A doença do mundo, para variar

4 de dezembro de 2015 § 21 Comentários

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Deixemos a nossa de lado por um momento…

Depois de viver a dúvida cruel – foi terrorismo ou foi só mais um simples massacre doméstico? – a polícia americana conclui pela 2a hipótese no morticínio de San Bernardino. Isso deixa estabelecido ubi et orbi, que existe agora essa nova opção do suicídio com massacre revestido de uma embalagem “ideológica” que tem tudo para “pegar” já que, até que deixe de ser novidade, renderá mais minutos de fama que os outros…

Um dos maiores conhecedores das raízes históricas do terror no mundo islâmico já tinha, aliás, aventado a hipótese de que a onda de ataques inaugurada com o de Paris reflete as derrotas que o Estado Islâmico, que se divorciou da Al Qaeda pela sua opção estratégica essencialmente não internacionalista e de ocupação de territórios, vem sofrendo no Oriente Médio. Em um ano ja perdeu mais de 25% dos que tinha ocupado. Vai daí, a legião dos deformados dos países com lei com planos de aderir ao grupo para refestelar-se no sangue massacrando e massacrando de novo lá no “Califado”, estão deixando de correr para debaixo dos bombardeios na Síria e no Iraque e agindo por conta própria em seus territórios de origem sem uma coordenação central a partir de Raqqa, a “capital” do grupo na Síria. Daí os autores do atentado na França serem todos franceses, os da América americanos e assim por diante.a2

A central estaria “assumindo” todos os assassinatos porque cadáveres são essencialmente o “produto” da sua “industria” e, afinal de contas, o que abunda não prejudica…

Seja como for – suicídios com massacres “ideológicos” ou suicídios com massacres puros e simples – a pergunta que sempre me vem à cabeça é quantos dos problemas mais cabeludos da modernidade não são, de alguma forma, criaturas da mídia? Haveria esses massacres não fossem os “15 minutos de fama” que eles proporcionam? Quantos malucos das eras pré-midiáticas haveria que, na solidão dos seus delírios depressivos, teriam espontaneamente a idéia de se equipar do armamento apropriado, fantasiar de Rambo ou de jihadista e massacrar seus vizinhos antes de se despachar desta para a melhor? Quanto desse sangue todo não é mais que o produto de uma forma perversa de moda?

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Seja qual for a resposta, haverá que se conviver (ou con-morrer) com ela. A tragédia sem fim do Oriente Médio é um problema sem solução dentro dos parâmetros morais do Ocidente. A única escolha que existe é entre assassinos sob algum controle e assassinos totalmente fora de controle porque o poder de estado — com as pouquíssimas exceções que vão sendo inexoravelmente engolidas pelos adeptos da regra — só se estabelece, naquela realidade cultural ainda tribal pelo assassinato em massa e só se mantém pela regularidade dos assassinatos “de reconfirmação“.

A Arábia Saudita é o Estado Islâmico estabelecido e consolidado. Tudo que Abu Bakr al-Bagdadi quer é ser Abdullah bin Abdul Aziz Al-Saud. Como ele ainda não tem uma “Arábia Bagdadita” para chamar de sua, escancara o seu “ou eu ou a morte” “wahabista” na rede mundial enquanto sua majestade Al-Saud que, ao fim de quatro ou cinco gerações de morticínios e autos-de-fé em praça pública igualmente “wahabistas”, já frequenta círculos civilizados, tenta manter aterrorizado com o “ou eu ou a morte” dele apenas o circuito fechado do público doméstico.

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Ninguém me tira da cabeça, aliás, que a farta colheita de psicopatas que essa exposição planetária rendeu ao Estado Islâmico é um “bonus” que deve ter surpreendido os seus competentes “marqueteiros” que, pensando apenas e tão somente em horrorizar, acabaram por seduzir com o seu “reality show” sanguinolento.

Sim, senhores, o mal existe! Era Freud e não Rousseau quem estava certo…

Mas não acredito que fosse isso que eles queriam provar. Eles são só os autores involuntários da desoberta da nova dimensão que assumiu a doença da humanidade com a chegada da geração videogame à idade de substituir o “joystik” por um “kalash” de verdade…

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Bashar Al Assad é a versão “anti-wahabista” da mesma maldição. Se cair, engendra outro Bashar Al Assad, mas requerendo muito mais sangue para se consolidar no poder do que os rios que o atual tem vertido para se manter nele.

