suborno eleitoral.

Que sete pragas do Egito, que nada! E um pouco mais longe das lentes da Globo, o que é que vem acontecendo?

Não vamos ver o fim disso nunca?


A Russia quer a Copa do Mundo

29 de junho de 2011 § Deixe um comentário

Veja o que eles estão fazendo enquanto a gente batalha o Itaquerão…

Enviado por Carlo Gancia

A libertação (só) do Maracanã

20 de junho de 2011 § Deixe um comentário

Anotações do fim-de-semana – 7

Sem dar nem um tiro, 750 policiais e soldados reincorporaram o morro da Mangueira ao territorio nacional depois de 26 anos de “independência”.

Com isso fecha-se o “Cinturão da Grande Tijuca” que cria uma zona desmilitarizada em torno do Maracanã.

Agora falta só o Complexo da Maré, ao longo da Linha Vermelha, que liga o Galeão ao Rio de Janeiro para que os estrangeiros que vierem ver a Copa possam ir e vir sem passar no meio do fogo cruzado.

A Rocinha, o Vidigal e outros morros ainda ocupados pelo tráfico podem ficar para depois porque só com a Olimpíada é que eles ficarão no caminho entre os turistas hospedados na Zona Sul e as competições que se darão principalmente na Barra.

Acredite quem quiser, foi mais ou menos nesses termos que O Globo comemorou a ocupação da Mangueira hoje, sob a manchete de página “Segurança no palco da Copa”.

O Globo, é obrigatório lembrar, pertence à mesma empresa da Rede Globo, que é quem mais fatura com uma Copa do Mundo no Brasil depois da Fifa e da CBF…

Não duvido que esta seja uma angulação realista. Venho denunciando essas UPPs desde o primeiro dia como uma operação “pra inglês ver”.

Mas o tom do Globo não era de denuncia. Era de comemoração! Ele se dá por satisfeito com o “Cinturão da Grande Tijuca”!!!

Pra mim isso é um escândalo muito maior que a atitude dos políticos que determinaram que seja assim.

Como sempre, a ocupação foi uma moleza. Os traficantes são business men que sabem que não podem enfrentar o Estado se este estiver disposto a coloca-los no devido lugar. Eles não precisam ocupar territórios próprios e armar os exércitos necessários para garanti-los para seguir com o seu comércio.

Faziam isso porque o histórico descaso do Estado para com a desgraça dos favelados do Rio dava-lhes de barato essa oportunidade.

A guerra pelos morros traduz apenas os delírios de vaidade dos chefões que, livres para agir, se deixam inebriar pela sensação de onipotência de ver seus súditos implorando pela vida; de ter uma corte ao redor de si onde todos lhes dizem amém e puxam-lhes o saco para ganhar privilégios; de ter o poder de distribuir pedaços desse poder.

Eles são uma versão mais primitiva dos profissionais de Brasilia, que também cairão sem disparar um tiro no dia em que a imprensa e o povo brasileiro resolverem que já tivemos o suficiente disso que eles são.

Tá bom, Dilma, ok então…

20 de junho de 2011 § Deixe um comentário

Anotações do fim-de-semana – 4

O Regime Diferenciado de Contratação (RDC) entrou no Congresso valendo “exclusivamente para obras visando a Copa e a Olimpíada”.

Meia hora depois enfiaram no projeto também as cidades a mais de 350km das cidades sede. Mais meia hora e lá estava outra emenda do PDT incluindo nesse regime todas as obras envolvendo “portos, aeroportos e mobilidade urbana do país”. Aí juntaram ao caldo o direito de fazer aditivos aos contratos sem limites. Em seguida deram à Fifa e ao Coi a prerrogativa de exigir revisões desses contratos. Finalmente os governadores e prefeitos aderiram à idéia contanto que se tire esse tipo de obra dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal.

E então a presidente Dilma, ao lado de Temer, Sarney, Collor, Ricardo Teixeira e João Havelange veio a TV para lamentar essa estranha mania da imprensa de ver maldade em tudo…

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