Nos dois casos instala-se o mesmo círculo vicioso. Como quem resiste às bestas-feras são sempre os melhores, os melhores são sempre os primeiros a serem assassinados. Permanece vivo quem se conforma à ordem do terror que se apoia, essencialmente, no instituto da delação “at random” como fator decisivo de sobrevivência: passa-se a matar e a fazer matar para não ser morto, e a única saída desse estágio “colaborativo” do horror é cruzar o Mediterrâneo. Mas aí o que fica, fica cada vez pior…

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Raízes históricas da última mentira “islâmica”

10 de setembro de 2014 § 62 Comentários

aa4“Projeto para cinco anos”

Como inglês que é, e profundo conhecedor da história e da realidade presente dos povos árabes (ele foi, por muitos anos, agente do MI6, o serviço secreto inglês, destacado para aquela parte do mundo), Alastair Crooke, com dezenas de artigos disponíveis na internet, reune condições excepcionais para explicar as raízes históricas e o contexto presente do grupo terrorista conhecido como Estado Islâmico que, a partir da guerra civil na Síria, destacou-se da Al Qaeda e, depois de ocupar territórios estratégicos naquele país e no Iraque ricos em petróleo, estruturou-se financeiramente o suficiente para se constituir numa ameaça real de dominar a cena num mundo árabe desestruturado por uma sequência de convulsões.

Os terroristas do Estado islâmico abraçam a corrente do wahabismo, a mesma que, lá no início do século 18, serviu de alavanca para que o clã dos Ibn Saud que até hoje reina inconteste sobre a Arábia Saudita, começando como uma das muitas tribos beduínas que vagavam pelo deserto escaldante e miserável do Nejd guerreando-se umas às outras para roubarem-se mutumente as poucas posses, iniciasse a sua trajetória de conquista de poderes muito mais amplos.

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Abd al-Wahab viveu no século 17 quando o Império Otomano, de um lado, e o Egito, do outro, dominavam o Oriente Médio. Ele apontava essas nobrezas dominantes, que incorporavam alguns habitos ocidentais como “falsos muçulmanos” e criticava igualmente as tribos beduinas que “adoravam santos, enterravam e visitavam seus mortos e viviam mergulhados em superstições” de influência católica.

Pregava que todos voltassem aos costumes “do tempo em que o Profeta viveu em Medina” que teria sido a época de ouro do islamismo, e convocou a “guerra santa” contra todas as novidades poluentes tais como o xiismo, o sufismo e as demais variações do islamismo ou qualquer coisa que pudesse ser ligada à filosofia grega, todas elas “proibidas por deus”, em razão do que, “qualquer homem que manifestasse a menor dúvida ou hesitação sobre a correta interpretação do Islã deveria ser implacavelmente morto, ter suas posses confiscadas e suas filhas e mulheres violentadas”.

Para que não pairassem dúvidas sobre essa entrega total à única verdade, ele exigia que todos “os verdadeiros muçulmanos se entregassem à obediência cega a um único líder, o Califa”.

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Abd al-Wahab acabou sendo expulso de sua cidade em 1741 e encontrou asilo e proteção na tribo de Ibn Saud, que percebera claramente que todo aquele radicalismo seria o instrumento ideal para que ele submetesse as demais tribos e passasse a reinar absoluto.

Ibn Saud continuou agindo como sempre agira, invadindo e saqueando seus vizinhos, só que agora podia faze-lo “em nome de deus”, o que justificava também o martírio em prol da jihad. Já não lhe bastava pegar o que pudesse e voltar para casa. Agora suas forças permaneciam no território inimigo onde a opção era a conversão para o wahabismo (e a obediência cega ao seu “califa“) ou a morte. De massacre em massacre, onde mulheres e criancas não eram poupados e a tortura e as execuções públicas se transformaram em instrumentos metódicos de submissão pelo terror, por volta de 1790 Ibn Saud já dominava quase toda a Península Arábica e atacava violenta e repetidamente a Síria e o Iraque.

Nada, enfim, que nossos ancestrais católicos não muito distantes (ou os que resistissem a eles)  não tenham passado também.

É exatamente essa mesma receita que o grupo Estado Islâmico tem aplicado nos últimos anos.

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Em 1815 as forças dos Saud foram esmagadas pelos egípcios e em 1818 os otomanos capturaram a capital do wahabismo, Dariya.

Só a partir dos anos 20 do século passado os Saud, reeditando a sua “guerra santa” contra a laicização e as modernizações promovidas por Kemal Ataturk e, mais tarde, por Gamal Abdel Nasser, conseguiram reconquistar o poder. Adb–al Aziz, o protagonista da época, temendo o radicalismo de suas próprias tropas depois de uma sucessão de revoltas, fuzila todos os seus líderes.

O petróleo começava a transformar-se naquilo que se transformou em nossos dias, os Estados Unidos e a Inglaterra cortejavam os Saud e o rigor wahabista, irrigado por uma torrente crescente de petrodólares, logo se converteu numa versão institucionalizada de estado nacional e num instrumento de garantia do poder absoluto do clã que chega até os nossos dias.

Com a riqueza do petroleo, a missão dos sauditas passa a ser “reduzir a multidão das vozes dentro da religião islâmica para um único credo”, projeto no qual investiram bilhões de dólares num esquema de conquista que passa a incorporar também elementos gramscianos (pela educação e pela cultura) em vez de recorrer exclusivamente às armas e ao terror como antes (embora sem abrir mão deles).

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O resto, incluindo a crescente dependência do Ocidente da ordem saudita como barreira para a expansão soviética no Oriente Médio, é história.

Ironicamente são os próprios sauditas que plantam a primeira semente do revival wahabista incorporado pelo grupo do Estado Islâmico, no arrasto da Primavera Árabe. O primeiro impulso se dá com a violentíssima repressão da tentativa de derrubar o governo sunita de Bahrein, sob a alegação dos imperativos do wahabismo, liderada pelos sauditas que manejavam a contra-revolução da Primavera Árabe laicizante iniciada com a derrubada dos governos da Tunísia e do Egito.

O segundo foi o mandato conjunto atribuido pelos sauditas e pelas potências ocidentais para que um dos príncipes sauditas tratasse de controlar a insurreição contra Bashar al-Assad na Síria. Mas como controlar um movimento onde o mote, como lá atras, é a doutrina do “Um único líder, uma única autoridade, uma única mesquita: submeta-se ou morra”?

A história está de volta para pânico dos sauditas que sabem melhor que ninguém com o que é que estão lidando, e agora pedem socorro ao Ocidente para deter a ameaça que eles próprios ajudaram a criar.

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Começando como um grupo destacado da Al Qaeda, logo considerada moderada demais para os novos wahabistas, financiado pelos sauditas, essa facção dos insurgentes sírios foi conquistando armas e territórios até se apossar de áreas ricas em petróleo e ganhar autonomia para comprar seu próprio armamento, incorporar quadros dos governos desbaratados de Sadam Hussein e outros derrubados ao longo da “Primavera“, montar a sua própria máquina de propaganda, moderna e anconrada na rede mundial, e se organizar quase como um governo nacional com grupos destacados para cada tarefa do que pretende ser o futuro “califado islâmico“: energia, propaganda, impostos de guerra, sequestros, operações financeiras, controle religioso, relações internacionais e assim por diante.

Para o momento cuidam de exterminar os competidores mais próximos e intimidar os sobreviventes até o ponto da obediência cega usando os métodos brutais consagrados pelos séculos.

Não vai ser fácil detê-los. Só com bombardeios aéreos será impossível. Os próprios árabes ainda estabelecidos no poder terão de fazer-lhes frente porque eles não pretendem deter-se nas fronteiras do Iraque e da Síria.

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Toda a “roubada” em que se estavam metendo os sauditas foi prevista por Alastair Crooke desde, pelo menos, 2011. Mas muito antes disso ele já vem alertando os governos ocidentais sobre a visão distorcida que eles guardam do conflito com o islamismo que, segundo ele, “tem raízes muito mais profundas do que os alinhamentos políticos das potências ocidentais com Israel ou com os grupos e países em choque no Oriente Médio”.

Na verdade o que é irreconciliável, para Crooke, são as “questões filosóficas” de fundo que, não sendo consideradas como deveriam ser, levam os líderes ocidentais que tentam se posicionar no Oriente Médio segundo uma lógica de alianças e alinhamentos políticos aos sucessivos erros de avaliação a respeito do que acontece naquela região.

O ódio do Islã radical ao Ocidente traduz a recusa em aceitar o entendimento da essência humana nascido com a democracia inglesa, baseado na incolumidade do indivíduo e dos seus direitos, e no respeito à sua liberdade sustentada por um sistema de justiça racionalista, versus o approach essencialmente “espiritual” e comunitário da vida (os dois elementos que fornecem a “justificativa” para toda e qualquer barbaridade contra quem ousa resistir) que está na base do “pensamento islâmico radical” que, em última instância, é invocado para sustentar todos os poderes estabelecidos por lá.

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Esse fosso é certamente mais profundo entre o Ocidente e o Islã, mas é ele que separa também, com profundidades variáveis, o pequeno grupo das democracias originadas no movimento protestante inglês de quase todos os outros povos da Terra.

Toda corrente filosófica que se apoia no coletivo resvala para a violência e, ou namora, ou mergulha no totalitarismo que foi, basicamente, a condição sob a qual viveu toda a humanidade até o surgimento da democracia inglêsa, aí incluída toda a comunidade européia de que nós, brasileiros, somos extensão, que passou os mil anos que antecederam a revolução protestante sob um estado religioso (o papado) ou sob o absolutismo monárquico, primos mais velhos dos regimes totalitários “coletivistas” mais recentes.

Muitos, como nós, continuamos vivendo sob versões mitigadas daquele regime, submetidos, por baixo de um verniz “democrático” que não garante, nem a igualdade perante a lei, nem a meritocracia que a definem, sob os caprichos de um quase rei e seus quase barões que desfrutam “direitos” e privilégios outorgados sustentados por quase súditos.

Não é a moral cristã que liberta. Ela sempre conviveu bem com o totalitarismo e com os regimes amparados na eliminação física da dissidência, de que é um exemplo sinistramente clássico a Inquisição.

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O monoteísmo está na raiz dessa doenca crônica da humanidade pois onde só ha uma verdade a intolerância é o coroláio obrigatório, especialmente se essa verdade tiver sido transmitida diretamente “por deus”.

Só a sacralização do indivíduo na sequência da institucionalização da tolerância; a sua incolumidade e o valor absoluto de cada vida humana, conduz ao império dos direitos do homem. Contra a “felicidade coletiva” e contra as variadas formas “únicas” de “salvação”, o indivíduo não é nada e pode e deve ser massacrado.

O grupo Estado Islâmico é essa “crença” pretensamente num estado puro, como a Inquisição já pretendeu ser em relação ao catolicismo. Mas é apenas mais uma mentira como foi em todas as suas edições e reedições anteriores pois que tem, como sempre, de ser instilada pelo terror porque a inteligência humana naturalmente a rejeita.

Não é “crença” nem é o verdadeiro Islã, portanto. É só a ferramenta covarde de intimidação de sempre, a serviço de um projeto de poder, também como sempre. Só que com as condições de hoje, ela pode fazer muito mais estrago do que antes conseguia infligir só até onde alcançava a ponta da espada.

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O olho de Obama

11 de setembro de 2013 § 1 comentário

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Enquanto o PC do B, o protetor de Cesare Battisti, negocia com Vladimir Putin, o protetor de Bashar al Assad, para ouvir Edward Snowden de modo a deter a espionagem americana que ameaça a segurança do mundo e a lisura do jogo econômico internacional (Democratas, unidos, jamais serão vencidos!), é provável que os especialistas daquele “tradicional grupo de profissionais que blinda Dilma na rede” (veja a matéria “Top, top secret” aí embaixo) estejam examinando com o mais alto interesse o mais novo segmento da corda que vem sendo pacientemente trançada pelos capitalistas para o seu futuro enforcamento.

A imprensa especializada americana destaca hoje os novos sensores instalados no iPhone 5S lançado ontem pela Apple, como a mais decisiva confirmação da tendência, generalizada nessa indústria, de transformar todos os aparelhos de uso pessoal intensivo, especialmente o onipresente “celular inteligente”, em plataformas de múltiplos “sensores permanentemente ligados” (“always-on sensors”).

burro2

O iPhone 5S vem agora com um “co-processador de movimentos” empacotado num novo chip, o M7, cuja função é “monitorar permanentemente todos os sensores de movimentos já embutidos no seu telefone como o acelerômetro, o giroscópio e a bussola”.

Esses sensores, em si mesmos”, esclarecem os especialistas, “não são novidade. Mas dedicar um chip exclusivamente para monitorá-los, sim. O M7 acoplado a algo chamado CoreMotion API, que é um software que transforma os impulsos medidos por esses sensores em informações combinadas legíveis, torna essas informações disponíveis para qualquer aplicação que se baseie no seu uso”.

Um dos aplicativos baseados nessa API, informa a Apple, será o Nike+Move que fará com que o seu celular substitua o Fuelband da própria Nike, que são aquelas pulseiras que medem quanto você andou, por quanto tempo, em que direção, a que velocidade, empurrado por quantos batimentos cardíacos por minuto e queimando quantas calorias, entre outras informações.

burro2

Os Galaxy S3 e S4 da Samsung também embutem “acelerômetros”, por enquanto usados para funções inocentes tais como rejeitar uma ligação virando o aparelho para um lado e para o outro ou “dar zoom” numa foto imitando o gesto de afastar ou aproximar o telefone dos olhos. Os S4 já incluem, também, sensores de umidade e temperatura, por enquanto usados, alegadamente, apenas para “fazer os telefones contribuírem para sistemas mais amplos de previsão do tempo”.

Já os MotoX, da Motorola, estão “sempre ouvindo”. O chip de processamento de áudio que ele incorpora é “especializado na supressão de ruídos e no reconhecimento de voz”. Como reconhece certas palavras e movimentos, outro tipo de processamento dessas informações “allways-on”, segundo o site especializado AllThingsD, permite que esse telefone “antecipe os movimentos do usuário”. Por exemplo, segure o telefone como se fosse tirar uma foto e ele ligará automaticamente a câmera.

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Todos, entre esses aparelhos, que são motorizados pelo sistema Android, do Google, transmitem, ainda, dados sobre os deslocamentos físicos de seus usuários a partir dos GPS’s “allways-on” dos seus sistemas, mantidos assim “para montar e animar os Google Maps e os sistemas de monitoramento de tráfego”, muito em voga ultimamente.

Todos esses “features” e inocentes comodidades, entretanto, custam dezenas de bilhões de dólares e anos de trabalho para serem desenvolvidos, o que nos põe diante de uma flagrante desproporção entre custo e benefício.

Mas quando saímos do transe do brinquedinho novo e nos damos conta de que a pergunta sobre a real utilidade de todas essas aparentes bobagens poderia ser perfeitamente respondida com a mesma frase que o Lobo Mau devolvia à Chapeuzinho Vermelho quando ela candidamente o interrogava sobre a serventia daquelas orelhas, daquele nariz e daquela boca “tão grandes”, começamos a entender melhor em que terreno estamos pisando.

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Por enquanto a única coisa que impede que todos esses chips fiquem “allways-on” todos juntos, ao mesmo tempo e o tempo todo é a charada tecnológica da duração das baterias que, por enquanto, não suportam esse desaforo todo.

Mas enquanto ela não se resolve os fornecedores dessas plataformas, pelas quais pagamos regiamente e que cuidamos de manter sempre ao alcance de tudo que eles querem saber, vão vendendo a peso de ouro as informações que elas nos arrancam enquanto brincamos com elas. De carona com eles vão também os analistas de “big data”, cada um com seu interesse específico, nadando de braçada nas nossas intimidades.

Em priscas eras, coisa de quatro ou cinco anos atrás nestes tempos de internet, temia-se o desenvolvimento do que se chamava então “uma internet das coisas” onde tudo – de sapatos a automóveis – estaria conectado, o que resultaria no permanente monitoramento de tudo que as pessoas fazem ou deixam de fazer.

burro2a

Era esse o cenário tenebroso à la “1984/Big Brother” dos pessimistas de então.

Agora, compreendendo melhor o real grau de inteligência dos portadores de celulares inteligentes, os fabricantes perceberam que em vez de colocar chips em tudo é mais fácil embutir todos eles nos celulares que eles carregam consigo de livre e espontânea vontade do confessionário ao banheiro, passando por tudo que está no meio, e registrar cada soluço que seus portadores dão – para vender ou manipular tais informações em função de projetos de poder ou simplesmente vigiar concorrentes, desafetos ou opositores para eventuais providências futuras – enquanto os alegres objetos desse monitoramento permanente, nus em pelo, distraem-se a vociferar contra “as óbvias intenções” de Obama e da CIA de despi-los, destruir democracias e atacar gratuitamente gente inocente.

Sai muito mais barato.

burro7

O jogo está feito

6 de setembro de 2013 § 4 Comentários

doente1

Que o Brasil está doente a gente já sabia.

Trata-se agora de confirmar se ha esperança de cura ou se a doença é terminal.

As manifestações de junho mostraram que o organismo do paciente ainda reage a qualquer migalha de estímulo que se lhe atire, como foi a primeira etapa do julgamento do Mensalão.

Mas como sairá de uma eventual reversão das condenações?

A mera constatação de que essa possibilidade existe e, pior, é pacificamente discutida pela multidão dos roubados, dá conta da gravidade do caso e antecipa o longo e doloroso tratamento que se fará necessário se ainda houver esperança de cura.

doente4

Já se a virada se confirmar, seja como for que a recidiva se manifeste – pela devastadora metástese lewandowskiana ou pela crônica resiliência insidiosa barrosista – tudo estará terminado.

O que fará Joaquim Barbosa nessa hipótese? Emigrará?

E os milhões de brasileiros que a sua saga pessoal de menino pobre que venceu pelo caminho da justiça simboliza? Que escolha lhes restará senão a do outro menino pobre que venceu trapaceando e pisoteando a lei?

Não estamos sozinhos nessa encruzilhada.

doente3

O mundo inteiro está pendente do veredicto que for dado ao carrasco da Síria. E este é um caso muito mais complicado que o do Brasil onde as consequências de cada alternativa são muito mais claras.

Se prevalecer a impunidade pleiteada pela alcatéia petista/putinista, não tardará até que armas químicas venham a ser usadas de novo, sabe-se lá contra quem. Uma vitória da impunidade representaria, também a reversão da vitória das democracias sobre os genocidas a gás ou a paredón do século 20 o que animará todos os reacionários do mundo, como os da China, entre outros, a recrudescer a repressão contra o namoro com a liberdade que a prosperidade animou seus súditos a alimentar.

Isso poria as democracias ainda mais na defensiva do que já estão e apontaria para uma longa luta de resistência da cidadela tecnológica em que têm vivido sitiadas contra a barbárie aparelhada com armas de destruição em massa cujos passos ela trata de antecipar à custa do sacrifício do nosso direito à intimidade e à individualidade.

doente6

Se, por outro lado, atacarem Assad sem remove-lo, em que se terá avançado? Seguir massacrando seu povo a bala pode? E se ele for removido, o que virá a seguir será melhor ou pior que o quadro atual?

É isto que, com palavras ou nas entrelinhas, Barack Obama está dizendo ao mundo na televisão, com uma maturidade que me surpreende positivamente e uma transparência a que só os dirigentes de democracias se sentem obrigados, enquanto batuco estas linhas no computador.

O seu tom e os precedentes históricos que invocou, entretanto, soam mais como Pilatos lavando sua consciência pelo que vem vindo por aí do que como César se preparando para impor a sua ordem ao mundo. E mesmo assim, lá vêm os “especialistas” todos, de plantão, para nos dizer que não é nada disso e por trás do dilema moral em que ele se debate estão apenas interesses materiais das empresas americanas que morrem de preocupação com a concorrência das brasileiras e outros sábios esclarecimentos do gênero.

Não é um cenário bonito este em que vai entrando a humanidade.

doente7

Ainda bem…

5 de setembro de 2013 § 1 comentário

ass2Ainda bem que ainda tem gente neste mundo que não consegue dormir se deixar barato a gaseificação indiscriminada de homens, mulheres e crianças em vez de ficar discutindo se “adianta” ou não punir monstros do calibre de Bashar Al Assad.

A gente está acostumado ao padrão Globo de qualidade moral de tanto tragar o desfile de monstruosidades que invade nossos lares na novela da hora do jantar desde pequenininho, e já se acostumou com esse tipo de raciocínio “realista”.

ass6

Os americanos parece que ainda não completamente…

Olhado pela ótica deles, aliás, faz todo sentido a espionagem em cima da Dilma. Afinal o Brasil, se ainda não se declarou oficialmente como inimigo deles, declara-se aliado preferencial de todas as ditaduras em guerra fria ou semi-quente com eles, inclusive as que posicionam-se oficialmente como protetores dos terroristas que os têm como alvos preferenciais.

Na hora “H” segura as pontas até do novo Hitler do Oriente Médio e do seu vizinho apedrejador de mulheres.ass7

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